quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - REFLEXÕES

Por estarmos na semana da “Consciência Negra”, vamos retroceder um pouco na história e buscar compreender um pouco sobre formação do povo brasileiro, com ênfase na chegada dos negros no Brasil, os maus tratos e a resistência a escravidão.

Não sou historiador, fui buscar ajuda no livro História do Brasil, do professor Gilberto Cotrim, Editora Saraiva ,edição de 1999. Fiz um pequeno resumo, escrevendo a minha maneira. Vamos lá:

Tudo começou com o domínio dos portugueses do litoral da África, onde fundaram feitorias durante o século XVI. Formaram um perverso triângulo entre a África, Europa e América: os europeus levavam mercadorias para a costa africana (tecidos grosseiros, rum, tabaco, armas, etc.) e as trocavam por escravos, estes eram vendidos para os colonos americanos, em troca de açúcar, tabaco e ouro.

O ser humano era visto como uma mercadoria, tanto que nas trocas foram arrancados milhões de africanos de sua terra -, para ter uma ideia, estima-se que entre 1531 a 1855 desembarcaram no Brasil em torno de quatro milhões de africanos.

Os Bantos, tribos do sul da África, a maioria de Angola e Moçambique, foram levados para Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os Sudaneses, vindos das tribos de Daomé, Nigéria e Guiné, foram levados para a Bahia, parte foi para São Luís e de lá chegaram até Belém e Manaus.

Foram trabalhar para os seus proprietários, na agromanufatura do açúcar, na plantação de algodão e na mineração, além de trabalharem nos serviços domésticos. Excesso de trabalho, má alimentação, péssimas condições de higiene e castigos, contribuíram para a morte da grande maioria, não resistiam dez anos de trabalho.

Com tanta maldade por parte dos brancos, os escravos resolveram reagir, algumas mulheres provocavam o aborto para evitar o sofrimento futuro dos seus filhos; alguns escravos praticavam suicídios, outros reorganizavam rebeliões contra os senhores.

O Quilombo ou Mocambos, palavra africana, significa “união”, os seus membros eram chamados de quilombolas, calhambolas ou mocambeiros - foi um pólo de resistência a escravidão – existiram em várias regiões do Brasil, corresponde aos atuais estados do Pará, Minas Gerais, Bahia, Amazonas, Mato Grosso, etc.

O mais famoso foi o “Quilombo de Palmares” - recebeu este nome porque ocupava uma imensa região coberta originalmente de palmeiras, situado no atual estado de Alagoas.

Em Palmares, os negros criavam gado e cultivavam milho, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, etc. O líder foi Ganga Zumba (grande senhor), fez um acordo de paz com o governador -, o seu sobrinho Zumbi discordou do acordo, o Zumba foi destituído e assassinado - Zumbi comandou a luta contra várias expedições.

O bravo Zumbi resistiu a diversos ataques, porém, em 1694 o Jorge Velho comandou uma tropa com seis mil homens, o quilombo foi destruído e sua população massacrada – o líder conseguiu escapar do cerco e fugiu com vários companheiros.

Dois anos depois, foi preso e morto, em 20 de novembro de 1695 -, a cabeça foi cortada e exposta em praça pública, na cidade de Recife.

Apesar de tudo de ruim que fizeram com os nossos irmãos africanos, eles participaram imensamente na formação da cultura brasileira, presente na literatura, musica teatro, dança, vocabulário, religião, alimentação, ciências, etc.

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Em Manaus, o bairro da Praça 14 de Janeiro, berço do samba, foi o local onde foram morar os negros vindos do Maranhão. Vamos conhecer um pouco da história, segundo a wikipedia:

A Vitória Régia foi fundada em dezembro de 1975 (em uma segunda-feira, dia 01/12/1975) na Casa da "Tia" Lindoca na rua Jonathas Pedrosa, bairro da Praça 14 de janeiro, Zona Sul de Manaus, por "seu" Fernando, Chiquito, Zé Ruidade, a própria Tia Lindoca, etc... Bem antes disso, em 1946 foi fundada a "Escola de Samba Mista da Praça 14" , que durou até 1961. Muitos dos antigos participantes daquela Escola eram avós, bisavós, pais, mães, enfim, parentes dos fundadores da Vitória Régia. As cores oficiais da Vitória Régia, são o verde e o rosa, inspirados na Mangueira do Rio de Janeiro.


A Vitória Régia realizava seus ensaios no Pátio da Casa da Tia Lindoca até 1988(In memorian – 1993), às vezes em ocasiões especiais, na própria Praça do Bairro. Daí o nome de Praça 14 de Janeiro. Em 1989 a Escola ganhou sua Quadra coberta, que localiza-se bem ao lado da Igreja - Rua Emílio Moreira,(Quando há missas, não há ensaios, se a missa acaba as 21:00, o ensaio começa depois desse horário). A verde e rosa detém ainda, a maior torcida de Manaus e no Sambódromo faz muita festa. A Escola tem a sina de ser de "samba no pé" e muito respeitada pelas outras agremiações, mantém ainda seu padrão de ser "povão". Em Manaus é, ainda a agremiação que reune o maior número possível de negros e mestiços de negros e caboclos, provando assim que a Praça 14 em Manaus - assim como era no Rio de Janeiro das décadas de 20 e 30 do Séc. passado, na área da Praça 11 de junho, à época, chamada de "Pequena África"- Uma analogia com a "Äfrica" de Manaus, que é a Praça 14 de Janeiro, o autêntico "berço do samba" baré.

Eses migrantes negros começaram a fazer no bairro, festas em homenagens aos orixás e muitos folguedos populares, festas de Bumba-meu-boi e também samba, na base de batuques. Pode-se afirmar que entre 1900 a 1940 aconteceu "rodas" de samba na Praça 14 e na área do Boulevard Amazonas, limite do bairro. Na rua Visconde de Porto Alegre por exemplo, havia um clube chamado de Solimões, que reunia os populares para as festas da época, festa de bairro longínquo do centro da cidade de Manaus naquele tempo (note-se que a Praça 14 hoje é um Grande centro comercial de acessórios para automóveis e outros tipos de comércios).

A Praça 14 de Janeiro é basicamente o "berço" do samba de Manaus. Entre 1890 e 1900, migrantes vindo do Estado do Maranhão, chegaram à Manaus da "Bélle Époque" e se estabeleceram em terras que viriam a ser no futuro do próprio bairro da Praça 14 – (Muitas dessas terras pertenciam em Glebas ao português Antônio Caixeiro e ao Sr. Martim Lopes) em relação à Praça que localiza-se no Centro do bairro, onde se situa a Igreja de N.S ª de Fátima, era um local já reservado para a sociedade ali nascente, logo depois essa mesma Praça abrigaria um Mercado de carnes e peixes, logo depois, por volta de 1965 transferido para outro lugar próximo.


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Quem me conhece, sabe muito bem, que eu sou um "cabocão negão", pois os meus avós paternos era formado por um negão e uma branca, os maternos era um branco e uma cabocla filha de índio - os meus pais era um negão e uma branca, nasceram três brancos e essa peça rara, o negão que vos escreve - mesmo com toda esta misturada, ainda me considero um afro-descendente e caboclo da gema. Casei com uma branca, nasceram duas brancas e um negão, este casou com uma branca e nasceu um curumim branco, uma das minha filhas conheceu o Boto e teve uma cunhantã branca - na próxima safra espero que nasça um negão e uma negona, para balancear, é claro! É isso ai.

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