segunda-feira, 4 de julho de 2022

SCHOLZ

 

Foto-Reprodução, Manaus de Antigamente. José Rocha


Em 08 de dezembro de 2021, o Olaf Scholz, assumiu, na Alemanha, o cargo de Primeiro-Ministro (chefe de governo de um país parlamentarista), um sobrenome de família alemã que fez história na cidade de Manaus, na pessoa de um senhor chamado Waldemar Scholz.

O alemão karl Waldemar Scholz, nasceu em 1871, na cidade de Hamburgo, na Alemanha, veio ainda jovem para a Amazônia, especificamente para a cidade Manaus, atraído pelo “ouro branco”, o látex fruto das seringueiras nativas da nossa região.

Fundou a empresa Scholz & Cia (sucessores da Witt & Cia., com filial em Belém, Pará), com negócios focados na compra e exportação de produtos regionais, com maior ênfase na borracha, destinando para Europa e Estados Unidos.

A sua loja ficava no local conhecido como Booth Lines (um complexo de casas que foram destruídas criminosamente pela família Di Carli, administradores do Porto de Manaus, doado de “mão beijada” pelo então governador Amazonino Mendes).

De sua antiga loja restou somente a fachada que está preste a cair. Quem passar por lá ainda poderá observar uma casa parecendo um castelo medieval (ao lado da antiga sede da CEM – Companhia Energética de Manaus).

O Scholz foi também Diretor e Presidente da Associação Comercial do Amazonas (1911), além de Vice- Consul da Áustria-Hungria (1913).

Ganhou fortunas, assim como muitos ganharam na fase do “boom” da exportação da borracha in natura, pois a Seringueira era nativa da Amazônia e uma enorme leva de estrangeiros por aqui aportaram tornando-se seringalistas, banqueiros, aviadores, comerciantes, transportadores etc.

O Scholz tornou-se um Barão, um homem rico e próspero, tanto que, em 1903, iniciou um mega projeto de construção de um palacete para fixar a sua moradia, executado por um arquiteto italiano.

Foram oito anos de muito trabalho e gastos enormes, finalmente terminado em 1910 e inaugurado em 1911.

Ficou conhecido como Palacete Scholz, na Avenida Sete de Setembro, entre as duas Pontes Romanas (I e II). A sua residência era uma obra prima, milionária, eclética, imponente, perdendo somente em magnitude para o Teatro Amazonas.

Não esperava, nem sequer sonhava, que tudo isto iria por água abaixo em um breve espaço de tempo, secando a sua fonte de renda e de outros ricaços, indo todos à falência, deixando um rastro de miséria e de abandono das cidades de Manaus e Belém (outrora lindas e maravilhosas).

Tudo remou contra. Entrou em produção a borracha asiática (roubada as mudas pelos ingleses e plantadas em países com o clima parecido com o nosso).

As nossas seringueiras eram nativas (os seringueiros tinham de entrar na mata fechada e abrir caminhos para encontra-las e colher o seu precioso látex), um trabalho dispendioso, caro, desumano, de semiescravidão).

Por outro lado, as asiáticas foram plantadas de forma racional, com milhares delas próximas umas das outras, de fácil manejo, com custos reduzidos e uma produção cada vez maior, baixando drasticamente o seu preço no mercado internacional, tornando a produção amazônica praticamente inviável.

O Scholz ficou “a ver navios”, travado e imerso em dívidas cada vez maiores, sem poder manter a sua suntuosa residência. Para salvar a sua empresa recorreu a um empréstimo (1911) de 400 Contos de Réis (prazo de um ano e juros de 9% a/a), acertado com um rico comerciante do Purus, o seringalista e Coronel Luiz da Silva Gomes (este ainda estava “em cima da carne seca”), dando como garantia o Palacete Scholz.

Para completar o cenário de caos, veio a Segunda Guerra Mundial (1914-1918), com a suspensão da rota marítima de Hamburgo (Alemanha) até Manaus, impedindo o Waldemar Scholz de exportar os produtos regionais para os seus principais compradores.   

O alemão não conseguiu honrar a sua dívida para com o brasileiro seringalista, sendo executado em 1914, obrigar a vender por 121 Contos de Réis (1916) o seu belíssimo imóvel para o exequente (ainda ficou devendo 618 (400 de empréstimo + juros + honorários + custas).

