quarta-feira, 18 de abril de 2012

ANIVERSARIANTE DO DIA: ROBERTO PARAENSE


Faz hoje 46 primaveras. Nascido em Santarém, no nosso vizinho Estado do Pará, veio para o Manaus aos 17 anos de idade. Comeu Jaraqui e, nunca mais saiu daqui! Volta todo ano a sua terrinha, somente em férias, para visitar parentes e amigos e, para matar a saudade do Aviu( um micro camarão da águas rasas do Rio Tapajós) e, das lindas praias de Alter do Chão, com água doce que mais parecem com o mar.

Estudou no nosso glorioso Colégio Estadual do Amazonas, na época em que se fazia o exame de admissão para entrar.

Passou poucas e boas na sua vida, perdeu o seu genitor quando tinha apenas quatro anos de idade, foi criado pelos avós, na cidade de Belém, tempo depois, voltou a morar com a mãe, irmãos, padrasto e um filho deste, teve desentendimentos com o último, o que culminou com a separação da mãe com  seu padrasto.

Teve uma vocação para a área de vendas, trabalhando, atualmente, na empresa DIFAL, especializada no ramo de máquinas e equipamentos.

Companheiro inseparável da nossa amiga Graka Silva, fazendo um belo e romântico casal.

Mora no famoso Bairro do Ceú (parte antiga de Manaus), juntamente com a sua maezinha, irmã e sobrinha.

Freguês assíduo do Bar Caldeira, no centro antigo de Manaus, onde coordena toda a parafernália de equipamentos do “Conjunto Amigos do Som”, com apresentações das seis da manhã as seis da noite de todos os domingos.

O rega-bofe (festa com muita fartura de comidas e bebidas) será no Caldeira logo mais a noite. Parabéns Roberto! Saúde e vida longa!


FALECIMENTO DO CÉLIO ANTUNES

MATÉRIA PUBLICADA NO BLOG DO MEU AMIGO ALDEMIR BISPO:
http://dembsp.blogspot.com.br/2009/07/celio-antunes.html


A vida nos traz momentos inesperados, muitas vezes agradabilíssimos! Foi o que aconteceu comigo ao reencontrar, depois de vários anos, um dos melhores profissionais do jornalismo local, de todos os tempos.

Célio Antunes Freitas, atuou como âncora do telejornal da extinta e pioneira TV Ajuricaba, desde que chegou a Manaus, no ano de 1970, até 1986, quando foi vendida para o grupo Simões, dando origem a RBN - Rede Brasil Norte; continuou até 1993, coordenando a parte jornalística da nova emissora, período no qual conviveu com mais uma transação empresarial, pois a Assembléia de Deus, assumiu o controle acionário do canal 8, mantendo a sigla, com a denominação de Rede Boas Novas; pouco tempo depois, foi ser diretor na TV Cultura, onde se aposentou.


Nascido em 25 de Fevereiro de 1948, no município de São Tomás de Aquino, próximo a Guaxupé no estado de Minas Gerais, foi locutor de rádio em Belo Horizonte, de onde saiu, para ficar durante três anos no mesmo segmento da mídia em Boa Vista, capital na época, do Território Federal de Roraima; de lá virou um "manauara" assumido.

Célio chegou em Manaus, naquele ano vitorioso em que os brasileiros comemoravam o tricampeonato mundial de futebol, conquistado no México em 70. 
Aqui constituiu família, realizou um admirável trabalho e fincou raízes profundas, na cidade que o acolheu. Houve uma época em que o seu semblante era um dos mais conhecidos de toda a capital. Seguro na apresentação do telejornal da Ajuricaba, formatou um padrão jamais alcançado.

Num período em que não existia teleprompter, ele chegava a decorar laudas inteiras, para seguir na apresentação ao vivo. Pura competência! Sua figura tranquila, generosa, dígna e amável, traduzem bem o estilo mineiro de origem.


Mantendo o caráter de bom camarada, Célio saiu do carro para bater um "plá" suave e como sempre, inteligente. Ainda lembrei do clube de coração, Antunes é Botafogo, clube que deve ter celebrado muito, no auge das grandes conquistas, com aqueles craques de nível acentuado.

Está aqui a satisfação de ter reencontrado o memorável e pioneiro ícone do telejornalismo Amazonense. Meus cumprimentos e humildes desculpas, ao tentar prestar uma simples homenagem a quem merece muito mais. Grato pelos belos anos de convivência, que desfrutei inclusive, pertencendo ao seu departamento e direção no final da primeira RBN.



Boa Sorte Antunes! Perdão pelos erros prováveis. O texto veio do coração.

Informações adicionais:
pt.wikipedia.org

Foto: Bispo


terça-feira, 17 de abril de 2012

A BICA DO ALÉM


Na “Celebração da Esperança – 7º dia” do nosso Armando Dias Soares, na Igreja de São Sebastião, nos agradecimentos finais, o Sr. Deocleciano Bentes de Souza, diretor da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA), contrariando a vontade do eterno patrono da agremiação, anunciou o fim da mais famosa banda de carnaval de Manaus, sendo assim, que tal imaginarmos a formação da nossa BICA DO ALÉM.

A BICA DO ALÉM não se refere ao além-mar (Portugal), país  de origem do nosso saudoso Armando, mas do que vem depois da morte, ou seja, do além-mundo, onde está reunida uma galera que já passou para o andar de cima.

Com a recém chegada do Armando, houve uma reunião dos ex-biqueiros e, resolveram fundar a BICA DO ALÉM, estavam presentes para a assinatura da Ata: Armando Dias Soares, Celito Chaves, Anibal Beça, Nestor Nascimento, Leomar Salinac, Walter Salgado, Celeste Pereira, Áureo Nonato, Euler Silva “Cocota”, Aldemar Bonates (Porta-Bandeira), Zé da Capri, Pepeta Close (Princesa), Sabazinho Raposo, Antístenes Pinto, Padre Nonato, Carlinhos Genesino, Jorge Mota, Hiram Caminha, José Fernandes, Elaine Ramos, Alberto Simonetti Filho, Anísio Mello, Theodoro Botinelly.

O Leomar Salinac ficou responsável em dar boas vindas ao Armando: - Você é luz, é raio, estrela e luar, manhã de sol, meu Iaiá, meu ioiô...

