sábado, 5 de setembro de 2015

ZÉ MUNDÃO - VIAGEM A MAUÉS

Uma das praças de Manaus que o Zé mais gosta, para passear e encontrar os amigos para o bate papo, é a Praça Heliodoro Balbi (em homenagem ao advogado, político, professor e fundador da Academia Amazonense de Letras), conhecida também como Praça da Polícia (em decorrência da instalação da corporação militar no Palacete Provincial). Nela existe um belíssimo coreto em arquitetura art nouveau, construído com as colunas advindas do Teatro Amazonas. Ali, na sua infância, Zé assistia aos domingos a retreta da banda de música da Polícia Militar. A rodada de bate-papo com amigos e intelectuais geralmente acontece no Café do Pina e, esporadicamente, num banco bem embaixo de linda e imensa árvore, conhecida por mulateiro. Trata-se do local de encontro dos membros do movimento cultural e literário de renovação das letras, conhecido por Clube da Madrugada. O Café do Pina, antigo Pavilhão São Jorge, está localizado dentro do complexo da praça, mas seu lugar original ficava na rua Floriano Peixoto, bem em frente ao Cine Guarany. Zé frequentava aquele lugar desde sua infância, pois, ao sair do cinema, adorava tomar uma média (café com leite e pão com manteiga) e, admirar o proprietário, senhor Pina, um português que tratava todas as pessoas, independente de idade, com a saudação carinhosa “alô jovem!”. No espaço atual, conhecido popularmente como Republica Livre do Pina, gosta de tomar um “pingado” aos sábados e jogar conversa fora.

Um dia, sentou-se na escada da Rotunda (monumento circular, construído pelo prefeito Araújo Lima, em 1929), quando apareceu seu amigo do peito, Bené Sonson, um sujeito que, quando toma “umas e outras”, gosta de ouvir somente músicas das antigas do “Reiberto”, e fica o tempo todo reproduzindo o chavão: – Sou o Bené, caboco de Maués! Me respeite! O cabrito quando é bom, não berra! Será que ela é a bacana? Nesse encontro, ele estava com aquele “bafo de cevada” e resolveu torrar a paciência do amigo: – Meu compadre, eu te conheço faz um tempão, mas, me diz uma coisa, por que o teu apelido é Zé Mundão? Começou o Zé: – É um apelido de infância, eu gostava de girar um globo de plástico e falava o tempo todo que iria conhecer o mundo inteiro! Para Zé Mundão foi um pulo. – E ai, quantos países o amigo conheceu? – Nenhum! Praticamente não saí de Manaus toda minha vida! Conheço apenas o Rio de Janeiro e algumas cidades do nosso interior. – Poxa, então o apelido deve ser mudado para Zé Manaus! Só vou te chamar assim de agora em diante! Explicou Mundão: – Acho muito difícil mudar agora, Sonson, pois apelido quando pega, não tem sacristão que mude! – Meu compadre, por falar em interior, estou indo para Maués no próximo final de semana para a Festa do Guaraná. Vamos nessa? O barco sai à noite de sexta-feira lá do rodo, convidou o amigo. – Tô dentro, Sonson! Na sexta vou te aguardar no porto às seis, acertou o Zé. – Combinado, Zé Mundão, digo, Zé Manaus! Hehehehehe!

Conforme o combinado, o Zé se mandou para o roadway (o cais flutuante construído pelos ingleses no início do século passado), comprou sua passagem para um barco regional (fabricado de madeira). Seu cicerone, Sonson, não deu o ar da graça, e Zé, como já estava com a passagem comprada, resolveu viajar sozinho sem eira, nem beira para Maués. Este município fica a 367 quilômetros de Manaus, no Médio Amazonas, entre os rios Madeira e Tapajós, conhecido nacionalmente como “A terra do guaraná”. Seu nome é uma homenagem à nação Maué (tupi = papagaio curioso e falante), e o turismo é muito forte naquela região, em decorrência das belas praias e da realização da Festa do Guaraná e do Festival de Verão.

O barco estava lotado, o único local que o viajante encontrou para armar sua rede foi em frente ao pequeno boteco, onde o movimento de pessoas era intenso. Seu dono colocou uma caixa de som amplificada bem ao lado da rede do Zé, que não conseguia dormir. O único jeito foi enrolá-la numa viga do barco. E dá um tempo no boteco, e toma uma aqui, outra acolá, o tempo foi passando e todos falando alto, rapidinho se faz amizades. O Zé conheceu um sujeito por nome de Gondinho, natural de Maués, que fazia anos não ia a sua terrinha. Ele estava acompanhado do filho, Coroinha, jovem católico, apostólico e romano, além de beldades, duas colegas de trabalho. Fez amizade também com um cara que era o Padeiro (dono de duas padarias em Manaus) e mais quatro pinguços da melhor qualidade. Lá pelas tantas, o Padeiro fez a seguinte declaração: – Fiz a maior leseira! Amanhã será meu aniversário, passei a tarde toda tomando umas e outras lá no bar Caldeira, quando senti a maior saudade da minha terra Maués. Fui para o rodo e entrei no barco com a roupa do corpo, nada avisei para minha família, vai ter uma feijoada amanhã para os convidados lá em casa, como é que eu vou explicar essa minha loucura? O Zé logo procurou consolar o camarada: – Agora não vai dá para consertar nada, estamos navegando a noite no meio da maior floresta do mundo, a única solução será você ligar para a tua família quando chegarmos a Maués e pegar o primeiro avião para Manaus! Por ora, é melhor beber e esquecer. 

A viagem transcorria numa boa, muito forró/brega, com as beldades mostrando aquele visual, o Gondinho contando piadas e o Coroinha enchendo o saco de todo mundo, falando somente de religião. Depois de meia-noite, o Zé Mundão resolveu dormir. Quando chegou ao seu lugar, os pinguços estavam jogando dominó bem embaixo da sua rede, teve que aguentar um bom bocado aquela zoada de pedras na mesa, além daqueles comentários: – Até que enfim tu jogaste a carroça de sena! Gato, não, papai! Capote! Tu fechaste meu jogo, anta! Uma hora depois, a paciência do Zé chegou ao limite máximo, deu uma bicuda na mesa de dominó, gritou um palavrão, mandando os pingunços pra aquele lugar! Somente assim conseguiu, finalmente, dormir. Seis da manhã em ponto, os pinguços ficaram azucrinando: – Zé, Zé Mundão, acorda, acorda, vamos tomar o café da manhã! Pulou da rede, e logo um deles lhe deu um copo de cerveja, o café para eles, para Zé, não! Mesmo assim, ele deu uma golada e uma vomitada em seguida! 

