sexta-feira, 24 de abril de 2026

Bondes do Século XXI em Manaus: Uma Proposta com a Volta da Linha Saudade

 



Na qualidade de manauara da gema, saudosista e pesquisador da nossa história, venho apresentar ao crivo da população e levar aos governantes uma proposta para a volta dos bondes com a cara dos antigos, mas em uma nova versão do século XXI, ou seja, elétricos, sobre rodas e com a “Linha Saudade”, em novo trajeto, percorrendo lugares históricos da nossa querida cidade de Manaus.

Alguns governantes, num passado recente, já comentaram a vontade de trabalharem em prol da volta dos bondes, com alguns deles propondo uma linha curta, trazendo os turistas dos transatlânticos do Roadway, via Avenida Eduardo Ribeiro, até o Largo de São Sebastião, fazendo o mesmo retorno.

Não passaram de promessas políticas, sem sequer iniciarem um plano. Mas, como as esperanças se renovam a cada eleição, levo até eles a minha proposta inicial, que, caso acatada, deverá passar por todo um planejamento para a sua viabilização.

Por ser de caráter turístico, os planos, custos e operacionalização deverão inicialmente partir do governo estadual ou municipal. Depois, caso seja rentável, deverá passar para uma empresa privada gerir esta linha.

O desenho dos bondes deverá obedecer ao modelo de como eram no passado, no entanto, dotados de pneumáticos para rodar sem a necessidade de trilhos. Serão 100% elétricos, equipados com tecnologia brasileira da empresa Eletra (São Paulo) e baterias/motores elétricos WEG. Existe um projeto aprovado da chinesa BYD para produzir baterias no Polo Industrial da Zona Franca de Manaus.

Os novos bondes terão Wi-Fi, carregadores USB, pagamento via cartão e QR Code ou bilhetes para os turistas na Estação dos Bondes. Uma das características principais dos novos bondes será a emissão zero de poluentes. Estes tipos de bonde já estão em operação na China, com um detalhe: lá eles são autônomos, circulando pela cidade sem necessidade de motorista.

Uma coisa é certa: quando os governantes e políticos querem que algo aconteça, acontece. Foi o caso da Ponte Rio Negro, que muitos duvidavam e se concretizou. A ponte que ligará a BR-319 a Manaus sairá do papel brevemente, podem escrever aí. No caso dos bondes, havendo vontade política, eles voltarão a circular, com certeza, para o prazer e deleite da população manauara e o vislumbre dos turistas.

A Linha Saudade será a seguinte:

Estação dos Bondes: Complexo Booth Lines (atual Mercado de Origem), onde os bondes serão carregados e será o ponto de partida e chegada.

Sai pela Rua Monteiro de Souza, Travessa Vivaldo Lima, passando em frente ao Museu do Porto e à antiga sede da Manaós Harbour. Segue pela Rua Taqueirinha e vira à esquerda pela Rua Visconde de Mauá, passando em frente à Manauscult e ao futuro “Aquário Municipal”, além do “Mirante Lúcia Almeida”. Pela Travessa Carolina, entra na Rua Bernardo Ramos, mostrando o Centro Cultural Bernardo Ramos, Casarão Thiago de Mello, IGHA, Esperança e Porvir e demais casarões antigos da Belle Époque.

Segue pela Rua Gabriel Salgado, passando em frente ao Museu da Cidade de Manaus e à Praça Dom Pedro II. Dobra na Avenida Sete de Setembro, passando em frente ao Palácio Rio Branco, IAPETEC, Museu de Arqueologia e demais imóveis do início do século. Dobra na Avenida Eduardo Ribeiro, passando em frente ao Centro Cultural Palácio da Justiça.

Vira à direita na Rua 10 de Julho, passando pela lateral do Teatro Amazonas, Igreja e Largo de São Sebastião. Segue e dobra à direita na Avenida Getúlio Vargas, com vistas do Colégio Dom Pedro II, Praça da Polícia e Palacete Provincial.

Dobra à esquerda na Avenida Sete de Setembro, passando pela Ponte Romana I (Floriano Peixoto), com parada no Centro Cultural Palácio Rio Negro; Ponte Romana II (Marechal Deodoro) e Ponte de Ferro (Benjamin Constant), com parada para quem desejar conhecer o Museu do Índio, passando depois em frente ao ex-presídio Raimundo Vidal Pessoa (que deverá ser revitalizado).

