terça-feira, 12 de junho de 2012

O IGARAPÉ DO ESPIRÍTO SANTO


Com a grande cheia do Rio Negro, com as águas chegando ao Relógio Municipal de Manaus, atiçou a curiosidade de muitas pessoas, incluindo os turistas, servindo também de chacota para um grupo de artistas de teatro que, montaram no local, todos os apetrechos utilizados numa praia, com pessoas trajando sungas e biquínis, algumas passando bronzeadores e outras sentadas em cadeiras espreguiçadeiras e usando óculos de sol, pousando para fotografias.

A grande maioria, com certeza, não sabe que as águas do rio estavam apenas voltando mansamente para o local que já fora seu; onde em nome do progresso, os nossos governantes aterraram parte da natureza, pois ali era um grande igarapé.

No local onde hoje funciona o prédio da Alfândega, Porto de Manaus (Rodoway), Obelisco, Relógio Municipal e tantos outros prédios do inicio da Avenida Eduardo Ribeiro, era tomado, na enchente, pelas águas do Rio Negro e, na vazante, passava uma lâmina de água que vinha de alguma fonte – podia se dizer que naquele local era realmente o que o nossos antepassados chamavam de “caminho de canoa” (ygara = canoa e, = caminho).  

Segundo os historiadores, a partir de 1892, os governadores (Eduardo Ribeiro e Ramalho Junior) da época áurea da borracha tentaram agradar as elites, com o deslocamento das pessoas pobres para os locais mais afastados e, o aterramento do Igarapé do Espirito Santo, para dotar o lugar de uma “vitrine” para atrair mão de obra e capital estrangeiro.

Na colagem acima, aparece a Ponte da Imperatriz, em 1880, era onde desembocava o Igarapé do Espirito Santo, muito antes da construção do Rodoway – pode-se observar também, uma pequena ponte no cruzamento da atual Avenida Eduardo Ribeiro e a Sete de Setembro, além da Avenida Eduardo Ribeiro após o aterro do igarapé.


Com a construção da praça que fica ao redor do Relógio Municipal, foram feitas algumas escavações e, para surpresa de poucos felizardos, foi possível visualizar uma galeria onde está um marco da época do aterro do igarapé - o acesso está fechado para os curiosos, mas, alguns historiadores sabem exatamente onde é o local. 

O aterro dos igarapés de Manaus, uma insanidade que ainda paira na mente dos nossos governantes – com certeza, um dia irá acabar, quando a natureza der o troco e, voltar ao seu local de origem – o primeiro a submergir será o Igarapé do Espirito Santo, depois, o Igarapé de Manaus – não serão mais necessários os artistas de teatro fazerem cenas engraçadas, pois, poderão curtir de verdade as belezas dos nossos igarapés.

Devemos ter mais respeito a terceira pessoa da Santíssima Trindade e, ao igarapé que leva o seu nome, o nosso aterrado Igarapé do Espírito Santo. É isso ai.  
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