Fazia uma manhã de sol, dava para notar o quanto o rio Maués-Açu é bonito, mas, para o Zé Mundão, o mais admirável de tudo, superando até a beleza do rio, foi ver as beldades de fio dental, pegando um bronze na área de lazer do barco. A galera se reuniu novamente no boteco, e haja suco de cevada; lá pelas dez da manhã, o Padeiro mandou ver: – Até chegar em Maués, tudo será por minha conta, vamos comemorar meu aniversário, macacada! Aí foi graça para o Zé! Nessa altura do campeonato, o Padeiro já tinha esquecido sua mulher, os filhos e até seus convidados. Não estava mais nem aí para a feijoada em Manaus! Chegando às onze e meia da manhã, o barco ancorou próximo da ponta da Praia da Maresia que, nesta época do ano, é o point da galera, com areia branca, água cristalina, 500 metros de extensão, palco armado para shows. Estava apinhada de gente. 

A primeira missão era forrar o bucho, assim, seguiram para uma peixaria, cujo dono era amigo do peito do Gondinho. Ao chegarem ao estabelecimento, a festa foi total, foram acomodados numa imensa mesa de madeira, posta no quintal, e o pedido foi feito pelo Padeiro: – Quatro tucunarés parrudos, refrigerante para as beldades e um camburão de cervejas para os pinguços & Cia! Tudo por minha conta! Zé Mundão ficou observando o curumim (menino pequeno), filho da cozinheira, que fez um prato de três andares e colocou duas cabeças de tucunaré para o moleque, que comeu tudo e ainda pediu bis. Muito diferente de seus filhos quando eram pequenos, quando sua mulher tinha que fazer “aviãozinho”, a fim de que eles comessem. Um senhor se aproximou e puxou conversa como Mundão, era uma pessoa simples, com voz pousada, um típico interiorano: – Você vai ficar onde, Zé Mundão? – Ainda não sei, mas estou pensando em ficar num hotel ou na casa da prima do Gondinho. Insistiu o recém-chegado: – Se você quiser pode ficar na minha fazenda! – Poxa, muito agradecido pelo convite, mas, já fiz amizade com essa turma e não posso ficar longe deles, agradecendo ao convite. O Zé ficou surpreso com o convite, pois ficou sabendo através do Gondinho que o velho era um fazendeiro, um dos mais ricos de Maués. 

Deixaram a bagagem no restaurante e foram para a Praia da Antártica, a mais famosa e movimentada da cidade, muito arborizada, de areia branca e águas límpidas. Possui o mais lindo pôr-do-sol do Brasil. Então, Zé se lembrou de um amigo baiano, Lúcio, um cantor e compositor que passou uma temporada em Maués, e, inspirado nas belas praias, compôs a bela canção chamada Beira de rio. Com a lembrança, começou a cantarolar a música: Como é bom morar na praia, no lugar que se imagina, viver, numa praia, na beira do rio, me dar arre pios, saber que a sua cabeça, não está nesse lugar, na beira do rio, canta passarinhos, na beira do rio, olha o Sol se pondo, aonde ele se esconde, do outro lado da praia, do lugar que se imagina, oi, oi, oi, Maués. 

Voltaram ao restaurante, pegaram as suas mochilas e rumaram para a casa da prima do Gondinho. Lá chegando, foram bem recepcionados, ela serviu aos visitantes um jantar bem regional, guisado de paca. Porém, que mais chamou a atenção do Zé foi o hábito que os moradores têm de tomarem a todo tempo guaraná em pó, ralado na língua do pirarucu, análogo ao hábito que os paraenses possuem pela cuia de açaí com farinha de tapioca e, os gaúchos, pelo chá mate no chimarrão. Segundo os estudiosos, esse saudável hábito caboclo, aliado à dieta amazônica, que inclui uma alimentação básica de peixes, frutas e verduras, conjugado com exercícios físicos e noites bem dormidas, é a chave para alcançar a longevidade. Tanto que os nativos de Maués conseguem, estatisticamente comprovado, a mais longa vida do país. 

A prima do Gondinho fez a gentileza de passar a roupa do Zé Mundão, pois ele iria assistir a encenação da Lenda do Guaraná. Ela comentou que aos domingos índios saterê-mauê vêm à cidade, para fazer trocas e receber donativos. Num belo gesto, ele doou algumas mudas de roupas para que ela entregasse aos índios. 

Saiu com o Coroinha para dar um rolê pela cidade, mas o religioso o levou direto a igreja. Não teve escapatória, teve de assistir a missa todinha; depois, conseguiu dar um drible nele, pois a praia do Zé era outra, queria beber e ver a mulherada. Voltou altas horas da madrugada e, como não conseguiu atar sua rede, o jeito foi dormir no chão. 

Foi acordado pelas beldades, que o convidavam para voltar com elas para a capital. Ele foi na conversa e, apesar da insistência dos amigos para que ficasse, embarcou de volta para Manaus. Na saída do barco, comentou para as beldades sobre um episódio acontecido há anos, quando um padre foi expulso dessa cidade. No embarque, ele lançou-lhe a seguinte maldição: – Maués, mau és, mau foste, mau serás! 

Quanto ao Zé, apesar das poucas horas em que ali permaneceu, ele gostou muito da cidade, tanto que falou para elas: – Cruz credo, ainda bem que não vingou a maldição desse padre, pois ela é uma cidade mui bela, boa, agradável, de um povo feliz e hospitaleiro. Não possui nada de mau! Oi, oi, oi, Maués!

Trecho do livro (ainda não publicado) "Zé Mundão" J. Martins Rocha

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

BLOGDOROCHA: O QUE SIGNIFICA ROADWAY?

