quinta-feira, 19 de novembro de 2009

JOSÉ MARIA FERREIRA DE CASTRO




Nasceu em Salgueiros, Vila Oliveira de Azeméis, Portugal, em 24 de maio de 1898, faleceu em 29 de junho de 1974, na cidade do Porto.  Por força do destino, embarcou para o Brasil ainda muito jovem, em 1911 tentou se estabelecer sem sucesso em Belém do Pará; caiu no conto do vigário e, embarcou para o Amazonas, passando quatro anos no Seringal Paraíso, no município de Humaitá, vivendo no regime de semi-escravidão.


Antes de embarcar para o Seringal, deu uma passeada por Manaus - para que os senhores tenham uma idéia o quanto a nossa cidade era bonita - o Ferreira de Castro teve como primeira impressão uma cidade limpa e arborizada, encheu a vista ao ver o luxuoso Pavilhão Universal, onde encontravam-se pessoas finas e bem vestidas, avistou uma praça repleta de bares e restaurantes, com as suas meses ocupadas por comerciantes tratando de negócios; deu um pulo na Avenida Eduardo Ribeiro, onde haviam grandes casas aviadoras dos seringais do Amazonas, a cada momento encontrava o látex beneficiado (bolas) cortadas ao meio, sendo encaixotadas e exportadas para a Europa e Estados Unidos, por empresas de portugueses, árabes e judeus.

 

Escreveu Imigrantes, A Selva, Eternidade e o Magazine Civilização; sem dúvida o romance A Selva foi o mais importante para os amazonenses, em decorrência de relatar com precisão os problemas sociais vividos pelo povo da região, relatando a história da realidade socioeconômico dos usos e costumes do povo amazonense em 1912, além de servir de base um filme de longa-metragem.


Tivemos um prefeito em Manaus chamado Manoel Ribeiro, apelidado de Manoel Pracinha, por ter dedicado grande parte da sua administração voltada para a reforma das praças da nossa cidade; foi o único alcaide que se lembrou do Ferreira de Castro – mandou construir um monumento com o busto na Praça Heliodoro Balbi – encontramos no local uma placa com os seguintes dizeres: “Foi no Amazonas que nasceu o meu primeiro desejo, que criou asas e aspirou voar a minha fantasia, que teve no meu peito uma leve sombra, dos meus primeiros versos da beleza da vida... Hoje o Amazonas é a minha pátria, o museu das minhas imagens, a silenciosa biblioteca onde se acumulam todas as variantes de beleza” Ferreira de Castro, 1921. Esta placa foi uma homenagem da União Brasileira dos Escritores – UBE e da Associação dos Amigos de Ferreira de Castro – AAFC.

Fonte: (BAZE, Abrahim. Ferreira de Castro - um imigrante português na Amazônia. Manaus: Editoria Valer. 2005).






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