sexta-feira, 10 de setembro de 2010

MUSEU BOTÂNICO DO AMAZONAS

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Recebi um e-mail de uma leitora do nosso blog, moradora da cidade de São Paulo, solicitando informações sobre o “Museu Botânico do Amazonas” – como não sou historiador, não conseguir retornar com as devidas informações.

Para minha surpresa, o Jornal “A Crítica”, edição de hoje, publica uma matéria da jornalista Ana Célia Ossame, com o título “Resgate da memória botânica” e o subtítulo “Simpósio relembra importância de João Barbosa Rodrigues, que implantou, em Manaus, o Museu Botânico da Amazônia”.

Segundo o referido jornal, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), está realizando  o 1º. Simpósio João Barbosa Rodrigues, um naturalista brasileiro que esteve na Amazônia em 1872 e que conseguiu montar em Manaus, o Museu Botânico da região.

O naturalista nasceu no Rio de Janeiro, estudou botânica, geologia e zoologia, em 1871 publicou uma obra sobre classificação de orquídeas; houve a inveja de muitos cientistas e botânicos da época, dificultando a publicação da obra. Em 1872 veio para a Amazônia a serviço da coroa portuguesa, navegando pelos rios Capim e Trombetas, no Pará e, nos rios Nhamundá, Jatapu, Jauaperi, urubu e Javari, no Amazonas.

Em 1883, retorna ao Amazonas, com a missão de implantar o museu, inicialmente, foi instalado na antiga Ilha de Caxangá (atual Manaus Moderna), com mais de três mil plantas, material arqueológico e equipamentos e vidrarias com os reagentes. Depois, o museu foi para onde é hoje o Colégio Benjamim Constant, na Rua Ramos Ferreira e, depois, para o Liceu Amazonense, atual Colégio Estadual Dom Pedro II, onde foi extinto, causando transtorno ao naturalista.

Para o professor Frederico Arruda, Pró-Reitor de Extensão e Interiorização (Proexti), da UFAM “Barbosa Rodrigues percorreu vários rios, entrou em contato com tribos e chama a atenção para a nomenclatura dada pelos índios das espécies vegetais e animais, cujas terminologias acabaram sendo usadas na língua latina. A extinção do museu foi uma perda irreparável com o advento da República”.

Para finalizar, o professor Arruda lamenta“A politicagem destruiu o museu. Em 1888, o Barbosa Rodrigues recebeu do cônego Amâncio de Miranda, substituto do intendente, a ordem para desocupar em 24 horas, o prédio do hoje Colégio Benjamim Constant, para instalação de um orfanato. Após o desespero de ver parte do material destruído - no final do ano de 1889 recomeça o museu no Liceu Amazonense, mas, em 1890, foi mandado embora pelo interventor Ximenes Villeroy. Ao viajar para o Rio de Janeiro, assume o Jardim Botânico e torna-se um diretor revolucionário”.

Segundo sitio http://www.barbosarodrigues.ufam.edu.br  “O Museu Botânico do Amazonas foi uma iniciativa da Princesa Isabel, criado e implantado por Barbosa Rodrigues, tendo sido inaugurado em 16/02/1884. O museu era destinado a estudar botânica e quimicamente a flora da província e a vulgarizar os seus produtos.Quando o museu foi instalado, já dispunha de coleções botânicas e etnológicas provenientes dos trabalhos realizados no âmbito da Comissão do Amazonas.Não menos importante foi a publicação da revista Velosia que só teve um número dividido em dois volumes, nos quais estão descritas várias espécies novas da flora amazônica. Atendendo à necessidade do resgate histórico da vida e da obra de João Barbosa Rodrigues, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por iniciativa da Pró Reitoria de Extensão e Interiorização com o apoio do Museu Amazônico e de docentes das áreas de Ciência Biológicas e Ciências Humanas realizará de 06 a 10 de setembro de 2010 um evento em homenagem ao grande cientista, o I Simpósio Barbosa Rodrigues. Este evento fará parte da programação geral do 61º Congresso Nacional de Botânica”.

Segundo o site acima, no evento será lançado livro “Barbosa Rodrigues e o Museu de Botânica do Amazonas" escrito por Leyla Leong (editora Valer, 112 páginas), faz um resumo da trajetória do botânico carioca no Amazonas, para onde veio em 1883 a convite da Princesa Isabel, para montar e dirigir o Museu de Botânica do Amazonas.

A história de Barbosa Rodrigues em terras amazonenses é relatada em texto leve com pitadas de ficção, em projeto dirigido ao público juvenil, como uma introdução à atividade botânica, à pesquisa e às descobertas científicas. A autor comenta no seu livro sobre o que rstou do acervo do museu: "O que conseguiu salvar-se do acervo de livros foi transferido da biblioteca do Colégio Pedro II para a biblioteca do INPA, criado em 1954, onde permanece até hoje, além de um espécime-tipo Tynanthus ignei Barb. Rodr. - está no herbário do INPA e é considerada uma preciosidade"

Agora, sim, disponho de informações suficientes para enviar para a nossa leitora de São Paulo.

Espero que o trabalho do João Barbosa não fique em vão, os homens de boa vontade ainda podem resurgir das cinzas o novo "Museu de Botânica do Amazonas", existe material disponível na UFAM, professores, pesquisadores, estudantes e vontade do meio acadêmico, falta apenas recursos e decisão política do governo federal e estadual. É isso ai.

Fontes: Jornal A Critica
            João Barbosa Rodrigues e o Museu de Botânica do Amazonas. /Leyla Leong. - Manaus: Editora Valer, 2010. 
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