Os advogados Nestor Nascimento e Alberto Simonetti Filho redigiram os termos do Livro de Ouro, com a caligrafia impecável do Celito Chaves: “Foi fundada no dia 16.04.2012 (data da morte da BICA dos biqueiros vivos de Manaus) a BICA DO ALÉM, com fins meramente recreativos, situado no infinito céu azul, sem número - não haverá nas convocações, em hipótese alguma, a utilização de bebidas alcoólicas, carne de porco ou queijo bola, bandas de metal, homens fantasiados e mulheres seminuas, muito menos, confetes e serpentinas, pois tudo isto é coisa do passado, ficou para trás - quem se comportar ou utilizar dessas artimanhas, irá direto para a companhia do Demo, onde o carnaval corre solto, mas, terá de comer uma lata de excrementos todo o santo dia...

A ala dos compositores, formada pelo Celito Chaves, José Fernandes, Walter Salgado e Anibal Beça, começaram a fazer os enredos das marchinhas: Na terra Sefaz, no inferno se paga / Vai, vai, vai, Satanás, vai animar o carnaval da BICA lá em Cascáis/ Celestiou em teu olhar, com Graça e louvação, salve São Sebastião / Na casa do senhor, não existe Satanás, Xô Satanás, Xô Satanás!

Brincadeiras a parte, com todo o respeito aos biqueiros que se foram, principalmente ao nosso saudoso Armando, acredito que a Bica não morrerá, mesmo a do além. Eu, Hein! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ANTIGA FACULDADE DE DIREITO DO AMAZONAS



www.ufam.gov.br - Edifício de arquitetura eclética e apurada decoração nas fachadas, foi construído entre 1904 e 1907 e tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado em 1988. Nesse prédio funcionou o grupo Escolar Silvério Nery, a sede da reitoria da Universidade Federal do Amazonas entre 1962 e 1965 e Faculdade de Direito até 2005. Atualmente o prédio abriga o Núcleo de Práticas Jurídicas da UFAM, que ministra as aulas práticas dos formandos em Direito e presta atendimento jurídico gratuito à população. Endereço: Rua Coronel Sérgio Pessoa, 147 - Praça dos Remédios- Centro.

A história da Universidade Federal do Amazonas inicia em 17 de janeiro de 1909, quando um grupo de homens, idealistas e ousados, irmanados de um forte espírito de construção coletiva, fundou a primeira universidade brasileira, a Escola Universitária Livre de Manáos, mais tarde denominada Universidade de Manáos, no coração da Amazônia, enfrentando todas as hostilidades que o amazônida aprendeu a vencer.

Essa grande empreitada, que para muitos parecia temerária e inexequível, exigindo grandes sacrifícios de seus fundadores, revelou-se uma iniciativa de sucesso e um exemplo de busca de melhor qualidade de vida para o nosso povo pela socialização do conhecimento.

A nova universidade, concebida por Eulálio Chaves, já nasceu alicerçada no espírito democrático que hoje permeia a comunidade universitária, com respeito à pluralidade de idéias, elegendo diretamente Astrolábio Passos como seu primeiro diretor geral.

domingo, 15 de abril de 2012

BLOGDOROCHA: AFONSO TOSCANO

BLOGDOROCHA: AFONSO TOSCANO: O Toscano é um amazonense conhecidíssimo no meio cultural de Manaus, fez durante anos as letras das marchinhas da Banda Independente da C...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

CRIATIVIDADE DO CABOCLO DA AMAZÔNIA


Criatividade do caboclo da Amazônia - Casa Flutuante na entrada do Careiro da Várzea (AM), existe um belo jardim e um pomar improvisados - na fotografia aparece uma bananeira, plantada dentro de um barril de plástico, se vai dar fruto eu não sei, mas, ficou muito legal.

Foto: J Martins Rocha

BLOGDOROCHA: MANACÁ PURU, A FLOR MATIZADA DO SOLIMÕES.

BLOGDOROCHA: MANACÁ PURU, A FLOR MATIZADA DO SOLIMÕES.: Manacapuru é uma cidade do interior do Amazonas, teve o seu nome originado de uma belíssima flor - Manacá = flor e puru = matizada – chego...

RIO AMAZONAS, TEU CENÁRIO É UMA BELEZA, QUE A NATUREZA CHEGA ATÉ SE ADMIRAR....



Foto: Rio Amazonas, em frente a cidade de Parintins (AM) - J. Martins Rocha

quinta-feira, 12 de abril de 2012

VINICIUS DE MORAES E O BAR CALDEIRA DE MANAUS



VINICIUS DE MORAES – carioca da Gávea, diplomata, dramaturgo, poeta, compositor, boêmio inveterado, fumante, conquistador voraz e apreciador de uísque, o nosso eterno “poetinha”, aos 61 anos de idade fez uma visita a cidade de Manaus, pouco menos de seis anos antes do seu falecimento - resolveu bater o ponto no “Bar do Caldeira”, centro antigo de Manaus.

A fotografia antiga é de 13 de Setembro de 1974, aparecendo o poeta sendo paparicado pelo então vereador Fábio Lucena (de gravata), professor Valdir Garcia (de gravata), radialista José Maria Pinto (blusa estampada) e por outros boêmios.

Ele gostou tanto do boteco que deixou para a posterioridade um bilhete “Declaro, proclamo e assino que nesta sexta-feira, 13 de mês de Setembro de 1974 estive no “Caldeira”, na boa e carinhosa companhia dos maiores boêmios de Manaus. E adorei. Vinicius de Moraes, 13.9.74”.

BAR DO CALDEIRA AOS DOMINGOS - Para quem não sabe, de segunda-feira a sábado o bar é administrado pelo Adriano Cruz, um descendente de português, nascido no Careiro da Várzea, interior do Amazonas, ele toca o estabelecimento com a mão de ferro, não permitindo ninguém tocar qualquer instrumento, muito menos, cantar qualquer canção, porém, no domingo a coisa toda muda de feição, o comando do bar fica sob a batuta da Dona Maria, uma portuguesa- cabocla, católica fervorosa e, que adora ver o seu bar cheio de músicos, cantores e beberrões.

O Adriano Cruz por ser um pouco turrão com a maioria dos clientes, no domingo, ele é barrado no baile; chega por lá por volta das 15 horas, na qualidade de consumidor, não é permitido dá “pitaco” e nem se intrometer no bar; sempre vem acompanhado da sua esposa, trazendo sempre um tira-gosto para os amigos – neste dia, ele é outra pessoa, toma todas, dar gargalhadas, conta piadas e fica gozando das caras de uns e de outros.

