quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007



O nome da nossa cidade suscita muitas duvidas com relação a sua grafia no decorrer dos anos, para dirimi-las, leia o artigo abaixo, escrito pelo Robério Braga, atual Secretario de Cultural do Amazonas.


"Quem pesquisa e lê documentos e jornais antigos, encontra o nome Manaus escrito de diversas formas, conforme a época, e, não raro, surgem perguntas a respeito da origem e forma de grafia do nome da capital amazonense. E depois de alguns anos, em data mais recente, passou-se a fazer nova confusão sobre a data em que a capital recebeu este nome.Para responder a uma consulta do consulado do Japão em Manaus, na década de 80, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas reuniu estudos de vários de seus membros titulares, cabendo-me, além de pesquisas próprias desenvolvidas, a redação do texto final do documento informativo. Creio que foi a primeira síntese elucidativa da questão. O que temos é que o vocábulo MANAU era atribuído a uma das muitas tribos que habitaram o rio Negro, compondo uma das mais célebres confederações. Poucos são os recursos para a classificação e divisão dos povos encontrados na Amazônia, na opinião do professor Antônio Braga Teixeira, ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e um apaixonado por esses assuntos. É que toda a base de qualquer estudo lingüístico só pode ser desenvolvida sobre a fonética, sendo conhecida a escrita e com ela as regras rígidas, da grafologia dos vocábulos. Desta forma os etnólogos afirmam que os índios Manau são de origem aruaque, segundo se pode ver em Lima de Figueiredo e Armando Levy Cardoso, citados pelo mestre André Vidal de Araújo que também lembra a aparência da grafia com Manau e Manoa. Os estudos de Pedro Luiz Sympsom, Pe. Lemos Barbosa, Plínio Ayrosa e Frederico G. Edelweiss demonstram, pela fonética araucana ser mais certa, mais concordante com a língua da tribo que originou o nome da capital do Estado do Amazonas, a grafia Manau, com U e não Manao como eles bem demonstram as profundas e diversas razões etmológicas para a alteração da grafia. Sabemos que não existe em qualquer gramática que discipline a ortografia de termos aruaques incorporados à Língua Portuguesa determinação da pronúncia ou da grafia de Manaus com a letra U. Na língua arauaca, como prelecionou André Araújo o O tem dois sons: fechado na forma de avô e aberto na forma de socó. Assim a pronúncia indígena verdadeira da palavra deve ser Manaus e nunca Manaôs ou Manaós. É como etimologicamente deve ser grafada. O professor Arthur Cezar Ferreira Reis, às paginas 77 de sua obra História do Amazonas, lançada em primeira edição em Manaus em 1931, em nota de rodapé mostra que “ Antônio Brandão de Amorim e outros conhecedores do nheengatú preferem graphar Manau, embora ele mesmo, conhecedor dos mais profundas das coisas do Amazonas, naquela mesma obra, grafasse com a letra "O“. O mesmo fato o escritor repetiria em 1935, em outro trabalho de sua lavra. Octaviano Mello a quem devemos consideráveis estudos mais recentes, mostra o contraste de Manaus como uma das formas femininas de Manouh, Manou, Manu, Mani, que são abreviações do nome hebraico – Manouchyaka e duas variações, donde veio a palavra indo-tupi, Houcha, homem ou gênio nascido em Manou, significando conforme evidenciado às páginas 36 de seu livro Topônimos Amazonenses, Deus dos Índios. A palavra Manaus tem sido grafada de diversas formas: Manou, Manau, Manao, Manaó, Manaha, Manave, Macnal, Manouh, Manouâ, Manáos. Fundada em 1669 a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro, a sede da Capitania e a sede da Província, estabelecida à margem esquerda do rio Negro, tinha seu nome escrito com a letra O, portanto era grafada Manaos. Em 1862, na edição da tipografia de Francisco José da Silva Ramos, aparece a grafia Manáus, na capa do folheto de Antonio David Vasconcellos Canavarro, tratando do problema do cólera-morbus, e, na última página do referido estudo, está grafado Manaos. Na obra Notizie Interessanti sulla Província delle Amazzzoni – nel nord Del Brasile, editada em Roma em 1882, está grafado Manaos, repetidas vezes no corpo da breve memória traçada por um missionário franciscano. Em 1908, publicado pela Tipografia J. Renaud & Comp., o escritor Bertino de Miranda lançava seu livro sobre Manaus, trazendo a grafia com a letra U. Vê-se, pois, que embora houvesse uma grafia de uso mais corrente, outras formas também eram utilizadas. Embora desde o dia 19 de março de 1937 os atos oficiais estivessem trazendo a grafia Manaus, como se vê do Decreto nº 117, publicado no Diário Oficial do Estado de nº 12.589, somente a 14 de julho de 1939 em sua edição de nº 13.192 o órgão oficial do Estado faria a correção do termo em seu cabeçalho, passando a grafar, definitivamente Manaus. Fato interessante a ser registrado é que o primeiro ato oficial assinado pelo governador a trazer a grafia Manaus, como hoje é escrita, concedia prêmios a estudantes do curso secundário. Era governador o professor e poeta Álvaro Botelho Maia, na sexta-feira, 19 de março de 1937. A capital amazonense recebeu este nome, pela primeira vez em 1832 em decorrência do art. 27 do Código de Processo Criminal que erigiu o Lugar da Barra do Rio Negro à condição de Vila com a denominação de Manáos, passando a ser sede oficial da nova unidade político-administrativa criada: a Comarca do Alto Amazonas. Em 24 de outubro de 1848 através da lei nº 145, a Vila de Manáos foi elevada á categoria de Cidade com a denominação de Cidade da Barra do Rio Negro. Somente pela Lei nº 68 de 4 de setembro de 1856, cujo projeto foi do deputado provincial João Ignácio Rodrigues do Carmo, a Cidade da Barra do Rio Negro passou a ser denominada Cidade de Manáos, sede e capital da Província do Amazonas. Somente após acordo ortográfico entre Brasil e Portugal, e o uso rotineiro da expressão Manaus, é que a grafia atual foi consolidada".

Robério Braga
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