quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O ERRO DE CÁLCULO DE UM PILOTO DA FAB



Quem passa pelo largo da Igreja dos Remédios, nem de longe pode imaginar que, exatamente quarenta e quatro anos atrás, um piloto da Força Aérea Brasileira (FAB) cometeu um grave erro e, tocou parte do avião que pilotava, na cruz no alto da torre daquele templo católico.

É isso mesmo, mano velho! Muito amazonenses ainda guardam na memória, daquele dia em que quase acontece um acidente de grandes proporções – a marca do acidente, ou seja, parte da cruz quebrada serviu para olhar curioso durante muitos anos.

Para quem não conhece a história da igreja e do seu entorno, vou comentar um pouco:

Segundo os historiadores, esta igreja foi construída em 1868, erguida sobre um cemitério indígena, foi tombada em 1988, como patrimônio histórico do Amazonas. Ela é rodeada por escadarias de pedras portuguesas de Lioz; na parte detrás, ainda aparecem os trilhos dos bondes (deixaram de circular em Manaus na década de 50).

Ao seu lado fica a primeira Faculdade de Direito do Brasil, onde por lá passaram os estrelas Jefferson Péres, Plínio Coelho e Samuel Benchimol -, bem em frente  da "Velha Jaqueira”, ficava a banca da Dona Pátria, a melhor tacacazeira do Amazonas, tia amada do médico Rogélio Casado – nos seus arredores moraram a comunidade sírio-libanesa, além dos famosos: Milton Hatoum, o autor do livro “Dois Irmãos”, a Deputada Federal Beth Azize, os senadores Arthur Virgílio Filho e Arthur Virgílio Neto. A sua frente tem uma praça, outrora esplendorosa, com um Cristo Redentor, abençoando os ribeirinhos e a Baía do Rio Negro. Antigamente tinha uma famosa escadaria, dava acesso a “Cidade Flutuante”.


Na lateral direita da igreja, morava um sujeito chamado Adalelmo Nascimento, era um mendigo rabugento, certo dia, o meu saudoso pai pediu para irmos visitá-lo, os dois conversaram muito, ele lembrou que o papai foi quem o levava para o Colégio Dom Bosco, pois ele era filho do patrão, o senhor Nascimento, da fábrica de violões “Bandolim Manauense”, ficava nos porões da Casa Alba.



Pois bem, voltando aquele dia fatídico – era um sábado de manhã na nossa cidade, exatamente no dia 22 de Julho de 1968, quando o Major-Piloto Leal Soares, cometeu um erro de cálculo, no Mini Jato de FAB de Prefixo TF, improvisando uma rasante nas imediações do Largo da Igreja dos Remédios.


Na descida, bateu na cruz da igreja, com parte da asa indo cair na Rua Leovegildo Coelho, bem em cima de um automóvel da marca Simca – o Major e o Tenente Cavalcante, com muita habilidade, conseguiram levar o Mini Jato até o Aeroporto de Ponta Pelada, fazendo uma aterrissagem quase forçada, pois o avião pendia para o lado da assa quebrada. É isso ai. 

Fonte e fotografia em preto em branco: Jornal A Crítica;

Fotografia colorida: J Martins Rocha.


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