quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CASA DE LEITURA THIAGO DE MELLO

Posted by Picasa

O governo federal através do Ministério da Cultura está criando a Biblioteca-Museu, no Porto de Manaus (Rodoway), dentro do “Programa Mais Cultura”, com parcerias entre a Universidade Federal do Amazonas, Fundação Djalma Batista e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o local será chamado a Casa de Leitura Thiago de Mello.

A obra está em andamento, com um custo orçado em R$ 5,99 milhões, a entrega está prevista para o final de dezembro deste ano. Inicialmente, foi adquirido todo o acervo do poeta Thiago de Mello, avaliado em um milhão de reais, depois, foi realizado uma concorrência pública, tendo como objeto o “Projeto de Restauração, Conservação e Readequação do Antigo Prédio do Tesouro, Armazém 15, Trapiche do Armazém 15 e Áreas Externas do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Porto de Manaus”.

O espaço terá a primeira biblioteca temática do Brasil, reunindo oito mil itens, com o acervo literário, documentos, correspondências, recordes iconográficos, obras de artes e acervo multimídia (CDs e DVDs) do nosso poeta maior, estruturado em três grandes temas: o homem (a condição humana), a floresta (meio ambiente) e a América Latina (política, cultura e integração).

O local escolhido está intimamente identificado com a história da nossa cidade: dizem os historiadores que foi ali que nasceu Manaus, com a construção do Forte de São José da Barra. Com o advento do ciclo áureo da borracha, foram construídos inúmeros prédios, dentre eles, o Prédio do Tesouro Estadual (local onde foi o primeiro emprego do Thiago de Mello, na função de Contínuo), do Rodoway, com destaque para o Armazém 15 de novembro (em homenagem a data da proclamação da República do Brasil), construído em 04 de janeiro de 1890, na administração do capitão Augusto Ximeno de Villeroy, era conhecido também como “Trapiche Princesa Isabel".

Para Fabiano dos Santos (representante do MEC) “A Casa de Leitura Thiago de Melo é uma iniciativa do Ministro Juca Ferreira, no contexto chamado Biblioteca de Referência Temática, realizado em várias regiões do Brasil, como, por exemplo, no Nordeste, onde foi criada a Biblioteca de Cultura Popular, já na região Norte, o ministro pensou em transformar o acervo em uma biblioteca temática de referência nacional, tendo como base os três grandes temas desenvolvidos pelo poeta Thiago de Melo: a condição humana, o homem, a floresta, meio ambiente e a América Latina; será voltada para fruição, produção cultural, e também para o desenvolvimento da pesquisa e fomento da cultura com acesso ao livro e à leitura, ou seja, as pessoas terão acesso aos livros e ao seu ambiente, isso tem haver com o conceito de biblioteca de referência estabelecido pelo Minc; a Casa não deve ser entendida como um depósito de livro, pois além de ser um local de acesso à leitura, deve, também, ser um local de formação da leitura, ação de cidadania e de inclusão social”.

Quem é Thiago de Mello:

Natural do Estado do Amazonas, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura regional. Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-1985) exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro, e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou a sua grande cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje. Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=134179&id_secao=11

A revitalização desse espaço é altamente louvável, todos estão de parabéns, falta apenas tirar a administração do porto das mãos de um bando de insensíveis (destruidores de parte do nosso patrimônio cultural) para que possamos, efetivamente, recuperar todo o Rodoway. Valeu!

Foto Colagem: Tela do artista plástico Francisco Lopes e foto do J Martins Rocha.


Postar um comentário