quinta-feira, 6 de agosto de 2015

DONA AMINE LINDOSO, A PROTETORA DA COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO.


No governo amazonense do José Bernardino Lindoso, no período de março de 1979 a maio de 1982, o sua esposa Amine Lindoso, teve um papel fundamental na proteção dos hansenianos da Colônia Antônio Aleixo.

Esta postagem foi motivada por uma matéria publicada por seu filho (Um pouco de esperança para os hansenianos de Manaus), o advogado Pedro Lucas Lindoso (Poltrona no. 10 – Antônio Gonçalves Dias), na Revista no. 3 do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), na qual relembra a atuação assistencial prestado por sua mãe.

Segundo o Pedro Lindoso, a sua mãe era assistente social por formação e, exerceu com brilhantismo a função de primeira dama do Estado do Amazonas, um cargo sem visibilidade nos governos anteriores, pois a esposa do ministro Enok Reis morou praticamente o tempo todo no Rio de Janeiro, bem como, o Cel. João Walter, que era solteiro.

A Dona Amine recusou a ser secretaria de estado ou ser representante no Amazonas, da LBA ou da FUNABEM - fundou uma Organização Não Governamental (ONG), denominada “Central de Voluntários do Amazonas”, situada na Rua Lauro Cavalcante, onde comparecia e despachava todo os dias, com atuação voltada para os meninos e meninas de rua e política de saúde pública juntos aos hansenianos.

Com a desativação do leprosário, houve um deslocamento dos doentes da colônia para o centro de Manaus, onde buscavam sobreviver através da mendicância ou mesmo de algum tipo de ocupação.

As famílias não podiam cuidar dos seus doentes, pois muitas vezes a família estava doente também – o que motivou o governo ao pagamento de um salário mínimo a cada um, com a condição de deixarem a mendicância.

Nessa época, já havia o controle da doença através de medicamentos, porem, a grande maioria estavam com sequelas, o que gerava o terrível preconceito por parte dos moradores da cidade.

A Dona Amine visitava com frequência os doentes na Colônia Antônio Aleixo, abraçava a todos e não usava luvas, o que ajudou muito a desmitificar o medo exagerado da doença – fazia questão de levar muitas senhoras e damas voluntárias, algumas, todavia, apresentavam sempre uma desculpa e não iam as visitas.

Por ser esposa do governador, conseguiu muitos recursos financeiros para a ONG, o que permitiu a criação de olarias e fábrica de tijolos, hortas comunitárias, cooperativas de trabalho e clube de mães, proporcionando emprego e renda, cuidados com a saúde, economia domestica e relacionamento interpessoal com a família.

Outro ponto positivo da Dona Amine, foi a luta e reivindicação da construção da “Maternidade Izabel Nogueira”, na Colônia Antônio Aleixo, para as parturientes hansenianas, além da implantação da farmácia comunitária.

Ela conseguiu junto ao Instituto de Terras do Amazonas (ITEAM), a legalização das terras da Colônia Antônio Aleixo, com a escrituração dos imóveis, inclusive dos pavilhões, das casas de apoio e das residências dos doentes.

No dia 22 de abril de 2004, a Dona Amine Lindoso já com oitenta anos de idade, foi convidada para a inauguração do “Conjunto Residencial Amine Lindoso”, na Colônia Antônio Lindoso, um evento que contou com a presença do governador do Amazonas e do Presidente da República e suas esposas.

Após as solenidades, a Dona Amine e familiares deixaram as autoridades irem embora, foi quando os hansenianos vieram vê-la e cumprimentá-la, pois todos estavam com saudades e agradecida pelo o ela fez por eles – uma senhora cadeirante, bastante mutilada, com uma flor no cabelo, repetiu vários versos ditos a D. Amine há mais de vinte anos – ela se emocionou com aquele olhar de ternura. E isso ai.


Fonte: Revista do IGHA – Fase IV – Setembro 2014 – Ano I – no. 3 – “Um pouco de esperança para os hansenianos de Manaus – Pedro Lucas Lindoso”.
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