sábado, 21 de julho de 2012

FERNANDO DEMASI, O NOSSO “PIMENTA”



O “Pimenta” nasceu em Manaus, em 1956, na Santa Casa de Misericórdia, morou durante muito anos na Rua José Clemente, 216, na residência e loja de confecções do seu pai-avô, o Domingos Demasi, um alfaiate italiano que fez historia na nossa cidade – é uma pessoa a quem tive o privilegio de conhecê-lo na minha adolescência e, ainda de desfrutar da sua amizade até os dias de hoje, na verdade, nunca tinha tido um contato maior com ele, não conhecia muito bem sobre a sua vida e sobre suas atividades profissionais, porém, tudo mudou, quando recebi um convite para visitar o seu empreendimento, denominado “Pousada das Pedras”, no município amazonense de Presidente Figueiredo – foram dois dias de contato direto, o que me motivou a escrever esta postagem sobre ele e sua família.

Pegou este apelido por ser uma pessoa muito irrequieta e levada e, por ter o sangue italiano correndo em suas veias, o “Pimenta” não foge a regra dos seus ancestrais: fala alto, possui uma personalidade que tende a impulsividade, gosta de velocidade e tem uma certa resistência em obedecer regras -  foi um cara famoso no centro de Manaus, pois tinha paixão em dirigir, em altas velocidades, motocicletas importadas de grandes cilindradas, além de ser um “catador de ferro”, um hobby voltado para adquirir pequenos objetos que fizeram parte da nossa história.

Segundo o seu amigo Eduardo Braga Reis (o Duda) “O apelido já diz tudo, mas é um ser humano bom e amigo dos amigos - na sua infância e adolescência, deixava todo mundo muito louco com tanta danação: pegava carreira dos padres (Frei Benigno, Felipe e outros mais), colocava apelidos nos freis “Felipe Barba de Fogo" (o padre tinha uma barba avermelhada) e “Nero” (para o Frei Benigno). Certa ocasião, o padre celebrava uma missa e o Pano que cobre o Sacrário pegou fogo, não deu outra, ele já gritou de lá: - Foi a Barba de Fogo do Felipão! O Frei Silvio, certa vez, confundiu a família Pimenta (moradores da Rua Monsenhor Coutinho) com a família do Fernando Demasi, a Dona Maria Pimenta veio a falecer e, o frei foi dar os pêsames na casa do nosso personagem, o cara estava sumido a um bom tempo,  quando a mãe dele viu o Padre, desmaiou, achando que tinha acontecido alguma tragédia com o "Pimenta". Ele conta que foi expulso do quartel, parece que foi pego vestido com a farda do General ou algo assim. O Frei Fulgêncio Monacelli,  pároco da Igreja de São Sebastião,  também já teve e,  ainda tem, muitas lembranças do camarada. Algumas peraltices: entrava no Teatro Amazonas pelo cabo do "Para-raios". Amarrava linha de nylon no badalo do sino da Igreja (somente puxava em altas horas), imagine a confusão que ele provocava: aparecia padre olhando pelas janelas, vizinhas achando que era assombração ou a alma de padre que já tinha morrido etc. (ele e a turma da bagunça ficavam  escondidos dentro da bacia da Praça).  

Ele é até hoje um fã incondicional do seu saudoso avô, o Domingos Demasi - nutrindo uma paixão que supera até ao do seu genitor, o Marigídio Demasi. Para demonstrar esse enorme carinho, ele guarda com grande orgulho, o livro “Manaus: Ruas, Calçadas e Varandas”, do grande mestre Moacir de Andrade – pois nesta obra, aparecem várias fotografias da família Demasi, além de um relato sobre os antigos alfaiates de Manaus, com ênfase ao trabalho exercido pelo seu saudoso avô.

Segundo o citado livro, o Domingo Demasi, era um italiano da gema, vindo para Manaus ainda muito pequeno, carregando muitos sonhos, não sendo difícil conseguir emprego, pois era uma pessoa forte, trabalhador e sadio – trabalhou, como aprendiz, na “Alfaiataria 100.000 Paletots”, na Rua Municipal (atual Avenida Sete de Setembro) esquina com a Rua Lobo D’Almada. Pela sua desenvoltura, trabalho honesto e nunca ter chegada atrasado ou faltado ao trabalho, ganhou a confiança do seu chefe, tornando-se um alfaiate exemplar , resolvendo, tempo depois, a abrir o seu próprio negócio.

Com o advento da Primeira Guerra Mundial, em 1914 – por ser um italiano fiel à sua pátria, apresentou-se ao governo do seu país, participando da sangrenta guerra e, com o término, em 1918, retornou ao Brasil, fixando novamente residência em Manaus, abrindo uma loja de venda de uniformes militares, além de executar todos os trabalhos de alfaiataria.


O gosto do “Pimenta” por coisas antigas, foi matéria de página inteira no Jornal A Critica, edição de 13 de Abril de 2011 – “Nós também temos o nosso ‘caçador de relíquias’ – Arte de catar histórias jogadas fora – Reciclagem: microempresário Fernando Demasi tem o hobby de recolher material considerado lixo. Ele traz consigo parte da história. Hoje, seu acervo conta com peças que nos remontam à Manaus antiga”.

O nosso querido “Pimenta”, colaborou muito com a sua família, trabalhando na loja do seu avô por mais de quinze anos, um empreendimento que ainda hoje é tocado pelos seus parentes – a “Confecções Demazi”, fica localizado a Rua José Clemente, 216 – ele aparece por lá praticamente toda semana, para rever os familiares e amigos, além de tratar dos seus negócios na capital.

Ele é uma pessoa empreendedora, não levou a frente o ramo de roupas militares e confecções, um negócio tradicional dos Demazi – investiu na hotelaria e turismo – são vinte e dois anos trabalhando na sua “Pousada das Pedras”.Tudo o que ele “catou” durante longos anos, está exposto no seu estabelecimento, por sinal, um lugar dos mais aconchegantes e bonitos da cidade das cachoeiras.


Para chegar até lá, o turista deve sair de Manaus, ir até a Rodoviária, pegar um ônibus (várias saídas por dia, ao preço de R$ 40,00 ida e volta, com uma hora de viagem), são 107 Km pela BR-174 e, ao chegar ao município, deve se dirigir até a Avenida Acariquara (esquina com a Rua Piquiá), numero 45, bairro Morada do Sol – telefone 92 3324-1296.




Segundo a Wikipédia “Presidente Figueiredo despontou para o turismo ecológico em razão de sua fartura de águas, selva, recursos naturais, cavernas e cachoeiras. O Ministério do Turismo catalogou mais de cem quedas d'água no município, muitas delas exploradas economicamente através do ecoturismo. É existente na área urbana e rural uma razoável infraestrutura turística em expansão. O município é mais conhecido pela usina hidroelétrica instalada ali, a usina de Balbina, no distrito homônimo, cujas obras e manutenção são responsáveis pela maior catástrofe ambiental da história do Brasil”.

Vale a pena conhecer a “Pousada das Pedras”, além de ter privilégio de conhecer um pouco da história da Manaus antiga e, da amizade e carinho do Fernando Demasi, o nosso “Pimenta”. Esse italiano tem história! É isso ai.
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