terça-feira, 7 de julho de 2015

10 DE JULHO, DATA DA LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS NO ESTADO DO AMAZONAS.


O Estado do Amazonas antecipou em quase quatro anos a Lei Áurea, libertando os seus escravos, em 10 de julho de 1884, um feito histórico que sempre foi lembrado e comemorado pelos amazonenses.

A Província (atual Estado) do Amazonas e a Assembleia Provincial (atual Assembleia Legislativa) não possuíam poderes para decretar a libertação dos escravos, mas, podiam incentivar a iniciativa particular.

Em 24 de maio de 1884, o Presidente da Província (Governador), o cearense Theodureto Carlos Farias Souto, efetuou na Praça Dom Pedro II (no Paço da Liberdade), em Manaus, a “Declaração de Igualdade Absoluta”, distribuindo 186 cartas de alforria (liberdade) aos escravos da capital.

A partir daí, houve uma mobilização da sociedade, principalmente das senhoras amazonenses, onde andavam de casa em casa, procurando convencer aos proprietários de escravos a liberta-los ou a negociar por um pequeno valor para atingir a libertação total.

Para tanto, essas senhoras da sociedade promoveram saraus (reuniões festivas), festejos, chás, almoços e jantares, com o fim de arrecadar recursos financeiros para dar suporte ao “Fundo de Emancipação”, criado pela Assembleia Provincial, além do incansável apoio da Maçonaria.

Ás doze horas de 10 de Julho de 1884, na Praça Vinte e Oito de Setembro, o Presidente Theodureto Souto, fez a seguinte declaração: em homenagem à civilização e à Pátria, em nome do povo amazonense, que pela vontade soberana do mesmo povo e em virtude de suas Leis, não existirem mais escravos no território desta Província, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, ficando assim abolida a escravidão e proclamada a Igualdade de Direito de todos os seus habitantes”.

No dia 1º de janeiro de 1883, a Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos há menos de um ano antes da província do Ceará, sendo considerada a primeira Província do Brasil a abolir a escravatura e, a Província do Amazonas, a segunda.

Oficialmente, a libertação total e definitiva dos escravos ocorreu no Brasil, em 13 de Maio de 1888, com a “Lei Áurea”, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II).

O Governador Theodureto Souto, ao sair do governo, foi homenageado no Rio de Janeiro, pelos amazonenses que lá residiam, com uma caneta de ouro e um tinteiro em cuja base estava escrito: “Ao benemérito abolicionista, Dr. Theodureto Souto, a Província do Amazonas agradecida”.

Ele também foi agraciado com o nome da Rua Theodureto Souto, no centro histórico de Manaus, assim como, da data em que ocorreu a abolição no Amazonas, com a Rua Dez de Julho, ao lado do Teatro Amazonas.

Em 10 de julho de 2015, para lembrar a libertação dos escravos no Amazonas, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), abrirá as portas do seu casarão, situado na Rua Bernardo Ramos, 117, centro antigo de Manaus – onde haverá a palestra do historiador Antônio Loureiro, com o tema “Os Quilombos do Baixo Amazonas”; a palestra do historiador Geraldo Xavier dos Anjos, com o tema “A Fitolatria das Religiões Afro-Brasileira”; a exposição filatélica sobre a participação do negro na cultura brasileira; e o lançamento da revista do IGHA no. 03/2015.


É isso ai.
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