segunda-feira, 30 de maio de 2011

ARRASTÃO NO BAR CALDEIRA DE MANAUS

Sexta-feira, início do mês de abril, saiu uma notícia numa rádio de Modulação em Amplitude (AM), dando conta de um arrastão que aconteceu num bar tradicional de Manaus, a informação foi passada depois “de boca em boca”, fazendo aquela famosa corrente “rádio cipó”, até chegar aos ouvidos dos frequentadores mais assíduos, cada um contava uma história diferente e aumentava cada vez mais o ocorrido "de fato". O lance foi mais ou menos assim: em plena luz do dia, cinco pivetes “cheira-cola”, resolveram fazer o famoso “arrastão”, o alvo foi o Bar Caldeira, tradicional boteco do centro de Manaus, local frequentado pela velha guarda do samba, músicos e profissionais liberais. O primeiro a ser abordado foi um cara conhecido pela alcunha de “Jacaré”, um morador antigo da “Vila Lavou Tá Novo”, na Rua dos Prazeres, 69 (antiga Rua Lobo D´Almada); o coitado estava mais liso do que “sabão na tábua”, mesmo assim, levou uns cascudos para nunca mais sair sem dinheiro, ainda levaram do “Jaca” a sua eterna camisa “O Mengo é Dez”. O segundo do “arrasta” foi um sujeito conhecido Brasil afora, como “Dólar Furado”, um potoqueiro de primeira linha, gosta de se gabar que é amigo do peito do “Sarney do Maranhão” (não seria melhor ser amigo do “Jader do Pará”? Dava no mesmo! ), meteu o papo furado a torto e a direito, falou e disse, que se fosse roubado, os meliantes seriam procurados pela Tropa de Elite do BOFE, além da Federal e, até da Interpol, se fosse necessário; não teve jeito, os meninos levaram um relógio Rolex falso, um celular “Shing Ling” e um dólar furado, é claro! O vendedor de discos, conhecido como “Interbairros”, ele anda a pé por todos os bairros de Manaus - foi outro pobre coitado que estava no lugar e na hora errada, ele tinha acabado de comprar quinze CD´s originais, vendidos no queima da Loja “Disco Laser”, não adiantou propor  aquela sua frase manjada: - Vamos, hoje, sentar à mesa de negociação? E, nem argumentar a famosíssima tacada final: - Tô deitado na pedra do IML, morto financeiramente, vou comer capim pela raiz de tão liso que me encontro!. Lá se foram todos os discos e vinte reais da venda do dia. Os safados não liberaram nem uma senhora septuagésima, a famosa cantora Celé, conhecida em todas as casas de samba e de macumba de Manaus; não adiantou ela berar alto e em bom tom: - Sou protegida por São Jorge e pelo Estatuto dos Idosos, nem pensem em me roubar, senão, vocês serão detidos por uma grande amiga, delegada da Civil, serão todos encaminhados direto ao Melo Matos! Sem chance para a nossa considerada Salé, levaram da coitada uma caixa com nove CD´s de sua autoria e dez reais (ela tinha penado para vender um único exemplar), além de brincos, pulseiras, cordões, colares de pérolas e o escambau a quatro de bijuterias da Rommanel (a mulher anda toda enfeitada, parece uma árvore de natal, chama muito a atenção dos criminosos), os seus amigos estão pensando em fazer “uma feijoada beneficente” (agora está na moda) para arrecadar fundos e compensar o “rombo” da Celé! Passaram também pelo arrastão: 1. Doutor Lió: dois maços de cigarros, um óculo “Raymundo” e um boné do Botafogo; 2. Rochinha: uma máquina digital da Panasonic, uma sandália “Croc” e um monte de fotografias em preto e branco da Manaus antiga; 3. Jokka: uma marmita até o “tucupi”, com peixes fritos, vatapá, feijão e arroz e um monte de CD´s de brega; 4. Paulo Botão: um relógio “Caterpillar”, um óculos “Ray Ban” e um par de tênis da “Nike”, tudo ori-gi-nal!; 5. Português Olavo: um boné, um par de dados e uma cartela de Viagra vencida; 6. Companheiro Inácio: um quadro de pintura abstrata, avaliada em duzentos contos – os caras levaram o maior susto quando ele mostrou o maior patrimônio que ele tem: uma “piroca” de um palmo e três dedos de comprimento! 7. Sacy da Aparecida: uma sacola rasgada, contendo agogô, reco-reco, tamborim, triângulo, claves e uma caixa de “Gardenal”, utilizado quando ele “imagina” que está sendo “chifrado” pela sua gata Elizabeth; 8. Roberto Paraense: tinha acabado de chegar de férias da sua terra natal, os meninos não perdoaram, levaram um quilo de camarão Aviú. Para finalizar, pegaram ainda mais dois, um é metido a filósofo, fala que nem a “preta do leite”, mas, numa situação dessas, ficou caladinho da silva, parecia até que comeu “Abiu”, levaram trinta contos (o dinheiro era para pagar seis ampolas de cevadas) e um livro do poeta Antístenes Pinto; acredito que os moleques devem ter vendido num “sebão” do centro (não leram, nem com nojo de pitiú de bodó) e, por último, abocanharam a grana do dono do estabelecimento, um português do Careiro da Várzea (não confundir com Póvoa de Varzim), ele tentou resistir até o último instante, ficou nervoso, deu uma topada, saindo uma unha do dedão esquerdo, ficou ainda tão puto da vida que fechou o bar por apenas duas horas (afinal, todo português é um judeu da vida). No final da tarde, foi um corre-corre até o bar, era gente saindo pelo ladrão, todos querendo saber o que realmente tinha ocorrido, depois, ficaram sabendo que tudo aquilo fora apenas uma armação, os gozadores estavam apenas comemorando o primeiro de Abril, considerado “O Dia da Mentira”. Fazer o quê, depois dessa, voltou tudo ao normal, a moçada botou para beber, comer churrasquinho de gato, ouvir a seleção do Jokka e contar mentiras até as dez da noite, horário em que o bar é gentilmente fechado pelo Adriano. Eu, hein!
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