sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

COCOTA, NOSSO ADMIRÁVEL VAGABUNDO!

















Um dos objetivos do BLOGDOROCHA é divulgar o trabalho das pessoas que contribuíram para o nosso desenvolvimento cultural, social e econômico, nada mais justo do que mostrar “para o mundo ver” um amazonense que fez história na nossa cidade – o famoso Euler Cocota.

No ano retrasado foi a última vez em que o vi, estava na Vila de Paricatuba, em Iranduba, promovendo uma bela Feijoada, para comemorar o seu niver.

Ele é citado no livro “Amor de Bica”, dos jornalistas Mário Adolfo e Orlando Farias, do escritor Simão Pessoa e do poeta Marcos Gomes. O texto é mais ou menos assim:

O ex-fora da lei Euler Silva, o popular “Cocota”, é uma lenda da Praça São Sebastião (hoje Largo) e de seus arredores, tendo se envolvido com tráfico de drogas e outros pequenos ilícitos. Aprontou tudo o que tinha direito. Foi morar na rua protegido por uma companhia lendária – a de uma cadela, cujo maior feito foi tê-lo esperado dois meses à porta do presídio Raimundo Vidal Pessoa. No dia em que de lá saiu, dois meses após um flagrante por levar consigo algumas trouxinhas de maconha, lá estava a cadela à sua espera.

Cocota jamais foi um homem perigoso à sociedade. Na verdade, naufragou sob o impacto das ondas ditadas pelas mazelas sociais e do banzeiro da mediocridade das estruturas do Estado, que não lhe permitiram, em detrimento da vida, ser um simples vagabundo.

A história de Cocota foi muito bem ilustrada pelo jornalista Inácio Oliveira, biqueiro, numa reportagem no jornal Amazonas em Tempo e legou um título inesquecível: “Admirável Vagabundo”. Mais recentemente, no ano de 2003, Cocota foi motivo novamente de uma reportagem levada a efeito pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele foi identificado com um dos muitos casos de pessoas que não viraram reféns do crime, após entrar em seus subterrâneos e deles sair intacto.

Cocota foi se retirando dos submundos pela ação assistencial da igreja capuchinha de frei Fulgêncio Monacelli e com a ajuda de muitos biqueiros, com destaque para o psiquiatra Rogelio Casado e o delegado aposentado Trindade.

Reabilitado socialmente, sem dever nada à Justiça ou à sociedade, Cocota cumpre uma missão pra lá de louvável a qualquer ser vivente que habite esse planetinha azul tão açoitado por impactos das guerras, das revoluções industriais e tecnológicas que se sucedem e das devastadoras perdas impostas pela exploração criminosa das matérias-primas. Cocota coordena no Paricatuba (margem direita do rio Negro, em frente da cidade de Manaus) um projeto de reprodução de mudas nativas da Amazônia para reflorestar áreas degradadas da floresta.

 
É isso ai, a história do meu amigo é pra lá de interessante; o Cocota continuou durante muitos anos nas suas idas e vindas de Paricatuba; lá era hóspede cativo do Paulo Mamulengo e da Dona Rosângela; aqui, em Manaus, gostava de ficar dormindo na Rua Marcílio Dias, em frente a Casa do Trabalhador! 

Fiquei sabendo ontem, através da Dona Rosângela e do Saléh, lamentavelmente, da sua morte, ele foi encontrado anteontem debaixo de uma ponte do centro, morreu como indigente, apesar de possuir irmãos estabilizados financeiramente. Valeu, Cocota!


Observação: Peço mil desculpas ao meu amigo Mitoso, sinceramente, tirei o título da postagem do livro "Amor de Bica", juro que não sabia que o jornalista copiou do seu livro "Contos Vagabundos" - para limpar a minha barra com o meu irmãozinho Mitoso, publico a homenagem que ele fez no blog:

Cocotão é personagem ficcional do conto Cocotão de la praça, do meu livro Contos Vagabundos. Cocotão, segundo o Saleh, também minha personagem do mesmo conto, apareceu morto. Não entendi porque o Rochinha, meu amigo do blog do Rocha, usou o título do meu livro de 1992 para a postagem da nota fúnebre, para o réquiem, e esqueceu de cita-lo.

Verdade que jornalistas e poetas usaram a vida do Cocotão como mote, mas a literatura de ficção é tão natural quanto a reportagem ou o poema. As hierarquias precisam acabar.


Creio que talvez meu amigo Rocha, como quase todo mundo, associe a vida marginal do Cocota à literatura do realismo cômico-fantástico, própria de autores rebeldes como eu. E isto talvez tenha levado meu amigo Rocha a achar que , assim como o Euler Cocotão foi excluído da vida social e assim como minha literatura é dos excluídos, nada mais natural que excluir-me da vida social e da notícia. Eu concordo.


De qualquer modo, no conto, Cocotão ri e debocha dos valores dos excludentes e dos opressores, e ainda faz amor com a mulher de um deles. No dia 17 de março de 1989 ou 1990. Dia do meu aniversário e dia da reinauguração do Teatro Amazonas, após uma reforma superfaturada. Enquanto todos os alienados faziam protesto por não terem sido convidados, eu, o Cocotão e alguns outros olhávamos a presepada de longe. E ainda sobrou mulher para o Cocotão acalmar. É um de meus melhores contos e o mais premiado!


Taí , Cocotão. Isto é que é ser imortal!
Grande Cocotão!


Hoje tem rock no céu!


E como disse o Cazuza: " Piedade , senhor, piedade, para esta gente careta e covarde. Piedade, senhor, piedade, lhes dê grandeza e também um pouco de coragem".

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DECISÃO OFICIAL: A BICA NÃO VAI SAIR!


Levando em consideração ao estado grave de saúde em que se encontra o Armando e ao grande sofrimento da sua família, a BICA não vai sair este ano. Foi um pedido da Ana Claúdia (filha do Armando), todos os biqueiros irão respeitar os sentimentos da família. A postagem abaixo não tem mais sentido. Agora, somente rezar pelo nosso querido Armando!




É isso mesmo, a Banda Independente da Confraria do Bar do Armando, a famosa BICA, vai sair no sábado magro de carnaval (11/02/2012), a ordem veio do seu patrono maior, o nosso querido e amado português Armando Soares.

