sábado, 11 de setembro de 2010

PASSEIO DE SABÁDO POR MANAUS


A ladeira da Rua Tapajós ainda cansa muito atleta, imaginem um cinquentão sedentário, mas, não tem jeito, tem que subir, por ser saudosista dos tempos bons da minha juventude, lembrei-me dos amigos de rua, dos colegas do Colégio Benjamim Constant e da primeira namorada; passei pelo Centro Paroquial Frei Miguel Ângelo, um grande complexo esportivo e que promove cursos profissionalizantes e programas de resgate da dignidade de moradores de rua e no apoio às famílias carentes da paróquia – neste local haviam duas casas antigas onde moraram vários colegas da minha infância e, em particular, a Taberna do Senhor Nogueira.

Na esquina da Rua Tapajós com a Rua Ramos Ferreira, encontramos o Centro Educacional Adalberto Valle, uma das minhas filhas  estudou por lá, na alfabetização, uma vez e outra vou ao local para pegar água de poço; no outro lado da rua fica a Academia Amazonense de Letras, passou, recentemente, por uma grande reforma, está novinha em folha, porem, continua fechado para a comunidade, somente os acadêmicos tem acesso ao seu recinto – gostava de sentar em frente ao portão do lado direito, era um local obrigatório para a reunião diária com os meus colegas de rua. Bem frente à AAL fica a famosa Banca de Tacacá da Dona Maria, ela ainda está gozando de boa saúde, os seus filhos tomam conta do negócio, no prédio ao fundo ficava o Teatro Juvenil, um local onde eu me reunia com os membros da Juventude Franciscana, assistia as apresentações de shows musicais e teatro, jogava futebol de salão e, curtia muito os jogos de fliperama.

Parei bem frente à entrada principal do Colégio Benjamin Constant, uma obra prima do final do século XIX, o local foi o Palacete de São Leonardo, o Museu de Botânica do Amazonas, Orfanato e Colégio Estadual – bons tempos quando estudei por lá. O Instituto de Educação do Amazonas, o famoso IEA, continua imponente, todo recuperado, uma beleza, naquele local seria o grande Palácio do governo executivo, o sucessor do governador Eduardo Ribeiro mandou destruir tudo – foi também a sede do Congresso Amazonense – lembro quando fui estudar à noite, era a passagem da minha adolescência para a fase adulta, foi muito duro para mim, acabaram as brincadeiras, a coisa ficou séria e tive que trabalhar e estudar, tudo mudou!

Dei uma olhada para a Praça do Congresso, faz dó ver o abandono em que está passando, pensar que aquele local foi uns dos mais bonitos de Manaus, existia o Palacete Miranda Correa e o Prédio da Saúde, todos foram destruídos – ainda bem que está de pé o prédio da Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista e do “Pinguim”, este traz muitas lembranças (sorvetes, chopes e paqueras) - na praça foi realizado o 1º. Congresso Eucarístico em 1942, com a construção do monumento em homenagem a Nossa Senhora da Conceição – hoje está todo pichado, uma falta de respeito por parte dos jovens e do poder publico.

Quase na esquina com da Ramos Ferreira com a Ferreira Pena, deparei com um imponente prédio da primeira Mesquita de Manaus, o templo dos islâmicos, lembrei-me dos protestos de um evangélico norte-americano que teimava em queimar o Alcorão no dia 11 de novembro, foi convencido, porem, conseguiu evitar a construção de uma mesquita na sua cidade – aqui em Manaus todos tem vez, desde que respeitem a tudo e a todos. Quem ama a um Deus, não mata, principalmente pessoas inocentes! 

Parei em frente à Praça da Saudade, estacionei o meu mocotó num Café Regional, tomei o meu suco de Graviola, Café com Leite e Tapioquinha com Tucumã, um café bem caboquinho, com toda certeza! Fiquei a admirar aquela praça, está uma maravilha, voltou ao que era antes, uma praça contemplativa – curti muito a praça quando ela já estava descaracterizada, tinha uma piscina, um avião, parquinhos, trenzinhos, inúmeras barracas de guloseimas, feira hippie e do índio, shows musicais, etc. Ao fundo tem-se uma bela vista do prédio do Atlético Rio Negro, uma beleza – pena que todo o entorno da praça ainda não foi revitalizada, existem dezenas de casas antigas, as mais bonitas são a Escola de Magistratura e uma que fica bem na esquina com a Ferreira Pena.

Resolvi pegar um ônibus articulado, com cambio automático e ar condicionado (desativado), os ditos cujos fazem parte do “Sistema Integrado de Manaus” o famoso “Estresso 222”, a grande maioria foi detonado pelo tempo, foi muita grana jogada no lixo e no ralo da corrupção. Passei pela Ponte e Parque dos Bilhares, estão um pouco abandonados pela Prefeitura de Manaus - ao passar pelo Millennium, lembrei que no local era um puteiro chamado “Verônica”, não foi da minha época, mas, muito neguinho curtiu as barangas daquele tempo. A minha linha era V-8 e T2, para decifrar: via Darcy Vargas, antiga Estada do V-8 e o Terminal da Cachoeirinha – os Edis (vereadores) resolvem mudar o nome dos logradouros públicos sem consultar o povo, não tem jeito, jamais chamarei Rua Efigênio Sales, somente V-8 e acabou! Parei em frente ao prédio da Petrobrás - no local foi preservado várias árvores, inclusive uma Hevea brasiliensis, a famosa Seringueira, caminhei com todo o cuidado pela rua, pois estava levando para um amigo uma carga preciosa: discos de vinis – O Império Contra-Ataca (Star Wars), A-Ha, Rock In Rio I, Titãs Cabeça Dinossauro e Classic Rock Countdown.

O ponto final foi na Avenida Djalma Batista, no bairro da Chapada. Almocei no Denis Restaurante, no Eldorado, fui ao templo das compras, o Amazonas Shopping, onde tem internet “de graça” para postar a minha caminhada por Manaus. É isso ai, no próximo sábado tem mais. Estou pensando em conhecer alguns bairros da zona leste da cidade - fazer um tour por lá! Fui. 

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