BLOGDOROCHA: O QUE SIGNIFICA ROADWAY?: Um leitor do nosso blog enviou-me o seguinte e-mail:  - Prezado Senhor Rocha,   Gostaria de uma informação sua. O que vem a ser...

ESTE PRÉDIO GUARDA BOAS RECORDAÇÕES PARA MUITOS ESTUDANTES AMAZONENSES


Este prédio ainda pertence à Arquidiocese de Manaus, serviu como escola de formação de eclesiásticos, era o Seminário São José – depois, foi colocado a disposição da antiga Universidade do Amazonas (UA), atual UFAM, abrigava o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), cheguei a estudar o básico de Administração de Empresas, na minha mocidade.

Depois de muitos anos, passou para a Universidade do Norte (UNINORTE), com o curso de Direito, onde tive também o privilégio de estudar a iniciação jurídica naquele lugar.


Este prédio guarda boas recordações para muitos amazonenses - a grande maioria dos economistas, contadores e administradores com idade superior a quarenta anos, formado pela UA, passaram parte das suas vidas, estudando no ICHL, bem como, muitos advogados formados pela UNINORTE. É isso ai.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

JORGE PALHETA

Conheci o Jorge Palheta no Bar do Armando, faz uma década - tive o privilegio de conhecer dezenas de trabalhos realizados pelo grande artista plástico, bem como, de usufruir da sua amizade e, de ter tido a oportunidade de conhecer alguns causos muitos hilários, tendo como personagem principal o nobre amigo.


Não tenho a menor chance de comentar sobre os trabalhos do Palheta, uma vez que sou zero à esquerda em conhecimentos de artes plásticas, porém, das diversas conversas que tive com o nobre amigo, fiquei sabendo de algumas informações sobre a sua trajetória profissional.


Ele sempre se considerava um Amazônida de sangue e de coração, tanto que os seus quadros retratam a defesa do meio ambiente e da região.




Começou a sua carreira há 45 anos, inicialmente, fazendo desenhos no papel, posteriormente, partiu para as pinturas em telas.

Trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, no período de 1975 a 1980, na respeitada função de ilustrador botânico, antes da chegada maciça dos micros computadores, ele tinha uma árdua missão de desenhar, nos mínimos detalhes, tanto uma flor, quando uma árvore - poderia ter ficado por lá e se aposentar como um funcionário federal, porém, resolveu seguir a sua carreira de artista plástico.


Ele tinha uma capacidade incrível para retratar o rosto humano, chegando até ser colaborador da Polícia Civil, fazendo o famoso “retrato falado” - quando os PC´s inundaram o mercado, este trabalho foi relegado a terceiro plano.



Com a sua genialidade, conseguiu ganhar alguma grana, fazendo caricaturas nos bares de Manaus - fez também a ilustração de várias capas de livros de autores famosos do Amazonas, bem como, das bandas de carnaval da cidade de Manaus, principalmente da BICA, 5 Estrelas e Caldeira.



Dizem os conhecedores da área, que o Palheta era um artista direcionado para:

·         Impressionismo (segundo Aurélio: Escola de pintura surgida na França por volta de 1870, que visava a captar, em princípio, a impressão visual produzida por cenas e formas derivadas da natureza, e as variações nelas ocasionadas pela incidência da luz, e que se baseava especialmente no emprego das cores e de suas relações e contrastes, a fim de obter efeitos plasticamente dinâmicos e objetivos. Esta escola, por suas inovações, influiu marcantemente a pintura do séc. XX.);

·         Abstracionismo (idem: Corrente estética surgida em princípios do séc. XX, caracterizada pelo abandono total da representação figurativa das imagens ou aparências da realidade, pelo uso de formas e cores com ritmo e expressão próprios e liberadas de qualquer conteúdo que perturbe a manifestação da sensibilidade do artista, e pela abertura para amplas interpretações subjetivas; arte abstrata).


O artista fez várias exposições na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, tendo o apoio dos amigos, políticos e empresários de Manaus - as suas obras estão sendo muito procuradas e valorizadas (infelizmente, algumas pessoas somente valorizam o artista após o seu falecimento).


Em agosto de 2013, fiz um pedido e o Palheta fez uma pequena tela, chama-se “A Maçonaria na Amazônia” – ele era membro da Loja Rosa Cruz e a maioria dos seus trabalhos artísticos possuem elementos maçônicos.




Durante todos esses anos de amizade, sempre o apoiei, valorizando os seus trabalhos artísticos, com publicações no BLOGDOROCHA, além de passarmos horas conversando, rindo das piadas e causos que somente ele sabia contar.



Ontem, ao entardecer, deu uma ventania em meu bairro, tirando da posição o quadro do Palheta que está na minha sala de estar – coloquei-o no lugar correto e, lembrei-me do velho amigo, horas depois, amigos e familiares deram-se a triste noticia do seu falecimento!



O seu corpo está sendo velado em sua residência, na Avenida Maués, nº 1.120, no bairro de Cachoeirinha, em Manaus/AM. Descanse em paz meu amigo!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

BLOGDOROCHA: PAVILHÃO UNIVERSAL

BLOGDOROCHA: PAVILHÃO UNIVERSAL: Ao passar pela “Feira do índio”, na Praça Tenreiro Aranha, aquela que fica ao lado do antigo “Hotel Amazonas”, deparei-me com o Pavil...

sábado, 15 de agosto de 2015

ESCREVER UMA POSTAGEM SEM A UTILIZAÇÃO DE UM COMPUTADOR E DA INTERNET


Sou de tempos idos, nunca esquecidos, da época da máquina de escrever, da calculadora manual, do papel almaço e carbono, também dos slides e estêncis, além da “Enciclopédia Barsa” e do monstro computador IBM/3, porém, não tinha o hábito de escrever - um mister recente, por forças do “BLOGDOROCHA,” aonde utilizo de todos os recursos tecnológicos disponíveis (ficando refém) – de repente, resolvi tentar escrever “a moda antiga”, sem um computador e a internet.

Imaginem a situação: sem um editor de textos, com o corretor ortográfico; plugado na internet e nada de fazer consultas no sitio do “Google” e nas “redes sociais”, onde é possível tirar dúvidas com os amigos virtuais.