Até o ano passado, um grupo formado pelo Jomar, Deco, Chicão, Pepê, Marquinho, Manoelzinho, Mamulengo, Julinho, Anchieta, Robervan e vários outros amigos, patrocinadores, Prefeitura de Manaus e Governo do Estado, trabalharam muito para a Bica sair, mas, este ano o bicho pegou! Com a doença do Armando e, a desmotivação de alguns integrantes, corre alguns comentários que eles não estão mais interessados em fazer carnaval deste ano.

Como se tem noticiado na imprensa, o Armando está lutando bravamente por sua vida no hospital da Unimed – ele é um guerreiro, com certeza, vencerá esta batalha. Mesmo assim, fez várias declarações a imprensa, no sentido de não deixarem a BICA morrer.

Neste sentido, alguns frequentadores assíduos do Bar do Armando, estão dispostos a formar uma comissão para botar a BICA para zoar. Um deles, o cantor e compositor Adal Amazônico, está propondo uma reunião com todos os simpatizantes, biqueiros, artistas, jornalistas, boêmios e Diretores da banda, para se reunirem na Praça de São Sebastião, bem frente ao Bar, para formarem uma comissão organizadora do melhor carnaval de Rua de Manaus.

A ideia inicial é deixar de lado este ano a malhação dos canalhas de plantão e, fazer um carnaval todo voltado para homenagear o Armando Soares. Quem quiser obter mais detalhes, pode ligar para o Adal Amazônico – celular 92 9623-6543 ou mandar mensagem para o correio eletrônicoadalsilv@ig.com.br. É isso ai.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

AI SE MANAUS FOSSE IGUAL AO RIO...!



Um amigo em férias no Rio de Janeiro teve o prazer de conhecer lugares maravilhosos, curtiu muito a Praça Salvador, no bairro de Laranjeiras, ficou maravilhado com o lugar, onde as pessoas ocupam suas vastas calçadas, cheias de árvores, com os artistas e músicos reunidos para tocar, expor artes, ler poesias, famílias passeando, jovens namorando no coreto, boêmios conversando nos bares do entorno e tudo o mais do bom e do melhor.

Ao voltar para a sua adorada Manaus, está um pouco triste em decorrência da nossa cidade estar muito longe do que é o Rio, que nunca ela terá um nível de vida que existe lá, a nossa é melancólica, sem calçadas, que a cidade é controlada vinte e poucos anos por um mesmo grupo de políticos de “m” da quinta grandeza que, sistematicamente tornaram a cidade uma favela e pilharam até os ossos, onde existem dois shoppings center no meio de condomínios de luxo cercados como se fosse um apartheid dividindo a cidade. Ele lembra com saudades que Manaus de trinta anos atrás tinha um centro lindo, cheio de ruas largas e calçadas onde os seres humanos podiam andar.

Ao ler o lamento do meu amigo na sua página do “Facebook”, fiz o seguinte comentário:

As cidades, assim como as pessoas, são diferentes, não existe e jamais existirá uma igual à outra. A cidade de Manaus, apesar dos pesares, possui o seu charme, o seu encanto; lugares ruins, péssimos, outros, bons, maravilhosos; pessoas estúpidas, destruidoras e, outras tantas de bom coração, encantadoras. Jamais Manaus será igual ao Rio, cada uma na sua! Nós amazônidas, manauaras que amamos esta cidade, estamos numa luta constante contra a força do mal (esse grupo que está há mais de vinte anos no poder). Quiçá, num futuro próximo, conseguiremos revitalizar o nosso centro histórico, caminhar com segurança pelas antigas praças, jogar conversa fora nos botequins, enfim, elevar a nossa autoestima, respeitando e admirando cada vez mais a nossa cidade de Manaus e a sua gente.

O BLOGDOROCHA é saudosista, mostrando fotos antigas da nossa cidade, com o intuito de despertar uma consciência geral para a revitalização do nosso centro antigo, onde as pessoas possam caminhar com segurança nas praças arborizadas e com vastas calçadas, num ambiente familiar, onde os artistas e os poetas possam expor as suas artes e declamar os seus poemas, onde os jovens possam namorar no coreto e, os boêmios possam conversar numa boa nos bares do entorno. 

Manaus é Manaus, Rio é Rio! Cada uma na sua, mas, com boa vontade, amor a cidade e aos seus habitantes, quem sabe um dia, o centro antigo poderá ser um pouco parecido com Laranjeiras!

Um grande abraço ao meu amigo Jorginho Laborda, pois foi a matéria dele que me motivou a fazer esta postagem. É isso ai.
Fonte: http://cronicabipolar.blogspot.com/



O Rogel Samuel é um amazonense que mora faz muitos anos no Rio, ele escreveu o seguinte para o blog: “Se você morasse aqui no Rio estaria pensando em Manaus, nas suas mesas de tacacá, nos seus peixes, no seu Teatro...


O Mauro Bechaman escreveu o seguinte: "Engraçado. Assisti a um programa sobre brasileiros no exterior e, amazonenses que moram em outros países. Todos foram unânimes em amar sua terra natal e afirmarem até que sentem uma falta gigantesca do calor do clima e das pessoas, das coisas... Quando vejo qualquer outra cidade... Lembro do ilustre geógrafo Milton Santos que nos informa que o espaço geográfico é composto por "Espaços Luminosos" e "Espaços Opacos" que estão simultaneamente presentes nas cidades do Mundo! Imaginem quantas pessoas no Mundo não gostariam de estar vivendo na Amazônia? Saudações Amazônicas!

domingo, 15 de janeiro de 2012

A CASA VELHA

Pai, mãe e cinco irmãos, todos foram morar numa casa nova, feita de madeira e com dois pavimentos, na parte debaixo, tinha sala, cozinha, banheiro e um pequenino terreno, servindo para criação de alguns bicos de galinhas, com um tanque para lavagem de roupas e varal; na parte de cima, somente três pequenos quartos, sendo um com uma cama para o casal e, os outros dois para os filhos, com um para os homens e, outro para as mulheres.

Conforme os filhos iam crescendo, as disputas por espaço se acentuavam, dormiam em redes, herança indígena por parte da avó materna; o barulho era ensurdecedor pela manhã, todos queriam entrar ao mesmo tempo no banheiro, a algazarra era grande apesar dos ralhos da mãe; a primeira refeição era o básico, com café sem leite e, pão sem manteiga.

