segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

VISITA A CASA DO NONATO TAVARES


Num sábado de inverno manauara, tempo fechado, mesmo assim, resolvi caminhar pelas ruas do centro de Manaus, estava na companhia de uma amiga, a atriz Socorro Papoula – iniciamos o tour pela Rua Frei José dos Inocentes, pois ela tinha a intenção de visitar o ator e diretor de teatro e cinema, o Nonato Tavares – para a minha grata surpresa, tive o privilégio de conhecer a parte interna da sua residência, uma bela casa construída no período áureo da borracha.




O trecho entre a Avenida Epaminondas e a Rua Governador Vitório está praticamente intransitável (com inúmeros buracos e crateras), além de muito lixo por toda a parte - naquele local existe um grupo de pessoas que fazem a embalagem de papelões catados no centro da cidade, para reciclagem, porém, deixam restos de lixos no meio da rua – naquela parte ainda existem motéis de quinta categoria, onde se reúnem muitas mulheres de programa e viciados.

A partir dos fundos do Hotel Casina, a rua toma outro aspecto, em decorrência das inúmeras residências construídas, na sua grande maioria, na época da fartura da venda da borracha para o mercado externo – muitas famílias adoram morar naquele lugar, pois estão bem no centro da cidade, além de constituir ali em pura história da nossa cidade.


A casa do Nonato fica ao lado da biblioteca do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), um local onde sempre apareço para fazer as minhas pesquisas nos jornais antigos – ela é de dois pavimentos, sendo a parte debaixo alugada para um artista peruano, um exímio construtor de bonecos imensos e dragões – ele foi contratado por um grupo de pessoas, para a confecção de um “Candiru” de dez metros de comprimento, para desfile nas principais bandas de carnavais de cidade de Manaus.


Na parte de cima mora o Nonato Tavares, a subida é por uma escada de madeira, tipo caracol, toda envernizada, dando logo de inicio uma sensação muito boa – por ser um hábito dos caboclos, tiramos o sapato na entrada da casa, afinal, o assoalho é todo de madeira de lei e, não é legal levar sujeira para dentro da casa - para quem não sabe, o Nonato foi o Diretor de Artes do premiado filme "A Floresta de Jonathas".




Os amazônidas que, realmente, amam este torrão e a sua cultura, utilizam na decoração de suas casas, muitos elementos ligados ao modo de ser, tais como: quadros com temática regional, cadeiras de embalo feitas de cipó, tipiti, redes de dormir e de pescar, miniaturas de barcos regionais, cestas, vasos, mandalas em cipó, etc – tudo isto se pode encontrar na casa do Nonato – tudo ali é simples, bonito e aconchegante.



Por ser uma casa antiga, tudo é amplo, espaçoso, com a cozinha e sala de jantar conjugada, grandes corredores, salas e uma vista muito bonita para o bairro de Aparecida e parte do Rio Negro, além de grande faixa da própria Rua Frei José dos Inocentes.



Aliás, o Nonato, a Lucinha Cabral, o pessoal do Projeto Uakiti e outros artistas possuem um carinho todo especial por aquele lugar, tanto que fundaram a Banda do Frei José, tendo como rainha a gloriosa Nazinha, uma senhora negra, filha de escravos e baiana da GRES Aparecida, ela esbanja alegria e simpatia, considerada por todos como a figura mais importante da Rua Frei José dos Inocentes.




A caminhada continuou pela Praça D. Pedro II – lamentei muito o fechamento do Paço da Liberdade, pois foi inaugurado sem condições de funcionamento no final de Dezembro, apesar de ter levado seis anos em reformas - passei também pelo Museu do Porto, está fechado faz anos, com dezenas de peças importantes jogadas as intempéries.

Para finalizar, entrei no Porto, o lugar é legal, com muita gente tomando cerveja em torre (com 2,5 litros) e cheio de turistas – estou na expectativa da abertura da Casa de Leitura Thiago de Mello, outra obra que está demorando muito para ser entregue.



Na minha caminhada de sábado, posso afirmar que, o mais gostoso foi ter conhecido o casa do Nonato Tavares. É isso ai.     

Fotos: J Martins Rocha - Boneca Nazinha é do D24.
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