quinta-feira, 19 de abril de 2007




22 DE ABRIL - DESCOBRIMENTO DO BRASIL
O Descobrimento

Depois de 44 dias de viagem, a frota dePedro Álvares Cabral vislumbrava terra - mais comalívio e prazer do que com surpresa ou espanto
Na terça-feira à tarde, foram os grandes emaranhados de "ervas compridas a que os mareantes dão o nome de rabo-de-asno." Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram no horizonte. Na quarta-feira pela manhã, o vôo dos fura-buchos, uma espécie de gaivota, rompeu o silêncio dos mares e dos céus, reafirmando a certeza de que a terra se encontrava próxima. Ao entardecer, silhuetados contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os contornos arredondados de "um grande monte", cercado por terras planas, vestidas de um arvoredo denso e majestoso. Era 22 de abril de 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra - mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas do sul da Bahia, os 13 navios da maior armada já enviada às Índias pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes. O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O capitão Nicolau Coelho, veterano das Índias e companheiro de Gama, foi a terra, em um batel, e deparou com 18 homens "pardos, nus, com arcos e setas nas mãos". Coelho deu-lhes um gorro vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto. Em troca, recebeu um cocar de plumas e um colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha de Vera Cruz, entrava, naquele instante, no curso da história. O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma "certidão de nascimento" tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o "achamento" da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso? É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto, a assinatura do Tratado de Tordesilhas que, seis anos antes, dera a Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em torno de 2 mil quilômetros) a oeste de Cabo Verde, a naturalidade com que a terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem de fato.


Tiradentes nasceu no ano de 1746, na Fazenda do Pombal, em Minas Gerais, propriedade da família. Não há registro da data de seu nascimento, apenas do seu batismo, em novembro daquele mesmo ano. Ficou órfão cedo - perdeu a mãe aos nove anos de idade e o pai aos 11, sendo criado, desde então, por um padrinho, que lhe ensinou a prática da odontologia.
A família não era pobre. Pertencia à nobreza civil, diferente da nobreza concedida por títulos.
Joaquim José da Silva Xavier, todos sabem, praticava a odontologia. E daí seu apelido: Tiradentes. Mas o que poucos sabem, ao contrário do que seu codinome insinua, é que o nosso herói da inconfidência não suportava arrancar dentes. Isso mesmo! Já era um adepto, então, do que se costuma chamar, hoje em dia, de odontologia preventiva. Ou seja, Tiradentes era muito mais a favor de preservar os dentes do que arrancá-los. Além do mais, não se preocupava apenas com os dentes. Preocupava-se também com o resto do corpo, fazendo uso, inclusive, de plantas medicinais, um modismo típico da medicina praticada na Europa do século dezoito.
No caso de Tiradentes, sua recusa em usar métodos terapêuticos agressivos se deve à influência exercida sobre ele pelo seu primo Frei Veloso, na época um grande botânico, que catalogou mais de 2000 plantas no Vale do Paraíba do Sul e organizou o Jardim Botânico, no Rio.
O idealismo de Tiradentes o levou a se envolver de corpo e alma na Inconfidência Mineira (movimento revoltoso ocorrido em 1789, na cidade de Vila Rica, hoje Ouro Preto, a favor da emancipação do Brasil da Corte Portuguesa). Seu envolvimento com a Inconfidência aconteceu após uma viagem ao Rio de Janeiro, em 1787, quando ele entrou em contato com as novas idéias políticas e filosóficas recém-chegadas da Europa. Esses novos pensamentos o influenciaram fortemente. Ao voltar para Vila Rica, em 1788, passou a divulgar em público os propósitos do movimento mineiro. Foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, em 1789, quando foi preso no Rio de Janeiro. Ficou confinado numa cela durante três anos e no processo de investigação, conhecido como Devassa, foi interrogado quatro vezes e confrontado com todos que o denunciaram. Assumiu a responsabilidade da conspiração, inocentando os outros co-réus e, em 18 de abril de 1789, ouviu sua sentença de morte. Antes de ser enforcado no campo da Lampadosa - atual Praça Tiradentes - no Rio de Janeiro, disse: "Cumpri a minha palavra! Morro pela liberdade!"
Seu corpo foi esquartejado e a cabeça exposta em Vila Rica. Os outros pedaços foram espalhados pelo caminho, seus bens confiscados e sua memória difamada.
Só em 1822 Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e em 1865 proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.
É sabido que, entre os anos de 1786 e 1789, Tiradentes fez várias viagens ao Rio e que, nessa época, já devia estar conspirando em favor da inconfidência. No Rio, além do contato com idéias revolucionárias, se dedicou a muitos projetos de melhoria urbana.
Ele conhecia bem a cidade, seus morros, seus arredores, o povo do lugar, que também o conhecia como dentista prático. Suas habilidades, no entanto, não se limitavam apenas aos da odontologia. Tinha bons conhecimentos de topografia, o que fez com que Tiradentes intuísse grandiosos projetos de melhora urbanística para o Rio.
Documentos datados daquela época possibilitam concluir que o nosso impetuoso alferes idealizou diversas obras para a cidade. São elas:
abastecimento regular da cidade, pela canalização das águas do Rio Andaraí
construção de moinhos aproveitando a canalização do rio e mais os desníveis dos córregos Catete, Comprido, Laranjeiras e Maracanã
construção de um trapiche, isto é, o cais do porto, rudimentar, de madeira, avançando da praia o máximo possível dentro do mar
construção de armazéns para guarda de gado e outras mercadorias que, desembarcadas, ficavam expostas ao sol, à chuva e aos furtos
serviços de barcas de transporte de passageiros do Rio a Niterói (Praia Grande)
Em tempo: 30 anos depois de ter projetado essas melhorias, Dom João VI mandou fazer a canalização do rio, seguindo os planos de Tiradentes e, em 1889, exatamente 100 anos depois, o engenheiro André Paulo de Frontin canalizou as águas da Serra do Tinguá, dentro dos mesmos moldes arquitetados pelo inconfidente.

Tiradentes só começou a ser cultuado 98 anos depois de sua morte - sendo considerado herói nacional a partir de 1890. A imagem de mártir e patrono da nação foi construída pelos republicanos que representasse a luta pela ruptura do domínio português.
O mártir está diretamente ligado ao movimento que ficou conhecido como "Inconfidência Mineira". Os historiadores preferem "Conjuração Mineira" já que o que aconteceu em Minas Gerais foi um ato organizado para conquistar a independência do país e não um ato de deslealdade, traição ou infidelidade, que servem para traduzir a palavra inconfidência. Somente sob a ótica dos colonizadores, os "inconfidentes" foram considerados traidores.
cabeça de Tiradentes foi levada do Rio de Janeiro para Vila Rica, em Minas Gerais e ficou exposta num poste em frente à Igreja Nossa Senhora dos Remédios dos Brancos. Na terceira noite, foi roubada e nunca mais foi encontrada.
Tiradentes seguiu carreira militar, ocupando o posto de alferes, palavra que vem do árabe "al-fars", o cavaleiro. Significa o antigo oficial do exército com posto logo abaixo do tenente.