Todos estudavam pela manhã, era o único momento em que a casa tinha uma paz celestial; quando retornavam da aula, brigavam novamente para entrar primeiro no banheiro; o almoço era servido, tendo por base o peixe ou frango frito, com feijão e arroz, raramente se alimentavam de carne vermelha, a comida era pouca, mas, não faltava o básico no dia-a-dia; apesar de todas as dificuldades de uma família pobre, os filhos cresceram sadios e felizes.

Com a passar do tempo, o mais novo se casou e, aos poucos os outros foram saído também, a casa estava envelhecendo - os passarinhos estavam saindo do seu ninho, pois quem casa quer casa, assim diz o dito popular; restou apenas a filha mais velha, ela resolveu ser titia para o resto da vida.

A casa virou um “mar de tranquilidade”, sendo quebrada esta calmaria somente nos finais de semana, quando os filhos vinham para almoçar com pais, trazendo a tiracolo as suas esposas, filhos, cachorros, gatos e papagaios, ficando a casa superlotada de gente e de animais; os avós não tinham mais sossego, mas, eles gostavam assim mesmo de toda aquela movimentação; os filhos faziam churrasco, regado a muitas cervejas, com o som do 3 em1 no volume máximo e, jogo de dominó até o anoitecer; estes encontros duraram por muito tempo.

Os velhos pais começaram a sentir aquelas doenças crônicas que a idade traz com o tempo, falecendo tempo depois, primeiro, foi a mãe; três anos depois, o pai foi ao encontro da sua amada lá no céu - a casa velha ficou num vazio total, numa calmaria que fazia dó, não havia mais motivos para o encontro dos filhos e netos.

Com o passar do tempo, dois dos filhos se separaram das suas esposas e, voltaram a morar na velha casa dos pais; após anos sombrios, a casa velha começou a ser frequentada novamente, voltando toda aquela barulheira de antigamente, com os filhos, netos e os bisnetos se encontrando todos os finais de semana para celebrar o dia e reverenciar os seus antepassados. Churrasco, peixe assado, cervejas, muito som alto e dominó até o anoitecer, voltando a luz àquela casa.


Pelo andar da carruagem, os tataranetos devem fazer o mesmo no futuro, desde que alguns deles não valorizem mais as lembranças dos seus ancestrais e, resolvam vender a casa velha! 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE VIAGEM – A PRIMEIRA VEZ NO RIO DE JANEIRO

Numa bela tarde de agosto de 1977, com vinte e poucos anos de idade, sai pela primeira vez da minha aldeia, peguei um avião no Aeroporto Eduardo Gomes, de Manaus, num voo da Vasp, segui para o Rio de Janeiro, com escala em Brasília, era a minha primeira ida ao Rio, uma cidade querida e admirada pelos brasileiros e, em especial, pelos manauaras.


O Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, tinha acabado de ser inaugurado, estava zero bala, maravilha! Passei alguns dias no apartamento da família Bringel, no pé do Morro de Santa Tereza, tive a felicidade de rever os meus amigos amazonenses da gema, a Dona Antonina, Miroco, Titá e a Norma.


Fiz os primeiros passeios pela cidade, com a companhia do meu brother Miroco – conheci algumas ruas do centro, visitei a Central do Brasil; andei num trem, conhecido como “Trem Japonês”; visitei a Igreja da Penha, situada num penhasco, no Largo da Penha.


Depois, fui sozinho, conhecer o Cristo Redentor, no Morro do Corcovado – peguei bonde e ônibus, quando cheguei, a linha férrea do Cosme Velho estava em manutenção, não fiquei desanimado, me entrosei com um grupo de jovens e, seguimos a pé até o mirante da estátua.


Gostava de passear na barca Rio/Niterói, certa vez, fui até o Santuário Porto das Caixas, em Itaboraí - inda guardo de lembrança um grande crucifixo de madeira. 


Depois de algum tempo, o meu irmão Henrique, veio de São Paulo, fomos morar no apartamento de outra família de amazonenses, na Rua Carlos de Carvalho, centro – o apê era que nem coração de mãe, sempre cabia mais um -, a família Carvalho, composto pelo Senhor Carlito, Dona Nazaré, os filhos Jourdan, Mário, Marcus, Carlinho, Dorinha e Júnior – adotaram ainda o Henrique e eu.


Na realidade, não fui ao Rio para fazer turismo, fui à procura de um tratamento para uma otite média perfurada – fiz uma consulta com por um médico otorrino, ele me aconselhou na maior cara de pau a voltar para a minha taba, pois, segundo ele, o meu caso não tinha jeito. Não desisti, procurei outro médico, o segundo, achou que o meu problema era em decorrência da inflamação da minha amídala, fui hospitalizado e detonaram a do lado esquerdo – não tinha nada ver!


Este problema somente foi sanado depois de muitos anos, voltei novamente ao Rio e, fui operado com sucesso na Clínica do Professor José Kós, no centro, passei por lá uns três meses, voltei totalmente curado.


A Rua Carlos de Carvalho, era considerada a rua do jogo do bicho, ficava olhando da janela toda aquela movimentação – fiz amizade com o “olheiro”, o cara ficava com um olho na banca e a outra na polícia, todo dia ele era preso e, solto no mesmo dia, a peso de muita grana.


Tinha um cara que morava dentro de uma Kombi velha, aos domingos reunia a rapaziada da rua para jogar “placa de carro”, o kombeiro ganhava todas! O outro morador de rua era um sujeito conhecido por “Galo”, o dito cujo tomava todas e, ao amanhecer começa a cantar bem alto, acordando todos os moradores com a sua poderosa voz.


Eu gostava de ficar olhando os aposentados jogarem carteado, na Praça da Cruz Vermelha, em frente ao Hospital do Câncer, certa vez, tentei apostar uma grana, não deu outra, alisei na hora.


Os meus conterrâneos falavam o carioquês, muita gíria, usavam roupas da moda carioca e, eu falava o amazonês e não estavam nem ai para a moda – os meus amigos me policiavam para não dar bobeira e nem vacililada, para não ser chamado de Zé Mané ou Paraíba, por ser um papagaio falante, não tinha jeito, era uma mancada atrás da outra!


Sempre respeitava o modo de ser do carioca, porém, não permitia que alguém tentasse mudar o meu comportamento de baré. Certa vez, fomos à praia – a onda era pegar o ônibus, descalços, de sunga, sem camisa, com uma toalha nos ombros, tô fora! Os meus colegas ficavam chateados comigo, pois eu não me trajava daquele jeito de forma alguma.


