terça-feira, 12 de novembro de 2013

FILETO PIRES FERREIRA

Com a morte do ator Jorge Dória, muitos historiados amazonenses escreveram em seus blogs que ele era neto do Fileto Pires Ferreira, ex-governador do Estado do Amazonas, um homem que ficou para a história por ter levado a frente os trabalhos iniciados pelo seu antecessor, o Eduardo Ribeiro, e inaugurado, em 1896, o nosso majestoso Teatro Amazonas.

Segundo o escritor Rogel Samuel “Jorge Dória viveu na própria casa de seu avô, no Maracanã, onde seu pai vivia. Eu procurei esta casa, mas ela já não existia. Segundo Edgardo Pires Ferreira, Jorge Dória tinha informações preciosas sobre o avô. Mas o passado morreu com ele”.

Para conhecer um pouco sobre esse ilustre militar e cidadão, fui buscar ajuda dos escritos do Raul de Azevedo (auxiliar e Secretário de Obras do governador) e Agnello Bittencourt (geógrafo, administrador público e escritor).

Nasceu no dia 16 de Março de 1866, no município de União, no Estado do Piauí, era filho de um Capitão do exército, o que o motivou a seguir a carreira militar, chegando ao posto máximo de General.

Em viagem ao Estado do Pará, para cumprir serviço ativo, recebeu ordem do Presidente Floriano Peixoto de seguir para Manaus, onde aportou em dezembro de 1891.

Em 27 de Fevereiro de 1892, foi deposto do governo do Estado o então Coronel Thaumaturgo de Azevedo e, em seu lugar, foi chamado o Eduardo Ribeiro, assumindo o governo em 11 de Março, esse chamou o Fileto Pires para Secretário do Estado.

Tomou gosto pela política, sendo eleito Deputado Estadual, em 1892 e, no ano seguinte, Deputado Federal, indo para o Rio de Janeiro, a capital federal, onde casou com a Dona Lucreia Gomes de Souza, pertencente a uma das famílias mais distintas do Rio e filha do General Francisco Gomes de Souza.

O Eduardo Ribeiro estava chegando ao final do seu governo, tinha como predileção o Fileto Pires para substituí-lo – houve uma manobra política no Congresso Legislativo do Amazonas (atual Assembleia Legislativa) e, em 25 de Março de 1896, foi empossado como governador.

Encontrou o governo com dívidas, procurando de imediato equilibrar a finanças públicas – foi um grande administrador, publicava todos os seus atos, respeitava a liberdade de imprensa e, terminou todas as obras que estavam inacabadas, uma delas foi o nosso Teatro Amazonas, onde consta em seu frontispício a data de 1896.

Ficou doente, necessitando fazer uma melindrosa cirurgia – pediu licença ao Congresso do Amazonas, onde foi promulgada uma lei em 25 de março de 1898, permitindo a sua viagem para a Europa.

Foi para Paris com toda a sua família, deixando no governo o seu vice, o Coronel José Ramalho Cardoso Júnior (o seu nome consta numa placa de mármore do antigo Tribunal de Justiça).

Em agosto de 1898, ainda estando na Europa, os seus amigos e protegidos, armaram contra ele, tornando seus adversários políticos - falsificaram a sua assinatura e, apresentaram ao Congresso do Amazonas a sua forjada renúncia.  

Não obteve sucesso na tentativa de provar que não tinha assinado aquele documento – resolveu seguir a sua carreira militar, chegando ao posto de Marechal.

Faleceu no dia 11 de Agosto de 1917, em sua residência no Rio de Janeiro, vitima de ataque de uremia (intoxicação do sangue pela má depuração dos rins), foi enterrado no Cemitério de S. Francisco Xavier.


Com a sua morte, os três poderes do Estado do Amazonas fizeram diversas homenagens a ele, além do povo em geral. É isso ai. 
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