quarta-feira, 18 de abril de 2007


AS ONG´S E A AMAZÔNIAJosé Ribamar Bessa Freire08/04/2007 - Diário do Amazonas
“Temos 7.500 ONGs indígenas, mas para comprarmos o caixão do Galdino [Jesus dos Santos, índio Pataxó assassinado em Brasília] foi preciso pedir dinheiro ao governador. As ONGs deveriam estar aqui prestando contas a esta casa, a casa do Legislativo, de todo esse dinheiro que furtou das sociedades indígenas. Muito obrigado, senhor presidente”.
Este trecho, extraído da fala final de um cacique na sessão de 28/03/2001 de uma Comissão da Câmara dos Deputados em Brasília, pode ser um bom ponto de partida para discutir as expectativas dos índios em relação às organizações não-governamentais na Amazônia, questionar os objetivos dessas instituições e avaliar os seus resultados.
Discussão similar foi feita recentemente pelo filme ´Vale o quanto pesa ou é por quilo´? (2005), de Sérgio Bianchi, que faz uma crítica lúcida e implacável à atuação de algumas ONGs, colocando em xeque o trabalho ´desinteressado´ delas. Ele conclui, com ironia e desalento, que se os recursos destinados a projetos de atendimento aos menores de rua tivessem sido divididos pura e simplesmente entre os destinatários dos benefícios, era possível mantê-los todos, com bolsa integral, nos mais caros colégios particulares do Rio de Janeiro ou São Paulo. Acontece que grande parte da verba é consumida em viagens, diárias, estudos, consultorias, salários, impostos, aluguel, compra de equipamentos, computadores, ar-condicionado, etc
Qual seria o resultado se o montante de recursos financeiros empregados pelas ONGs nas áreas indígenas fosse dividido pelo número de índios? A resposta a essa pergunta é que nutre o sentimento que está por trás da fala citada do cacique. Ele se sente “roubado”, acreditando que os recursos financeiros, captados com o objetivo de beneficiar os povos indígenas, desaparecem no ralo da burocracia e no pagamento a terceiros por serviços prestados. O cacique tem razão de pensar assim?
O seu discurso contém elementos críticos legítimos, mas parece incorrer num erro de avaliação ao generalizar, sem perceber que as ONGs são como o colesterol: há o bom e o mal. É preciso diferenciar as que trabalham com seriedade em parceria com as comunidades indígenas daquelas convertidas em autênticos “gigolôs” de índios. Coincidentemente, essa confusão vem sendo cultivada por setores contrários aos direitos indígenas garantidos pela Constituição de 1988, que colocam todas as ONGs no mesmo saco, quando é preciso diferenciá-las
Segundo Vilmar Berna existem as chamadas “ONGs de combate”, cujo objetivo é organizar e mobilizar os setores interessados para reivindicar melhor qualidade de vida; as “ONGs profissionais”, que vão mais além e montam uma estrutura capaz de elaborar e executar projetos em parceria com governos, empresas e organizações indígenas, usando recursos públicos ou privados destinados a projetos; e até mesmo as denominadas “ONGs de cartório”, criadas para se beneficiarem de isenções fiscais e agregar valor às suas marcas institucionais, “desvirtuando e confundindo a noção de ONGs como organizações que representam os interesses da sociedade civil”.
As cifras indicam que no Brasil existem aproximadamente 250 mil organizações sem fins lucrativos, que movimentam anualmente bilhões de reais e contam com a colaboração de 3 milhões de pessoas. No entanto, não sabemos com precisão quantas dessas organizações atuam na Amazônia, quais são os seus projetos e resultados, de onde vêm os recursos com os quais operam, qual a porcentagem de fundos públicos e de que ministérios saíram, como estão sendo utilizados esses recursos, quantos voluntários prestam serviços a essas entidades etc.
As dúvidas são muitas, sobretudo agora que as ONGs, sempre em expansão, estão na berlinda. Houve até mesmo proposta para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de investigá-las. Mas as respostas são ainda poucas. Não existem dados confiáveis, nem uma avaliação rigorosa da atuação dessas entidades, que tiveram sua imagem recentemente danificada, sobretudo porque a ausência de informações contribuiu para que se generalizasse, indevidamente, para todas as ONGs, as prática ilícitas de algumas “ONGs de cartório” que serviram de ´laranja´ para desvio de dinheiro público. De qualquer forma, parece legítima a reivindicação do cacique para que todas elas prestem contas do que fazem.
A sociedade começa a cobrar das ONGs maior transparência e visibilidade. Embora o presidente Lula tenha vetado recentemente a exigência de licitação para a escolha de Ongs que prestam serviços à comunidade com o dinheiro público, o ministro Jorge Hage (Controle e Transparência) anunciou em algum momento que estava estudando critérios de seleção para entidades contratadas pela União.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), através de uma Resolução de 1989, criou o Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas (CNEA), com o objetivo de manter em banco de dados o registro de entidades ambientalistas não-governamentais atuantes no país, cuja finalidade principal seja a defesa do meio ambiente. O Cadastro, acessado por órgãos governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais, disponibiliza informações para o estabelecimento de parcerias, habilitação em projetos, convênios e divulgação em geral.
Esse talvez seja o caminho para evitar a proliferação de instituições “pilantrópicas”, permitindo o estabelecimento de parcerias que possibilitem o cumprimento por parte do Estado de suas responsabilidades constitucionais e a garantia de políticas sociais diferenciadas, com ampla participação dos povos indígenas em todas as suas etapas de discussão e execução.
Essas parcerias já vêm se desenvolvendo com instituições criadas pelo próprio movimento indígena como a FOIRN – Federação das Organizações Indígena do Rio Negro, a OGPTB – Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngües; a OPIAC – Organização dos Professores Indígenas do Acre e a Vyty-Cati – Associação das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, envolvendo ainda ONGs como a ATIX – Associação Terra Indígena Xingu; a CCPY – Comissão Pró-Yanomami­­­; a CTI – Centro de Trabalho Indigenista; a CPI-AC – Comissão Pró-Índio do Acre; o Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena e o ISA &ndash! ; Instituto Socioambiental e muitas outras que desenvolvem projetos com os índios.
Na realidade, como sinaliza Hélio Matos, “a imensa maioria das organizações do Terceiro Setor é séria, honesta, não vive de dinheiro público. A maior parte dessas organizações se mantém basicamente pela solidariedade e pelo dinamismo da Sociedade Civil Brasileira, que são também imensos, ao contrário do que prejulgam aqueles aos quais faltam tais sentimentos republicanos e cidadãos

quinta-feira, 5 de abril de 2007

CINE GUARANI

CINE GUARANY

Freqüentava religiosamente o Cine Guarany, de preferência aos domingos, na sessão das 12h45min, passava sempre dois filmes, um de bang bang e outro romano.

Pela parte da manhã, eu e a molecada da Rua Igarapé de Manaus ficávamos tomando banho e pulando da Ponte Romana I, quando dávamos conta do horário já passava das 12h.

Corria até a minha casa, tomava um banho rápido para tirar o cauxi, vestia a minha roupa domingueira; não dava mais tempo para almoçar; saía correndo para assistir aos filmes no saudoso Cine Guarany.

Enquanto estava na fila para comprar o bilhete de ingresso, aproveitava para saborear um famosíssimo sanduíche de cachorro quente, servido com refresco de maracujá.

Ficava observando um mendigo chamado Jaú.
- uma esmolinha para o cego, uma esmolinha, por favor! Conseguia desviar-se dos homens; das mulheres nem tanto, era o famoso mão boba.

Gostava de ficar no lugar de cima, chamado de Poleiro; quando as luzes se apagavam era o momento certo para xingar e cuspir no pessoal que ficava no térreo, algumas vezes pegava alguns cascudos, outras vezes era advertido pelo lanterninha, era tudo diversão!

O sinal sonoro, o barulho dos ventiladores laterais, o fechamento das portas de madeira, a escuridão, a abertura das cortinas, o ataques dos veados em cima da macharada, os gols da rodada e a gritaria da molecada enxotando o urubu, tudo isso marcaram nossa infância.

Estou procurando um filme chamado Cine Paradiso, somente para matar a saudade do Guarany.

Abaixo transcrevo um comentário sobre este filme:

Cinema Paradiso
(Nuovo Cinema Paradiso, 1989)
Por Deivid Cardoso20/04/2004



Uma das coisas mais belas que a vida nos traz são as amizades que conseguimos ao longo dela. Não importa se são entre mulheres, homens, jovens, adultos, ou até entre crianças e adultos, desde que elas sejam verdadeiras. Isso é o que o diretor Giuseppe Tornatore, de Cinema Paradiso, nos mostra, em uma linda história entre uma criança que adorava ir ao cinema e o projecionista do local, que já era uma pessoa mais vivida. Quem é fã de cinema e já assistiu a esse filme sabe do que estou falando. Mas para os que somente o conhecem de nome, ou por ter ganhado o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1989, direi o que acho dessa bela obra.
O filme conta a trajetória desde a infância difícil, passando pelos problemas da adolescência, até a maturidade de Salvatore di Vitto (também conhecido por todos como Toto). O personagem foi interpretado por três atores diferentes: Salvatore Cascio (quando criança), Marco Leonardi (quando adolescente) e na fase adulta Jacques Perrin. A história se passa em uma Itália pós-guerra, na pequena cidade de Giancaldo. Um lugar onde todo mundo se conhece e a única atração restante é o velho Cinema Paradiso, aonde todos vão aos finais de semana para se divertirem um pouco.
Antes das sessões serem passadas ao público em geral, o padre local assiste ao filme da semana em particular para fazer a censura, cortando cenas que ele acha serem desprovidas de pudor. Isso sempre afetou as sessões, pois bem na hora daquele esperado beijo ardente, a cena é cortada para a seguinte, causando um furor entre os espectadores. Foi em uma dessas sessões de corte que o pequeno Toto, àquela época o coroinha do padre, que sempre freqüentava o cinema escondido dele, conheceu o projecionista do cinema, Alfredo (interpretado por Philippe Noiret). Assim, começou a amizade entre os dois, que a princípio não foi das melhores, pois o homem não gostava que o pequeno se metesse em seu trabalho. Também porque a mãe de Toto, que estava sempre à espera de seu marido que nunca voltaria da guerra, não aceitava que seu filho pequeno perdesse seu tempo indo ao cinema.
Por viver em um lar atormentado e ver no cinema sua única forma de esquecer os problemas de sua ainda curta vida, Toto foi perseverante e conseguiu que a amizade de Alfredo fosse conquistada. Agora os dois eram os projecionistas do Paradiso e podiam ver de camarote a alegria de um povo que via no cinema a sua forma de diversão. Tudo corria muito bem, até que um dia a película pega fogo, incendiando todo o cinema e fazendo com que Alfredo, salvo por Toto, ficasse cego, e o Paradiso fosse destruído por completo. Mas um morador local que havia ganhado na loteria e ficado milionário reconstruiu e o batizou de “Novo Cinema Paradiso”. Assim, Toto foi contratado e assumiu o cargo de seu velho amigo.
Os anos se passaram e o menino virou um adolescente cheio de vaidades e se apaixonou por uma moça, mas não foi retribuído. Sendo persistente como sempre, ele ganhou o seu amor. Mas foi por pouco tempo, pois ele teve de servir o seu exército e ela, ir para a faculdade. Voltando do exército, mas vendo que ali não tinha mais nada a fazer sem seu amor por perto, e com o conselho de seu velho amigo na cabeça, foi embora da cidade para tentar uma nova vida, onde veio a se tornar um cineasta, somente voltando trinta anos mais tarde, já amadurecido pela idade e pelas experiências de vida.
Cinema Paradiso não possui somente uma história tocante e de personagens sinceros e bem desenvolvidos. As tomadas são muito bem filmadas e o roteiro foi muito bem escrito pelo diretor e por Vanna Paoli (que foi uma colaboradora), mostrando um ambiente simples, mas ao mesmo tempo rico em personagens, mesmo os coadjuvantes, como o homem que se denomina dono da praça onde o cinema se localiza. A sequência em que os meninos ficam um pouco excitados com uma cena que está passando (isso quando o padre não as censurava mais) também é de uma inteligência rica.
Com um ambiente único e bem filmado, mostrando-nos nas expressões de cada personagem seus mais fortes sentimentos, Cinema Paradiso é uma ode à vida. O filme conta que a vida somente tem um sentido se temos alguma paixão e amizade para compartilhá-la, pois mesmo tendo muitos amores em sua vida, Toto nunca mais esqueceu de seu velho amigo e do Paradiso, que foi demolido para a construção de um estacionamento (essa é sem dúvida a cena mais emocionante do filme). Usando de palavras ditas pelo próprio personagem do filme, eu o descrevo como uma experiência “bela, mas triste”, pois todos nós, amantes do cinema, temos um pouco do Toto em nossos interiores.