Com o passar do tempo, fui fazendo muitas amizades, comecei a assimilar o jeito carioca de ser, já estava perdendo o meu jeitão de caboclo da Amazônia e, aprendendo a falar o carioquês, gírias e me vestindo conforme a moda - estava chegando a hora de voltar para a minha terrinha.


Voltei com o coração partido, ainda lembro muito do Rio, dos lugares fantásticos, das praias e da sua gente. Não dou muita atenção ao noticiário que mostra somente a violência que acontece por lá – a mesma coisa é com relação à Amazônia, somente somos notícia na mídia nacional, quando um barco vai a pique, com dezenas mortes ou quando o assunto é queimadas e, grandes enchentes e vazantes. O que acontece de bom no Rio e em Manaus não é muito mostrado, pois não dá ibope.


Qualquer um dia desses irei dar um pulo até o Rio – para matar a saudade do Maracanã (apesar de estar em obras para 2014), da Igreja da Candelária, dos Arcos da Lapa e os Bondinhos, do Cine Odeon (não sei se ainda existe), da Biblioteca Nacional, do Teatro Municipal, da Quinta da Boavista, da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Aterro do Flamengo, das praias de Ipanema, Prainha, Vermelha e de Copacabana, visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Aproveitar também para visitar os meus amigos amazonenses que moram faz muitos anos por lá.


A foto acima mostra o cabocão aqui, ao centro, o meu irmão Henrique, à esquerda e, o Jourdan, à direita; estávamos passeando pelo Pão de Açúcar. É isso ai.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ARTISTA PLÁSTICA SUELY OJARA




É uma artista plástica da melhor qualidade, amazonense de Manaus, capricorniana regida por Saturno, segundo o poeta Eduardo Rolim “o senhor do tempo e da razão” e, "De ti, Capricórnio, quero o suor de tua fonte, para que possas ensinar aos homens o trabalho.  Não é fácil tua tarefa, pois sentirás todo o labor dos homens sobre teus ombros. Jugo de tua carga, te concedo o Dom da Responsabilidade."

O Ojara faz pinturas em telas, camisetas e móbiles (escultura abstrata móvel).

Com relação ao seu trabalho, ela afirma o seguinte: “desenvolvi a minha técnica na prática intuitiva e, iniciei o meu trabalho com pinturas orientais, produzindo logo em seguida criações da minha própria autoria”.

Fez as seguintes exposições:

 
Exposições realizadas: 2001 – Pássaros In Love – telas, acrílico sobre vinil, no Espaço Cultural Mar Azul. 2002 – Lunáticos – telas, acrílico sobre vinil, no Açaí & ; Cia. 2003 – Atípicos – telas, acrílico sobre vinil, no Espaço Cultural Galvez. 2004 – Temperamentos – Instalação “Jardim da Felicidade Possível” – no Centro de Artes da UFAM. 2004 – Pássaros Ojara - Projeto Arte Manaus, Fundação Villa Lobos – telas, acrílico sobre vinil, em diversos locais públicos. 2005 – VI Salão de Artes Novos Talentos – telas, acrílico sobre vinil, no ICBEU – curadores Cristóvão Coutinho, Carolina Carvalho e Turenko Beça. 2006 – Coletiva Por Um Fio – pássaros em móbiles – curador Cristóvão Coutinho, no Centro de Artes da Ufam. 2007 – Música Transcendental - telas, acrílico sobre vinil, na Casa de Cultura Ivan Marrocos, em Porto Velho. 2008 – Mostra de camisetas artísticas – no Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA). Formação artística: Cursos de artes plásticas realizado no Centro Cultural Cláudio Santoro, em Manaus com Buy Chaves e Turenko Beça; Workshop/Artes Visuais/Itaú Cultural, realizado no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM); Atualmente participa do curso de artes plásticas realizado na UFAM, ministrado por Cristóvão Coutinho.


Fez uma interessante exposição no Espaço Cultural Valer (Rua Ramos Ferreira, 1195 – centro) “De Cara com a Vida - Cenas da Natureza Humana”. De acordo com Ojara, o tema “vida e morte” foi escolhido por ela durante o curso de artes plásticas que participou no Centro de Artes da UFAM (CAUA). “Eu escolhi esse assunto devido às experiências e olhares da vida e do cotidiano, como o jogo, a violência, o pecado, a alegria, o romance, as festas, as agressões, os amores, desamores, a falta de respeito com o ser humano e a falta de compaixão”, disse.

Todas as quintas-feiras, ela faz uma exposição no Bar do Aramando, Largo de São Sebastião, conhecido como “Varal da Cultura”, onde expõem dezenas de pinturas em camisetas, para venda aos frequentadores do lugar.

Contatos com a artista: Celular: 92 8109-4677 e blog: www. arteojara.blogspot.com . Valeu, Ojara! 


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ARTISTA PLÁSTICO JORGE PALHETA

Conheci o Palheta no Bar do Armando, faz uma década; tive o privilégio de conhecer dezenas de trabalhos realizados pelo grande artista plástico, bem como, de usufruir da sua amizade e de ter tido a oportunidade de conhecer alguns causos muitos hilários, tendo como personagem principal o nobre amigo.

Não tenho a menor chance de comentar sobre os trabalhos do Palheta, uma vez que sou zero à esquerda em conhecimentos de artes plásticas, porém, das diversas conversas que tive com o nobre amigo, fiquei sabendo de algumas informações sobre a sua trajetória profissional.

Ele sempre se orgulhou de um Amazônida, tanto que os seus quadros retratam a defesa do meio ambiente e da região. Iniciou a sua carreira há 36 anos, inicialmente, fazendo desenhos no papel, posteriormente, partiu para as pinturas em telas.

Trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), no período de 1975 a 1980, na respeitada função de desenhista botânico, ele tinha uma árdua missão de desenhar, nos mínimos detalhes, tanto uma flor, quando uma árvore; poderia ter ficado por lá e se aposentado como um funcionário público federal, porém, resolveu seguir a sua carreira de artista plástico.

Ele tem uma capacidade incrível para retratar o rosto humano, chegando até ser um colaborador da Polícia Civil, fazendo o famoso “retrato falado”. Quando os PC´s inundaram o mercado, este trabalho foi relegado a terceiro plano, mas, com a sua genialidade, conseguiu ganhar alguma grana, fazendo caricaturas nos bares de Manaus. Fez também a ilustração de várias capas de livros de autores famosos do Amazonas.

