domingo, 15 de janeiro de 2012

A CASA VELHA

Pai, mãe e cinco irmãos, todos foram morar numa casa nova, feita de madeira e com dois pavimentos, na parte debaixo, tinha sala, cozinha, banheiro e um pequenino terreno, servindo para criação de alguns bicos de galinhas, com um tanque para lavagem de roupas e varal; na parte de cima, somente três pequenos quartos, sendo um com uma cama para o casal e, os outros dois para os filhos, com um para os homens e, outro para as mulheres.

Conforme os filhos iam crescendo, as disputas por espaço se acentuavam, dormiam em redes, herança indígena por parte da avó materna; o barulho era ensurdecedor pela manhã, todos queriam entrar ao mesmo tempo no banheiro, a algazarra era grande apesar dos ralhos da mãe; a primeira refeição era o básico, com café sem leite e, pão sem manteiga.

Todos estudavam pela manhã, era o único momento em que a casa tinha uma paz celestial; quando retornavam da aula, brigavam novamente para entrar primeiro no banheiro; o almoço era servido, tendo por base o peixe ou frango frito, com feijão e arroz, raramente se alimentavam de carne vermelha, a comida era pouca, mas, não faltava o básico no dia-a-dia; apesar de todas as dificuldades de uma família pobre, os filhos cresceram sadios e felizes.

Com a passar do tempo, o mais novo se casou e, aos poucos os outros foram saído também, a casa estava envelhecendo - os passarinhos estavam saindo do seu ninho, pois quem casa quer casa, assim diz o dito popular; restou apenas a filha mais velha, ela resolveu ser titia para o resto da vida.

A casa virou um “mar de tranquilidade”, sendo quebrada esta calmaria somente nos finais de semana, quando os filhos vinham para almoçar com pais, trazendo a tiracolo as suas esposas, filhos, cachorros, gatos e papagaios, ficando a casa superlotada de gente e de animais; os avós não tinham mais sossego, mas, eles gostavam assim mesmo de toda aquela movimentação; os filhos faziam churrasco, regado a muitas cervejas, com o som do 3 em1 no volume máximo e, jogo de dominó até o anoitecer; estes encontros duraram por muito tempo.

Os velhos pais começaram a sentir aquelas doenças crônicas que a idade traz com o tempo, falecendo tempo depois, primeiro, foi a mãe; três anos depois, o pai foi ao encontro da sua amada lá no céu - a casa velha ficou num vazio total, numa calmaria que fazia dó, não havia mais motivos para o encontro dos filhos e netos.

Com o passar do tempo, dois dos filhos se separaram das suas esposas e, voltaram a morar na velha casa dos pais; após anos sombrios, a casa velha começou a ser frequentada novamente, voltando toda aquela barulheira de antigamente, com os filhos, netos e os bisnetos se encontrando todos os finais de semana para celebrar o dia e reverenciar os seus antepassados. Churrasco, peixe assado, cervejas, muito som alto e dominó até o anoitecer, voltando a luz àquela casa.


Pelo andar da carruagem, os tataranetos devem fazer o mesmo no futuro, desde que alguns deles não valorizem mais as lembranças dos seus ancestrais e, resolvam vender a casa velha! 
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