quinta-feira, 22 de março de 2007

Nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, na Rua 10 de Julho, a minha primeira moradia foi exatamente em um Flutuante (casa sob toras de madeiras), situada na Rua Igarapé de Manaus. O meu saudoso pai comprou um flutuante todo podre na década de 50, recuperou todinho, fez dois ambientes, a nossa casa e a oficina de violões, era enorme, talvez o maior do pedaço, tinha até água encanada, além de um motor de centro adaptado para cortar madeira.
Fui um ribeirinho, acompanhava a seca (vazante do rio), fazíamos o nosso campo de futebol, para as peladas diárias; jogávamos bolinha e cangapé; pegávamos Bodó no leito do rio, tinha também muito porrada com o pessoal lá rua Ipixuna e Major Gabriel, era uma beleza! Na cheia (enchente do rio), tudo mudava, o cenário era outro, o nosso flutuando era ponto para a meninada tomar banho de rio, pescar, andar de bote, canoa e bóia (tora de madeira). Ancoram vários barcos no nosso flutuante; o meu pai recebia madeiras beneficiadas (cedro, marupá e macacauba), entregues pelo seu compadre e, mandava cavaco e violões para os clientes do interior.
A famosa Cidade Flutuante começou a ser desmontada em 1964. Para não sermos pegos de surpresa, o meu pai vendeu o motor de centro, comprou um terreno na Vila Paraíso (entre a Avenida Getúlio Vargas e a Rua Tapajós), aproveitou parte da madeira do flutuante para construir uma pequena casa (em terra firme!).



terça-feira, 20 de março de 2007



Domingo passado, tive dois momentos muitos emocionantes: o primeiro foi uma mistura de deceppção, raiva, tristeza, revolta, etc। e etc. ao visitar a Praça Heliodoro Balbi, quando constatei
in loco a destruição dos prédios do entorno do Porto de Manaus, senti-me em Bagdá! O segundo momento, foi de alegria, euforia, enfim, um momento de felicidade, ao encontrar o Rogelio Casado e três outras pessoas: um professor, uma jornalista e uma estudante de Direito, que estavam imbuídas do nosso mesmo propósito। Viajamos no tempo, com a fala mansa, inteligente e poética do nosso querido Rogelio. Talvez esse encontro tenha sido o marco inicial da ressurreição da Associação dos Amigos de Manaus.

Querido leitor! Visite o local, entre nos prédios, faça um tour; com certeza, em breve tempo irá se unir ao nosso grupo. Somos um embrião, precisamos da tua ajuda para salvar o que ainda resta do patrimônio histórico da nossa cidade. Não adianta projetos das faculdades de Manaus, mobilização política e ajuda dos empresários, vai morrer no papel! Somente com os movimentos sociais, mobilização da sociedade civil, união de todos e que as coisas irão andar. Vamos à luta companheiros! No próximo domingo todos juntos na Praça Heliodoro Balbi!

A seguir um trecho dos comentário do Blog do Rogelio:
Domingo, dia 18 de fevereiro, Rochinha marcou encontro comigo às 10:00 horas no sítio histórico onde alguns artistas sonham ter o seu Teatro Municipal. O tempo chuvoso, comum nos meses de janeiro, fevereiro e março em Manaus não impediu o encontro, apesar do saudável hábito do manauara meter-se debaixo das cobertas e deixar-se ficar em estado letárgico toda vez que fecha o tempo e ameaça cair o aguaceiro. Antropólogos de botequim costumam dizer que a indolência nativa derivaria daí. Ledo e ivo engano.Em se tratando de resistência à destruição do patrimônio histórico e paisagístico da capital amazonense já fomos à rua, sim sinhô! Nos anos 80, quando o Banco Itaú destruiu o cine Guarany. Nos anos 90, quando o então prefeito, Amazonino Mendes, ameaçou desfigurar o coração de Manaus com a construção de um camelódromo no entorno do Relógio Municipal. Não conseguimos salvar o cine Guarany, mas evitamos que o pior acontecesse se o camelódromo fosse perenizado, embora concorde como o meu querido Marcio Souza, que destila sua indignação aos domingos em sua coluna, no jornal A Crítica: camelô no centro histórico de Manaus jamais será o "o do borogodó".Do primeiro, há um registro histórico: o livro "Hoje tem Guarany", de Selda Vale e Narciso Lobo. Do segundo, resultou num vídeo que realizei com Simão Pessoa, Pedrinho Sampaio, Carlos Dias e Carlinhos do Maranhão, intitulado "Manaus: Operação Memória". E mais: à época criamos a Associação dos Amigos de Manaus, que desapareceria com o tempo (O tempora, o mores). É hora de reativá-la, senão daqui a pouco até o glorioso Teatro Amazonas, que já foi depósito de borracha durante um período de guerra, vira estacionamento de carros.Pois bem! Lá estávamos - Rochinha e eu - inspecionando o sítio histórico abandonado, mais parecido como uma Bagdá sob escombros, com seus ocos de casa inteiramente detonados, quando apareceu uma jornalista, um professor de administração e uma jovem estudante de direito. Rochinha, que é também administrador e estudante de direito, e eu que sou um militante de causas (im)possíveis ficamos animados com encontro tão inusitado. Os nomes dos personagens serão mantidos em sigilo para não serem importunados pelo New York Times.Rolou uma longa conversa sobre Manaus e seu patrimônio histórico, sobre os movimentos que ofereceram resistência à incúria dos novos tempos - conversa que só seria interrompida após os primeiros pingos d'água.O encontro foi considerado um bom sinal. Afinal, o que dizer de um cenário em que o escritor Márcio Souza critica o poder público na gestão da cidade e o senador Jefferson Péres lamenta uma sociedade que demonstra desprezo pelas tradições e pelo seu passado? Como não sonhar com a revitalização do movimento em defesa do patrimônio histórico e paisagístico de Manaus? Senhores, não é hora de unirmos esforços? Anibal Beça, presidente do Conselho Municipal de Cultura, não pode ficar só. Ele é mais um dos que temem pelo futuro daquele sítio histórico abandonado, seguindo a trilha do meu amigo Rochinha, que levantou o caso no seu blog.No domingo da visitação ao sítio histórico, Jefferson Péres, em sua coluna em A Crítica, publicou o artigo "Retrato da incúria". Bem poderia ser uma referência ao sítio abandonado. No entanto, tratava-se de uma outra área degradada da cidade: a praça dos Remédios, onde nasci. O artigo tocou nossos corações. Vale lembrar que o movimento contra o camelódromo, Jefferson Péres, à época verador, presidente da Comissão de Patrimônio Histórico, conclamou os manauaras à resistência. Pariticipei intensamente da mobilização.Só tenho um reparo a fazer no seu artigo, meu querido senador: visitar a praça dos Remédios, tão cara para a sua memória de estudante de direito, e não citar a tacacazeira Pátria Barbosa, minha tia, é um pecado quase imperdoável, a menos que o tacacá não faça parte dos seus hábitos gastrônomicos. Tia Pátria, moradora da rua dos Barés, onde nasceu e morreu, serviu três gerações de sírio-libaneses, além dos estudantes da Faculdade de Direito, hoje, também, em estado de abandono. Verdadeiro patrimônio da memória afetiva daquela comunidade, tia Pátria foi o último ícone da Praça dos Remédios ao morrer em dezembro de 2006, quando a praça já não era nem a sombra do que foi. Intacto mesmo só o casarão que hospedeu a imperatriz em sua viagem ao Amazonas, local onde residiu o também senador Arthur Neto.Quanto a mim posso conviver com a idéia de que Jefferson Péres não gosta de tacacá, mas não poderia conviver com a idéia de que novas convocações pela defesa do nosso patrimônio histórico, afetivo e paisagístico venham a desaparecer da sua pena. Lembro-me quando, por questões éticas, o então vereador Jefferson Péres, declinou de participar do movimento de criação da Associação dos Amigos de Manaus: "ou matarei de inveja meus pares, ou serei tentando a usar politicamente o movimento". Optou por acompanhar a distância a movimentação da sociedade civil.Agora que o senador não tem mais pretensões políticas, haja vista sua declaração de que iria abandonar a política com o término do seu mandato, o apelo é meu, e estou certo de que teria muitos signatários: "Lidere o movimento em defesa do sítio histórico da antiga praça Osvaldo Cruz para dar lugar ao futuro Teatro Muncipal". Como sonhar não paga imposto, já antevejo a manchete: "SENADOR LIDERA A DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA SUA CIDADE". É mobilização pra ninguém botar defeito. Até os remanescentes do clube da Madrugada voltariam a se reunir debaixo do mulateiro na praça Heliodoro Balbi.

sexta-feira, 16 de março de 2007



O médico psiquiatra Rogelio Casado está mobilizando a sociedade civil manauense, para participarem de várias manifestações em favor da recuperação dos prédios do entorno do Porto de Manaus, o famoso “Roadway”, principalmente de um em especial, que servirá de abrigo ao Teatro Municipal de Manaus. Na oportunidade, transcrevo o trabalho do amigo Rogelio no seu Blog www.rogeliocasado.blogspot.com.