Pois bem, fui à luta: peguei folhas de papel A4, lápis no. 2, borracha de apagar, apontador (apara-lápis das antigas), um empoeirado minidicionário Houaiss, contando, também, com a minha pouca inspiração e, muito, transpiração, para tentar escrever alguma coisa para o nosso blog.

Na realidade, escrevo de forma amadora, pois não tenho compromisso com ninguém para publicar as minhas postagens, pois tudo ocorre de forma espontânea e inspiradora.

Ao levar a frente essa empreitada, senti que alguma coisa estava faltando, pois o meu sentido da visão é o mais aguçado - preciso olhar imagens distintas, assistir a filmes e documentários, ler livros, enfim, necessito captar através da retina, para uma parte do meu cérebro disparar o poder da imaginação para escrever.

Fiquei a pensar sobre os grandes cientistas, escritores e pensadores de antigamente – eles faziam as suas experiências com equipamentos rudimentares e, com apenas uma pena, um tinteiro e uma vela, deixaram um vasto conhecimento para a posterioridade, o qual é impossível cursar, na atualidade, os primeiros anos da faculdade, sem estudar esses visionários.

O tempo foi passando e, fui escrevendo, mesmo sem inspiração. Voltando ao assunto, mas, qual assunto? Lembrei: escrever sem utilizar o computador e a internet!

O lance foi o seguinte: tive a maior dificuldade em entender o meu próprio manuscrito, por ter o hábito de escrever somente em um editor de textos de um computador - terei de fazer, urgentemente,  um curso de caligrafia (será que  ainda existe por ai?). Sei lá!


Outra coisa: a tecnologia venceu, pois tive que reescrever o que estava no papel A4, para um editor de textos - fazer a correção “online” de algumas palavras, consultar o “Google”, alem de entrar no “Blogspot”, utilizando, é claro, o computador e a internet! Eu, hein! Sem chance!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

BLOGDOROCHA: ARMANDO LUCENA, O PERSISTENTE.

BLOGDOROCHA: ARMANDO LUCENA, O PERSISTENTE.: Ao passar pela antiga Praça da Polícia, parei na banca de sebo “O Alienista”, pertencente ao meu amigo Lê, ao entrar, encontrei o poeta ...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

DONA AMINE LINDOSO, A PROTETORA DA COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO.


No governo amazonense do José Bernardino Lindoso, no período de março de 1979 a maio de 1982, o sua esposa Amine Lindoso, teve um papel fundamental na proteção dos hansenianos da Colônia Antônio Aleixo.

Esta postagem foi motivada por uma matéria publicada por seu filho (Um pouco de esperança para os hansenianos de Manaus), o advogado Pedro Lucas Lindoso (Poltrona no. 10 – Antônio Gonçalves Dias), na Revista no. 3 do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), na qual relembra a atuação assistencial prestado por sua mãe.

Segundo o Pedro Lindoso, a sua mãe era assistente social por formação e, exerceu com brilhantismo a função de primeira dama do Estado do Amazonas, um cargo sem visibilidade nos governos anteriores, pois a esposa do ministro Enok Reis morou praticamente o tempo todo no Rio de Janeiro, bem como, o Cel. João Walter, que era solteiro.

A Dona Amine recusou a ser secretaria de estado ou ser representante no Amazonas, da LBA ou da FUNABEM - fundou uma Organização Não Governamental (ONG), denominada “Central de Voluntários do Amazonas”, situada na Rua Lauro Cavalcante, onde comparecia e despachava todo os dias, com atuação voltada para os meninos e meninas de rua e política de saúde pública juntos aos hansenianos.

Com a desativação do leprosário, houve um deslocamento dos doentes da colônia para o centro de Manaus, onde buscavam sobreviver através da mendicância ou mesmo de algum tipo de ocupação.

As famílias não podiam cuidar dos seus doentes, pois muitas vezes a família estava doente também – o que motivou o governo ao pagamento de um salário mínimo a cada um, com a condição de deixarem a mendicância.

Nessa época, já havia o controle da doença através de medicamentos, porem, a grande maioria estavam com sequelas, o que gerava o terrível preconceito por parte dos moradores da cidade.

A Dona Amine visitava com frequência os doentes na Colônia Antônio Aleixo, abraçava a todos e não usava luvas, o que ajudou muito a desmitificar o medo exagerado da doença – fazia questão de levar muitas senhoras e damas voluntárias, algumas, todavia, apresentavam sempre uma desculpa e não iam as visitas.

Por ser esposa do governador, conseguiu muitos recursos financeiros para a ONG, o que permitiu a criação de olarias e fábrica de tijolos, hortas comunitárias, cooperativas de trabalho e clube de mães, proporcionando emprego e renda, cuidados com a saúde, economia domestica e relacionamento interpessoal com a família.

Outro ponto positivo da Dona Amine, foi a luta e reivindicação da construção da “Maternidade Izabel Nogueira”, na Colônia Antônio Aleixo, para as parturientes hansenianas, além da implantação da farmácia comunitária.

Ela conseguiu junto ao Instituto de Terras do Amazonas (ITEAM), a legalização das terras da Colônia Antônio Aleixo, com a escrituração dos imóveis, inclusive dos pavilhões, das casas de apoio e das residências dos doentes.

No dia 22 de abril de 2004, a Dona Amine Lindoso já com oitenta anos de idade, foi convidada para a inauguração do “Conjunto Residencial Amine Lindoso”, na Colônia Antônio Lindoso, um evento que contou com a presença do governador do Amazonas e do Presidente da República e suas esposas.

Após as solenidades, a Dona Amine e familiares deixaram as autoridades irem embora, foi quando os hansenianos vieram vê-la e cumprimentá-la, pois todos estavam com saudades e agradecida pelo o ela fez por eles – uma senhora cadeirante, bastante mutilada, com uma flor no cabelo, repetiu vários versos ditos a D. Amine há mais de vinte anos – ela se emocionou com aquele olhar de ternura. E isso ai.


