terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O CHAFARIZ DA PRAÇA DA MATRIZ E O SEU ENTORNO


Quem, por um acaso, se aventurar em passar pelo final da Avenida Eduardo Ribeiro, em direção ao Rodoway, terá a opção de entrar a direita, pelo cercado de proteção de parte do Largo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição (infelizmente, o poder público teve de gradear, para proteção daquele logradouro da ação dos vândalos), terá a grata surpresa de avistar um dos mais belos monumentos deixados pelos nossos antepassados, trata-se do “Chafariz da Praça da Matriz”.

Na minha adolescência, tive o privilegio de usufruir de todo aquele conjunto, incluindo além do Chafariz e a Igreja, o Relógio Municipal, os Correios, a Praça, o Aviaquário, o Rodoway, vários prédios comerciais, com maior destaque para o do J. G. Araújo, Booth Line, Banco do Brasil, Café dos Terríveis, Pavilhão Universal, dentre outros. Muitos sucumbiram em decorrência da insensatez dos homens, outros tantos, continuam em ruínas, poucos, muitos poucos, continuam imponentes, em particular, o nosso querido Chafariz da Matriz.

A palavra chafariz vem do árabe, para o dicionário do Aurélio significa “uma construção de alvenaria, com uma ou várias bicas, por onde jorra água que serve para uso da população, como bebedouro de animais ou, o que é mais comum, como simples ornamento; fonte”. O nosso chafariz, não sei se posso assim chamá-lo, pois não jorra mais água, apesar de ter passado por uma reforma caríssima, com dinheiro federal, veio se arrastando desde a administração do Serafim e concluído pelo Amazonino Mendes, consumiu muita grana, porém, esqueceu-se de colocar água para jorrar nas bicas.

Em Manaus, os chafarizes que fazem o maior sucesso é o da Praça Heliodoro Balbi, o do retorno da Ponta Negra (em frente ao Tropical Hotel) e do Parque Jefferson Perés, os demais estão desativados (sinto pena, muita pena!), veja o da Bola do Eldorado, da rotatória da Estrada da Ponta Negra (em frente ao Carrefour), da Praça Dom Pedro II, do Parque dos Bilhares, Lagoa do Japiim e dos barcos do Monumento da Praça de São Sebastião, estão tristes, sem água, apesar de passar no nosso quintal o maior rio de água doce do mundo.

Estamos em plena temporada de férias, com transatlânticos ancorados no Rodoway, agora, imagine a cara o turista quando se depara com a “desgraça” que está todo aquele lugar em frente ao porto (com exceção da Igreja, do Chafariz e do Relógio Municipal), o lugar está abandonado pelas autoridades, o trânsito é caótico, quem manda no lugar são os camelões, os bandidos, a prostituição, os usuários de drogas, os vendedores de bebidas, de churrascos de gato, de peixes, frutas e verduras – o lixo está em todo lugar, o terminal de ônibus está podre, o Rodoway está nas mãos de um bando de destruidores de prédios históricos, por ai vai.

A primeira impressão é a que fica, se a porta (da via fluvial) de entrada de Manaus está um lixo, imagina-se que toda a cidade de Manaus é um lixo, o que não é verdade, a nossa cidade é muito bonita, apesar dos pesares. Por outro lado, quem chega pelo Aeroporto Eduardo Gomes, pega a Estrada do Turismo, passa pela Ponta Negra e chega ao Tropical Hotel, o turista terá uma imagem de que Manaus é um paraíso, pois aquela parte da cidade é pura natureza, limpa, bonita, valorizada, esta impressão ficará para sempre.

Voltando ao nosso glorioso Chafariz da Matriz, quem conhece muito bem os detalhes dele é uma francesa, radicada muito tempo em Manaus, a Thérése Aubreton, diga lá professora: “Foi executado em ferro fundido pela firma Sun Foundry, de Glasgow, conforme atestam as inscrições em várias de suas peças. O chafariz compõe-se de grande bacia hexagonal, originalmente adornada por seis esculturas (três meninos sentados segurando espadas e três meninos em pé carregando cântaros), distribuídos em cada vértice. Lamentavelmente, quatro das seis esculturas perderam-se durante as várias reformas realizadas, ao longo dos anos. À frente de cada uma das que restam vê-se a escultura de um cisne e a identificação do fabricante. No piso da bacia hexagonal notam-se fontes ladeadas por esculturas de meninos. Bem ao meio da bacia eleva-se uma base quadrangular, que assenta o corpo principal do chafariz. Notam-se esculturas de ferro de meninos carregando bacias, dispostas em cada ângulo. Embaixo de cada menino existem delicadas esculturas de cobras surgindo da vegetação entre duas colunas. Vê-se esculpidas interessantes representações de Netuno simetricamente dispostas por dente bucólica folhagem. O monumento tem por base um grupo de doze anjinhos dançando e, coroando a beleza do conjunto, uma bela estátua de Vênus, em trajes antigos, equilibrando um vaso à cabeça, acompanhada por quatros tocadores de trombetas. A base superior da bacia mostra alto relevo com cobras no meio de luxuriante vegetação”.

Viaje no tempo, olhe as fotografias antigas (disponibilizadas em nosso blog), todo o conjunto é belo, depois, passe por lá e veja “in loco” o que fizeram com o nosso patrimônio cultural – talvez, alguns falarão que não se pode comparar o passado com o presente, pode, sim, veja os monumentos europeus, conservadíssimos, apesar de todo o progresso que eles alcançaram -, tudo é questão de educação, respeito e amor pela sua cidade e sua gente. O Largo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição merece voltar a brilhar e, o nosso Chafariz da Matriz voltar a jorrar água. Será pedir muito? É isso ai.
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