Com a palavra Aníbal Beça, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Manaus.

Fachada do futuro Teatro Municipal de Manaus
E aí, querido Aníbal, o Sarafa (assim é conhecido popularmente o prefeito de Manaus), vai ou não vai criar o Teatro Municipal de Manaus, antes que todo esse sítio vire pó?

Detalhe do abandono do sítio histórico
Detalhe do sítio histórico abandonado, nas mediações do Porto de Manaus, em frente da baía do Rio Negro. Observe e compare com outra foto publicada neste blog: os prédios à direita foram desmoronando um a um. Conversando com alguns artistas da cidade, não foram poucos os que, como São Thomé, céticos quanto à preservação deste sítio histórico, declararam: "Só vendo para crer".
Chega de memória de cartão postal!
Eis o complexo arquitetônico, que irá abrigar o Teatro Municipal de Manaus, quando ainda tinha vida no final dos anos 1950. Nessa época, e até o final dos anos 1960, os habitantes da acolhedora cidade de Manaus tinham uma invejável qualidade de vida, com todos os seus igarapés preservados e suas respectivas matas ciliares.
Sítio histórico abrigará o Teatro Municipal de Manaus
Anote aí na sua agenda: 2007 - ano zero da proposta de criação do Teatro Municipal de Manaus. Comenta-se, à boca pequena, que o prefeito Serafim Corrêa estaria em adiantado entendimento com autoridades da administração do Porto de Manaus para a preservação de um sítio histórico - atualmente em estado de abandono, como se vê na fotografia acima -, em cujo local seria criado o Teatro Municipal de Manaus. Iniciativas como essas tardam, mas são bem vindas diante da depredação do nosso patrimônio arquitetônico. Chega de destruição!

segunda-feira, 5 de março de 2007













FOTOS: 1. EVANDRO CARREIRA २. RIO AMAZONAS 3 PIROGRAVURA,4. SAMUEL BENCHIMOL, 5) PARICATUBA, 6) ARMANDO, 7) CHICO MENDES

















A Vila de Paricatuba está localizada no Município de Iranduba, próximo à Manaus, 40 minutos via terrestre pela AM-070, estrada Manoel Urbano. Foi concebida como hospedaria para imigrantes italianos e funcionou como Liceu de Artes e Ofícios de padres franceses, Casa de Detenção, Hospital para hansenianos, área de lazer para visitantes do Rio Negro.
Estive neste final de semana visitando o lugar para assistir ao Eclipse Lunar, no embarque fui pego de surpresa com o valor da passagem de ônibus, houve uma majoração de R$ 3,00 para R$ 5,00, um percentual de 66,67% !!
Segundo o filosofo Paulo de Tarso Mamulengo, os moradores e os usuários dos coletivos, estão fazendo um abaixo assinado e irão recorrer ao Ministério Publico Estadual (MPE), órgão responsável pelos direitos dos cidadãos, para acionar a empresa transportadora “Expresso Iranduba”, concessionária dos serviços, pois não existe nenhum documento oficial emitida pela Prefeitura Municipal de Iranduba, concedendo tal reajuste.
De acordo com CF./88, art. 30, V, o transporte coletivo é de competência do Município, que diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão explora as linhas de ônibus. Dessa forma, pelo caráter essencial do serviço, o prefeito Nonato Lopes não pode ser omisso e deve imediatamente intervir na transportadora, voltando o valor da passagem para R$ 3,00 e, convocando todos os interessados para discutirem o valor da nova tarifa.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

JORGE PALHETA - DIVERSIDADE - ACRILICA S/PAPEL 0,50X0,65CM.
TRABALHO EXPOSTO NA AMAZONIA = GALERIA DE ARTE, SOB O COMANDO DO ARTISTA PLATICO ANISIO MELO, SITUADO NA AV. DJALMA BATISTA, 3000 LOJAS 40 E 41 COND. AMAZONAS FLAT SERVICE.


TURMA DA BICA

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Teque-Teque, palita baratas e outros tipos de Mascates ( Mario Ypiranga )