O único dia em que a Dona Maria não vai à missa é exatamente no dies dominicu “domingo, o dia do Senhor”, o dia do descanso para os católicos - ela esquece a igreja e a sua religião, acorda cedo e se desloca para o seu bar, abrindo ao público exatamente às oito da manhã e, fechando somente doze horas depois.

Conta com o apoio de outro irmão, o Arnaldo, um cara calmo e tranquilo, sendo escalado para pegar no pesado, fazer a segurança, além de atender ao pessoal que fica na parte externa do bar.

Existe um pessoal que frequenta somente pela parte da manhã, eles gostam de tocar violão acústico e cantar as melhores músicas da nossa MPB, além de consumirem bastante “loura gelada” – este seleto grupo é formado pelo Paulo Farmacêutico, Ornan, Cláudio Amazonas, Kátia Maria, Neto do Pandeiro, Rinaldo Buzaglo, dentre outros.

A partir do meio-dia pinta no pedaço o pessoal considerado “profissional”, chegando a hora de uma parte da turma do acústico cair fora, pegar o beco! O Roberto Paraense monta os equipamentos e, começa o show, com muita música samba-canção e boleros, entrando em campo os cantores: Cabral, Lúcio Bahia, Celestina, Doutora Graça, Katia Maria e Nazaré Lacute – acompanhado pelo Jorginho, Garoto (Wilton) & Geralda, Roberto, Neto, Buriti, Flavio de Souza, Zé da Manola, Moisés, Marcia & Augusto e, muita gente boa!

Depois das três da tarde começa a chegar mais gente, o bar fica entupido até o tucupi, com turistas, jovens estudantes, professores universitários, além de muita gente da terceira idade.

O Jokka Loureiro traz uns petiscos para a galera, depois dá uma palinha, cantando muita musica de puteiro. O Sacy da Aparecida faz o diabo na percussão, fazendo umas performances um tanto sensual.

O samba impera, tomando a conta do pedaço, com o Mark Clark e o Manoelzinho fazendo miséria no Cavaquinho e, com o Negrão e Moisés no Violão. A disputa fica feia, com muitos cantores novatos querendo fazer bonito. Dando a conta do recado: Telba, Dom Pedrito, Floriano, Celestina e a Graça Silva.

Até as oito horas da noite, o bar fica apinhado de gente cantando, dançando e bebendo. Quem passa ao largo, fica admirado em ver aquelas pessoas esbanjando muita alegria e descontração. E isso ai, até domingo no Bar Caldeira!


Aviso aos navegantes: o bar fica na Rua José Clemente, no. 237, esquina com a Rua Lobo D´Almada (atual Rua dos Prazeres), telefone 92 3234-6574 – o nome é em decorrência de uma explosão de uma caldeira do Hospital Santa Casa de Misericórdia, uma parte do tanque foi parar bem perto do Ba
r.

Vinicius de Moraes e fotografia ==> fonte: Amor de Bica (Simão Pessoa) 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

OS ÓRFÃOS DO BAR DO ARMANDO

Centenas de pessoas estão de luto em decorrência do falecimento do Armando Soares, formado pelos antigos frequentadores do boteco, fundadores da BICA e, os atuais biqueiros – desembargadores, juízes de Direito, advogados, médicos, jornalistas, economistas, administradores, contadores, compositores, músicos, cantores, atores, estudantes, comerciários, prestadores de serviços e, desempregados:
Heloisa Cardoso
Diocleciano Souza
Inácio Oliveira
Simão Pessoa
Klaien
Rogelio Casado
Chalub
Buriti
Aristófanes de Castro
Amercy Souza
Orlando Farias
Américo Madrugada
Jorge Palheta
Francisco Cruz
Moneolzinho Batera
José Rocha
Rochinha
Anchieta
Jomar Fernandes
Julinho da Receita
Afonso Toscano

Boanerges
Rogério Português
Dr. Fernando
Mauro da Mol
Bepi Cyrino
Charles Cinco Estrelas
Montanha Garçom
Socorro Papoula
Dr. Santana
Robervan do Sesc
Roberval Fotógrafo
Marco Gomes
Jersey Nazareno
Rubens
Celeste da Sefaz
Xuxa de Manaus
Norberto
Lamego
Mineiro
Enne Rocha
Professora Kasmin Carnevali
Professor Américo
Diego Moraes
Santana
Lúcio Bahia
Adal Deus Te Abençoe
Mário Adolpho
Mestre Pinheiro
Sarkis
Mestre Louro
Papagaio
Jerry
Cascatinha
Sacy da Pareca
Dr. Inácio
Coronel Benfica
Jorge Laborda
Aldemir Bispo
Lúcio Carril
Carrilzinho
Ana Letícia
Paulo Mamulengo
Dona Rô
Rui Machado
Rosalvo Frazão
Rogel Samuel

Felix Valois
Humberto Amorim
Joseth Frazão
Dori Carvalho
Arnaldo Garcez
Joana Telu
Aiub Serrão
Guaraciaba Tupinambá
Tião Bentes
Eliezer Gonzales
Rossana Cirrose
Maria Altamira
Renato Pitanga
Núbia
Neidinha do Batera
Ulisses da Sana Julia e,
centenas de outras pessoas que não estou lembrando agora o nome...

terça-feira, 10 de abril de 2012

HOMENAGEM AO ARMANDO DA BICA


Armando Dias Soares, nasceu em Coimbra, Portugal, mudou-se para Manaus na década de 50, veio com a intenção de trabalhar com o seu tio Armindo Dias, proprietário da Casa Dias, na Rua Luiz Antony e, da Casa Renascença, na Avenida Joaquim Nabuco.

Desde cedo, aflorou o seu espírito empreendedor – resolveu desvincular-se do seu tio e seguiu a sua “carreira solo”. Foi magarefe no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, depois abriu o seu próprio negócio na Rua Xavier de Mendonça, no bairro de Aparecida, era uma venda de secos e molhados e um açougue.

Em sociedade com outro portuga conhecido por Maravalha, abriram um bar chamado Micro Bar, tamanho 10 por 100 m, na Avenida Eduardo Ribeiro, no local existiam diversas mesas de sinuca e era vendida uma famosa batida (bebida); o estabelecimento foi fechado em decorrência da venda do Cine Odeon (o bar ficava ao lado do cine, pertencia ao mesmo dono).