Em 1918, o Scholz resolveu voltar para a Alemanha. Em 1928, ano de seu falecimento, a Assembleia legislativa do Estado do Amazonas, fez um Necrológio (elogio fúnebre).

Os Scholz ainda permanecem no Brasil, principalmente em Curitiba, no Paraná. Na Alemanha um deles é o “manda chuva” daquele país.

O Palacete Scholz foi alugado, em 1914, e depois vendido ao Estado do Amazonas, em 1918, por 200 contos de Réis, o equivalente hoje em 24 milhões de reais. Na realidade, ele valia naquela época 600, equivalente hoje a 74 milhões de reais.

Virou Palácio Rio Negro, depois, Centro Cultural Palácio Rio Negro, um prédio belo e bem conservado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa – SEC, que juntamente com o maior parque urbano de Manaus, o Parque Jefferson Peres, viraram um dos melhores lugares para visitar, caminhar e conhecer um pouco da história de Manaus.

  

Scholz, um sobrenome de família alemã que fez história na cidade de Manaus, na pessoa de um senhor chamado Waldemar Scholz.

É isso aí.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_Rio_Negro_(Manaus)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Olaf_Scholz

https://web.facebook.com/Manausdeantigamente/posts/2102721413124639/

https://pt.slideshare.net/Matthausouza/apresentao1-2141125

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=872784&pesq=Waldemar%20Scholz&hf=memoria.bn.br&pagfis=5032

quarta-feira, 15 de junho de 2022

RIO JAVARI

 José Rocha

Com o desaparecimento do jornalista inglês Dominique e do indigenista brasileiro Bruno, o Brasil ficou, novamente, em voga internacionalmente e, em particular, o Rio Javari.

O nosso Amazonas é tão grande que não cabe dentro da cabeça de muitas pessoas a concepção de sua dimensão.

Somente para termos uma ideia, a Reserva do Javari, onde o Rio Javari está inserido, possui o tamanho equivalente ao nosso país-irmão Portugal.

Eu sou amazonense de Manaus, no entanto, somente fui ater a minha atenção àquele lugar quando o Boi Caprichoso, em 2019, lançou a seguinte toada:

Vale Do Javari

Javari Ituí
Javari Curuçá
Javari Itaquaí
Bacia dos belos Matsuí
Berço bravo dos Mayoruna-Curuçá
Sina feliz dos Kulina Itaquaí
Braço forte dos Marubo Javari
Cacete de morte dos Kixitos Kaniuá á á...

Vale do Javari
Vale das madeiras
Perola á á...
Palmeiras do Javari
Dos índios arredios
Perola á á...

Nada vale como um Vale de lágrimas
Vale pela vida, pelo sangue dos Mayorunas

Pelo riso dos Matis
Pelo viço dos Kulinas
Pela arte dos Marubos
Pelo cacete dos Korubos
Pelo grito de guerra á á...
Dos Kanamarís...

Ê ê ê iê iê ê...

Remate dos males
Atalaia do Norte
Estirão do equador

 

Quem conhece um pouco de história da nossa cidade Manaus e do Amazonas, sabe muito bem que, bem aqui no centro antigo de Manaus moravam várias tribos indígenas e com o passar dos anos foram sendo exterminadas.

 

Para sobreviverem, os seus descendentes foram sendo empurrados para lugares cada vez mais distantes. Para termos uma ideia, os índios do Javari estão em uma área de mata densa na fronteira com o Peru e a Colômbia.

 

Na bela toada do Boi Caprichoso, viajamos nos rios que fazem parte do Vale      do Javari, nas tribos que ali habitam e dos índios arredios, passamos                     por Atalaia do Norte, além de mostrar a todos que Javari é uma palmeira amazônica, e que “Nada vale como um Vale de lágrimas.                                                            Vale pela vida, pelo sangue dos Mayorunas”.

 

O Rio Javari nasce no Peru, percorrendo mais de mil quilômetros até desaguar no Rio Solimões, no Palmeiras do Javari, Estirão do Equador e nas cidades         de Atalaia do Norte e Benjamin Constant.

 

No passado, havia um ufanismo dos brasileiros ao levantarem a bandeira com “O Petróleo É Nosso”, com o passar do tempo, os donos são os gringos investidores, assim mesmo está sendo quando muitos brandam “A Amazônia É Nossa”.