Havia necessariamente uma hierarquia de gênero entre os antigos mascates que proliferaram em Manaus até mais ou menos 1940, quando ainda conheci o último deles, na rua Costa Azevedo. Podiam ser elencados em duas classes: primeiramente: ambulantes e sedentários. Os sedentários ocupavam todo o trecho da rua Marquês de Santa Cruz, desde a mercearia A COSMOPOLITA, fronteiriça ao prédio da Alfândega, até o mercado municipal ADOLFO LISBOA (interior e exterior) e rua da Instalação da Província, trechos de circulação intensiva de pedestres. Eram de dois tipos: os que portavam baú de lata e estacionavam na calçada e os que possuíam barracas cobertas de lona listrada. Estes últimos ocupavam todo o perímetro do atual estacionamento público e as quatro faces em torno da antiga estátua de Tenreiro Aranha. O local passou a ser conhecido por Caaba, por causa, evidentemente, dos distúrbios provocados pelos ávidos comerciantes entre si mesmos e os passantes, a gritaria incomodativa dos pregões, os apelos ao mais barato e melhor, a propaganda, os insultos em árabe. Todos os bufarinheiros de baú de lata já eram denominados “marreteiros” em 1900, consoante notícia do jornal A FEDERAÇÃO de dez de maio, solicitada do mesmo jornal ao Superintendente Municipal contra o hábito deles colocarem suas malas no meio da rua Marquês de Santa-Cruz, “interrompendo o tráfego”. Os negocistas ambulantes geralmente iniciavam o curso com a trouxinha de pano ou a caixa de bufarinhas. Mas somente as mulheres portavam a trouxinha e eu conheci na minha meninice a uma delas de nome Labibe. O comerciante de caixa a frente da barriga era o “barateza”, conhecido por proclamar este nome. Daquele grau poderia subir mais até à função de teque-teque. O “palita-barata” só negociava com fósforos importados ou fabricados em Manaus na Cachoeirinha. Trazia costumeiramente a tiracolo uma lata quadrada de estanho ou folha de chumbo onde vinham os maços embalados desde a origem. Apregoava pelas ruas — Palita barata! Ja o teque-teque era mais aperfeiçoado no seu ramo de negócio, que é aliás de origem portuguesa, muito embora de portugueses não se tenha notícia no tipo de vendilhão. Pelo menos é o que se informa em Ramalho Ortigão, que o descreve em Portugal. Arcava com cerca de quarenta quilos de variedades necessárias, que era o peso normal da caixa de armarinho, com bem arrumado sortimento e dotada de portinhas e escaninhos tapados com vidro, a “caixa-de-turco”, geralmente denominada pelo vulgo. Naquele exíguo almário havia de tudo, desde o papel de alfinetes à dentadura postiça, cosméticos, bigodeiras, óculos de aros de alumínio, ceroulas, peúgas, rendas, novelos de lã, tesourinhas, pentes, colarinhos e punhos duros, etc. Sobre o almário iam dispostas algumas peças inteiras de fazenda, morins, chitinhas mamãe-abre-olho ou piraurucu, toalhas felpudas e de mesa, lençóis, poucos vestidos já prontos ou apenas alinhavados, blusas de pijamas com alamares, etc. E na curva do braço livre um ou dois guarda-chuvas, de acordo com o tempo, e mais troços vendáveis, consoante o faro comercista. Numa das mãos o teque-teque levava o metro seccionado em dois pedaços unidos por sola e com eles alertava a freguesia distante em ritmo de matraca. Descansava geralmente das longas jornadas numa calçada alta, libertando-se das ombreiras de sola forradas de pano. Era assim que se via sempre aquele mascate morador na rua Costa Azevedo. Ali pela década de vinte, talvez, apareceu uma cançoneta alusiva ao comerciante. Não consegui reter todo o texto, apenas o início e a música. Dizia: Eu sê turca chama Jurja / passa a vida disgraçada / trabalha dia intera / pra vender tuda fiada / eu vende a bresdazon / eu vende pra dinera/ Jurja fica danada / que freguês é galotera. Por aí assim, e falava em “golarinho bunda virada”, “pente fina pra biolho marca elefante”, “bó darruz”, etc. Os mascates ambulantes, não escapavam à verve popular, que os maltratava com epítetos de ladrão, careiro, explorador, marreteiro. Mas os meninos faziam pior: gritavam de longe — Caga sebo! Caga sebo! Não havia muitos turcos em Manaus, porém o povo generalizava a casta de mercadores ambulantes, envolvendo-os no mesmo grupo dos sírio-libaneses. O que motivava o vendilhão a percorrer longas distâncias sob o sol e a chuva era a centralização do comércio, reduzido ao foco — avenida Eduardo Ribeiro, ruas da Instalação da Província e Marquês de Santa-Cruz, Remédios e mercado publico municipal. Quase todos os mascates sírio-libaneses residiam na área-chamariz que era o populoso bairro dos Remédios. Dali eles partiam em leque para todos os cantos da cidade, inclusive para o rio, pois que os havia igualmente embarcados em canoas, a tentar a freguesia dos motores e lanchas. Progrediam astuciosamente, plantavam-se em portinhas exíguas e mais tarde em lojas de várias portas. Um dos clássicos mascates que sempre conheci era o Mansour da rua da Instalação da Província. Outro foi o pai do jogador L6, um turco que se mandou para Salônica após a Primeira Guerra Mundial. Mas esse era mesmo turco, tão turco como o Jorge Dau. O povo na sua festiva indiferença pelas origens englobava as nacionalidades, falando de “turcalhada” quando se referia aos nossos amigos árabes. Mas sem malícia. O ambulante citadino não se recusava a vender fiado. Era um risco que corria, e certamente grande, quando se tratava de cercar a bolsa do pobre. Vi muitos deles com sua caderneta de notas (sempre em árabe) sacramentando o débito do freguês ou do “patrícia” (porque na sua necessidade de transacionar era obrigado a identificar-se e a tutear o comprador em perspectiva ou mesmo o freguês cativo). No meu tempo de rapaz alcancei ouvir muitas anedotas a propósito do mascate, que como figura popular não podia deixar de freqüentar o anedotário. Uma delas inclusive era comumente citada para mexer com certo mocinho inimigo do trabalho e esperto devorador do capital paterno. Dizia-se que certa noite o fedelho chegou-se ao pai e exigiu uma lambreta. O pai concordou e no dia seguinte apresentou ao filho um novelo de lã de cor preta. E outras. O comerciante Jorge Dau acima citado como exemplo, era turco de nação e fundaria mais tarde a grande loja de fazendas ARMAZÉM DA TURQUIA, cuja sede não me foi possível ainda localizar. O Mansour e o Bader, este um dos palita-barata, também progrediram e foram donos de lojas de fazendas na rua da Instalação da Província. Outros, teque-teques, como o senhor Mamede, libertaram-se da caixa de armarinho e passaram a lojistas muito afreguesados, inclusive dentro do mercado público. Quando esses mascates desapareceram de circulação, já estavam com o capital solidificado e tornaram-se até grandes proprietários de imóveis, mas realmente jamais tiveram inclinação para a indústria. Muito dificilmente os filhos se deixaram contaminar pelo micróbio comercista, tomaram outras direções na vida, adquirindo títulos liberais e/ou acomodando-se em funções burocráticas. Hoje quase nada mais resta daquela multidão de árabes e de otomanos que contribuiu de certa forma para o progresso da cidade. Seria o caso para relembrarmos a figura andeira do regatão (cuja origem nunca foi arábica) que levava aos mais distantes rincões fluviais um pouco da comodidade gozada nas cidades. O bufarinheiro levantino tornou-se uma necessidade gerada pela centralização do comércio urbano, mas hoje seria mais difícil a sua resistência porque a descentralização estendeu os raios da oferta aos mais longínquos arrabaldes da capital. Quero acreditar que no início de sua carreira comercial o mascate passasse da banda baixa, comendo mal e dormindo em cortiços e estâncias, que os havia em profusão por toda a rua doutor Miranda Leão, dos Andradas, Barão de São Domingos, da Praia. Ele saía de casa pela manhã com um pão sirio da estrutura de um prato e da espessura de dois dedos mais ou menos. Quando a fome do meio-dia o surpreendesse, não voltaria aos penates: arriava a matalotagem na calçada ou num local discreto e comia seu pão descansadamente. Assim o vimos obrar quando menino curioso. E a indumentária era simples e vasqueira: contava meu pai que os primeiros árabes chegados a Manaus ainda traziam velhos hábitos, do tipo usar a túnica comprida e o gorro (vide figura do barateza) ou o fez. Calculo como foram recebidos pelo povo e bem depressa abandonaram as roupas estranhas para os misoneístas. Todavia pelo carnaval muitos deles aproveitavam para relembrar seus costumes. Isso não seria de admirar porquanto custou aos portugueses deixar o costume de usar a banda vermelha, as calças de pano cru, a camisa de Saragoza e os barulhentos socos de pau. Muitos árabes usavam brincos de ouripel e argolas. Sobre a carência de documentação fotográfica dos tipos populares, existem duas respostas: a história de antigamente não lidava com o indivíduo social e sim com o herói, as datas e os fatos. Os documentos, poucos, fotográficos, são difíceis de reproduzir, mas encontrei alguns principalmente mascates com baú de lata e quiosques de madeira.
CIDADE SANTA ANITA
No site www.yourtube.com encontraremos varias filmagens da Cidade Santa Anita, na categoria Travel & Places.
É um monumental trabalho em miniatura feito por Mário Ypiranga Monteiro, escritor amazonense. A cidade é composta por 14 módulos de 110X110 cm, e mede no total 720X220cm. Possui MAIS DE TRÊS MIL HABITANTES. Mário Ypiranga passou cerca de cinqüenta anos construindo e desconstruindo a cidade, nunca chegando ao final. Anita era o apelido da esposa de Màrio, e suspeita-se que a mini-cidade era como uma alegoria do amor dos dois. A cidade está em exposição permanente na Galeria do Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

M A A C A

CD “Mosquito da Malária”, do Maaca, consagrado cantor da música popular Amazonense – MPA possui 09 lindas musicas: Cruviana, Tom Marrom, Cantiga de Amor, Amazônico, Amazônico & Açaí do Copeá, Forró na Fazenda, Chico da Baia, Balada para Kawê e Mosquito da Malária.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

CANTOR NUNES FILHO

O cantor de brega Nunes Filho sempre foi uma grande atração no Bar do Armando, devido a grande irreverencia dos frequentadores mais habituais, aliado da valorização dos artistas da terra, marca registrada dos biqueiros.

Em homenagem ao grande talento da musica amazonense, publico o trabalho do Valmir Lima, do Decon/Fapeam.

Música brega é tema de dissertação
Nunes Filho e Wanderley Andrade, quem diria, se tornaram os principais personagens de uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia. Intitulado “Essa música foi feita pra mim: relações amorosas, paixões e cotidiano presentes na música brega em Manaus”, o trabalho de autoria de Noélio Martins Costa, 30, foi defendido em 2005.

A intenção do pesquisador, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), foi identificar de que maneira a chamada música brega influenciava na vida das pessoas que consomem esse tipo de produto da indústria cultural. Para isso, Noélio entrevistou dezenas de pessoas que freqüentavam bares, clubes noturnos e balneários, onde o brega era forte atrativo, na década de 1990, período abarcado pela pesquisa.


Foi durante as entrevistas que o a frase-título do trabalho foi encontrada. “Eu estava entrevistando uma mulher, ela falava sobre o seu gosto pela música brega e começou a tocar uma música. Ele disse: ‘Essa música foi feita pra mim’. Eu achei a frase muito significativa e decidi dar esse título à dissertação”, explicou Noélio.


O pesquisador precisou mergulhar no mundo da música brega para compreendê-lo. O primeiro obstáculo que teve de vencer foi o preconceito. Ele disse que quando estudava na graduação se sentia incomodado com os vizinhos que ouviam música em alto volume. “Existia uma rejeição, um preconceito mesmo, a uma coisa que eu não conhecia. Achava as letras e os enredos pejorativos”. Noélio resolveu dialogar com os vizinhos e aos poucos foi entendendo os motivos que os levavam a consumir aquele tipo de música.


O tema o fascinou a ponto de querer conhecer os cantores de maior sucesso. A indicação dos dois artistas analisados pela pesquisa veio dos próprios consumidores. “O primeiro nome ligado ao brega foi o do Nunes Filho, considerado o Príncipe do Brega. Passei a ouvir as músicas dele e depois o entrevistei algumas vezes”.


O cotidiano do brega, considerado no trabalho, é o ambiente em que a música é executada: os bares, as casas noturnas, os lares. A zona Leste foi escolhida como o espaço geográfico da pesquisa, também por um preconceito do pesquisador, que relacionava o brega à pobreza. Como a zona Leste concentra a maior parte da população de baixa renda de Manaus, Noélio pensou que fosse mais adequado elegê-la como o espaço do brega. “Depois eu descobri que não são só os pobres que gostam desse tipo de música”. Como diz uma canção do cantor Reginaldo Rossi, considerado o rei do brega, “No brega entre preto e entra branco, no brega entre pobre e barão”.