Fonte: Revista do IGHA – Fase IV – Setembro 2014 – Ano I – no. 3 – “Um pouco de esperança para os hansenianos de Manaus – Pedro Lucas Lindoso”.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SECOS E MOLHADOS

LAVA JATO
1. A “Operação Lava Jato”, da Polícia Federal (PF) já cumpriu mais de uma centena de mandados de busca e apreensão, prisões temporária, preventivas e conduções coercitivas, com bloqueio de bilhões de reais, tudo graças, em parte, com as deleções premiadas (troca de favores) entre o juiz e os réus, com redução de pena quando este for julgado, em troca de informações importantes sobre outros criminosos ou dados.
2. Muita grana está sendo ressarcida, porém, o velho e antigo colchão ainda será o “porto seguro” desses criminosos, pois estamos na “era digital” e, tudo pode ser encontrado (bens em poder de laranja, contas no exterior, grana nos cofres, automóveis de luxo, obras de arte, etc.), menos rasgar para ver o que se encontra no interior do colchão! Com os novos modelos “Cama Box King Size Baú” é possível colocar muita coisa, inclusive dólares, euros e até reais (para pagar pequenas contas).
3. Os antigos não gostavam de colocar grana nos bancos (por desconfiança), tudo era guardado dentro dos colchões, mesmo tendo desvalorização monetária – um hábito que está pegando, na atualidade, pelos bandidos que tem medo da tecnologia digital traiçoeira.
4. Será que esses bandidos (quando estiverem soltos e rindo da nossa cara) terão coragem de lavar os seus carrões em algum posto de Lava Jato?

RODAR NA BICA
O meu amigo Rogério Dias mostrou-me o CD da Banda Alaidenegão - botou para tocar em seu carrão, a faixa "Rodar na Bica". No carnaval da BICA 2015 fiquei surpreso com a apresentação do "Cauxi Eletrizado", formando por jovens músicos daquela banda e dos "Tucumanos", eles cantaram varias vezes essa musica, aliás, os caras foram muitos aplaudidos pelos milhares de "Biqueiros" e pela Ana Cláudia Soeiro Soares.
Ana Cláudia Soeiro Soares Adoro a banda Alaídenegão e Tucumanos, Rocha.
O Cauxi Eletrizado foi uma ideia brilhante dos integrantes das bandas que tem feito muito sucesso no carnaval.
Pra nós foi uma honra que eles fizessem parte da apresentação da Bica este ano, assim como você, que arrebentou também.
Letra>
Ta se arrumando
Vai se perfumar
Corre pro armando
Tá querendo armar

Vai rodar na bica!

Pede uma cerveja
Toma no balcão
Flerta com o gringo
Não quer dormir no chão

Vai rodar na bica!

Dança com um “amigo”
Quer se divertir
Pensa que é mulher
Não é mesmo assim

CASARÕES DE MANAUS
Dei uma volta, ontem, pelas ruas do entorno do Paço da Liberdade. Visitei a casa/museu do Sebastião Aquiles (Saba), o cara gastou uma nota preta para recuperar um casarão da Rua Bernardo Ramos. Nessa rua, passei pela primeira casa de Manaus, ela esta sendo recuperada faz mais de dez anos! Pode? No inicio da Av. Sete de Setembro, um empresário comprou e recuperou três casas antigas e, colocou a venda. Os preços: 400, 600 e 800 mil. Caramba!

VENEZUELA, NEM PENSAR
A minha filha Amanda, recentemente, fez uma viagem à Venezuela. Ela achou que foi dinheiro jogado fora, pelos seguintes motivos: Foi roubada pelos policiais da Guarda Nacional; não encontrava nem água mineral para comprar no comércio; na farmácia a balconista falou que não vendia remédios para estrangeiros e ficou horrorizada com as quotas impostas pelo governo maduro (quase podre): gasolina e supermercados. Sentiu-se angustiada em estar em um hotel com toda a mordomia possível, com preços baixíssimos e, ver o povo passando toda aquela miséria, mesmo tendo uma das maiores reserva de petróleo e gás natural do mundo. Viajar para a Venezuela, nem pensar!

REGIME MILITAR NAS ESCOLAS
Através de um programa do AmazonSat, pude conhecer o funcionamento de uma escola militar, em Manaus. Fiquei surpreso com o rendimento e disciplina dos alunos. Nota Dez! Acredito não ser possível adotar plenamente essa disciplina militar para as demais escolas ditas “normais”, o que poderia se feita, em parte, para as de “tempo integral”. Fico trinte quando vejo as manchetes dos jornais mostrando alunos que desrespeitam os professores, danificam a escola, consomem drogas dentro do colégio e provocam brigas e confusões. Sou a favor da presença constante dos militares dentro dos colégios, para evitar esses abusos e implantar uma disciplina mais rígida.

DIA DO ROCK


Em homenagem ao "Dia Mundial do Rock", anexei uma fotografia da capa de um disco de vinil, gravado pela banda "Titãs", em 1986, um disco que guardo faz algum tempo, pena que não possuo mais um "Toca Disco", para ouvir os meus "bolachões".



MEDALHÃO COM SÍMBOLO DO IMPÉRIO DO BRASIL



Marco da construção das galerias Pluviais construídas pelos ingleses. Local onde ficava a ponte sobre o Igarapé do Espírito Santo - 2005
ESTA MURALHA E ATERRO DA PRAÇA FORÃO FEITOS NO ANO DE 1881 - SENDO PREZIDENTE DA PROVINCIA ..."
Fotos de Chico Batata
MEDALHÃO DO IMPÉRIO DO BRASIL
ABERTURA DO MARCO
Local onde fica o Medalhão de Concreto que marca o local exato onde ficava a ponte do igarapé do Espírito Santo e que foi aterrado, este medalhão é português, há um desenho nele da coroa Portuguesa.
Fotos de Chico Batata

DOAÇÕES DE CAMPANHA
A resposta é sempre a mesma:
- Recebi, sim, porém, foi de forma legal e declarada a justiça eleitoral!
Estamos careca de saber que, a lógica do setor privado é investir recursos para obter lucros cada vez maiores, não existindo essa de “doar sem fins lucrativos”, ou por que gosta da “ideologia” daquele partido ou do carisma do candidato a um cargo eletivo do legislativo.
Muito pelo contrário, os empresários investem, através das doações para campanhas políticas, para mais tarde, ganharem a maioria das licitações milionárias, além da influencia no executivo ou serem beneficiados de alguma forma e não serem contrariados em seus interesses empresariais.
Isso é muito fácil de constatar, basta o cidadão acessar o site do TRE e verificar as pessoas físicas e jurídicas que mais doaram para campanhas, por exemplo, de um Prefeito ou Governador, depois, acompanhar as publicações no Diário Oficial, para verificar o óbvio: são os que mais ganham as licitações milionárias, direta ou indiretamente!
Isso é um negócio, um jogo onde o poder e a grana andam de mãos atadas, perdendo sempre o mais fraco: o povo.

