quarta-feira, 19 de setembro de 2012

II CAMINHADA SOBRE A PONTE RIO NEGRO



Abro o jornal “A Crítica” de domingo e, vejo uma bela reportagem sobre um avô-atleta, mostrando um senhor de 62 anos de idade correndo na Ponte Rio Negro, tendo em vista a “1ª. Corrida Rústica Pôr do Sol”, um evento que acontecerá no dia 22 de Setembro – foi motivo de sobra para tentar fazer o mesmo – não leve a sério, pois não pratico corridas, apenas faço caminhadas esporádicas e, resolvi caminhar, pela segunda vez, os seis quilômetros e meio, de ida e volta dessa majestosa ponte que liga Manaus a Iranduba.

Como sempre, encarei o desafio sem os óculos escuros, boné, protetor solar e tênis – estava apenas com short, camiseta, toalha de rosto, água mineral e a sandália confortável Crocs - atravessei com a cara e a coragem, aliás, coragem e espirito de aventura são coisas que não faltam para o “véio” aqui!

Resolvi pegar o buzão na Avenida Getúlio Vargas, no ponto do Colégio Santa Dorotéia – um detalhe: as nossas paradas de ônibus estão abandonadas, não possuem informações sobre linhas e trajetos, estão sujas e quebradas, com lixo por todos os lados e lotadas de camelôs em suas barracas fixas – Meu Deus, o Prefeito abandonou a cidade, socorro!

Ainda estava na parada, quando chegaram três turistas, um somente era brasileiro e, pediram informações de um camelô sobre como chegar até a Praia da Lua, o ambulante estava orientando para eles irem até o Rodoway, pegar um barco e pedir para os levarem até um flutuante chamado “Cai N’água”, não tinha nada a ver.

Foi muito para os meus ouvidos, quando intervi e, orientei corretamente, disse para pegarem o ônibus 120, o preço da passagem  era R$ 2,75; parar no ponto final da Praia da Ponta Negra, andar uns dez minutos por uma estrada que fica ao lado do Tropical Hotel, seguir até a Marina do Davi e, pegar um barco lotação, com o preço de R$ 5,00 por pessoa – senti o quanto o nosso povo está despreparado para receber os turistas, imagem como será na Copa do Mundo de 2014! 

Peguei o meu ônibus, ele rodou praticamente todo o bairro da Compensa, demorou bastante até chegar ao ponto final, um local que fica próximo à cabeceira da ponte, onde se concentram além dos coletivos de Manaus, os que fazem linhas para Iranduba (Mutirão, Paricatuba e outros), táxis-lotação e moto-táxis.

A manhã estava ótima, um clima ameno, com nuvens não permitindo a passagem total dos raios solares – notei logo na entrada da ponte um grupo de jovens roqueiros, acho que estavam amanhecidos, o negócio deles era beber, tirar fotos e curtir a paisagem – segui o caminho, não vi uma viva alma até o meio da ponte, muito diferente da minha caminhada de outubro do ano passando, onde uma multidão de curiosos de aglomeravam para ver a novidade, acho que o encanto acabou.

Mano velho, você pode passar mil vezes de carro ou de ônibus por lá, mas, nada se compara do que andar a pé, olhando para aquela imensidão do Rio Negro e a exuberância das nossas matas do outro lado do rio – a ponte está linda, bem conservada, não vi nem um pau de picolé jogado no chão – pode ser que o povo está começando a ficar mais educado ambientalmente ou estão jogando tudo dentro do rio, não acredito na segunda hipótese, mas, tudo é possível.

Pela primeira vez vi as defensas (pequenas balsas que protegem os pilares da ponte contra danos e avarias) e as parafernálias que compõem a luz cênica – de repente, aparecem por debaixo da ponte dois barcos, um era um tremendo iate, cheio de bacanas curtindo do bom e do melhor, com destino a alguma praia deserta – o outro, era um barco regional “até o tucupi” de gente, rolando muito forró, com muito neguinho dançando e entornando todas.

Pela direção do barco dos pobres, com certeza, estava indo para a "Praia de Paricatuba", um local maravilhoso que conheço muito bem – em quase todo o meu percurso fiquei lembrando dos meus amigos de “Paricá” (Paulo Mamulengo, Dona Rô e os comunitários) – estou devendo uma visita, já fui convidado várias vezes, mas, com o verão amazônico em que estamos passando, qualquer um dia desses boiarei por lá.

Quando cheguei do outro lado do rio, desci por um lugar íngreme e, dirigi-me até um flutuante conhecido como “Aquatiku’s II” – um lugar muito convidativo, com muitas mesas, seguranças, barraca com peixes assados e churrasquinhos de gato, além de potentes caixas acústicas, onde somente tocam forró pé de serra e muito brega, com o som no máximo.

Almocei um churrasco de gato, digo, de franco no espeto, com farofa, vinagrete e refrigerante, de bom tamanho para um caboco surubim – a negada estava chegando de montão, com muita gente bebendo e dançando – quando o pessoal do conjunto musical começou a afinar os seus instrumentos, achei que estava chegando a hora de “pegar o beco”, pois a partir daquele momento os meus tímpanos iriam estourar de uma vez por todas!

Parei numa pedreira e, comecei a tomar banho de cuia e apreciar o rio - coisas de amazonense!  Passei uns trinta minutos me refrescando, pois o sol estava de derreter o chifre, depois, encarei a volta e, apesar da minha roupa está toda molhada, secou rapidinho, peguei um bronzeado daqueles, aliás, fiquei mais preto do que sou.

O cenário da volta muda completamente, apesar de ficar centrado o olhar no Rio Negro, aparece ao fundo a cidade de Manaus, onde num pequeno giro da cabeça é possível ver desde o “Rodoway” (Porto de Manaus)  até a “Praia da Ponta Negra”.

Existe um grande contraste, com a margem esquerda do Rio Negro (Manaus) praticamente “pelada”, com poucas árvores e, na outra margem (Iranduba), com a mata amazônica intacta, dando para ver o verde até onde a vista alcança – infelizmente, com a contrução da Ponte, o outro lado será paulatinamente agredido, com a derrubadas das árvores, para darem lugar aos condôminos de luxo.

Pela parte da noite, dei um rolé pelo Largo de São Sebastião e, parei num “Cyber Café” da Getúlio Vargas, encontrei o meu amigo Ribamar Mitoso, professor da UFAM e editor do blog Literaturapanamazônica – falei sobre a minha caminhada, ele ficou interessadíssimo, marcamos para fazer novamente o mesmo trajeto num domingo desses - será a III caminhada sobre a Ponte Rio Negro. Eu, hein!
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