sábado, 28 de novembro de 2009

DIVERSÃO DAS CRIANÇAS DE MANAUS - PASSADO X PRESENTE

Fazendo uma comparação entre a forma de diversão das crianças da década de 60 e a dos brasileirinhos de agora, poderemos concluir, infelizmente, que hodiernamente os brinquedos e os equipamentos eletrônicos levarão o futuro adulto ao individualismo extremado, tornando-o cada vez mais isolado dos outros membros da sociedade; muito diferente da nossa época, onde as brincadeiras valorizaram o coletivo, os laços de amizade, enfim, o crescimento saudável, com respeito ao próximo e a sociedade.

O temor da violência, a superpopulação das cidades, a poluição sonora e visual, os engarrafamentos infernais, etc. levam as crianças a se isolarem cada vez mais, procurando suprir o contato humano, através da utilização das mais diversas parafernálias eletrônicas - os aparelhos tipo “ipod” estão tirando a concentração dos alunos, contribuindo para o alto índice de surdez nas crianças, além de levá-los ao isolamento, prejudicando enormemente a saudável conversa entre os amigos e colegas; os aparelhos “games” fazem apologia à violência; mesmo quando é jogado com mais de uma pessoa, o canal é feito através de um “notebook”, o contato é virtual; nas “Lan Houses” cada jogador fica no seu quadrado (isolado); os sites de relacionamento “Orkut” e outros modismos a mais, prejudicam enormemente o crescimento saudável das crianças, o papo é todo virtual, nada de contato pessoal.

Para termos uma vaga idéia de como era o dia-dia de uma criança, na pacata Manaus de outrora, transcreverei o relato do João Roberto Bessa Freire, professor e escritor, antigo morador do bairro de Aparecida – “Minha infância no bairro de Aparecida, foi igual a de muitas outras crianças espalhadas pelo centro de Manaus. Dividia meu tempo entre a escola e as brincadeiras infantis, como empinar papagaio na rua, jogar peteca, atirar pião de madeira, “morcegar” o bonde que fazia linha para o bairro, tomar banho de igarapé, o que quase sempre redundava em uma bela surra por parte da dona Elisa. Fui coroinha e ajudei nas missas dominicais, onde alicercei toda a minha formação religiosa. Naquela época, fazíamos nós mesmos os nossos brinquedos, afinal, Manaus ainda não havia sido brindada com as modernas engenhocas importadas “made in Taiwan”. Construíamos nossos carrinhos de rolimã, trocando as rodas por sabão no Jornal do Comércio, com as sobras dos tubos em que vinham enrolados os papéis para a impressão. Naquele tempo, estávamos livres de um dos piores males que hoje atinge a juventude – as drogas. As peladas nos campinhos de várzea era uma das brincadeiras prediletas, resultando no surgimento de grandes craques no bairro. Por ser de uma família tradicionalmente católica, a missa dominical era uma obrigação sagrada, sendo a catequese realizada aos sábados. Éramos ao todo doze irmãos, sendo oito mulheres e quatro homens, hoje todos formados, com a maioria optando pelo magistério. Ainda hoje resido na casa em que nasci na Rua Carolina das Neves, 38 – hoje Rua Elisa Bessa”.

O natal está chegando, os gastos com as compras também – Que tal repensarmos nos tipos de brinquedos que daremos as nossas crianças? Os jogos educativos são muitos bons, levar as crianças para brincarem nos parques é uma boa opção, sem contar os passeios pelas Praias da Lua, Tupé e Paricatuba, enfim, o contato com as pessoas e com a natureza faz bem para o corpo e para a alma.

Por falar em Paricatuba, hoje é o aniversário da Dona Ro, esposa do Paulo Mamulengo, o barco São Domingos sairá as 15 horas da Praia da Ponta Negra, fará a travessia do Rio Negro até a  Vila de Paricatuba, onde acontecerá o "niver", irei com os meus amigos Nego Augusto (empresário) e Lúcio Bahia (cantor e compositor), voltarei amanhã de manhã, pela estrada Manoel Urbano; não posso ficar muito longe da minha princesinha Maria Eduarda. É isso aí!
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