quarta-feira, 13 de maio de 2009

INSTANTE GLORIOSO DA CRIAÇÃO MUSICAL

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Música é mediunismo. Principalmente essa que tem por base a melodia, manifestação mais linda do espírito humano. A outra, a rítmica, é ginástica mental, cálculo matemático, quase sempre exteriorização de instintos primitivos...

A melodia, assim, é resultado que há de melhor em nossa alma. É poesia, essência. Daí a “ligação” estreita que sempre existiu entre o compositor e as forças ocultas do Espírito. Essa “ligação” espontânea. Nem mesma o artista dela toma conhecimento, a não ser quando tem noções das coisas do Outro Lado. Mas, de maneira geral, a sinfonia entre os dois planos – o material e o espiritual – é conseguida através dessa vibração nervosa, desse especialíssimo estado de alma que se chama inspiração.

Basta interrogar-se um compositor para se ter a idéia dessa afirmativa. O artista não compõe quando quer, mas quando pode, quando sente dentro de si crepitar a brasa viva da música, o desejo incontido de fazer música, de escrever música. Quando “ouve” a Música. Por ser profundamente subjetiva, a Música surge sem motivos aparentes, brota da alma sem esforço. E no instante de compor, o artista fica “tomado”, sente o transe mediúnico, sai fora da sua realidade para integrar-se nalguma coisa que ele mesmo não sabe explicar. É o instante glorioso da criação!

Às vezes, entretanto, o compositor percebe de olhos abertos, conscientemente, as influências astrais, chegando mesmo a identificar as entidades colaboradoras de suas criações. Foi o caso de Schumann, por exemplo... Um incompreendido genial. Sentia Beethoven ao seu lado nas horas de trabalhar suas composições magistrais. Essa manifestação, por falta de maiores conhecimentos da ciência do Espírito, levou o desventurado criador da extraordinária Trâumerei – umas das páginas musicais mais lindas de todos os tempos – aos territórios da loucura.

De modo que, o que se observa entre os compositores é que eles são médiuns intuitivos. Sintonizam com as vibrações do Alto, responsabilizando os “fenômenos” que sentem com frutos, apenas, da própria sensibilidade.

É que é sensibilidade senão o próprio mediunismo?...

Autor: O. N.
Música à Luz da Oração – vol. 3


TRAVESSIA
Milton Nascimento – Fernando Brant

Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não existo
Muito tenho pra falar

Salto a voz nas estradas
Já mão quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar

Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho
Hoje faço com o meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar.
Fotos: J Martins Rocha - Capas de Vinil
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