O que uma pessoa vai fazer no brega? Essa questão, que aparece no trabalho, tem duas respostas: os homens vão em busca de uma noite de amor, enquanto as mulheres querem diversão. “Geralmente a intenção do homem é terminar a noite com uma mulher que ele possa levar para a cama. As mulheres pensam de outra maneira, querem dançar, beber, se divertir. O sexo seria uma conseqüência natural de uma noite de diversão”.


A música brega, como toda música, acompanha seus consumidores além do clube ou do bar. Como forma de recordar a noite de alegria ou de dor, ou como forma de afogar as mágoas, as pessoas ouvem em casa as mesmas canções da noite. Foi numa dessas situações que a mulher entrevistada por Noélio disse a frase celebre: “Essa música foi feita pra mim”.


Ao discutir a relação das pessoas com o brega, o pesquisador encontrou aspectos sociológicos e antropológicos interessantes, como a independência feminina na noite. “Você encontra nos clubes e bares inúmeras mulheres que se desprendem do âmbito doméstico e vão se divertir, curtir a noite sem a companhia de nenhum homem. Uma delas me disse que se fosse acompanhada não poderia dançar com quem tivesse vontade”. Na dissertação, Noélio trabalha com duas categorias para diferenciar a mulher que busca diversão da profissional do sexo: mulher na noite, para a primeira, e mulher da noite, para a segunda.


Nunes Filho X Wanderley Andrade
Nunes Filho e Wandeley Andrade são como água e óleo no brega, na opinião de Noélio Costa. As músicas e os estilos são totalmente diferentes, mas ambos fizeram muito sucesso no passado recente. Enquanto Nunes Filho busca retratar o romantismo, com letras que falam dos apaixonados, de ciúmes e da traição; Andrade busca nos marginalizados inspiração para criar letras que falam de amor, mas de forma mais grotesca.


Nunes Filho canta “Ai carinho”; Wanderley Andrade prefere “roubar coração”, é o “traficante do amor”. “Ele utiliza muito os presidiários como fonte de inspiração, enquanto o Nunes Filho é mais romântico”.


Os estilos no palco também são destacados no trabalho: Nunes Filho é cômico com seu trejeito de dançar, mas fica nisso suas apresentações. O que mais chama a atenção do público são as letras de suas canções. “É um clássico do brega”, classifica Noélio. Já Wanderley Andrade prefere o estilo espalhafatoso, caricatural. “Ele veste um personagem, se traveste e choca o público com o cabelo colorido, as roupas brilhantes e os óculos irreverentes. Ele é o personagem principal do show”.


Os diferentes estilos dos dois artistas de reconhecido prestígio no mundo brega têm relação direta com o ambiente onde cada um começou sua carreira artística: Nunes é genuinamente amazonense e Andrade vem do Pará, onde o brega é considerado um movimento cultural. “Lá em Belém, cidade que visitei durante o trabalho, as pessoas têm orgulho de dizer que vão ao brega e se vestem a caráter para a festa”.


No Amazonas, as pessoas não incorporam o brega. Vão ao clube para se divertir, beber ou afogar as mágoas. “Em Manaus é difícil você encontrar uma pessoas que assuma ser um bregueiro. As pessoas são muito dissimuladas”.
Esse problema está na raiz da discriminação à música Brega, na opinião de Noélio. Ele afirma que quando uma pessoas de maior poder aquisitivo é encontrado por um conhecido no brega, usa a dissimulação. “Sempre dizem que estão ali por acaso”. Mas durante o trabalho de campo Noélio pode perceber que no mesmo clube em que pessoas chegam a pé, de ônibus ou em um fusquinha superlotado, outros cegam em carros caros. “No mesmo bar em que uns bebem cerveja, outros bebem uísque”.
Valmir Lima Decon/Fapeam



O nome da nossa cidade suscita muitas duvidas com relação a sua grafia no decorrer dos anos, para dirimi-las, leia o artigo abaixo, escrito pelo Robério Braga, atual Secretario de Cultural do Amazonas.


"Quem pesquisa e lê documentos e jornais antigos, encontra o nome Manaus escrito de diversas formas, conforme a época, e, não raro, surgem perguntas a respeito da origem e forma de grafia do nome da capital amazonense. E depois de alguns anos, em data mais recente, passou-se a fazer nova confusão sobre a data em que a capital recebeu este nome.Para responder a uma consulta do consulado do Japão em Manaus, na década de 80, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas reuniu estudos de vários de seus membros titulares, cabendo-me, além de pesquisas próprias desenvolvidas, a redação do texto final do documento informativo. Creio que foi a primeira síntese elucidativa da questão. O que temos é que o vocábulo MANAU era atribuído a uma das muitas tribos que habitaram o rio Negro, compondo uma das mais célebres confederações. Poucos são os recursos para a classificação e divisão dos povos encontrados na Amazônia, na opinião do professor Antônio Braga Teixeira, ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e um apaixonado por esses assuntos. É que toda a base de qualquer estudo lingüístico só pode ser desenvolvida sobre a fonética, sendo conhecida a escrita e com ela as regras rígidas, da grafologia dos vocábulos. Desta forma os etnólogos afirmam que os índios Manau são de origem aruaque, segundo se pode ver em Lima de Figueiredo e Armando Levy Cardoso, citados pelo mestre André Vidal de Araújo que também lembra a aparência da grafia com Manau e Manoa. Os estudos de Pedro Luiz Sympsom, Pe. Lemos Barbosa, Plínio Ayrosa e Frederico G. Edelweiss demonstram, pela fonética araucana ser mais certa, mais concordante com a língua da tribo que originou o nome da capital do Estado do Amazonas, a grafia Manau, com U e não Manao como eles bem demonstram as profundas e diversas razões etmológicas para a alteração da grafia. Sabemos que não existe em qualquer gramática que discipline a ortografia de termos aruaques incorporados à Língua Portuguesa determinação da pronúncia ou da grafia de Manaus com a letra U. Na língua arauaca, como prelecionou André Araújo o O tem dois sons: fechado na forma de avô e aberto na forma de socó. Assim a pronúncia indígena verdadeira da palavra deve ser Manaus e nunca Manaôs ou Manaós. É como etimologicamente deve ser grafada. O professor Arthur Cezar Ferreira Reis, às paginas 77 de sua obra História do Amazonas, lançada em primeira edição em Manaus em 1931, em nota de rodapé mostra que “ Antônio Brandão de Amorim e outros conhecedores do nheengatú preferem graphar Manau, embora ele mesmo, conhecedor dos mais profundas das coisas do Amazonas, naquela mesma obra, grafasse com a letra "O“. O mesmo fato o escritor repetiria em 1935, em outro trabalho de sua lavra. Octaviano Mello a quem devemos consideráveis estudos mais recentes, mostra o contraste de Manaus como uma das formas femininas de Manouh, Manou, Manu, Mani, que são abreviações do nome hebraico – Manouchyaka e duas variações, donde veio a palavra indo-tupi, Houcha, homem ou gênio nascido em Manou, significando conforme evidenciado às páginas 36 de seu livro Topônimos Amazonenses, Deus dos Índios. A palavra Manaus tem sido grafada de diversas formas: Manou, Manau, Manao, Manaó, Manaha, Manave, Macnal, Manouh, Manouâ, Manáos. Fundada em 1669 a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro, a sede da Capitania e a sede da Província, estabelecida à margem esquerda do rio Negro, tinha seu nome escrito com a letra O, portanto era grafada Manaos. Em 1862, na edição da tipografia de Francisco José da Silva Ramos, aparece a grafia Manáus, na capa do folheto de Antonio David Vasconcellos Canavarro, tratando do problema do cólera-morbus, e, na última página do referido estudo, está grafado Manaos. Na obra Notizie Interessanti sulla Província delle Amazzzoni – nel nord Del Brasile, editada em Roma em 1882, está grafado Manaos, repetidas vezes no corpo da breve memória traçada por um missionário franciscano. Em 1908, publicado pela Tipografia J. Renaud & Comp., o escritor Bertino de Miranda lançava seu livro sobre Manaus, trazendo a grafia com a letra U. Vê-se, pois, que embora houvesse uma grafia de uso mais corrente, outras formas também eram utilizadas. Embora desde o dia 19 de março de 1937 os atos oficiais estivessem trazendo a grafia Manaus, como se vê do Decreto nº 117, publicado no Diário Oficial do Estado de nº 12.589, somente a 14 de julho de 1939 em sua edição de nº 13.192 o órgão oficial do Estado faria a correção do termo em seu cabeçalho, passando a grafar, definitivamente Manaus. Fato interessante a ser registrado é que o primeiro ato oficial assinado pelo governador a trazer a grafia Manaus, como hoje é escrita, concedia prêmios a estudantes do curso secundário. Era governador o professor e poeta Álvaro Botelho Maia, na sexta-feira, 19 de março de 1937. A capital amazonense recebeu este nome, pela primeira vez em 1832 em decorrência do art. 27 do Código de Processo Criminal que erigiu o Lugar da Barra do Rio Negro à condição de Vila com a denominação de Manáos, passando a ser sede oficial da nova unidade político-administrativa criada: a Comarca do Alto Amazonas. Em 24 de outubro de 1848 através da lei nº 145, a Vila de Manáos foi elevada á categoria de Cidade com a denominação de Cidade da Barra do Rio Negro. Somente pela Lei nº 68 de 4 de setembro de 1856, cujo projeto foi do deputado provincial João Ignácio Rodrigues do Carmo, a Cidade da Barra do Rio Negro passou a ser denominada Cidade de Manáos, sede e capital da Província do Amazonas. Somente após acordo ortográfico entre Brasil e Portugal, e o uso rotineiro da expressão Manaus, é que a grafia atual foi consolidada".