O Armando conheceu a portuguesa Lourdes Soeiro, foi amor a primeira vista, casaram e foram trabalhar juntos no famosíssimo Bar do Armando, no Largo de São Sebastião. Tiveram duas filhas, a Ana Cláudia, pedagoga e administradora dos negócios dos pais (deu um neto para o Armando) e, Ana Lúcia, advogada, casada com um português e mora atualmente em Portugal, ela já deu um netinho para o Armando.

Com o projeto do então vereador Francisco Praciano, em 1998, foi considerado “Cidadão de Manaus” , na Câmara Municipal, passou a ser conhecido por Armando Brasileiro. Chegou a ser cogitado para assumir o Consulado de Portugal, em Manaus, mas ideia não vingou, não era a sua praia ficar carimbando passaportes, o forte dele sempre foi vender sanduiches de leitão e cervejas.

A Escola de Samba Reino Unido da Liberdade, fez uma justa homenagem ao português, com o tema “Armando Brasileiro”, foi consagrada campeã do carnaval de Manaus de 1999. No seu Bar, acontence toda ano o maior e melhor carnaval de rua de Manaus, a famosa Banda Independente da Confraria do Armando - BICA.

O meu amigo Armando faleceu hoje no hospital da Beneficente Portuguesa do Amazonas. As recordações que o Armando os deixou permanecerão para sempre em nossos corações!

MÁQUINA DE DATILOGRAFIA




O curso de dactilografia era a arte de escrever a máquina - a fotografia acima é do ano de 1902, mostra quatro jovens da alta sociedade manauara, na Escola de Datilografia Remington de Manaus, um curso desejado por muitos, pois o domínio da arte de escrever a máquina era restrito a poucas pessoas, o que lhes conferiam status na sociedade, inclusive, no término do curso, os formandos tinham direito a uma formatura com todas as formalidades possíveis, além de diplomas confeccionados em papel nobre.

Quem possuísse um diploma de datilografia, tinha uma grande bagagem no curriculum vitae (carreira da vida), com melhores condições para galgar um emprego nas empresas comerciais ou em instituições bancárias, principalmente, o cobiçado emprego de carreira no Banco do Brasil.

O Dr. Gaetano Laertes Pereira Antonaccio (advogado, escritor e técnico em contabilidade), faz questão de mostrar no seu curriculum (disponível na internet) o curso de datilografia, ele foi formado pela Escola Remington no ano de 1958.

Para os mais jovens que não sabem o que é uma máquina de escrever, ela era um equipamento bastante pesado nos seus primórdios, chegando, tempo depois, a ter um tamanho reduzido, utilizado na forma portátil, elétrica e eletrônicas (editores de textos, com memórias e cartuchos).

O teclado tinha a formato parecido com os teclados atuais de computadores, com fitas de pano embebidas em tintas nas cores pretas e vermelhas, sendo utilizado o papel carbono para cópias extras e, corretivo tipo Helios, Cabex e Errox Ex.

Fiz o curso no início da década de 70, tinha uma agilidade muito grande para datilografar, inclusive, consigo nos dias atuais, digitar sem olhar para o teclado do computador. Trabalho faz muitos na área de comércio exterior, era muito difícil fazer uma Guia de Importação (atual Licença de Importação), pois eram cheias de códigos e classificações das mercadorias, com formulários em oito vias carbonadas, além de não ser admitido pelo Departamento do Comércio Exterior (Decex) qualquer erro ou borrões - todo cuidado era pouco, qualquer vacilada era fatal, tinha que começar tudo de novo.  

Com a invasão em massa dos computadores pessoais (PC) foi um golpe mortal nas máquinas de datilografia, porém, muitas coisas que utilizamos hoje na computação vieram delas, por exemplo: o layout do teclado “Qwerty”; o “Backspace” (voltar um espaço); a “Carbon Copy” (cópia de carbono); “Cortar e Colar” e “Shift” (mudar de posição).

Apesar dos computadores “Notebook” estarem perdendo mercado para os “Tablets”, ainda existe um público comprador das antigas máquinas de escrever, elas podem ser compradas pela internet e, são disputadas a tapa pelos colecionadores. É isso ai.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

LIVRO: O ZÉ MUNDÃO DE MANAUS AUTOR: J. MARTINS ROCHA


 I PARTE

O Zé Mundão nasceu na Santa Casa de Misericórdia, na década de cinquenta, quando veio ao mundo, estavam batendo as doze badaladas dos sinos da Igreja de Sebastião, exatamente no dia do aniversário do Presidente Juscelino Kubitschek; os seus familiares ensaiaram em chamá-lo pelo prenome do mandatário maior da nação, mas, ao ser batizado na Igreja dos Remédios, recebeu na pia batismal o nome de José, em homenagem ao seu avô, um cearense que veio para a Amazônia coletar o látex. O seu primeiro lar foi um “flutuante”, uma casa de madeira apoiada por duas enormes toras, própria para flutuar na enchente do Rio Negro, no Igarapé de Manaus.

O local onde morava o Zé era conhecido como “Cidade Flutuante”, que teve início em decorrência do declínio do fausto da borracha e, com a falência dos seringalistas, levou uma multidão de seringueiros a ficarem sem eira nem beira, não tinha onde morar, a solução foi iniciar a construção de suas casas sobre as águas do Rio Negro e pelos igarapés de Manaus.

As residências eram construídas sobre troncos de árvores, tornando-as flutuantes, com os assoalhos e todos os cômodos de madeira, sendo a cobertura de palhas e zinco, formavam um imenso conglomerado de casas, era tão grande que chegou a ser uma “cidade” dentro da cidade de Manaus, com mais de 2.000 casas e aproximadamente 12.000 habitantes.

Neste local, existia além de moradias, todo tipo de comércio: lojas de secos e molhados, ferragens em geral, tabernas, restaurantes, protéticos e dentistas, consultórios médicos, drogarias, oficinas mecânicas de consertos de motores de centro e popa, vendas de borrachas, castanhas, jutas, couros e peles de animais silvestres; qualquer atividade que tinha em terra, também tinha na cidade flutuante! Era realmente, uma cidade dentro da cidade de Manaus. As pessoas mais abastadas achavam que aquilo era um cancro, uma vergonha para os habitantes de terra firme, mas, foi exatamente onde o pequeno José passou a sua infância, por sinal, muito feliz.

