sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CIDADE FLUTUANTE DE MANAUS

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A “Cidade Flutuante” existiu em Manaus entre os anos de 1920 e 1967, teve o seu inicio em decorrência do declínio do fausto da borracha, com a falência dos seringalistas, levou uma multidão de seringueiros a ficarem sem eira nem beira, não tinha onde morar, a solução foi iniciar a construção de suas casas sobre as águas do Rio Negro e pelos igarapés de Manaus.

As casas eram de madeiras, construídas sobre troncos de árvores, tornando-as flutuantes, a cobertura era palha e zincos, formavam um imenso conglomerado de casas, era tão grande que chegou a ser uma “cidade” dentro da cidade de Manaus, chegando na década de 60 com mais de 2.000 casas e aproximadamente 12.000 habitantes.

Segundo relatos, no local existia além de moradias, todo tipo de comercio: estivas, ferragens, restaurantes, gabinetes de dentistas, consultórios médicos, drogarias, oficinas mecânicas de consertos de motores marítimos, venda de borrachas, castanhas, jutas, couros e peles de animais, tinha “de tudo”, qualquer atividade que tinha em terra, também tinha na cidade flutuante!

Dizem que alguns moradores da “cidade” fizeram riqueza no local, citam as famílias “Paraíba”, “Cordeiro”, “Nobre” e “Assayag”

A maior parte se concentrava bem em frente da Igreja dos Remédios, em torno de 850 casas, muitas ficavam até 150 metros da margem do rio.

Posso falar de cadeira, pois nasci e me criei dentro de um flutuante no Igarapé de Manaus. O meu saudoso pai Rochinha, era um artesão, fabricava e consertava instrumentos de cordas, o nosso flutuante era enorme, servia de moradia e oficina, com tempo, o papai instalou luz elétrica e água encanada. Ele comprou um “motor de centro”, adaptado para serrar madeiras, fez a montagem de dois camburões de água, para fazer a refrigeração. Com o desmonte dos flutuantes, ele foi um dos primeiros a sair do local, vendeu o motor e comprou um terreno na Vila Paraíso, onde vivei com a nossa família até a sua morte.

Na década de sessenta, começou a ventilar a requisição de verbas federais para a construção de casas populares, destinadas a famílias residentes em flutuantes. Muitos receberem terrenos no bairro de São Jorge, a nossa família foi contemplada, porem, o meu pai não aceitou, pois achava o lugar “muito longe” e “no meio do mato”.

A Cidade Flutuante desapareceu por completo em 1967, ficou apenas na memória. Ela serviu de inspiração para muitos autores, além de servir de cenário para muitos filmes e documentarios. Para maiores informações, acessar: http://seer.ufrgs.br/aedos/article/view/12507/9171  













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