quinta-feira, 28 de agosto de 2014

MANAUS 1942


Recentemente, fui até a Biblioteca Pública do Estado do Amazonas (BPA), para pesquisar em jornais antigos sobre as obras da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, que começaram em 1914 e tiveram o remate (conclusão) em 1942, porém, nada encontrei nesse ano a respeito daquele templo católico – tive a oportunidade de fazer uma leitura rápida do periódico “A Tarde”, edições de janeiro a dezembro, o que me permitiu ter uma vaga ideia como era a nossa Manaus em 1942.

Foi ano de muita turbulência, pois estávamos vivendo dois momentos marcantes:

Primeiro, com a implantação do Estado Novo (1937 – 1945), pelo governo ditatorial do presidente Getúlio Vargas, com o fechamento do Congresso Nacional, extinção dos partidos políticos, suspensão de eleições, proibição de greves e o fim do federalismo.

Segundo, estávamos em plena Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), com o Brasil rompendo com o Eixo (Alemanha, Japão e Itália), em decorrência das pressões por parte dos Estados Unidos da América, bem como, com o afundamento de navios brasileiros, supostamente praticados pelos submarinos alemães.

Os jornais, diariamente, comentavam sobre esses dois assuntos - mostrando a crueldade do Adolpho Hitler e de suas tropas alemãs e, por outro lado, endeusavam a figura do presidente Getúlio Vargas, o qual veio fazer uma visita a nossa cidade.

Como não havia eleições, os governadores eram nomeados pelo presidente, eles eram chamados de Interventores – o escolhido foi o Álvaro Botelho Maia (1893-1969), um político muito querido pela população, ele foi governador e interventor por duas vezes cada uma, sendo a última de 1937 a 1945.

O prefeito da nossa cidade era o Adhemar de Andrade Thury, ele governou de 1941 a 1942, em substituição ao irmão do interventor Álvaro Maia, o Antônio Botelho Maria (1936 até 1941).

As fotografias mostram o seguinte:


Abrigo Municipal, aparecendo um bonde e um guarda de trânsito e, ao fundo, uma belíssima praça (destruída) e a Booth Line (destruída também, deixaram somente a fachada);


Álvaro Botelho Maia, um politico que nasceu em Humaitá, no Sítio Goiabal - foi jornalista, servidor público, professor, poeta e escritor. Mesmo tendo galgado o ápice da carreira política em nosso Estado, ele morreu pobre, em 1969,  num apartamento do Hospital da Santa Casa de Misericórdia;


Bar e Restaurante Americano, um lugar sofisticado que ficava na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Avenida Eduardo Ribeiro (atual C&A) – ele sempre é lembrado pelo pessoal da antiga;


Fábrica Rosas, ficava na Avenida Sete de Setembro e num prédio na Rua Henrique Martins – era voltada para o fabrico de bombons, torração e moagem de café, confeitaria, perfumes a base do pau rosa, bolachas e macarrão – pertencia ao mega empresário português Joaquim Gonçalves de Araújo;


Serviço de calçamento da Avenida Joaquim Nabuco, aparecendo ao fundo o Hospital Beneficente Portuguesa;


Prédio do Lyceu Industrial está localizado na Avenida Sete de Setembro - ficou conhecida como Escola Técnica Federal do Amazonas e, atualmente, chama-se Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM);


Palácio do Comércio, na Rua Marcílio Dias, ainda estava com os tapumes, servindo como sede da Associação Comercial do Amazonas.



Manaus 1942 - É isso ai.
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