Por ser um filho e neto de uma família de cearenses de Uruburetama, para não fugir a exceção, passaram-no a chamá-lo de Zé, um diminuitivo carinhoso de José, era o mais novo da prole, o caçula querido da família; os seus irmãos mais velhos eram conhecidos como Zé Galinha, Zé Pacú e, a única mulher, foi batizada de Maria José, tinha que ter José no meio de qualquer maneira.

Não foi muito chegado ao leite materno, desde novinho foi criado à base de “Mingau de Banana Verde”, “Araruta” e “Cremo Gema”, depois, a sua dieta passou a ser direto o peixe; por ser um pobre ribeirinho, não tinha acesso aos produtos industrializados, tudo era natural, fez também a “dieta da sopa”, ou seja, deu sopa ele comia, não fazia cerimônia, comia feito uma draga.

Pegou aquelas doenças comuns da sua época, como a Papeira, Catapora e Sarampo, criou bastante lombriga no bucho, pegou muita Frieira e Mijacão; as suas doenças eram curadas a base de Mamona, Jalapa Pião, Copaíba, Andiroba, Chá de limão com Melhoral, Xarope Caseiro e, pegou muita surra para tomar Magnésia.

Por morar num flutuante, dentro d’água, por questão de segurança, os seus pais o ensinaram a nadar ainda bem novinho; na sua residência não tinha água encanada e nem luz; bebia água de Pote e tomava banho no igarapé e nas cacimbas das redondezas; a casa era iluminada com Lamparinas e Candeeiros; o café era torrado e pilado em casa; a comida era feita num Fogão a Lenha; as roupas eram passadas em Ferro de Engomar a Carvão; tinha em sua casa poucos móveis, somente uma mesa de jantar com alguns tamboretes, um guarda-roupa simples e uma cristaleira - apesar de todas as dificuldades materiais, era um caboquinho feliz, cresceu forte e sadio e, começou a aprontar desde cedo.

Os seus brinquedos eram feitos manualmente por seu pai, um exímio marceneiro, curtiu todas as brincadeiras que as criançadas de Manaus gostavam naquele tempo: Papagaio de Papel, Pião, Caroço de Tucumã, Bolinha de Gude, Cangapé, Boi de Pano, Macaca, Manja, Cemitério e Barbandeira.

Certa vez, ganhou de presente da sua madrinha um Globo Terrestre de plástico, passava horas e horas girando a esfera, parava e, ficava apontando com o dedo indicador: - Quando eu crescer irei viajar muito e, conhecer a França, a Itália, o Japão, o Portugal, a Alemanha, alguns países da América do Sul e os Estados Unidos, aliás, quero conhecer o mundo todo! – falava de uma forma determinada. Foi um passo para os seus colegas de rua o apelidar de “Zé Mundão”.

Quando ficou mais taludinho, recebeu a missão de esperar o “Padeiro” e o “Leiteiro” na rua; num belo dia, deixou o pão e o leite escondidos e foi pegar “Mangas” e “Biribas” num terreno de um enigmático senhor, conhecido por Dural. Quando retornou, alguém tinha comido o “bico do pão” e um gato havia derrubado a leiteira e, estava lambendo o leite; a bronca ia ser alta pro Zé, mas, ele era um cara esperto: - Vou completar o litro de leite com água, não quero nem provar, pois está cheio de pelos do gato, vou ver se o papai engole essa! – pensando rápido numa saída. Dito e feito, o Zé tomou o “café puro” e ainda teve que explicar que foi ele quem comeu o “bico do pão”, depois de algum tempo, falou do ocorrido para o seu irmão mais velho, o Zé Galinha, foi dedurado, pegou uma surra daquelas e ainda ficou um mês de castigo!

O Zé tinha uma vizinha que falava o tempo todo palavrões, aprendeu rapidinho todo o vocabulário, pegou muito “tapa na boca” para perder aquele costume feio, mas, o famoso “sinal com o dedo” ele não deixou de mostrar para as pessoas que o acomodava: - Tá qui prá ti, sêo leso! – gesticulando e gritando.

Estudava no Barão do Rio Branco, a sua avó o matriculou no primeiro ano forte, mas o Zé não sabia ler nem escrever, a primeira tarefa na escola era fazer uma cópia, na malandragem, pediu ao seu colega "Nascimento", para fazer a cópia, o seu confrade era canhoto, pegou o caderno do Zé Mundão, virou na melhor posição e fez a cópia todinha.

O Zé foi entregar o trabalho: - Fessora Genevova, tai a cópia, tá bonita? – falou todo gabola da vida. - Vá fazer outra cópia, você fez com o caderno de cabeça para baixo! – dando-lhe aquele ralho. Não se conteve, chorou que nem um bezerro desmamado, a professora descobriu  que ele estava na série errada e o encaminhou para a “Alfa”; cobrir as letras foi uma graça para Zé Mundão.

O que ele mais odiava era o “hora da merenda”, não trazia nada de casa e tinha que encarar aquele “leite de soja” que era enviado ao Brasil em decorrência do projeto “União para o Progresso” dos ianques; o jeito era filar a merenda dos meninos do pré-escolar, num certo dia, foi pego e levado pela “orelha” até à Diretoria, os seus pais foram chamados à atenção.

Na sua defesa, falou que fazia aquilo em decorrência de não trazer nada para lanchar e que tinha dor de barriga toda vez que tomava aquele leite ruim. Moral da história: ganhou uma “Lancheira” novinha em folha, com direito a suco de “Maracujá” e Sanduíche de “Pão com Pão”, a partir dai, começou a adorar a hora de merenda, gostava de deixar os seus colegas com água na boca e, nunca mais tomou o famoso "leite de posto"!

Tempo depois, saiu do “flutuante” e vou morar com a família numa “casa de madeira” em terra firme, fora proibido de tomar banho no igarapé, mas, não tinha jeito, tirava o calção, colocava num arbusto qualquer e pulava pelado dentro d’água, pois não era hábito usar cuecas naquela época. Num final de semana, o seu “amigo da onça” o famoso “Nego Mau”, escondeu a roupa do Zé Mundão, o coitado passou a tarde toda dentro do rio, deixou a noite chegar e, correu pelado pela rua até chegar à sua casa, todos os moradores achavam graça daquela cena inusitada, ainda foi gozado por bastante tempo, mas o cara sabe muito bem dar o troco: - Vou dá um tempo no tempo, pegarei o escroto do “Nego Mau” e todos os amigos deles que ficaram me gozando! – prometendo uma desforra.

