sábado, 7 de janeiro de 2012

OS CHEIROS

Segundo o dicionário do Aurélio, o cheiro é uma impressão produzida no olfato pelas partículas odoríferas, podendo ser também traduzido como um cheiro agradável ou um mau cheiro, uma sensação efêmera, passageira, agora, aqueles cheiros guardados na nossa memória, relacionados, por exemplo, a algum fato, situação, pessoa, comida ou lugar, estes ficam para sempre.

Comento sobre este assunto, em decorrência de um artigo que escrevi sobre o nosso querido Mercado Adolpho Lisboa, pois basta eu sentir o cheiro de chicória, goma ou tucupi, logo vem à mente a imagem do “Mercadão” da minha infância e adolescência.

Quem se envolveu em acidentes ou presenciou fatos tristes em que houve derramamento de sangue, aquele cheiro forte de plasma e glóbulos sanguíneos espalhados pelo corpo ou derramados pelo chão, com certeza, ficou marcado para sempre, basta sentir novamente aquele cheiro, para relembrar daqueles momentos ruins do passado.

Na minha infância, a feitura do café por parte da minha avó, tinha todo um ritual: era torrado em casa, moído no pilão e, feito num fogareiro à lenha, no momento da infusão e coação, exalava um cheiro tão bom, gostoso, era um momento mágico de difícil explicação – ficou na minha memória, nunca mais senti um cheiro igual aquele, mas, ao passar próximo a uma fábrica de torrefação de café, no bairro de Educandos, ao sentir aquele aroma, volto ao passado.

Na adolescência, tinha um hábito de passar todos os finais de semana num sítio dos pais de um amigão do peito, todas as refeições eram feitas num fogão à lenha, faz muito tempo que a propriedade foi vendida, mas, não posso sentir um cheiro de gravetos queimando, volta logo o pensamento daquele lugar. Tempo bom que não volta mais, somente no cheiro!

Os homens e as mulheres possuem um cheiro natural, produzido por certas glândulas, quando os dois estão afim um do outro, a produção de feromônio dispara, um passa a sentir o cheiro do outro com maior intensidade, existindo toda aquela atração e excitação. Diz “Os Raízes: o cheiro da minha caboca tem cheiro de mato, de peixe, de tucumã, tem cheiro de tudo”. O tempo passa, o tempo voa, mas, jamais o sujeito vai esquecer o perfume natural da sua amada.

Assim mesmo é com os perfumes de produção caseira ou industrial, certa vez, uma pessoa estava usando o manjado “Caiaque”, outra pessoa de mais idade ao sentir aquela fragrância, simplesmente voltou ao passado, lembrou-se da primeira namorada, ela usava sempre o dito cujo. Por que muitas mulheres gostam de perfumes masculinos? Algumas mulheres dizem que não gostam de cheiro adocicado, preferem o cheiro forte, de macho!

Todas aquelas pessoas que possuem o olfato bem desenvolvido, dizem que cada cidade tem o seu cheiro característico, por exemplo, um francês, cozinheiro de forno e fogão, disse certa vez na televisão que o cheiro do centro de Manaus é de banana frita. Égua, sai pra lá cheiroso! Disse também que a Praia de Copacabana tem o cheiro de mar e de caipirinha, assim como, o Ver o Peso, em Belém, tem cheiro de Maniçoba; a Praia do Futuro, em Fortaleza, tem o cheiro de caranguejo na panela e, por ai vai. Agora, em Brasília, cheira a quê? Ele disse que ela cheira a podridão, ele não pode sentir um cheiro de carniça que lembra logo da capital federal. Eu, hein!

Um senhor de idade, separado da mulher, certa vez me confidenciou que, ao sair com uma prima para um programa “rala e rola”, ao dar uma cheirada na perseguida, ele sentiu um cheiro de sabonete de patchuli, pediu gentilmente para ela dar várias voltas ao redor da cama até suar, tudo para voltar a sentir aquele cheiro normal de xibíu parecido com a da sua ex-patroa. É mole, mas sobe! 
  
Pois é, mano velho, ao parar de fumar, o meu olfato começou a funcionar perfeitamente, não pode ninguém soltar um pum que sinto na hora, sem contar o cecê da negada dentro dos ônibus lotados e de perfume forte me dá dor de cabeça de imediato, em compensação, voltei a sentir o cheiro da comida, do perfume natural de mulher, das plantas e da minha cidade, além dos cheiros guardados na minha memória! É isso ai.
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