quinta-feira, 2 de setembro de 2010

BAIRRO DE SÃO JORGE, MANAUS

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O nome do bairro está diretamente ligado ao sincretismo religioso, que faz parte de sua história e do imaginário popular de seus moradores até hoje. O bairro surgiu como a maior parte dos bairros de Manaus, através de invasão, e foi vagarosamente chegando ao desenvolvimento da atualidade.
História
Na década de 50, surgiram aglomerados de casas dando origem às várias comunidades na área que hoje corresponde ao bairro de São Jorge. Logo no início, para se chegar ao bairro, era preciso atravessar do bairro de São Raimundo de catraia. Até que em 1955 os moradores construíram, em mutirão, uma vicinal, a chamada de rua dos Batizados, conhecida pela tradição de se realizar batizados na mesma, que hoje é a Alfredo Amaral Bastos.
Em 1957 chegaram os primeiros missionários católicos e no ano seguinte, no dia 15 de abril, foi construída a primeira igreja católica. No princípio, era freqüentada por poucas pessoas, que estavam habituadas a freqüentar a igreja de São Geraldo. Com o passar do tempo, a igreja adotou o nome de São Jorge, o nome do padroeiro do bairro.
As primeiras denominações do bairro eram de acordo com a sua dinâmica e aspecto. Por exemplo, o seu primeiro nome foi "Pico das Águas", por causa da cachoeira e dos igarapés. Depois recebeu o nome de Rocinha, porque tinha muitas roças. Também se chamou Morro das Corujas, por causa de terreno íngreme, no qual se ouvia muito pio de coruja. E o nome atual surgiu de uma unanimidade, talvez pelo sincretismo religioso latente no bairro.
Ainda nas décadas de 1940 e 1950, a área consistia em rios, igarapés e as pessoas moravam em taperas. As ruas eram cheias de buracos, de barro úmido, e o uso de cacimbas era inevitável. Não tinham postos de saúde, policiamento e sem luz elétrica, assim os moradores tinham de usar candeeiros.
Existia uma feira, a feira das Castanheiras, muito precária, mas abastecia a comunidade e funciona até hoje na rua 1º de Maio. Em 1952, no governo de Álvaro Maia, foi inaugurada a primeira ponte do São Jorge, chamada de Engenheiro Lopes Braga, que ligava o bairro ao resto da cidade.
Cachoeira Grande
Na gestão de Plínio Coelho começou a abertura de estradas e o abastecimento de água, por isso mesmo, iniciaram as primeiras construções. Porém, foi também na década de 50, que começou a destruição da Cachoeira Grande, que ficou famosa na cidade por suas águas límpidas e sua bela queda que ficava prateada, por isso recebeu o nome de Bacia de Prata.
Depois de explodida, a barragem serviu para extração de rocha, e os moradores ficaram somente com a lembrança, que carregam até hoje na chamanda rua da Cachoeira, ou Ambrósio Aires, que margeava o igarapé do Mindu. Mais tarde, em 1960, com a retirada das pessoas que habitavam a "Cidade Flutuante", começou a abertura de ruas e a construção dos barracos das famílias oriundas de invasões.
Em 1963 foram instalados os primeiros postes de iluminação pública, porém a energia elétrica só chegava nas ruas principais. No governo Plínio Coelho foi construído o conjunto habitacional João Goulart, com casas populares em madeira destinadas à população de baixo poder aquisitivo. Mais tarde, dois outros conjuntos surgiram, desta vez em alvenaria: O dos Comerciários e dos Bancários, ambos com recurso federal.
Vila Militar
O bairro também abriga a sede de dois jornais da cidade, panificadoras, pizzarias, várias escolas públicas. O início da presença militar no bairro é marcado pela construção da Vila Militar, para abrigar os sargentos e suboficiais do Exército, logo em seguida veio o 1º BIS(Batalhão de Infantaria de Selva) substituindo o 27º Batalhão de Caçadores. Seguindo o roteiro até a Ponta Negra conta com o clube Cirman e ainda com o Parque Regional de Manutenção, criado em 6 de dezembro de 1978, e o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), considerado em todo o mundo como o mais preparado centro de treinamento de operações na selva, dispondo de zoológico com as mais variadas espécies da fauna Amazônica, que fica na estrada do São Jorge.