Num belo sábado à tarde, estava o “Nego Mau” e toda a sua galera tomando banho pelado no rio, como de costume, eles também não usavam cuecas; o Zé foi bem de mansinho e, pegou os calções de todos eles, quando estava bem distante, gritou: - Ei, ei, Negou Mau, olha aqui, estou com o teu calção e da tua galera, quero ver todo mundo pelado, sai da água se tu é macho, sai! Foi um Deus nos acuda, prometeram uma bela sova no Zé, mas, ele não estava nem ai!

À noite, toda a molecada da rua estava à beira do rio, esperando a galera do Nego Mau sair da água, não deu outra, todo mundo correndo pelado pela rua em direção as suas casas, foi uma gozação total. O Zé ficou uma semana sem sair da sua casa, somente ia à escola, escoltado pelos seus pais, mas, um dia pegaram o Zé Mundão sozinho, deram a prometida surra nele e ainda tiraram o seu calção, teve que correr novamente pelado pela rua até chegar a sua casa! Haja gozação! Mais uma semana hibernando em sua casa, estava cansado de servir de chacota.

Teve uma criação bastante rígida, mas, não tomava jeito, aprontava muito, ficava na maioria das vezes de castigo, fugindo sempre para brincar na rua. Na enchente do Rio Negro, gostava de pular dentro do rio do alto das pontes, as preferidas eram a Ponte Romana I e II, na Avenida Sete de Setembro – a única que ele respeitava era a Ponte de Ferro, por ser bastante alta. Escalava os muros dos vizinhos para pegar Mangas, Pitombas e Biribas, além de morcegar carroças e caminhões que passavam pela sua rua.
Observação: O Zé Mundão de Manaus é um personagem criado por mim, fiz algumas postagens sobre ele e, aproveitei para converter em livro (muita audácia da minha parte). Na realidade, conta parte da minha parte da minha vida, dos meus colegas e, da minha amada Manaus. É uma mistura de realidade com ficção e, muito humor. Publiquei apenas o resumo do resumo da parte inicial do livro que pretendo lançar ainda em 2012. O texto acima, ainda carece de pesquisas e revisão. Aceito criticas e colaborações. Devo ou continuar escrevendo? Abraços. Rocha  

sábado, 7 de abril de 2012

MALHAÇÃO DE JUDAS EM MANAUS


Sempre gostei da malhação de Judas, esta brincadeira vem desde a minha infância no Igarapé de Manaus, onde os adultos se reuniam a partir das dez horas da noite da sexta-feira santa e, faziam os ajustes finais nos bonecos, sendo pendurados somente na madrugada, ficando sempre alguém de vigia para evitar a malhação antes da hora.

O Judas sempre tinha o rosto parecido com alguém da rua, era uma forma de malhar algum morador que, durante o ano fez alguma coisa de ruim para com a comunidade – existia todo um ritual, com direito a leitura de um longo testamento, mas, o momento mais esperado era quando o Judas era queimado e arrastado pela rua.

Passando alguns anos, continuei curtindo a brincadeira na Rua Tapajós, entre as avenidas Ramos Ferreira e Leonardo Malcher – a turma se reunia no boteco da Tia Wanda, onde o Judas era confeccionado, o problema maior era um morador da Avenida Getúlio Vargas, o Felipe Viriato, o cara gostava de roubar o nosso boneco e coloca-lo numa árvore da sua rua – eu ficava possesso com ele, mas, tudo era brincadeira.

Nos últimos anos, passei a frequentar a malhação de Judas do Bar do Cipriano, conhecido também como a  “Confraria do Ferrão”, na Rua Ferreira Pena esquina com a Avenida Airão, onde a tradição é mantida por mais de trinta anos, com a coordenação do meu amigo Agenor Braga.  

Segundo antropólogo Ademir Ramos “A tradição vem de muito longe. Na antropologia cultural registra-se como um dos ritos das sociedades rurais do medievo, passando pela Península Ibérica e sendo reinventada por toda a América Latina. No Brasil, sua manifestação era marcante na antiga capital da República, no Rio de Janeiro, onde o Judas tinha a configuração diabólica e em seu interior depositavam fogos pirotécnicos, provocando explosões com luzes coloridas seguido de muita gritaria e manifestações populares. O fervor dos brincantes era tanto, que deixava a polícia desnorteada sem saber por onde começar a debelar o fogaréu. Resultando, dessa feita, na proibição da manifestação no centro urbano da antiga capital federal. Na verdade, não era o fogo que incomodava, mas a picardia dos brincantes que ironizavam os políticos de então, fazendo sua malhação em praça pública. Em Manaus, ainda se cultua essa prática, sobretudo no Bar do Cipriano, onde os políticos são malhados pelos justiceiros de plantão”.

Tudo que é bom, um dia acaba! Infelizmente, a tradição de malhar Judas está acabando – as novas gerações não valorizam esta brincadeira – dei um pulo até o Bar do Cipriano e, para minha surpresa, não fizeram a malhação de Judas este ano. Já era!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

ÊRE, O PEIXE-BOI DA AMAZÔNIA


Esta postagem é em homenagem ao peixe-boi Erê que está fazendo quatorze anos de idade.

O Instituto de Pesquisas da Amazônia – INPA,  possui um local chamado Bosque da Ciência, em Manaus, no bairro Aleixo, onde poderemos encontrar o Tanque do Peixe-Boi – esses animais são levados para o instituto ainda bem novinhos, geralmente são encontrados quase sem vida pelos ribeirinhos, pois a mãe foi abatida numa caçada; alguns já nasceram em cativeiro - o primeiro foi o “Erê”.