VERBAS DE GABINETE DE POLITICOS
Diariamente, leio e assisti noticias sensacionalistas, corrupção, desmandos, desvios de verbas públicas, salários aviltantes dos homens públicos. Quanto aos valores de verbas de gabinetes dos políticos, mais precisamente do Deputado Josué Neto, soma-se a tudo de ruim que acontece em nosso país. Lamentável a atitude desse parlamentar, pois estamos vivendo em época de crise generalizada e, não falta dinheiro dos contribuintes para ele e seus pares fazerem farra à vontade. É assim a vida: Tal Filho, tal Neto! http://portaldoamazonas.com/presidente-da-ale-am-dep-josue-neto-ja-gastou-ate-maio-r-83-94000-mil-apenas-com-verba-de-gabinete

LUPANAR VERÔNICA

Um amigo de copo estava tomando umas no antigo Bar Caldeira, centro antigo de Manaus. Na boquinha da noite, solicitou ao gerente Adriano Cruz, que chamasse um táxi. Assim que o motora chegou, o bebum falou:
- Por favor, me leva na "Verônica", ali na Constantino Nery!
O motora arregalou os olhos e disparou:
- Mas, senhor, o lupanar "Verônica" fechou na década de setenta!
Em seguida, o "pudim de cana" saiu com essa pérola:
- Não fechou, não, os jovens é que gostam de chamar de Millennium, pois continua o mesmo puteiro!

SERTANEJOS

Cada um possui a sua preferência musical, isso não se discute, mas, tem um que está nas paradas de sucesso faz tempo. Ontem, uma vizinha resolveu festejar o seu aniversário, colocando “no toco” o volume do som até altas horas, emprenhando os meus ouvidos. Pela manhã, sintonizei uma emissora de rádio “que se toca flash back”, lá estavam eles com uma de antigamente. Olhei para os outdoors, a pedida era somente eles para os dias dos namorados. Folhei um jornal e uma revista, novamente os caras estavam ali. Liguei a TV, imaginem que estava lá? Exatamente, os caras! Caramba!. Bem sei que, esse gênero é brasileiro, nascido no inicio do século passado, no interior de São Paulo, estando, atualmente, na quarta era, conquistando os jovens com o ritmo universitário, revelando muitas duplas vindas de Goiás e Mato Grosso do Sul, além de alguns na “carreira solo”. Eu gosto muito de MPB dos anos 70, 80 e 90, além da nossa MPA. Pois é, estou “até a tampa” com esses sertanejos! Eu, hein!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

NOSSOS AMIGOS DO BAR CALDEIRA


Frequento o Bar Caldeira já faz um bom tempo, em decorrência disso, conheci e conheço muita gente por lá, porém, os que mais chamam a atenção dos frequentadores é um grupo de pessoas muito engraçadas, com características pitorescas, tornando o ambiente muito descontraído e alegre.



BETH BALANÇO – Ela é polivalente: cantora, dançarina, contorcionista, capoeirista e massagista. Filha da consagrada cantora amazonense Celestina Maria, alias, toda a sua família é composta de músicos. O que mais chama atenção é a sua forma de dançar, onde coloca em sua cabeça uma garrafa cheia de cerveja (às vezes um copo), onde faz todos os contorcionismos possíveis, sem cair o casco pelo chão. Ganha muitos aplausos e, cerveja, também! Dança com qualquer um, não faz cerimônia, pois é uma excelente dançarina – quando a sua mãe está cantando, sempre faz uma homenagem à filha, com a “A Beth Balanço Dançou”. Aproveita para vender os discos CD da Celestina e ganhar a sua merecida comissão.


SACY DA PARECA – É morador antigo do bairro de Aparecida (Pareca). Por ser um exímio percussionista, sempre sai de casa com uma sacola surrada, cheia de instrumentos musicais (agogô, reco-reco, triângulo e tamborim), fazendo apresentações de forma descompromissada, sendo muito aplaudido pela sua forma diferente de tocar e, de rebolar, um tanto sensual. Quando alguém pergunta o porquê do apelido Saci, ele responde: - Sou um Saci diferente, tenho duas pernas, porém, uma é morta! – referindo-se ao seu bilau. Quando chega ao boteco, após tomar várias e diversas, fica nostálgico, gosta de lembrar o passado, sempre cita o Peteleco & Oscarino, do Boi Brinquedinho (do saudoso Festival Folclórico do General Osório), onde foi “tripa” (aquele cara que dança embaixo do boi); das Pastorinhas do Luso e dos causos interioranos.


PEDRINHO – Ele é um frequentador que gosta de beber, dançar e falar sozinho. Sempre de boné, bermudão e botas. O que mais chama a atenção é a sua forma de dançar, onde faz alguns contorcionismos, tocando a cabeça e a sua bota, dizem que ele adora o “Melô do Sapateiro”. Adora fazer alguns gestos obscenos e dar umas gargalhadas. O cara é engraçadíssimo, mas, não pise no seu pé! Os mais próximos gostam de “tirar onda” com ele, tudo na brincadeira, é claro!


O DOIDO – Ele é morador de rua, dizem que tem o “platinado queimado” (uma peça do motor de fusca com alusão as sinapses do cérebro). Na realidade, não é consumidor do bar, mas, gosta de “bater papo” com alguns frequentadores, principalmente com os irmãos Rocha (gozadores inveterados). Conhece os sinais e parte da história da maçonaria e, quando alguém “enche o seu saco”, ele fala que o “arquiteto do universo está de olho no camarada”. O cara é banguelo (sem dentes) e fala muitas gírias. Ele fica circulando entre as mesas, com os olhos arregalados e encarando as pessoas, mas tudo na paz!