Diz os conhecedores da área, que o Palheta é um artista direcionado para o impressionismo (segundo Aurélio: Escola de pintura surgida na França por volta de 1870, que visava a captar, em princípio, a impressão visual produzida por cenas e formas derivadas da natureza, e as variações nelas ocasionadas pela incidência da luz, e que se baseava especialmente no emprego das cores e de suas relações e contrastes. Domina também o abstracionismo (idem: Corrente estética surgida em princípios do séc. XX, caracterizada pelo abandono total da representação figurativa das imagens ou aparências da realidade, pelo uso de formas e cores com ritmo e expressão próprios).

Fez no ano passado uma brilhante exposição na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) e nas Lojas Bemol. Alguns quadros e charges estão em exposição permanente no Bar Cinco Estrelas (ao lado do Cheik Club), na Avenida Getúlio Vargas. Atualmente, está com 10 obras prontas para venda, basta o interessado procurar o seu ateliê e ajudar o nosso ilustre artista plástico.

O artista tem tido o apoio dos amigos e, de alguns políticos e empresários de Manaus. As suas obras estão sendo razoavelmente procuradas e valorizadas, infelizmente, algumas pessoas somente valorizam o artista quando está sendo badalado na mídia (os jornais de Manaus não tem dado a devida divulgação ao Palheta) ou na maioria das vezes, após o seu falecimento.

O artista está com 57 anos de idade, não recebe nenhuma ajuda do governo do Estado ou da Prefeitura de Manaus, precisa trabalhar para sobreviver. Ele está com um problema renal crônico, aguarda na fila o transplante de um rim saudável, mesmo assim, continua produzindo as suas belas obras. Certa vez, me confidenciou: - Rochinha, depois que fiquei adoentado, a minha inspiração cresceu cem por cento, passo o dia todo pintando, consigo fazer um quadro atrás do outro, numa sequência impressionante!

Quem desejar conversar com o Palheta, visitar o seu local de trabalho e adquirir uma obra fenomenal do artista, deve ligar para os números 92 3663-0397 e 8141-3307 ou dirigir-se à Avenida Maués, nº 1.120, no bairro de Cachoeirinha, em Manaus/AM.

Desejo o pleno restabelecimento da saúde do meu amigo Palheta, que continue produzindo os seus belíssimos quadros, bem como, volte a se reunir com os amigos, para contar as piadas e causos que somente ele sabe.

Vida longa ao amigo Jorge Palheta! É isso ai.

domingo, 8 de janeiro de 2012

FLAGRANTES DA DESTRUIÇÃO DO PASSADO E DO FUTURO


Ao passar pela Avenida Constantino Nery, na Ponte dos Bilhares, presenciei dois fatos que me entristeceram muito, o primeiro, foi em frente ao Parque dos Bilhares, com a destruição de um bloco de pedras, uma das testeiras da ponte, construídas há mais de um século.


 O segundo, foi uma derrubada proposital de uma muda de árvore (recém transplantada para o local), bem em frente ao templo das compras dos bacanas, o Shopping Millenium Center.





A fotografia antiga mostra a Ponte dos Bilhares, outrora conhecida como a Ponte de Ferro da Cachoeira Grande, com matas em ambos os lados, com pouca ou nenhuma residência, apenas o bonde que fazia linha de Flores passando pelo local.

Aquela testeira que ficava ao lado direito, para proteção da parte de ferro da ponte, uma obra da engenharia inglesa, serviu durante todo esse tempo para esta finalidade, porém, em pleno século XXI, um bêbado ao volante, na madrugada de sábado para domingo, mandou ao chão uma parte da nossa memória (veja a fotografia atual), não sei dizer se ele também se ferrou.

Infelizmente, não acredito que a Prefeitura de Manaus fará os devidos reparos, pois este patrimônio está abandonado faz muito tempo. As câmeras de segurança do CIOPS devem ter filmado o acidente, o poder público tem o deve acionar a justiça, para o infrator pagar pelo crime de dano ao bem público. Quando um motorista derruba um poste, a Eletrobrás cobra na justiça o valor de cinco mil reais, bem diferente do nosso alcaide, ele é bom para cobrar cada vez mais um IPTU elevado dos moradores.

Para citar o segundo caso, a cidade de Manaus possui apenas 12 mil quilômetros quadrados, um pingo dentro de um oceano de mata, pois o Estado do Amazonas tem uma extensão de um milhão e meio de km2; dizem os especialistas que 98% está preservado, por outro lado, a capital está praticamente pelada, com poucas árvores nos espaços públicos e nos imóveis privados,  sendo que as existentes, estão sendo derrubadas, para dar vez a voraz especulação imobiliária.

O poder público municipal, apesar dos pesares, tem tido ultimamente uma preocupação com a arborização da cidade, com a implantação de um projeto de introdução de 10 mil árvores no cenário da cidade. É um dever de todos os manauenses e das pessoas que aqui moram, em cuidar e preservar dessas plantinhas (futuras árvores), mas, sempre teremos na sociedade aqueles dotados de “espírito de porco”, uns safados que não entendem da importância de uma árvore para o bem estar dos cidadãos, da qualidade vida para a urbe, simplesmente, tem o prazer insano em destruir, quebrando tudo o que encontram pela frente.

Ao passar por frente ao Shopping Millenium, fiquei indignado com o que vi, uma árvore com o seu talo todo entortado e o protetor derrubado, tirei a foto acima e, parti para colocar em pé a estrutura metálica de proteção e, todo o cuidado para não danificar a árvore, coloquei várias pedras para a sua proteção (foto ao lado).

Senti que muitas pessoas curiosas estavam me olhando, talvez, algumas aprovando o meu gesto, outras tantas, quem sabe, estavam achando que eu era um abestalhado.

Estou fazendo a minha parte, pode ser um trabalho de formiguinha, mas, o pouco que for feito por cada um de nós, em prol do crescimento sustentável, da melhoria da qualidade de vida e do respeito aos cidadãos, com certeza, a nossa cidade e as futuras gerações agradecerão muito. É isso ai. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

OS CHEIROS

Segundo o dicionário do Aurélio, o cheiro é uma impressão produzida no olfato pelas partículas odoríferas, podendo ser também traduzido como um cheiro agradável ou um mau cheiro, uma sensação efêmera, passageira, agora, aqueles cheiros guardados na nossa memória, relacionados, por exemplo, a algum fato, situação, pessoa, comida ou lugar, estes ficam para sempre.