Segue e vira à direita na via de acesso até a Avenida Lourenço Braga, passando pelo Largo do Mestre Chico, Parque Senador Jefferson Péres, Centro Cultural Usina Chaminé, Rio Negro, Feira da Banana, Novo Porto e Mercado Adolpho Lisboa.

Entra por dentro do Roadway, onde será possível verificar o prédio da Alfândega e a Guardamoria (sem paradas), além do maior porto flutuante do mundo. Ponto final na Estação dos Bondes.

A viagem foi longa, mas prazerosa. Passamos por dezenas de pontos turísticos, curtimos a verdadeira cara de Manaus. Sonhar não custa nada! Quem sabe um dia a minha ideia vingue e possamos passear nos Bondes do Século XXI pela Linha Saudade.

Foto: Gerada pela IA

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Livro Raro 'Mil e um Segredos de Oficinas' – Marcel Bordais Tradução de Carlos Calheiros – Livraria Bertrand – 2ª edição

 

Raridade e contexto histórico. Este livro pertence a um gênero de literatura técnica muito valorizada entre colecionadores: manuais práticos de ofícios do início do século XX. Era voltado para artesãos, ourives, relojoeiros, mecânicos e pequenos industriais, reunindo receitas, técnicas, tabelas e segredos práticos de várias atividades manuais. Esse tipo de publicação: circulava em quantidades menores, era muito utilizado em oficinas, raramente sobrevivia em bom estado, e tem hoje alto valor histórico por registrar técnicas desaparecidas. A presença da Livraria Bertrand (uma das editoras mais antigas da lusofonia) reforça o prestígio editorial. A 2ª edição indica que o livro teve procura na época, mas ainda não é um item comum — especialmente no Brasil.

Importância temática O conteúdo descrito revela um manual extremamente completo para as artes técnicas: douração, prateação, niquelação e bronzeamento verniz, ligas metálicas e química artesanal limpeza de joias e objetos de arte receitas práticas relojoaria, óptica, eletricidade, armas, velocípedes tabelas de conversão de quilates para milésimos (joalheria) Ou seja, trata-se de um compêndio multidisciplinar, raro hoje porque concentra técnicas que não são mais ensinadas. Para pesquisadores de história da tecnologia, joalheria, metalurgia e restauração, é uma fonte primária de altíssimo valor.   Valor bibliográfico Pontos que aumentam o valor: Edição antiga e pouco comum Livraria Bertrand imprimia em Portugal e distribuía no Brasil. Muitos exemplares se perderam.   Carimbo e selo antigo de livraria do início do século XX O selo vermelho da Livraria Teixeira (Vieira Pontes, São Paulo) agrega valor histórico e colecionável.  Boa legibilidade e capa interna preservada Apesar dos sinais de idade, o miolo parece íntegro.   Tema buscado por colecionadores de livros técnicos antigos.  Estado de conservação (pela foto) Páginas amareladas — normal e aceitável. Manchas de oxidação (“foxing”) — comuns e não desvalorizam muito. Tipografia perfeitamente legível. Folha de rosto intacta (muito importante). Em resumo: bom estado para a idade.  Estimativa de valor de mercado Considerando livros similares vendidos no Brasil e Portugal: Faixa estimada: R$ 200 a R$ 600, dependendo do estado geral e da presença da capa original. Em leilões especializados, pode alcançar R$ 800 a R$ 1.200 se estiver completo e com capa firme. Valor histórico-cultural Este é o tipo de obra: citada em pesquisas sobre técnicas artesanais do século XIX e XX; valorizada por restauradores, ourives, relojoeiros e químicos; usada como referência em oficinas de arte e museus técnicos. Além disso, para colecionadores de livros técnicos portugueses e manuais industriais antigos, é um tesouro. Conclusão: O exemplar de Mil e um Segredos de Oficinas é um livro raro, de alta relevância técnica, muito procurado por: colecionadores de manuais antigos, historiadores de ofícios, joalheiros e restauradores, bibliotecas especializadas. Possui valor histórico e comercial, especialmente se estiver completo e com a capa original.