Portal  www.acritica.uol.com.br  - No dia 08 de abril de 1998, os tratadores do Projeto Peixe-boi da Amazônia esvaziaram o tanque para ser realizado exame de biometria, pesagem e medida dos animais, e levaram um grande susto. Havia um bebê peixe-boi ainda envolto na placenta junto aos demais.“Foi um misto de sentimentos: surpresa, alegria, espanto. Nós já tínhamos observado que a Boo estava mais gorda e mais resistente ao toque na hora que fazíamos a biometria, mas não esperávamos que ela estivesse grávida. Infelizmente não presenciamos o parto, o que tornaria a surpresa muito mais emocionante. Para mim é um orgulho ter acompanhado o crescimento desse filhote”, conta emocionado o tratador que atua no Projeto há 15 anos, Marcelo da Silva.
O nosso Peixe-Boi da Amazônia, conhecido cientificamente comoTrichechus inunguis, difere do marinho e do africano, principalmente no tamanho, o originário das águas doces são os menores, alcançando até 3 metros de comprimento e com um peso de mais de 450 quilos, possuem uma mancha na região ventral e ausência de unhas nas nadadeiras peitorais. A sua dieta alimentar é basicamente de plantas aquáticas e semi-aquáticas, consome diariamente até 10% do seu peso; devido ao seu baixo metabolismo, consegue ficar até 20 minutos embaixo da água, sem respirar.

A cada três anos, uma fêmea produz somente um filhote na gestação (com duração de trezes meses), mama até os dois anos de idade, ficando adulto a partir de cinco a seis anos, vivem até os sessenta anos.

A caça desse animal é proibida por lei (Lei nº 5.197/67 – Código da Fauna), porém, os ribeirinhos da Amazônia, ainda fazem o seu abate, pois o consumo de sua carne é muita apreciada; no passado, houve uma matança muito grande, pois além da utilização da carne como alimento, o couro era utilizado como vestuário e a gordura usada na iluminação de ambientes. A destruição do seu habitat, a contaminação das águas com agrotóxicos e mercúrio, a pesca de arrastão, o abate exagerado no passado, etc., estão contribuindo para o desaparecimento da espécie,atualmente, está classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza - UICN (2.000) como “vulnerável”.

O INPA e outras instituições conservacionistas efetuaram, pouco tempo atrás, a reintrodução na natureza do “Puru” e “Anama”, esses animais estavam no tanque do INPA desde 1995 e 1999, respectivamente, foram soltos em um afluente do Rio Negro, estão sendo monitorados através de um radiotransmissor colocado neles, os dois passaram um tempo juntos, nadando num raio de de até dois quilômetros e depois se separaram, os pesquisadores do INPA querem saber como está a relação deles com os peixes-bois selvagens.

Uma das estratégias usadas pelos ambientalistas é conscientizar as populações ribeirinhas e, na cidade, trabalhar com o público infantil, eles partem da premissa de que é muito difícil influenciar um adulto quanto a importância de preservar o peixe-boi, daí que no Bosque da Ciência e nas seis comunidades do Mosaico de Unidades de Conservação do Rio Cueiras, onde foram reintroduzidos os dois peixes-bois, a criança recebe informações sobre a espécie e sobre os riscos que ela corre.

Segundo a pesquisadora do INPA Vera Ferreira “O peixe-boi da Amazônia exerce um papel fundamental na cadeia alimentar e no ecossistema aquático da região, ao se alimentar nas grandes ilhas de capim flutuantes existentes nos rios da Amazônia, o maior herbívoro aquático controla o crescimento dessas plantas e com suas fezes e urina fertiliza as águas contribuindo para a manutenção do ambiente, transforma essas macrofitas em partículas menores por meio de suas fezes que servem de alimento para outras espécies de animais também presentes nos rios da Amazônia”.

Agora que já sabemos um pouco mais sobre o nosso Peixe-Boi da Amazônia, poderemos fazer parte da Associação dos Amigos do Peixe Boi, do INPA, contribuir de fato para a sua preservação e, jamais e, em hipótese alguma, iremos aceitar a carne desse mamífero em nossas mesas, deveremos, sim, denunciar ao IBAMA quem faz tal comercialização.

Foto: A Crítica - Erê e sua mãe Boo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

EDUCACÃO DE QUALIDADE



Recebi um e-mail da Melissa Arabella dos Santos, ela pediu a minha opinião sobre a educação em Manaus, isto me motivou a escrever esta postagem, apesar da minha deficiência na área - em todo caso, vamos lá:

O sistema educacional brasileiro, no geral, está de mal a pior, para ter uma ideia, foi feito um estudo pelo UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), incluindo todas as escolas públicas e particulares brasileiras, comparando com as de setenta países, o Brasil ficou em 57º. lugar, isto mostra a gravidade em que se encontra a educação em nosso país.

Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que o ensino privado é bem melhor que o público, mas, no geral perdemos feio para dezenas de países, inclusive estamos a anos luz atrás do Chile.

Apesar do caos do ensino público, ainda temos um ensino de qualidade nos colégios militares e nas escolas técnicas federais, em decorrência dos professores terem uma qualificação melhor, uma remuneração mais adequada, com metodologias de ensino enxutas, além de uma melhor infraestrutura nas escolas.

Muitos políticos, empresários e profissionais liberais que passaram dos cinquenta anos de idade, se orgulham de terem estudado em escolas públicas de Manaus, principalmente, no Colégio Amazonense D. Pedro II, conhecido como Estadual – era difícil entrar, pois existiam exames de admissão e, somente passava de ano quem realmente estudava com afinco.

Antigamente o ensino público da nossa cidade era de qualidade superior, com professores bem remunerados, eram respeitados na sociedade e, havia toda uma preocupação por parte dos governantes, com maciços investimentos na educação do povo amazonense.

Com o passar do tempo, houve a falência do ensino público, salvo raras exceções - passando o setor privado a investir pesado nesse nicho de mercado, porém, com acesso somente a uma classe mais privilegiada financeiramente.

Sabemos que, a nossa Constituição Federal, a lei maior, obriga os Estados a atuarem no Ensino Fundamental e no Médio e, os municípios, também no Ensino Fundamental e na Educação Infantil, com aplicação mínima de 25% das receitas de impostos na Educação.

Se um quarto de toda a arrecadação dos impostos deve ser direcionado a educação, por que o ensino público é precário e falido? Não sou especialista em educação, mas, me atrevo em culpar os próprios governantes, a grande maioria não possuem compromissos com uma educação de qualidade – bem diferente da Inglaterra e da Alemanha onde o ensino público é de qualidade superior, reunindo nas salas de aulas tanto o filho de rico quanto o do pobre.

Não adianta culpar a estrutura física das escolas, da falta de qualificação dos professores e, da evasão escolar e do baixo rendimento dos alunos, todos são apenas consequências da politica governamental para com a educação, onde são valorizados a quantidade (o maior numero possível de alunos matriculados e estudando) do que na qualidade do ensino.