Comento sobre este assunto, em decorrência de um artigo que escrevi sobre o nosso querido Mercado Adolpho Lisboa, pois basta eu sentir o cheiro de chicória, goma ou tucupi, logo vem à mente a imagem do “Mercadão” da minha infância e adolescência.

Quem se envolveu em acidentes ou presenciou fatos tristes em que houve derramamento de sangue, aquele cheiro forte de plasma e glóbulos sanguíneos espalhados pelo corpo ou derramados pelo chão, com certeza, ficou marcado para sempre, basta sentir novamente aquele cheiro, para relembrar daqueles momentos ruins do passado.

Na minha infância, a feitura do café por parte da minha avó, tinha todo um ritual: era torrado em casa, moído no pilão e, feito num fogareiro à lenha, no momento da infusão e coação, exalava um cheiro tão bom, gostoso, era um momento mágico de difícil explicação – ficou na minha memória, nunca mais senti um cheiro igual aquele, mas, ao passar próximo a uma fábrica de torrefação de café, no bairro de Educandos, ao sentir aquele aroma, volto ao passado.

Na adolescência, tinha um hábito de passar todos os finais de semana num sítio dos pais de um amigão do peito, todas as refeições eram feitas num fogão à lenha, faz muito tempo que a propriedade foi vendida, mas, não posso sentir um cheiro de gravetos queimando, volta logo o pensamento daquele lugar. Tempo bom que não volta mais, somente no cheiro!

Os homens e as mulheres possuem um cheiro natural, produzido por certas glândulas, quando os dois estão afim um do outro, a produção de feromônio dispara, um passa a sentir o cheiro do outro com maior intensidade, existindo toda aquela atração e excitação. Diz “Os Raízes: o cheiro da minha caboca tem cheiro de mato, de peixe, de tucumã, tem cheiro de tudo”. O tempo passa, o tempo voa, mas, jamais o sujeito vai esquecer o perfume natural da sua amada.

Assim mesmo é com os perfumes de produção caseira ou industrial, certa vez, uma pessoa estava usando o manjado “Caiaque”, outra pessoa de mais idade ao sentir aquela fragrância, simplesmente voltou ao passado, lembrou-se da primeira namorada, ela usava sempre o dito cujo. Por que muitas mulheres gostam de perfumes masculinos? Algumas mulheres dizem que não gostam de cheiro adocicado, preferem o cheiro forte, de macho!

Todas aquelas pessoas que possuem o olfato bem desenvolvido, dizem que cada cidade tem o seu cheiro característico, por exemplo, um francês, cozinheiro de forno e fogão, disse certa vez na televisão que o cheiro do centro de Manaus é de banana frita. Égua, sai pra lá cheiroso! Disse também que a Praia de Copacabana tem o cheiro de mar e de caipirinha, assim como, o Ver o Peso, em Belém, tem cheiro de Maniçoba; a Praia do Futuro, em Fortaleza, tem o cheiro de caranguejo na panela e, por ai vai. Agora, em Brasília, cheira a quê? Ele disse que ela cheira a podridão, ele não pode sentir um cheiro de carniça que lembra logo da capital federal. Eu, hein!

Um senhor de idade, separado da mulher, certa vez me confidenciou que, ao sair com uma prima para um programa “rala e rola”, ao dar uma cheirada na perseguida, ele sentiu um cheiro de sabonete de patchuli, pediu gentilmente para ela dar várias voltas ao redor da cama até suar, tudo para voltar a sentir aquele cheiro normal de xibíu parecido com a da sua ex-patroa. É mole, mas sobe! 
  
Pois é, mano velho, ao parar de fumar, o meu olfato começou a funcionar perfeitamente, não pode ninguém soltar um pum que sinto na hora, sem contar o cecê da negada dentro dos ônibus lotados e de perfume forte me dá dor de cabeça de imediato, em compensação, voltei a sentir o cheiro da comida, do perfume natural de mulher, das plantas e da minha cidade, além dos cheiros guardados na minha memória! É isso ai.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

HOJE É O ANIVERSÁRIO DO GRANDE MÉDICO PSIQUIATRA ROGÉLIO CASADO



O Rogélio Casado é meu irmão camarada, possuímos em comum o gosto pela fotografia, o carnaval da BICA, o Bar do Armando, fã de fusquinha e o amor pela cidade de Manaus.

Na época de ditadura, abriu um bar da resistência, chamado “Pátria Amada”, onde se reuniam os intelectuais de esquerda.

Foi um dos fundadores da Associação dos Amigos de Manaus – AMANA e líder do movimento SOS Encontro das Águas, lutando contra a construção do Porto das Lajes.

De quebra, o mano velho é médico psiquiatra, articulista, blogueiro, fundador do PT no Amazonas, foi Pro–reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), faltando apenas ser um dia um dos representantes na câmara municipal, pois tem competência e ama a sua cidade Manaus.

Abaixo, transcrevo o que foi publicado no site Portal Amazônia sobre o nobre amigo:


Rogelio Casado Marinho Filho, primogênito de uma prole de cinco filhos, nasceu no dia 6.01.1953, em Manaus, na Santa Casa de Misericórdia. Filho do paraense Rogelio Casado Marinho e da amazonense Tereza Barbosa Marinho. Ele, marítimo, comandante de embarcações da Booth Line Company Limited; ela, normalista por formação, dona de casa por circunstâncias da cultura dos meados do século XX.

Fez os estudos primários na Escola Marechal Hermes - numa época em que a cidade terminava seu traçado urbano no Boulevard Amazonas. Nos anos 1960, foi ginasiano do Colégio Estadual do Amazonas, antigo Gymnasio Pedro II.

Estudou medicina no Instituto de Ciências da Saúde da UFAM, nos anos 1970. Em Diadema-SP fez residência médica em psiquiatria na Associação Pró-Reintegração Social da Criança e no Instituto de Psiquiatria Social, sob a preceptoria de Oswaldo Di Loretto, entre outros.

Nos anos 1980, participou da denúncia contra a violência e a corrupção no Hospital Colônia Eduardo Ribeiro (HCER). Dividiu com o colega Silvério Tundis a criação coletiva de um marco histórico: a implantação da Reforma Psiquiátrica em solo amazonense. Dirigiu aquele serviço de saúde em 1987, ano em que fez greve de fome para chamar atenção da opinião pública sobre o retrocesso que estava por vir no campo da saúde mental.