DANÇARINO – Aparece por lá um sujeito que não bebe e conversa muito pouco, porém, adora dançar sozinho. Dizem que ele era conhecido como “Cansa Puta”, aquele camarada que passava a noite todo dançando com as primas no “Lá Hoje”, até elas irem à exaustão! Ele começa na primeira mesa e vai até a última, parece que está dançando uma valsa, apesar de estar tocando “ao vivo” um samba dos bons!


COREOLANO – Conhecido como “Saquinho de Níquel”, pertence a família do ex-governador José Lindoso. Ele já passou dos noventa anos, mas adora frequentar o bar para beber uma “Fanta Laranja” e jogar conversa fora com os frequentadores. Está banguelo, porém, a sua marca registrada é a sua risada! Gosta de dançar só com as gatinhas. Diz que ainda “dá no coro”, motivo de muitas risadas da rapaziada. É uma figura!


Pois é, sem esses nosso amigos do Bar Caldeira, ditos como “folclóricos” o bar fica sem graça, ainda bem que sempre a casa está recebendo novos personagens! É isso ai.

sábado, 25 de julho de 2015

AS SERINGUEIRAS DE MANAUS


A colheita do látex para a produção de borracha natural, ocorrido maciçamente nos séculos dezenove e vinte, contribuiu para riqueza de poucos, aumento considerável da arrecadação do Estado do Amazonas e do embelezamento da cidade de Manaus (Paris dos Trópicos), porém, na atualidade, ficou no esquecimento pelas autoridades públicas, tanto que são pouquíssimos os pés plantados da Hévea brasiliense (seringueira).
Em 1830, a população de Manaus era de 3 mil habitantes, aumentando para 50 mil após 50 anos de exploração da seringueira, gerando riquezas, proporcionando a construção do Teatro Amazonas, palácios, palacetes e pontes, além de luz elétrica, bondes, calçadas de pedras de Lioz, praças, ruas e avenidas – gerando também o enriquecimento de poucos (seringalistas, comerciantes e banqueiros).
Apesar disso, a Seringueira ficou relegada a segundo plano pelos prefeitos de Manaus, pois não deram o devido valor e respeito ao quanto ela contribuiu para o desenvolvimento da nossa cidade.

Um lugar que deveria ter sido preservado era o “Seringal Mirim” - ficava no início da Avenida Djalma Batista, era uma belíssima praça, onde existiam cento e vinte seringueiras - o local ficou esquecido e, aos poucos, foram fazendo a derrubada das seringueiras, finalmente, o governo do Amazonas, cedeu o local para a antiga Eletronorte, ao qual derrubou as últimas sobreviventes - o local virou uma subestação de energia.
Conheço apenas dois lugares onde poderemos encontrar seringueiras, em Manaus:

Praça da Matriz – existem alguns pés, acredito que foram plantados no inicio do século passado;

Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro (desativado) – ainda é possível encontrar dez árvores, acredito que elas foram plantadas pelo antigo morador, o governador Eduardo Ribeiro.

Quanto um jovem faz um trabalho escolar sobre a nossa história, principalmente sobre o “ouro branco”, deve achar um absurdo não saber onde encontrar o pé de seringueira em nossa cidade, para tirar fotos.


Isso é um absurdo! Uma total falta de respeito com a nossa Seringueira. É isso ai.

sábado, 18 de julho de 2015

CARAMBA (*)



1. Eu estava visitando um cliente, no conjunto Novo Mundo, bairro da Cidade Nova, no momento em que uma senhora estava afixando um cartaz, anunciando o aluguel de uma casa naquela área. Fiquei interessado e, perguntei:

- Qual eh o valor do aluguel? 
- Apenas quinhentos reais! ela respondeu
- Está barato, eh o preço de uma quitinete! comentei, com surpresa
- E a metade do preço, mesmo assim, esta difícil de alugar, pois existe muito assalto nessa rua e a minha casa já foi arrombada quatro vezes! justificou
Pensei:
- To fora, não quero morar nessa casa nem de graça. Caramba!

2. Num certo bar da cidade, estava passando o JN – o repórter estava comentando sobre um alagamento na Marginal Pinheiros, em São Paulo – um senhor que estava ao meu lado fez o seguinte comentário:
- Esses paulistas “abestados” gostam de colocar nomes de bandidos em suas ruas, tem essa de Marginal Pinheiros e outra chamada de Marginal Tiete!
Falei-lhe:
- Existem aqueles caras que estão a margem da sociedade ou da lei, são os bandidos, por outro lado, existem as marginais, por passarem a margem de rios – nesse caso, são assim chamadas por passarem a margem dos rios Tiete e Pinheiros.
Ele respondeu:
- Caramba!

3. Num restaurante de “beira de rua”, o dono colocou uma placa com os seguintes dizeres: TAMBAQUI ASSADO 100 ESPINHAS. Parei e comprei um “tambaca” – quando fui provar o danado, encontrei um montão de espinhas.

Falei para o caboco:
- Esse peixe esta ate o toco de espinhas!
Ele respondeu:
- E assim mesmo, o meu Tambaqui 100 espinhas eh com “c” e não com “s”, por isso que o preço dele eh mais barato!
Respondi:
- Caramba!

BOLO FORMIGA
Passei numa padaria, lá no meu bairro, fiquei interessado em um bolo esquisito.
Perguntei:
- Como é o nome desse bolo?
A balconista, muito simpática, respondeu:
- É o Bolo Formiga!
- O quê? Eu já vi as formigas darem em cima de bolo, mas, bolo de formiga é a primeira vez! - questionei, na brincadeira
- Não é bolo de formiga, ele é assim chamado, por ter vários pontinhos pretos e, por parecer com elas, passou a ter esse nome! É também conhecido como Bolo Formigueiro. É uma delicia! - respondeu, na maior paciência
- Então, embrulha duas fatias para viagem – respondi
Chegando em casa, a primeira coisa que eu fiz foi deixar um pedacinho do bolo no chão. Um montão de formigas pretas (as doidas) deram com força em cima dele, acho que elas adoraram comer o Bolo Formiga.
Caramba!





