sexta-feira, 18 de julho de 2014

INSTITUTO DE BELEZA DA MESSODY HENRIQUES


Foi um estabelecimento que fez história em nossa cidade, ficava na Avenida Eduardo Ribeiro, entre a Rua Barroso e a Rua Saldanha Marino, era administrado pela parintinense Messody Henriques, uma senhora guerreira que atendia tanto uma mulher rica e chique, quanto àquela que frequentava o baixo meretrício.

Era filha do Senhor José Henriques e Dona Idalina – o seu genitor veio do Ceará, no início do século passado, era uma pessoa culta, muita dada a leitura de livros - abriu um comércio, a Casa Castelhana, porém, em 1910, foi à falência.

Resolveu tentar a vida no interior e, fixou residência na cidade de Parintins, no Baixo Amazonas, militou na politica durantes anos - por lá nasceram a maioria dos seus onze filhos, incluindo a Messody, uma cabocla talentosa da terra dos parintintins, depois, regressou com a família para Manaus.

De todos os irmãos, a Nobilil Messody Henriques, foi a mais famosa e de grande prestígio na sociedade local. Inicialmente, fundou a primeira escola de fabricação de flores de papel, num galpão construído nos fundos da sua humilde residência, na Rua Dr. Almino – era um artesanato feito de tanto gosto e perícia que, os trabalhos das alunas eram exibidos em concorridíssimas exposições nos salões dos clubes Rio Negro e Nacional.

Com a ajuda dos irmãos, iniciou outra atividade na sala de visita de sua casa, ao qual lhe garantiria êxito e prosperidade: o corte, penteado e pintura de cabelos e limpeza e pintura de unhas.

Por executar um excelente serviço, começou a ter uma clientela cada vez maior, o que o permitiu criar o primeiro Instituto de Beleza da cidade de Manaus, inaugurado com toda pompa na década de 40, em plena Avenida Eduardo Ribeiro, montado com tudo o que de melhor existia, na época, pela famosa Casa Miasi, de São Paulo.

O Instituto de Beleza Messody Henriques era um orgulho para a nossa cidade, com a casa sempre cheia da “fina flor feminina” da sociedade local. A sua presença era reclamada nos salões de gente “alta”, não somente pela envolvência da sua simpatia, mas, por ser também uma lançadora de moda.

Por ter origem humilde, o sucesso não subiu a sua cabeça, pois respeitava muito as pessoas simples, tanto que abriu o seu chique salão de beleza para as mulheres que frequentavam o baixo meretrício - esta decisão lhe rendeu muitas criticas pelas “dondocas” da alta sociedade, que achavam um ultraje frequentar um local onde poderia estar mulheres inferiores, que vendiam o seu corpo para ganhar a vida.

Certa vez, uma senhora da “nata” telefonou indignada para a Messody:

- Não é possível que as mesmas mulheres da Zona façam as unhas e cabelos no mesmo lugar que nós! – reclamando a madame.

A Messody respondeu:

- Minha filha, o teu dinheiro é igualzinho ao delas, isso em primeiro lugar. Se tu queres o Instituto só para vocês, paguem então o preço da exclusividade. O trabalho que dá para pentear, cortar e tingir o cabelo de vocês é o mesmo que o cabelo delas dá, e por sinal que cabelos bonitos eles têm. E mais outra coisa: que comportamento exemplar elas assumem aqui, quando chegam ao salão e ficam esperando a vez. De exemplar dignidade. Nenhuma delas me pediu o telefone para ficar de namoro ou marcar encontros escondidos com amantes.  Ficam esperando, silenciosas, lendo as revistas, e como saem felizes depois de se verem tão bonitas com o tratamento carinhoso que lhe damos.

Essa foi a nossa querida Messody, uma mulher guerreira, que somente aos quinze anos aprendeu a ler a escrever, mas, com o seu trabalho digno e exemplar, criou e educou todos os seus dez irmãos - fez muito sucesso na nossa cidade, mas, o tempo é cruel, onde tudo passa, modifica e acaba.

O Instituto de Beleza da Messody Henriques acabou, porém, continua vivo na mente dos mais antigos e, ficará para sempre, na história da nossa cidade. É isso ai.


Fonte: Livro: Manaus, Amor e Memória – Thiago de Mello
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