Em meados dos anos 1990, fundou a Rede de Amizade & Solidariedade às Pessoas com HIV/Aids. No final daquela década dirigiu o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico e trabalhou no Programa Saúde da Família. Nos anos 2000, assumiu a Coordenação do Programa de Saúde Mental do estado do Amazonas, sem descuidar da organização da sociedade civil pela defesa da Reforma Psiquiátrica e dos direitos de cidadania dos usuários dos serviços, de acordo com os princípios da Luta Antimanicomial.

Data daí a criação da Associação Chico Inácio – ONG que fundou junto com usuários, familiares e técnicos e saúde mental.

Usa a fotografia como instrumento de trabalho. Casado com Nivya Valente e pai de Juan, Diego e Pablo Casado, os amores da sua vida.

Para acompanhar o nobre amigo aniversariante, basta acessar o site http://rogeliocasado.blogspot.com/  ou adicioná-lo como amigo no Facebook e Twitter. Parabéns!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

BLOGDOROCHA: MEMORIAL ENCONTRO DAS ÁGUAS

BLOGDOROCHA: MEMORIAL ENCONTRO DAS ÁGUAS: O famosíssimo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, elaborou o seu primeiro projeto para a região norte, chamado Memorial Encontro das Águ...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SAUDADES DO MEU MERCADO ADOLPHO LISBOA!


Todo mercado público central é a cara de uma cidade, neste local é aonde poderemos comprar todos os ingredientes da culinária regional, se deleitar com as comidas típicas daquela região, adquirir os artesanatos e as obras dos artistas locais, bem como, é uma paragem onde poderemos encontrar as pessoas conversando, mostrando a sua verdadeira linguagem – mesmo com todo o luxo e comodidade dos atuais shoppings center, eles não espelham de forma alguma a cultura de um lugar – apesar de um mercado ser tão importante para uma cidade, por mostrar a sua verdadeira cultura, o governo municipal da cidade de Manaus não vê dessa forma, pois mantém fechado por muitos anos o Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa, conhecido carinhosamente pelos manauenses como “Mercadão”, constitui-se num dos mais importantes centros de comercialização de produtos regionais em Manaus, a sua construção iniciou em 1880, sendo inaugurada a parte central em 1883, foram construídos mais dois pavilhões em 1890 (peixe e carne) e, por volta de 1908, foi construído o último pavilhão, conhecido por “Tartaruga”; sendo um dos raros exemplares da arquitetura em ferro, sem similar no mundo, foi tombado em 1987 pelo IPHAN.


Na minha infância, o meu saudoso pai me levava para fazer as compras de domingo, era dia de festa para mim, gostava de ver toda aquela movimentação das pessoas nos pavilhões de peixe e de carne, adorava tomar mingau de banana com tapioca, além de apreciar os barcos que ficavam por detrás do mercado.
 
 
 
Na adolescência, era sempre escalado para fazer compras para a minha família e, tinha uma missão espinhosa de pegar entre as vísceras jogadas, os buchos de Tambaqui, um componente para fazer cola, uma matéria-prima importante para a colagem dos violões fabricados pelo meu pai, o Luthier Rochinha.

Com o passar do tempo, visitar o “Mercadão” sempre foi uma coisa prazerosa, era uma rotina para mim, passear e fazer compras, inclusive, fiz amizades com vários permissionários – lembro do Senhor Isaías e o seu filho Manoel, eles tinham uma loja de venda de material escolar, papel de seda, linhas de papagaio, sacolas e material de pescaria. O meu compadre Alberto Mattos trabalhava com o seu pai, o Antônio Macumbeiro (vendedor de artigos de umbanda e produtos naturais), que por sua vez era filho da Dona Maria Portuguesa, a mais antiga vendedora de ervas e plantas medicinais. Saudades de todos eles!

No ano de 2006 o mercado foi fechado para reformas, a principio fiquei feliz com a iniciativa, agora, virou pesadelo, pois fui barrado de visitar e passear pelo mercado que tanto me faz lembrar a minha infância e adolescência, uma vez e outra me dá uma nostalgia danada daquele lugar, sinto falta daquele cheiro forte da chicória, pimenta e do tucupi. Fazer o que?

Muitos milhões de reais já foram investidos na sua revitalização e, nada! Os feirantes foram os mais injustiçados com o fechamento do “Mercadão”, eles foram jogados para os fundos, em casebres improvisados, sem a mínima estrutura possível, houve um grande incêndio, todos tiveram perda total das suas mercadorias, ganharam uma migalha da Prefeitura de Manaus, passaram um tempão para receberem de volta os novos boxes.

Neste lugar apertado, ainda encontramos uma variedade enorme de artesanatos amazônicos, goma, tucupi, aves, carnes, peixes, ervas e plantas, lotéricas, banheiros públicos, lanchonetes e restaurantes – o movimento é pequeno, mesmo assim é um dos locais preferidos pelos turistas estrangeiros, para comprarem o nosso artesanato.

Pois é, meus amigos e amigas da nossa Manaus, estou com saudade do “Mercadão”, pena que nada posso fazer, somente lamentar neste pequeno espaço do nosso blog. É isso ai.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FIGURAS DE MANAUS

