sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DIVERSÃO DAS CRIANÇAS DE MANAUS - PASSADO X PRESENTE


Fazendo uma comparação entre a forma de diversão das crianças das décadas de 60, 70 e 80 e a dos brasileirinhos de agora, poderemos concluir, infelizmente, que hodiernamente os brinquedos e os equipamentos eletrônicos levarão o futuro adulto ao individualismo extremado, tornando-o cada vez mais isolado dos outros membros da sociedade, além de serem mais violentos; muito diferente da nossa época, onde as brincadeiras valorizaram o coletivo, os laços de amizade, enfim, o crescimento saudável, com respeito ao próximo e a sociedade.

O temor da violência, a superpopulação das cidades, a poluição sonora e visual, os engarrafamentos infernais, etc. levam as crianças a se isolarem cada vez mais, procurando suprir o contato humano, através da utilização das mais diversas parafernálias eletrônicas - os aparelhos tipo “ipod” estão tirando a concentração dos alunos, contribuindo para o alto índice de surdez nas crianças, além de levá-los ao isolamento, prejudicando enormemente a saudável conversa entre os amigos e colegas.

Os aparelhos “games” fazem apologia à violência; mesmo quando é jogado com mais de uma pessoa, o canal é feito através de um “notebook”, o contato é virtual; nas “Lan Houses” cada jogador fica no seu quadrado (isolado); os sites de relacionamento “Orkut” e outros modismos a mais, prejudicam enormemente o crescimento saudável das crianças, o papo é todo virtual, nada de contato pessoal.

Para termos uma vaga ideia de como era o dia-dia de uma criança, na pacata Manaus de outrora, transcreverei o relato do João Roberto Bessa Freire, professor e escritor, antigo morador do bairro de Aparecida:

“Minha infância no bairro de Aparecida, foi igual a de muitas outras crianças espalhadas pelo centro de Manaus. Dividia meu tempo entre a escola e as brincadeiras infantis, como empinar papagaio na rua, jogar peteca, atirar pião de madeira, “morcegar” o bonde que fazia linha para o bairro, tomar banho de igarapé, o que quase sempre redundava em uma bela surra por parte da dona Elisa. Fui coroinha e ajudei nas missas dominicais, onde alicercei toda a minha formação religiosa. Naquela época, fazíamos nós mesmos os nossos brinquedos, afinal, Manaus ainda não havia sido brindada com as modernas engenhocas importadas “made in Taiwan”. Construíamos nossos carrinhos de rolimã, trocando as rodas por sabão no Jornal do Comércio, com as sobras dos tubos em que vinham enrolados os papéis para a impressão. Naquele tempo, estávamos livres de um dos piores males que hoje atinge a juventude – as drogas. As peladas nos campinhos de várzea era uma das brincadeiras prediletas, resultando no surgimento de grandes craques no bairro. Por ser de uma família tradicionalmente católica, a missa dominical era uma obrigação sagrada, sendo a catequese realizada aos sábados. Éramos ao todo doze irmãos, sendo oito mulheres e quatro homens, hoje todos formados, com a maioria optando pelo magistério - ainda hoje resido na casa em que nasci na Rua Carolina das Neves, 38 – hoje Rua Elisa Bessa”.

Os jovens estudantes manauenses, não muito diferentes do resto do Brasil, estão cada vez mais violentos, tendo várias causas, porém, uma delas é a utilização de “games” que fazem a apologia ao crime e a violência urbana. As Secretarias de Assistência Social e da Educação promoveram uma campanha denominada “Violência nem brincando”- foram recolhidas facas, canivetes, laminas presas em canetas, além de 3.078 jogos violentos, 180 pulseiras do sexo, 131 DVDs de lutas e outros brinquedos, num total de 6.904 peças entregues espontaneamente pelos alunos. Para incentivar os alunos foram feitos cursos e gincanas educativas sobre violência e paz.

O natal está chegando, os gastos com as compras também – que tal repensarmos mais nos tipos de brinquedos que daremos as nossas crianças. Os jogos educativos são muitos bons; levar as crianças para brincarem nos parques é uma boa opção, sem contar os passeios pelas Praias da Lua, Tupé e Paricatuba, enfim, o contato com as pessoas e com a natureza faz bem para o corpo e para a alma. É isso ai.

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