terça-feira, 10 de julho de 2012

AMAZONENSES & PARAENSES


E éramos todos paraenses, não adianta aquela velha briguinha entre os amazonenses e paraenses – estava todo mundo dentro do mesmo saco! É isso mesmo, meu irmão! Quando a Coroa portuguesa resolveu dividir o Brasil em Capitanias (divisão administrativa que originou as províncias e os Estados de hoje), formando em 1737 a Capitania do Grão-Pará, com capital em Belém do Pará – era formado pelo Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão e Piauí.

Ficamos 18 anos sob o domínio dos paraenses, pois somente em três de março de 1755 é que o Amazonas e o atual Estado de Roraima foram desmembrados, com a formação da Capitania de São José do Rio Negro, com a capital na Vila de Mariuá (atual Barcelos).

Com a Independência do Brasil, ocorrido em 7 de Setembro de 1822, as Capitanias viraram Províncias, e, em 15 de Agosto de 1823 voltamos novamente à submissão dos paraenses, com a formação da Província do Grão-Pará, com a capital em Belém. 


Na semana da pátria e do Amazonas, comemora-se no dia 05 de Setembro, a elevação do Amazonas à categoria  de Província (1850), ou seja, a data da nossa autonomia política.

Este processo histórico de submissão levou os nativos dos dois Estados a certa discórdia, um fica zombando do outro e, não bebem Tacacá na mesma cuia - tornou-se uma coisa cultural, igual aos brasileiros em relação aos portugueses, cariocas e paulistas, brasileiros e argentinos etc.

Quando alguém nascido em outras plagas, principalmente os nossos vizinhos paraenses, desejosos em ridicularizar algumas ações ou tomada de posição dos amazonenses, falam dessa forma: 


- É por isso que o Amazonas não passa de uma província! Utilizam este termo de uma forma pejorativa, com conotação de atrasado ou superado. 


Ainda existem outros tantos que quando querem sacanear a cidade de Manaus, falam assim:


- Esta cidade não passa mesmo de um Porto de Lenha! No sentido de cidade pequena e atrasada, mas, por incrível que pareça a canção mais adorada pelos manauenses é aquela composição do Torrinho e do Aldísio, chamada “Porto de Lenha - Tu nunca serás Liverpool, com a cara sardenta e olhos azuis...”


Alguns dizem: - Ao chover o amazonense não sai de casa nem com nojo, êta povo preguiçoso! Ou do tipo: - Amazonense só come Jaraqui com Farinha! E por aí vai!

Por outro lado, os amazonenses adoram fazer piadinhas com relação aos paraenses.


Dizem que o curimim paraense quando quer comer, abre o choro e manda ver:


- Maaaenhê eu quelo cici com queié!  - se referindo ao Açai com Jacaré, a broca preferida dos paraenses. 


Outras fazem piadinhas de mau gosto, sempre enfatizando que o paraense é chegado a um objeto alheio. Um carioca gozador sabendo dessa “onda” entre os dois vizinhos - fez a seguinte piada: - Um paraense foi morar em Manaus, passou mal e precisou fazer uma transfusão de sangue (de amazonense, é claro!), depois de restabelecido, o paraense detonou: “Estou com uma vontade de roubar, mas me dá uma preguiça da porra! Não sei o que está acontecendo comigo!


Outros falam assim: - Eu não sou racista, só não gosto de paraense (macho), mas uma paraense (fêmea) tô dentro! E por aí vai!

Esta divergência por ser cultural, não vai acabar nunca, no entanto, deveremos “aparar as arestas” e entender que a cultura do povo Baré e Tupinambá, representando pelos amazonenses e paraenses, possuem uma afinidade muito grande. As cidades de Manaus e Belém são muitas parecidas, assim como, o folclore, as tradições, a música e a gastronomia. 


Senão vejamos:

Manaus, Belém, Mercado Adolpho Lisboa, Mercado Ver-o-Peso, Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição, Basílica de Nazaré, Porto Rodoway, Porto de Belém, Teatro Amazonas, Teatro da Paz, INPA, Museu Emilio Goeldi, Jaraqui, Jacaré, Tacacá, Maniçoba, Pato no Tucupi, Caldeirada de Tambaqui, Sopa de Piranha, Toada de Boi, Carimbó, Quermesse de São Sebastião, Círio de Nazaré, Boto Tucuxi, Mapinguari, Festival de Parintins, Çairé, Essência de Pau Rosa, Patixuli, Mano!, Pai d´egua! Cerveja XPTO, Cerveja Cerpa, Praias de Maués, Praias de Alter do Chão, David Assayag, Célio Cruz, Nilson Chaves, Pinduca, Tucumã, Açaí, Artesanato Indígena, Artesanato Marajoara, Arena da Amazônia, Mangueirão, Nacional, Paissandu, Aeroporto Eduardo Gomes, Aeroporto Val de Cans, por aí vai...

Aviso aos navegantes: amazonenses e paraenses - fazemos parte da mesma aldeia, a cultura é a mesma, somos irmãos, guerreiros e defensores da Amazônia e do seu povo. 


Foto Colagem: J. Martins Rocha