Figura é um termo utilizado, na atualidade, para designar dentre várias coisas, aquela pessoa que tem uma personalidade curiosa, interessante e fora do comum, considerada por muitos como folclórica, ou seja, a que se apresenta de forma espalhafatosa, engraçada, única, diferente das outras pessoas na forma de se vestir, falar ou de se comportar – por ser distinta das demais, é considerado pela maioria como um palhaço (no sentido figurado) ou um lelé da cuca (maluco beleza) – quem anda pela cidade de Manaus presencia muitos deles – citarei apenas alguns: O Rambo de São Jorge, O Michael Jacson Jaraqui de Manaus e O Picolé do Aranha da Cidade Nova.
O nosso Rambo é de matar de rir!
No bairro de São Jorge, zona oeste da cidade, mora um cidadão chamado Aldenir Coti, um fã de carteirinha do Rambo, personagem interpretado pelo Silvester Stallone – assistiu milhares de vezes aos filmes I, II e II, passando a incorporar a figura daquela pessoa fictícia. Deixou os cabelos crescerem igualmente a cabeleira do personagem, malhou bastante na academia para pegar um corpo escultural, começou também a usar diariamente botas, calças folgadas, jaqueta e um lenço vermelho na cabeça, sendo apelidado por alguns como “Rambú”.
Começou a fazer apresentações na sua rua, mostrando para a galera todos os golpes mortais que o Rambo fazia no cinema, além de exibir as armas (de brinquedos) confeccionadas por ele mesmo. Para ganhar a vida, ralou muito numa serralharia do bairro, mas, o seu sonho maior era fazer uma curta-metragem, mostrando em ação o Rambo na floresta amazônica. 
De tanto insistir, os seus colegas de rua começaram a preparar o filme, conseguiram verba junto aos comunitários e fizeram a filmagem “Rambo e a Princesa”- foi sucesso total no bairro de São Jorge, onde é muito querido pelas crianças e comunitários. Com o tempo, fizeram mais dois filmes - “Rambo Contras as Galeras” e “Rambo III: O Rapto do Jaraqui Dourado”, os filmes foram rodados em vários lugares de Manaus.
Contando com o apoio da Secretaria de Cultura do Amazonas, fez o quarto filme “A incrível História de Coti: O Rambo de São Jorge”, fazendo sucesso fora do Amazonas, saindo até no Fantástico, programa televisivo da toda poderosa Rede Globo.
O Rambo de Manaus faz o maior sucesso, sendo aplaudido aonde chega, fazendo apresentações em clubes, circos, programas de auditório, aniversários e confraternizações. Apesar de toda a seriedade nas suas performances, ele tem uma cara muito engraçada e, o seu corpo é uma arremedo do Rambo americano, o que provoca muitas gargalhadas do público.
O Michel Jackson não morreu, pelo menos em Manaus!
O Michel quando estava vivo, jamais imaginou que existia um cover seu, da melhor qualidade na Amazônia, pois bem, o nosso pop star da selva é de Parintins, no médio Rio Amazonas – aos catorze anos de idade veio de mala e cuia para Manaus.
Quando houve aquela explosão do sucesso com os álbuns “Off the Wall” (1979), “Thriller” (1982), “Bad” (1987) e “Dangerous” (1991), milhões de dólares foram arrecadados no mundo inteiro pelo cantor original e, muitos trocados de reais caem até hoje no chapéu do Wanilson de Souza Tavares, o nosso Michael Jackson Jaraqui de Manaus.
O cara começou a fazer sucesso no Calçadão da Ponta Negra, com apresentações diárias em frente ao anfiteatro daquele logradouro público. No final de cada show, as crianças corriam para pedir autógrafos e, ele se apressava na pisada, corria em disparada, alegando que já estava até o talo enrolado com menores de idade. Grande gozador!
O nosso cabocão possui o biótipo do original, o mesmo tamanho, o corpo franzino, o cabelo pixaim longo e alisado na chapinha, pele negra da época do “Thriller” e com o rosto antes das plásticas deformadoras, apenas os dentes que estão precisando de uma dentadura do tipo “sorriso de Hollywood”.
Quando ele se veste e, se transforma no Michael Jackson Jaraqui de Manaus, as crianças, os pais, os jovens e os velhos correm para ver aquela loucura se apresentando, com a famosa dança sensual e, andando nas nuvens, para frente e para trás - muitas gargalhadas, aplausos, filmagens, fotografias e, dinheiro no chapéu.
Ele é um profissional, ganha dinheiro com as suas apresentações nos lugares públicos, fazendo também shows onde é contratado, dizem que ele cobra trezentos paus de cachê. Com a morte do Michel Jackson, em junho de 2009, passou a fazer mais sucesso ainda, sendo muito aplaudido no Bar do Armando, na Praça do Relógio Municipal e no Largo de São Sebastião. Pouco tempo atrás, comprou uma motocicleta setentinha, uma caixa amplificada, um micro systen com muito CD pirata, o camarim portátil, uma grande bolsa contendo a indumentária do artista, microfones com fio, um pequeno banco, espelho, brilhantina, óculos escuros, lenços, etc. – fica tudo amarrado na moto, indo para vários lugares fazer as suas apresentações - somente em ver aquela figura passando pelas ruas de Manaus, muitos caem na gargalhada.
Picolé, picolé, sou eu, o Homem Aranha!
A cidade de Manaus é tão quente que urubu voa com uma asa e se abana com a outra! É isso mesmo, quarenta graus na sombra, com o maior consumo per capita de picolé do país.
Para matar a sede senegalesco dos manauaras, o que tem de picolezeiro na nossa cidade não é brincadeira! Para driblar a concorrência, o senhor Ney de Oliveira Valente, resolveu comprar um carrinho de picolé, um guarda-chuva, apito e, vender o seu produto vestido igualzinho ao Homem Aranha.
Já pensou um cara passar o dia todo vestido com aquela indumentaria, vendendo os seus picolés da massa, num calor de 40 graus, não é para qualquer um trabalhador, tem que ser um valente. Ele tem o mote “Picolé, picolé, sou eu, o Homem Aranha, velhos, crianças e adultos, picolé, picolé, de manhã e de tarde, de domingo a domingo, picolé, picolé, sou eu, o Homem Aranha!”.
Este senhor já foi vendedor de frutas, guaraná em pó e xarope, em Porto Velho; chegou a ser garimpeiro, onde houve uma desavença, tendo uma pequena perfuração na cabeça por bala de fogo, toma até hoje remédios controlados, porém, leva a vida numa boa, de bom humor, trabalhando normalmente, sendo muito festejado pelas crianças e adultos, apesar de ainda ser muito perseguido por pessoas que não entendem que ele utiliza aquela roupa como uma ferramenta de trabalho, de uma forma lúdica e diferenciada para vender os seus picolés.
Ele é um homem de bom coração, chega a doar boa parte dos seus picolés para as crianças carentes e, para quem não tem dinheiro, ele vende até fiado. Aos domingos a tarde, após um dia de labuta, ele gosta de frequentar a famosa “Casa do Terror”, na Lagoa Verde, uma casa de cheia de teias de aranhas, onde somente toca vinis e fitas cassete da melhor qualidade; gosta de curtir muito forró e boleros, dizem as mulheres que ele é um tremendo “pé de valsa”.
O cineasta Anderson Mendes fez um documentário de 20 minutos sobre O Picolé do Aranha, chegando a ganhar, em 2009, o melhor filme júri popular, do Amazonas Filme Festival.
Para conhecer mais esse grande brasileiro, basta acessar o site www.picoledoaranha.blogspot.com.

Tem mais figuras de Manaus, irei comentar brevemente. É isso ai.