segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

QUE SAUDADES DE MANAUS



É o título do trabalho da repórter Daisy Melo, do Jornal Diário do Amazonas, caderno Plus, edição de 24 do corrente, com o subtítulo: “Moradores da capital falam das coisas que sentem falta na cidade da Belle Époque”. Mais ou menos do tipo “tempo bom, que não volta mais”. Em decorrência do “blogdorocha”, chamado por alguns de “blog da saudade”, por tratar do assunto, tive o privilégio de ser entrevistado, juntamente com o cantor/compositor Chico da Silva e do multimídia Joaquim Marinho, além da Dona Nazaré Vieira dos Santos, antiga moradora do bairro da Praça 14 de Janeiro.


O Chico falou sobre os jogos do RIO X NAL, no Parque Amazonense; dos concursos de calouros nas rádios Baré, Difusora e Rio-Mar; lembrou da sua querida Escola Técnica Federal; das “Manhãs de Sol”, realizados nos clubes Grêmio (Educandos), Botafogo (Cachoeirinha) e Luso (centro), ao som dos Long Play de vinil e muita cerveja XPTO; lembrou dos cinemas Odeon e Avenida, das suas salas luxuosas e dos chás gelados servidos nos intervalos dos filmes; sente muita saudade dos balneários do Parque 10, Ponte da Bolívia, Tarumã e Praia da Ponta Negra.


O Marinho sente saudade dos cinemas de Manaus; da tranquilidade da cidade; do antigo Rodoway; das personalidades como o advogado Aristophanes de Castro, o historiador Mário Ypiranga e o senador Jefferson Péres.


A Dona Nazaré sente saudade do canto da rua, onde conversava com os amigos; lembra de um buraco na Rua Japurá, onde conversava, brincava e tomava Mingau de Mungunzá; gostava da animação do futebol jogado no campo do Fluminense e do Solimões, ficava onde é hoje a Igreja Nossa Senhora de Fátima; sente muita saudade do tempo em que podia sair sozinha pelas ruas de Manaus.


Da minha parte, lembrei das ruas da minha infância e adolescência: Igarapé de Manaus e Tapajós; sinto saudade dos balneários do Parque 10, Ponte da Bolívia, Tarumã e da Ponta Negra, principalmente da Prainha; dos cinemas Guarany, Polytheama, Odeon, Avenida e Popular; das antigas Praças do Congresso, Saudade, Polícia e São Sebastião; os clubes que eu frequentava eram o Sheik, Bancrevia, Sambão, Clube Juvenil, além do Luso Sporting Club, onde assistia As Pastorinhas, Shows, Teatros e jogava futebol de salão; lembrei ao Aviaquário, ficava atrás da Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde a moleca brincava nos parquinhos e passeava num mini zoológico e aquário de peixes da região; a Avenida Eduardo Ribeiro era a que me deixou mais saudade, pois tudo acontecia lá: carnaval, desfile do peladão, corrida Archer Pinto e desfile militar.


Para a repórter “Não há dúvida de que Manaus está crescendo, assim como não há dúvida de que com o desenvolvimento, a cidade está perdendo a sua identidade genuína, com os prédios históricos dando lugar para as construções modernas. A cidade da Belle Époque, dos igarapés, das famílias, dos cinemas e da antiga Avenida Eduarda Ribeiro desaparece a cada dia com o “progresso” e deixa saudades”.


É isso.

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