PARA FACILITAR, ESTOU DISPONIBILIZANDO DIGITALIZADO (PDF) AO PREÇO DE R$ 50,00. INTERESSADOS ENTRAR EM CONTATO NO E-MAIL: 




quinta-feira, 2 de abril de 2026

O Antiteatro do Parque Dez

 

Há lugares em Manaus que parecem adormecer no tempo, esperando apenas que alguém lhes desperte a memória. O Anfiteatro do Parque Dez é um desses cantos guardados na sombra da história — e foi justamente numa dessas minhas andanças curiosas pelo passado que reencontrei esse velho conhecido.

Tudo começou lá atrás, quando o prefeito Paulo Pinto Nery decidiu, em 1970, inaugurar um anfiteatro no coração do Parque Dez de Novembro. Instalado no então Balneário do P10, existente desde 1938 e banhado pelo silencioso Igarapé do Mindu, o espaço nasceu com um objetivo nobre: educar e divertir a população manauara. Era um tempo em que cultura e lazer caminhavam lado a lado com a vida simples dos bairros.

Os anfiteatros, como se sabe, são arenas ovais a céu aberto, cheias de degraus onde o povo se acomoda para ver e ser visto. O nome vem do grego amphitheatron, “visão de ambos os lados”. Herdamos dos romanos esse formato clássico — eles, por sua vez, adaptaram dos gregos para assistir a combates de gladiadores e feras selvagens, sendo o mais célebre de todos o imponente Coliseu.

O nosso, bem mais modesto, foi inaugurado com pompa em 1970 e logo recebeu eventos importantes. Consta nos jornais da época que, em 1971, o elenco da novela Irmãos Coragem, sucesso absoluto na televisão, se apresentou ali — imaginem a movimentação no P10!

Ao longo dos anos, o Anfiteatro do Parque Dez serviu para tudo um pouco: Eentregas de certificados do MOBRAL/Apresentações de Grupos Folclóricos das Escolas Municipais/O famoso Arraial Roça Feliz/Ffestas das Crianças/ Shows de artistas e grupos locais como Paulo Onça, Célio Cruz, Suzy, Raízes Caboclas, Carrapicho, Programa Brincando no Parque, Grupo Mar Azul e até a Escola de Samba Barelândia.

Eu mesmo tive o privilégio de assistir ali a uma banda de jazz norte-americana. Não lembro o ano, mas a memória da música ecoando naquele espaço aberto nunca saiu da minha mente. Até a década de 1990 ainda havia notícias de apresentações no local — depois de 1993, silêncio. Pergunte hoje a qualquer manauara sobre o Anfiteatro do P10 e muitos nem saberão que ele um dia existiu.


Mas eis que, movido pela curiosidade, decidi revisitar o passado. Abri o Google Maps e, ao dar um zoom naquele pedaço do Parque Dez, lá estava ele: o Anfiteatro do P10, firme, altivo, resistente. Agora dentro do Hub de Tecnologia, o Centro de Pesquisas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Resolvi então ir pessoalmente conferir.

Era ponto facultativo, mas os seguranças, muito gentis, permitiram que eu entrasse e fotografasse. O que encontrei me surpreendeu: apesar do abandono, sem qualquer uso, depois de mais de meio século levando sol e chuva, a estrutura permanece em perfeitas condições. Quase como se estivesse esperando por nós.

E é aí que entra uma fagulha de esperança. A Prefeitura de Manaus possui um projeto para revitalizar toda a área do Igarapé do Mindu, desde onde existia o antigo Balneário do Parque Dez até a Avenida Djalma Batista. Pois bem: esta crônica seguirá para o novo prefeito, com um pedido claro — que o Anfiteatro do Parque Dez seja incluído nesse plano e devolvido ao seu verdadeiro dono: o povo manauara.

Porque um espaço construído em 1970 para educar e divertir a população não merece permanecer em silêncio. Que volte a cumprir sua missão.

Fotos:

  1. Antiga (colorizada por IA) — Inauguração do Anfiteatro. Instituto Durango Duarte.
  2. Foto aérea modificada — Google Maps.
  3. Foto — Arquivo pessoal, José Rocha.