Na gestão do prefeito Jorge Teixeira, durante os anos de 1974 e 1978, foi construída a segunda ponte do bairro, que serve até hoje para o retorno à cidade. Segundo Léia Campos, 48 anos, que mora próximo à ponte há 32, todos conhecem a edificação por Joana Galante, só que o nome não está legalizado na prefeitura.
Comunidades
Alguns conjuntos residenciais mataram a paisagem que encantava os moradores. Hoje, o São Jorge é divido em algumas comunidades das que compuseram o bairro logo no início, são elas a Vitória-Régia, no lado direito da av. São Jorge, que antes era o Horto Florestal da cidade; o São Jorge, da rua Humberto de Campos até atrás da igreja; e o Jardim dos Barés, atrás da igreja até Arthur Reis e Travessa Paraguaçu. Este último fica tão próximo ao bairro Vila da Parta que chega a ser confundido com o mesmo, além de ser a parte mais necessitada que merece maior atenção do poder público.
Cada comunidade dessas tem suas próprias ruas de comércio, indústrias e escolas. O Jardim dos Barés tem até uma pequena feira. Funciona também no bairro o Conselho Tutelar da Zona Oeste.
Comunidade festeira
O bairro de São Jorge era conhecido em toda a cidade como uma comunidade festeira. As mais destacadas foram realizadas pelo pai de santo João de Castro, um dos fundadores do bairro, e pela mãe de santo Joana Galante. Os moradores que tem em média de 30 a 40 anos lembram dos grandes festejos de Cosme e Damião, São Sebastião e do famoso pau de sebo no alto do morro do centro de Joana Galante. Era o dia mais feliz para as crianças da época porque tinha muita comida e muita brincadeira.
A tradição em São Jorge das grandes festas de umbandas iniciava logo na entrada com as manifestações incentivadas pela Joana Almeida dos Anjos, nome verdadeiro da Mãe Joana Galante, babalorixá mais famosa de Manaus. Vinda do Pará, foi morar na rua Leonardo Malcher. Personalidade carismática, nasceu em 28 de junho de 1910, iniciou seus trabalhos com a umbanda e o candomblé ainda aos 28 anos de idade. Festeira, recebeu o nome de Galante, por ter sido madrinha e patrocinadora do Boi-Bumbá Galante, do boulevard Amazonas.
Foi em 1947 que recebeu a doação de um terreno no conhecido Morro das Corujas, alto do morro da entrada do bairro, onde construiu seu Congá. Em dias de festa Mãe Joana Galante se vestia em trajes exigidos nos rituais. Na época, Mãe Joana Galante tinha uma mãe de santo substituta, conhecida por Mãe Zulmira, que hoje tem seu próprio terreiro no Morro da Liberdade. As festas tradicionais do centro de Mãe Galante recebiam destaque: Nossa Senhora da Conceição, Cosme e Damião, Senhora Santa Ana, Santa Bárbara, São Sebastião e São Jorge.
Localização
O São Jorge está localizado na Zona Oeste da cidade, numa superfície de 292 hectares, fazendo fronteira com os seguintes bairros: Vila da Prata, Compensa, Nova Esperança, Dom Pedro, Chapada, São Geraldo e Santo Antônio.
Morador ilustre
Conhecido pelos moradores como uma querida personalidade do bairro, o funcionário público João Castro Filho, 52 anos, faleceu no último dia 10 de outubro de 2006, vítima de parada cardíaca. “Castrinho”, como ficou popularmente conhecido, era filho do babalorixá João Castro, tido por muitas pessoas como fundador do São Jorge, falecido há quinze anos. Com a morte do pai, Castrinho assumiu suas atividades, continuando a desenvolver no local ações sociais e beneficentes, como a distribuição de brinquedos no Dia das Crianças. Castrinho era oficial de justiça do Tribunal Regional do Trabalho e, com sua morte seu filho mais novo, Wendell de Castro, 30 anos, dará continuidade na prestação de serviços aos moradores do São Jorge.
Fonte: Jornal do Commércio Portal Amazônia - NR



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