Segundo os especialistas, o ensino de qualidade envolve: organização inovadora, aberta, dinâmica, com projetos pedagógicos participativos – docentes bem preparados, intelectual, emocional, comunicacional e eticamente, bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais – relação efetiva entre professores e alunos – infraestrutura adequada, atualizada, confortável, com tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas – alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal. 

Poderemos mudar o quadro em que se encontra a educação no Brasil? Com certeza! Tudo depende da união de todos, reclamando, botando a boca no trombone, tirando do poder os políticos corruptos e, exigindo a implantação gradativa de uma educação de qualidade.

No caso especifico de Manaus, o novo mandatário da administração municipal poderá mudar o quadro caótico em que se encontra educação infantil, desde que os eleitores manauenses pensem muito antes de votar e, coloque no poder um politico realmente compromissado com o povo e com a educação de qualidade – o  mesmo pode ser feito na esfera estadual.

Parabéns a Melissa Arabella, pela sua preocupação com a educação atual dos manauaras e por exigir mudanças para melhor. É isso ai.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O ÚLTIMO BANCO DE CIMENTO DO P10


Este simples banco de cimento armado, possui três quartos de século de existência, resistiu ao tempo e a fúria destruidora do ser humano e, apesar do abandono atual, ele ainda é original e histórico, infelizmente, está à mercê dos vândalos e da inércia do poder público municipal.

Nasceu no Estado Novo, em 10 de Novembro de 1938, no regime tirano do presidente Getúlio Vargas. Na sua juventude, serviu de assento para milhares e milhares de pessoas que frequentaram ao seu balneário; inúmeros casais enamorados sentaram nele, pegou muito sol e chuva; foi severamente pisando e enlameado também, no local, existiam centenas de outros bancos iguaizinhos a ele, era apenas mais um no meio da multidão, porém, o tempo passou, restando somente ele para contar história daquele local.

Presenciou por longos e longos tempos, a felicidade das famílias amazonenses, ao tomarem banhos nas águas límpidas e cristalinas do seu parque, pois o local era preferido dos manauenses para se refrescaram nos dias quentes do verão amazônico.

Muitas manhãs de Sol, piqueniques, bebedeiras, peladas de futebol, brigas e confusões, muitas festas e comemorações, até fornicação tinha em noites de luar – tudo aconteceu ao seu redor!

Presenciou a poluição do igarapé, a debandada geral das pessoas, a destruição de todos os outros bancos, centenas deles foram ao chão, viraram entulhos, talvez, alguns estejam nos jardins das casas de  saudosistas daquele tempo bom.

Ele sempre ficou em frente a um prédio de construção eclética, onde, outrora, funcionava um restaurante e dancing, muitas, muitas coisas aconteceram por lá – silenciosamente, observou a destruição total do edifício, onde restaram somente algumas colunas e, nada mais!

Fui visitá-lo recentemente, tirei fotografias, voltei ao passado, lembrei-me de quase cinco décadas atrás, quando os meus pais me levava para tomar banho naquele local aprazível – lembro muito bem quando ficava sentado naquele banco, lanchando e, olhando os meus irmãos mais velhos pularem dentro d'água.

Pois é, mano velho, este banco de cimento é o último dos moicanos do Balneário do Parque Dez de Novembro – sinto uma tristeza enorme em ver toda aquela destruição e, em saber que daqui mais alguns meses ou dias, o nosso querido e amado banco de cimento será arrancado e jogado dentro do poluído Igarapé do Mindú.

Fica apenas o registro fotográfico e, o meu adeus ao último banco de cimento do P10. É isso ai.




sábado, 31 de março de 2012

O PIRA NOSSO DE CADA DIA

Fui convidado por um amigo paraense para participar de uma Piracaia (peixes no braseiro), foi uma grande festa e, comi até me lambuzar do meu prato predileto – para quem não sabe, esta palavra tem no radical o pira = peixe, na língua tupi - o evento é realizado a noite sob o calor de uma fogueira, onde todos comem peixes com limão, farinha e sal, pode-se comparar levemente a um piquenique da cidade – vamos, então, conhecer vários significados de alguns palavras que contém o nosso glorioso pira nosso de cada dia.  

Pacu, Aracu e Pirarucu são alguns dos peixes da Amazônia em que o nome termina como “cu”, servindo de gozação para com os amazonenses, na realidade, refere-se à cor vermelha, portanto, a tradução literal para o português será a seguinte: peixe com manchas avermelhadas – simples, não?

Piracema (sair peixe) – é a época de desova em que os grandes cardumes de peixes arribam para as nascentes dos rios, existindo muita fartura, no entanto, o governo protege muitas espécies, com a lei do defeso.

Piracuí (farinha de peixes) – obtido a partir do peixe assado ou cozido, sendo desfiado e torrado no forno -, o mais utilizado é o Acari-Bodó; servindo para fazer deliciosos bolinhos e, como ingrediente para sopas, massas e farofas.

Piraíba (peixe que não presta) – é o maior peixe de couro do Brasil, chegando a medir três metros e pesar acima de 150 quilos – corre a lenda na Amazônia que ele come crianças e ataca os adultos, além de provocar a hanseníase, por isso, os peixes de couro não possuem valor para os ribeirinhos.

Piranha (corta a pele) - conhecidos como carnívoros, extremamente vorazes, com dentes numerosos e cortantes, demonstrando predileção especial por animais sangrentos, tornando perigosos nos rios ou lagos onde vivem.

Piracicaba = (peixe deslizando) - lugar que, tendo uma cachoeira ou qualquer outro acidente natural, impede a passagem do peixe, sendo, assim, excelente pesqueiro.

Pirarucu (peixe vermelho) - da bacia amazônica, com comprimento de até 2,5m e pesando até 80 kg,  o maior peixe de escamas do Brasil, a língua é usada para ralar o guaraná e a escama para lixar unhas; a carne fresca, salgada ou seca, é muito apreciada, chamado de o  “Bacalhau da Amazônia”.

E o pirão? Alguns podem achar que é um peixe grande! Ledo engano – é uma papa obtida com a mistura da farinha de mandioca e do caldo de peixe, serve como acompanhamento do prato principal (ex. Caldeirada de Tambaqui).

O pira nosso de cada dia. É isso ai.