(*) Dicionario Informal - Caramba: Interjeição que exprime espanto ou desagrado - sinônimo: caraca, putz, caralho, legal demais, nossa)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

CAMINHADA PELO CENTRO DE MANAUS


Hoje, bem cedo da manhã, fiz uma caminhada por lugares que lembram um pouco da minha infância e adolescência: Avenida Eduardo Ribeiro, Praça da Matriz, Praça da Polícia, antigo prédio do Corpo de Bombeiro e Pontes Romanas – onde pude constatar em que estado se encontram esses lugares.

Comecei pela Avenida Ramos Ferreira, onde estão os prédios da Academia de Letras (todo reformado), o antigo Instituto Benjamin Constant (também reformado) e o IEA (estão mudando a pintura externa para azul e branco) – segui pela Praça Antônio Bittencourt (ela está muito bonita, cuidada e vigiada dia e noite) e, entrei na Avenida Eduardo Ribeiro.

Lembrei-me do lançamento do projeto “Cartão Postal”, no governo do Omar Aziz, onde previa a revitalização da Praça do Congresso, Ideal Club, Tribunal de Justiça, recuperação das fachadas das casas até a Rua 24 de Maio, além da implantação de bondes elétricos – os dois últimos ainda não saíram do papel.

Com relação à Avenida Eduardo Ribeiro, o atual prefeito de Manaus, anunciou a sua recuperação total, mas, continua a mesma, sem nenhuma placa indicativa do inicio dos trabalhos, parece-me que falta autorização do IPHAN e a licitação.

O entorno da Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde fica a Praça XV de Novembro, os trabalhos de revitalização (ou recuperação) já começaram, pois pude observar um trator derrubando os antigos bancos de cimento, levando a crer que agora é para valer. Assim espero!

Parei na Praça da Polícia, onde li o meu jornal na Rotunda, próximo ao Café do Pina, onde muitos jovens e senhores aposentados gostam de tomar um cafezinho e fumar (infelizmente) cigarros – a praça está sendo vigiada dia e noite, porém, falta um pouco mais de manutenção nos canteiros e no chafariz.

Depois, segui pela Avenida Sete de Setembro, no sentido centro-bairro, onde o antigo prédio do Corpo de Bombeiros está quase para desabar, pois apesar dos tapumes colocados para evitar a depredação, falta manutenção urgente e, acho que não dá mais para esperar pelas verbas do governo federal.

Por estarmos na cheia do Rio Negro, o canal do Igarapé de Manaus está bonito de se ver, com muito verde e peixes (bodó e tamuatá), estando o Parque Jefferson Péres uma beleza - por outro lado, o local onde eu nasci está abandonado (o Parque Desembargador Paulo Jacob).


Valeu a caminhada. É isso ai.

Foto: Rocha

terça-feira, 7 de julho de 2015

10 DE JULHO, DATA DA LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS NO ESTADO DO AMAZONAS.


O Estado do Amazonas antecipou em quase quatro anos a Lei Áurea, libertando os seus escravos, em 10 de julho de 1884, um feito histórico que sempre foi lembrado e comemorado pelos amazonenses.

A Província (atual Estado) do Amazonas e a Assembleia Provincial (atual Assembleia Legislativa) não possuíam poderes para decretar a libertação dos escravos, mas, podiam incentivar a iniciativa particular.

Em 24 de maio de 1884, o Presidente da Província (Governador), o cearense Theodureto Carlos Farias Souto, efetuou na Praça Dom Pedro II (no Paço da Liberdade), em Manaus, a “Declaração de Igualdade Absoluta”, distribuindo 186 cartas de alforria (liberdade) aos escravos da capital.

A partir daí, houve uma mobilização da sociedade, principalmente das senhoras amazonenses, onde andavam de casa em casa, procurando convencer aos proprietários de escravos a liberta-los ou a negociar por um pequeno valor para atingir a libertação total.

Para tanto, essas senhoras da sociedade promoveram saraus (reuniões festivas), festejos, chás, almoços e jantares, com o fim de arrecadar recursos financeiros para dar suporte ao “Fundo de Emancipação”, criado pela Assembleia Provincial, além do incansável apoio da Maçonaria.

Ás doze horas de 10 de Julho de 1884, na Praça Vinte e Oito de Setembro, o Presidente Theodureto Souto, fez a seguinte declaração: em homenagem à civilização e à Pátria, em nome do povo amazonense, que pela vontade soberana do mesmo povo e em virtude de suas Leis, não existirem mais escravos no território desta Província, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, ficando assim abolida a escravidão e proclamada a Igualdade de Direito de todos os seus habitantes”.

No dia 1º de janeiro de 1883, a Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos há menos de um ano antes da província do Ceará, sendo considerada a primeira Província do Brasil a abolir a escravatura e, a Província do Amazonas, a segunda.

Oficialmente, a libertação total e definitiva dos escravos ocorreu no Brasil, em 13 de Maio de 1888, com a “Lei Áurea”, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II).

O Governador Theodureto Souto, ao sair do governo, foi homenageado no Rio de Janeiro, pelos amazonenses que lá residiam, com uma caneta de ouro e um tinteiro em cuja base estava escrito: “Ao benemérito abolicionista, Dr. Theodureto Souto, a Província do Amazonas agradecida”.

Ele também foi agraciado com o nome da Rua Theodureto Souto, no centro histórico de Manaus, assim como, da data em que ocorreu a abolição no Amazonas, com a Rua Dez de Julho, ao lado do Teatro Amazonas.

Em 10 de julho de 2015, para lembrar a libertação dos escravos no Amazonas, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), abrirá as portas do seu casarão, situado na Rua Bernardo Ramos, 117, centro antigo de Manaus – onde haverá a palestra do historiador Antônio Loureiro, com o tema “Os Quilombos do Baixo Amazonas”; a palestra do historiador Geraldo Xavier dos Anjos, com o tema “A Fitolatria das Religiões Afro-Brasileira”; a exposição filatélica sobre a participação do negro na cultura brasileira; e o lançamento da revista do IGHA no. 03/2015.


É isso ai.