Robério Braga

sábado, 10 de fevereiro de 2007

CURIOSIDADES DO SAMBA E CARNAVAL DE MANAUS




Salles Gato

 Infelizmente não há mais registro em fitas cassetes, dos sambas de Manaus dos anos 70 e até 1984.
O primeiro LP que foi gravado com todas as Escolas do grupo principal foi em 1986 no projeto CANTE O NOSSO CARNAVAL que durou até 1989.
Até 1991 os sambas de enredo de Manaus eram gravados no Rio de Janeiro por puxadores (intérpretes )cariocas. Alguns tornaram-se, à época, a "cara" das agremiações, senão vejamos: Vitória Régia (Dominguinhos do Estácio), Sem Compromisso (Aroldo Melodia), Reino Unido e Andanças de Ciganos (Carlinhos de Pilares), Aparecida (Sobrinho, da Unidos da Tijuca), Ipixuna (kandanga da Tradição). É claro, que houve revezamentos entre estes intérpretes durante algum tempo, mas os aqui citados , marcaram muito uma época (anos 80).
Comentário de FERNANDO PAMPLONA, trabalhando pela REDE MANCHETE em 1994, sobre a Vitória Régia: "...A bateria é forte, mas um pouco acelerada...Mas está faltando negro na escola (O ENREDO FALAVA SOBRE A PRAÇA 14 e OS NEGROS BANTUS)...vejo muito é mestiço e caboclo....
Durante muito tempo as escolas de samba de Manaus não traduziam bem seus enredos nas fantasias e alegorias, ou seja, o que importava era volume e brilho e não a famosa ÓPERA DE RUA onde se canta e representa uma história.
Em 1993 a TV BAND de São Paulo mandou alguns "flashes" do Desfile do Grupo Especial para todo o Brasil. Em 1994 foi a vez da Rede Manchete e também da própria TV BANDEIRANTES transmitirem na íntegra o desfile.
A Balaku Blaku e a Andanças de Ciganos são as Escolas de Samba que mais "deram" rainhas para o Carnaval de Manaus. Exemplo dos últimos anos: 1998 e 1999 - Andanças de Ciganos. 2002 e 2003 - Balaku Blaku.
O compositor Paulo Onça, amazonense, conseguiu a façanha de ganhar um samba de enredo pelo Salgueiro em 1998 com o enredo sobre os Bois de Parintíns (em parceira com mestre Louro da bateria). Também compôs samba famoso para Jorge Aragão - "Feitio de paixão" em meados dos anos 80.
Edmundo Soldado, que na verdade é sub- tenente da Polícia Militar do Amazonas é compositor da Vitória Régia e também já foi Intérprete Oficial da Escola durante vários anos. É recordista de composições de sambas de enredo das Escolas do Grupo Especial, Grupos de Acesso e Blocos (29 sambas), sendo 12 pela Vitória Régia. Outros sambistas que estão perto de Edmundo em número de composições são Walmir da Mocidade,Marinho Saúba e Agnaldo do Samba, todos oscilando entre 10 e 18 sambas.
Agnaldo do Samba, intérprete dos mais renomados no samba de Manaus começou sua carreira na bateria do Bloco Sem Compromisso em 1980 de onde saiu em 1986 para ir cantar nas seguintes agremiações: Bloco de Enredo Arrastão Assuano (campeão do Grupo B de 1986), Guerreiros do Vinho e Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida. Em 1990, retornou à Sem Compromisso, de onde saiu em 1992 e retornou em 1993. Cantou pelo Coroado em 1998 e saiu novamente da Sem Compromisso, passou pela Unidos do Alvorada em 1999, voltando em 2000 onde está até hoje. Todos os anos, desde 1999 vai à cidade de Óbidos cantar em uma agremiação local.
O Bloco MOCIDADE que desfilou até os aos 70 na Av. Eduardo Ribeiro foi um ícone no Carnaval de Manaus durante mais de 40 anos! Era formado por intelectuais, jogadores de futebol e comerciantes de Manaus. Todos iam em cima de um caminhão, que saía lá do Bairro do Educandos, de uma serraria até ao Centro de Manaus, na Av. Eduardo Ribeiro. Flaviano Limongi, que ainda é um desportista local desfilava no MOCIDADE.
Até o Carnaval de 2004 a Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida é a que detém o maior número de títulos no carnaval de Manaus - 15, seguida pela Vitória Régia - 9 e Reino Unido da Liberdade - 6.
A Antiga Escola de Samba MISTA da Praça 14 foi fundada em 1946 e ganhou os carnavais de 1947,48,49,50,51,52,53,54,55,56,57,58,59,1960 e 1961. Ou seja, todos em que disputou - 15 títulos. Suas cores eram: Preto, Amarelo e Vermelho.
A Escola de Samba a VOZ da Liberdade também contemporânea da MISTA não ganhou carnaval na época. Ela foi fundada em 1948 mas desapareceu precocemente.
Somente em 1970 é que surgiu outra Escola de Samba em MANAUS: A G.R.E.S. Unidos da Selva que foi campeã em 1971/72/75 e 1976 (seu último desfile). Jaílton Sodré,atual cromometrista da AGEESMA foi um dos seus fundadores. Sua cores eram o verde e o Branco.
Esta Escola era formada pelos militares do Exército do CIGS do bairro de São Jorge, Zona Oeste de MANAUS.
No Rio de Janeiro, nos últimos anos o samba de enredo que teve o maior número de compositores foi os da Mangueira em 1993 (10 autores) e o do Grande Rio (1993) (10 autores). Em Manaus esse recorde quase foi igualado, pois o samba da Vitória Régia em 2003 teve nada mais, nada menos que 9 compositores, fruto da junção de três sambas campeões na Quadra, tipo (2 + 3+ 5 compositores).
O Sambódromo de Manaus é o maior do gênero no Brasil. nem o Anhembí em São Paulo, nem a Sapucaí no Rio chegam próximos em números gerais. O Centro de Convenções de Manaus tem capacidade para mais de 100 mil pessoas.
Este Colosso de concreto foi pré-inaugurado por 3 vezes. Explica-se: em 1991 ele já estava pronto (a ferradura), porém não houve desfile das escolas nesse ano, apenas bandas de frevo fizeram a festa lá dentro. EM 1992 mais uma vez pré-inaugurado ainda somente com a ferradura. Em 1993 construíram-se mais dois lances de arquibancada e somente em 1994 que terminaram os outros 4 lances, totalizando 6.
Em 1986 a G.R.E.S. Andanças de Ciganos levou à Avenida Djalma Batista (Palco do Carnaval à época) a primeira mulher inteiramente nua para o Desfile em Manaus. Ela vinha sendo destaque dentro da boca de uma serpente.
Em 1983 a G.R.E.S. Sem Compromisso pela primeira vez gravava um Disco com um samba de Enredo, sendo pioneira em Manaus nesse sentido, gravando um DISCO com selo proprio, ja que anos antes, a Em Cima da Hora tambem gravava disco,porém com outros sambas, ou seja, uma Coletânea (1976). Mesmo assim, pode-se considerar a Em Cima da Hora como a pioneira, porém, junto à outros sambas.
Até 1979 os Desfiles de Blocos de sujo, Blocos de Embalo, Blocos de Enredo, Cordões, Escolas de Samba, Batucadas, etc... ocorriam na Av. Eduardo Ribeiro, no Centro antigo de Manaus. De 1980 a 1990 os Desfiles ocorreram na Av. Djalma Batista, na Zona Centro-Sul e a partir de 1992, no Centro de Convenções (SAMBÓDROMO) na Zona Centro-Oeste de MANAUS.
Sem Compromisso, Mocidade Dependente do beco Ipixuna (agora IPIXUNA), Andanças de Ciganos, Reino Unido, etc.. começaram suas vidas carnavalescas como Blocos. A Balaku Blaku, começou como batucada em 1977, desbancando as favoritas Acadêmicos do Rio Negro e Batucada Baré.
A Escola de Samba EM CIMA DA HORA, era do Bairro de Educandos (Zona sudeste de Manaus) e foi extinta em 1983, em seus primeiros momentos, foi fundada por militares da Marinha brasileira. Ganhou dois carnavais em Manaus, sendo o último junto com a então estreante APARECIDA. Nota: A Em cima da hora tinha em suas cores o azul e o branco e foi a madrinha da Aparecida.
Jorginho Devagar da Aparecida conheceu grande parte do mundo em suas viagens sempre divulgando o samba brasileiro e hoje possui autênticos documentos da fundacao da Aparecida'que se deu em março de 1980.
A Primeira Escola de Samba de Manaus nessa nova era, foi a UNIDOS DA SELVA, fundada em 1970, que congregava em seu bojo, militares do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), grande parte desses sambistas eram cariocas. Esta Escola acabou em 1976, surgindo aí uma "continuação" sua - A Unidos de Sao Jorge, que desfilou apenas em 1983. Em 2003, em abril, foi fundada a GRES Dragões do Império, do bairro de São Jorge, que tem tudo para continuar a história dos sambistas do bairro. Esta escola desfilou no dia 22 de fevereiro de 2004 no Sambódromo de Manaus, sem concorrer, fechando o desfile do ano.
