sábado, 25 de fevereiro de 2017

TIA NAZINHA, DA RUA FREI JOSÉ DOS INOCENTES






Faz uns seis anos fui convidado para participar de um bingo, na Rua Frei José dos Inocentes, no centro antigo de Manaus – tive a grata satisfação de conhecer a Tia Nazinha – fiquei na torcida para ela ganhar um aparelho de televisão, porém, não obteve êxito – na semana seguinte, o empresário da Augusto Máquinas e Equipamentos, convidou-me para fazermos a entrega de uma TV novinha para ela – a sua garra, amor pelo samba e o carnaval, contagia a todas – é a cara da nossa cidade.


Sempre tive a vontade de entrevistá-la e fazer uma postagem no nosso blog, no entanto, não foi possível - aproveito um trabalho feito pelo Paulo André Nunes, do jornal A Critica, para homenageá-la nesse sábado gordo de carnaval.


Nasceu na década de trinta, em Manaus, os seus pais eram barbadianos (Barbados, América Central), foi criada em casa de família, onde passou por maus momentos, trabalhava como fosse uma escrava, tendo até o  seu corpo marcado com ferro quente na altura dos seios.


Casou com Francisco Marques de Carvalho (78 anos), com quem teve 18 filhos (8 vivos), 50  netos e 58 bisnetos, foi cozinheira e lavadeira, batalhou muito para cria-los – antiga moradora do centro antigo, sendo a mais festejada e querida da Rua Frei José dos Inocentes.


A Tia Nazinha, como é carinhosamente chamada, foi a primeira baiana da Escola de Samba Aparecida, por onde desfilou nos seus 36 anos da agremiação – não perde um ano mesmo estando doente do joelho devido a uma queda de um ônibus, em 2014.


Ano passado, assim declarou ao jornal: 


“Sou Aparecida e amo meu bairro e minha escola de samba até a morte. No dia do desfile eu fico boa e me apresento como em todos os anos. Nem que seja em cadeira de rodas ou aonde for. E depois vou pro hospital, se precisar”.


Aos quinze anos de idade já brincava nos blocos de sujo, na Avenida Eduardo Ribeiro “Fazíamos instrumentos como o tambor e o tan-tan. Queimávamos jornais para esquentar os tambores e o xeque-xeque, e as pessoas saíam cantando. Era Carnaval. Quantas saudades desse tempo. Manaus e Manaus, né, maninho? Uma história abençoada por Deus”.


Participou, também, das Escolas de Samba Unidos da Selva e Em cima da Hora (extintas).


É madrinha do Bloco do Frei (fundado em 2011   está em exposição no Museu Amazônico), no qual é homenageada todo ano com uma boneca gigante, feito pelo artista e ator Nonato Tavares.

Declarações: 

“Não é mais aquele Carnaval. Hoje só se vê político que joga dinheiro fora, coloca as fantasias luxuosas, etc. Pobre desce no chão com as fantasias compradas com o seu salário mínimo”. 

“O Carnaval do passado era lindo e maravilhoso, mas era também uma guerra entre as escolas de samba Aparecida e Vitória Régia, que não se uniam. As pessoas brigavam e tinham amor e garra pela escola. E não se falava em dinheiro”.   

“Sem as baianas as agremiações não são nada. Tem que dar água para elas na hora do desfile”, conta, “rodando a baiana” nas críticas.


Completando: “Vem de Nossa Senhora Aparecida, Virgem Mãe, da qual tenho muita fé. Todos os dias às 3h eu rezo, e tiro um terço ao deitar também. Rezo por todos, da imprensa, autoridades, pelo meu presidente da escola. Que Deus nos proteja. Desejo um bom Carnaval a todos e que Jesus nos abençoe”.


É isso ai, Tia Nazinha, que Deus a proteja – saúde e bom carnaval!

Fonte:




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