As primeiras Escolas de Samba de Manaus, que podem ser consideradas Escolas de Samba de padrão mais atual, fora: ESCOLA MISTA DA PRAÇA 14 - fundada em 1946 e que foi extinta em 1961 e a escola A VOZ DA LIBERDADE, fundada em 1948 e extinta em 1958.
Algumas Escolas de Samba de MANAUS já extintas ou com atividades paralizadas:
Unidos da Selva (desfilou até 1976)
Moto na Onda (até 1977)Em cima da Hora (extinta em 1983)
Unidos da Raiz (extinta em 1983), voltou na forma de BLOCO em 2001
UIRAPURÚ (extinta em 1982)
Barelândia (extinta em 1992)
Unidos de São Jorge (extinta em 1983)
Acadêmicos do Rio Negro (extinta em 1983- desfilou como escola apenas em 1983, antes era uma batucada)
Guerreiros do Vinho (extinta em 1992)
Estação 1a. do Boulevard (extinta em 1992)
Acadêmicos de Petrópolis (extinta em 1992)
Jovens Livres na Folia (quando ia virar escola em 1991, não houve desfile naquele ano).
Até 1985 a grande maioria das Escolas e Blocos usavam roldanas nos seus carros alegóricos, em vez dos pneumáticos. Que só começou a ser usado em 1986 pela Sem Compromisso - campeã naquele ano.
Em 1981 a Vitória Régia levou para a Djalma Batista, nada mais nada menos que 15 carros alegóricos. Todos na faixa de 3 x 4 m. Todos de madeira.
até 1981 as Baterias das Escolas de Samba eram compostas por no máximo 100 ritmistas. A Em Cima da Hora em 1981 desfilou na Djalma Batista com 70 na bateria.
E as Escolas de samba compunham-se de no maximo 500 " brincantes"
Ednelza Sahado, a "imortal" Porta-bandeira da Aparecida, já foi no seu início carnavalesco, pertecente à escola de samba Vitória Régia. Ednelza foi homenageada em 2003 com a inauguração dopalco de eventos da Aparecida, chamado: "Palco Ednelza Sahado".
Quem é Vitória Régia não e de maneira alguma Aparecida, pois as disputas entre as Escolas já foram ferrenhas, tanto na Avenida quanto nas ruas e nas apurações (vide apuração de 1983 ocorrida no Ginásio Renê Monteiro e no Sambódromo em 1994, quando ocorreram verdadeiras batalhas entre as torcidas
A disputa entre as duas Escolas só amainou com a subida em importância da REINO UNIDO nas disputas, a partir de 1988.
Segundo Paulo Santos (sambista veterano de Manaus), quando ele era intéprete da Barelândia, nos anos 80, não cantava com cavaco acompanhando, era muito difícil e sempre havia espaço para o desgaste precoce das cordas vocais
Genésio e o grupo " Amazon Music Show" , grupo de danças, foi ao México, no Estado de Vera Cruz em fevereiro de 2000, acompanhado de "Mulatas" amazonenses. intérpretes e cavaquinistas.
Em 1984 a G.R.E.S. Sem Compromisso não desfilou em Manaus, mas sim, em Boa Vista (RR), perdendo a chance de ser campeã em Manaus naquele ano, visto que não houve julgamento e todas as Escolas que desfilaram ganharam o titulo.
A Quadra de Escola de Samba mais reclusada de Manaus é a da IPIXUNA, situada no beco Ipixuna, próximo do Centro Antigo de Manaus, porém escondida por mais de 100 degraus da escadaria da União Esportiva Portuguesa e pelos baixios do Beco Betel. Uma Quadra bem escondida.
A Primos da Ilha, Escola do Grupo 1 , fundada em 1990, foi idealizada por Nélson Medeiros, da família Medeiros, uma das famílias fundadoras da Vitória Régia e também da antiga Escola Mista em 1946.
A Vitória Régia foi fundada na casa da "tia Lindoca", em 01/12/1975. Tia Lindoca faleceu em 1993. Os ensaios da Escola lá eram realizados,às vezes na própria Praça 14, em 1988, a Escola ganhou sua Quadra em local privilegiado, no seio do bairro, bem na lateral da Praça 14, ao lado da Igreja católica de N.Sa. de Fátima.
A partir de 1986 com a inauguração da Ponte Fábio Lucena, interligando o Bairro da Aparecida ao São Raimundo, a Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida tornou-se mais popular, saíndo um pouco da reclusão do Centro da Cidade e abrindo as portas para outras comunidades, até então geograficamente próximas, porém longínquas por causa do difícil acesso.
A Sem Compromisso é a Escola de Samba que mais mudou de Local para seus Ensaios. vejamos: Rua Comendador Clementino - Centro, Rua Libertador - Beco do Macedo, Rua Japurá, altos da Praça 14, Quadra esportiva do Colégio Ribeiro da Cunha (centro) (1993-1994), Garotinho (Av. Constantino Nery)( 1995), Olímpico Clube,(1996-1997) Vila Mamão ( agosto de 1997), Lírio do Vale (2 locais)( 1998-2000) e Vila da Prata (a partir de 2001)
IPUJUCAN GOMES é o presidente recordista à frente de uma Escola de Samba - IPIXUNA, do Primeiro Grupo desde 1986
A Escola de Samba Andanças de ciganos deixou de desfilar em Manaus de 1992 a 1997, voltou em 1998.
O sambista Manteiga, conhecido batuqueiro, passista e sambista emm geral já desfilou por mais de 10 agremiações em Manaus - obs: Ensaiando, participando ativamente nas escolas.
Tia Lurdinha , 72 anos foi ' a mais tradicional baiana de Manaus. Desfilou na Escola Mista da Praca 14 nos anos 40 e 50 e na Vitoria Regia desde 1976. para quem a visitou, comparecendo em frente da Quadra da Vitoria Regia, onde esta verdadeira "Rainha" e "Cidadã do Samba" vendia seus maravilhosos croquetes de camarão , quitutes, tacacá e outros. Infelizmente faleceu em meados de julho de 2003 e a sua verde e rosa a homenageou, junto a outro baluarte da 14 - o Advogado Nestor Nascimento. Em 2004 a Vitória Régia foi campeã junto à Aparecida.
Dona Zuzu, com seus sessenta e poucos anos é outra maravilhosa baiana da Sem Compromisso. Desfilou na Antiga escola/Rancho de samba A VOZ DA LIBERDADE do bairro do Pico da Águas nos anos 50 e está na Escola dos Tucanos desde 1980.
Em 1982 a Mocidade de Aparecida inovou na feitura dos carros alegóricos em Manaus ao colocar telhas de aluminio num dos seus carros e em vários tripés, dando um efeito diferente do queu era até então visto.
O grande CENTAURO que a Vitória Régia levou ao Sambódromo em 1993, é sem dúvida o carro mais alto do Carnaval Amazonense até então. Naquele ano a Verde e Rosa tinha como enredo: "De bumbum virado prá lua", coincidentemente também no Rio de Janeiro, a Grande Rio tinha o mesmo enredo.
Em 1985 a Sem Compromisso gravou o seu CD (Compact Disk) de vinil junto com o então bloco Reino Unido da Liberdade. O samba da Preto e Amarelo - "Folias de Momo" era de autoria de Rinaldo Buzaglo e Celito e do outro lado, o Bloco do Reino Unido com a composição de Bosco Saraiva.
No primeiro Compact Disc da Sem Compromisso em 1983, um lado possuía o samba do ano e do outro lado, JURUPARI- enredo de 1981 quando ainda era um Bloco de enredo.
Indubitavelmente o samba popularmente conhecido como "Levanta a sandália" de autoria de Bosco Saraiva do então Bloco Reino Unido foi um dos maiores sucessos do Carnaval de 1984 junto com o samba da Barelândia, que falava do "sufoco do brasileiro".
A Vitória Régia teve sua sede inicial no quintal do terreno de Tia Lindoca, aonde ensaiava de 1976 até 1987. Em 1988 teve finalmente a sua Quadra inaugurada na própria Praça 14, ao lado da Igreja de Fátima.
A Unidos do Alvorada foi a primeira Escola de Samba a inovar na comissão de frente em 2004 (dia 22 de fevereiro, madrugada de domingo) no Sambódromo, quando fez com que a Sua Comissão de frente saísse de dentro do Carro Abre-Alas.
Em 2001, no desfile do Grupo 1, apenas um jurado (Mrinho Saúba) julgou o desfile das 4 agremiações: Ipixuna, Primos da Ilha, Presidente Vargas e Ciganos). Auferiu a vitória à Primos da Ilha - Fato inédito no carnaval de Manaus.
Em 2002, por causa disso, a Presidente Vargas, desfilou, mas decidiu não concorrer, sob protesto. 3 jurados foram designados para julgar os 9 itens. mais uma vez a Primos da Ilha ganhou o Carnaval, a Ciganos foi vice-campeã.