 

Será, parente? Sei, não! Pelo visto, a Amazônia pertence em sua grande parte aos madeireiros ilegais, pescadores predadores, garimpeiros, traficantes de drogas e a todos aqueles que praticam todos os tipos de ilícitos.

 

O Rio Javari continuará com a sua trajetória, passando pelo Rio Amazonas até desaguar no mar, mesmo sofrendo e sendo impactado pelas forças do mal, no entanto, o mundo voltou os seus olhos a ele, bastou dois seres humanos serem mortos por o defenderem os índios e ribeirinhos do bem que habitam àquele rio.

 

Dois mártires, o Dominique e o Brunho, irão salvar o Vale e o Rio Javari.

 

É isso ai.

sábado, 28 de maio de 2022

VIAGEM À VELHA CERPA COM VELHOS AMIGOS

 Hoje, uma bela última sexta-feira de maio de 2022, reencontrei velhos amigos na nossa amada Rua Tapajós, centro de Manaus, onde tive a oportunidade ímpar de voltar ao passado, pois foram personagens, em tempos idos, de uma viagem à Pedra Pintada (Itacoatiara, em tupi guarani), a nossa amada e querida “Velha Cerpa”.

Era o ano de 2000 e não seu quanto, estava descasado e motorizado, com uma máquina conhecida como “Santanão” que dominava o quarteirão, no entanto, era uma refinaria que torrava a gasosa de montão.

Na minha rua, o mecânico mais famoso era o “Louro Isaac”, um cara que ficava somente na espreita dos automóveis que desciam de ré a ladeira, para chegar perto do motora e falar:

- O teu carro não sobe a ladeira em decorrência da sujeira do carburador!

Aí era graça. Tantos fez e aconteceu que os amigos falavam:

- Se o pneu do teu carro furou, chama o Isaac que é carburador!

Mudando de pneu para carburador, vamos voltar ao Santana cheio de força e de dor e amor:

Pois bem, o Isaac deu um grau no carburador, no chão e encheu o tanque de montão, para uma viajem longa até a famosa e querida cidade de “Pedra Pintada”, distante de Manaus 270 quilômetros, com viagem de carro em torno de quatro horas durante o dia e seis pela noite.

Resolvemos sair à meia-noite de uma sexta-feira. O motora era eu, pois tinha passado a noite tomando uma cerveja sem álcool (uma tal de Kronenbier), o Luís Carlos (Carlão), Isaac Louro, sua esposa Nete e seus filhos capetas menores, o Mizaque e o Adriano.

Ao sair, senti que estava um pouco tonto, meio bêbado, talvez. Como é que pode? Somente tomei cerveja sem álcool. Será que era psicológico ou tinha um pouco de álcool naquela Kronenbier? Propaganda enganosa, sei, não, parente! Só sei que estava de boa!

Peguei o “Santanão” no timão, somente não entrei na contramão. Passamos de boa na “Barreira da BR-174”, pois o motora estava sóbrio até chegarmos a um Posto de Gasolina, onde fui tomar cerveja “de verdade” e passei o comando para o Isaac, que conhecia a estada como “a palma da mão”.

Os filhos do Louro Isaac, o Mizaque e o Adriano, passaram a noite na algazarra geral, sem chance de dormir, aliado aos solavancos da buraqueira general.

Chegamos ao alvorecer da madrugada. Coisa linda e bonita a cidade de Itacoatiara!

Meus pensamentos voltaram ao passado, dos tempos bons de minha juventude recatada, onde passei momentos bons e belos naquela cidade tão bela e encantada.

Foram dois dias de encantos, cheia de pessoas boas e remansos.

Sou manauara, sinto orgulho de minha cidade histórica, assim como sinto o mesmo prazer e felicidade das cidades históricas de Parintins, Manacapuru e Itacoatiara.

Nunca mais voltei à Itacoatiara e das minhas estórias.

Passados muitos anos, agora, voltei ao passado, ao reencontrar velhos amigos que viajaram comigo para Itacoatiara!

É isso aí.

sábado, 7 de maio de 2022

DIA DAS MÃES



Cadeira de Palinha da minha mãe Nely Fernandes.


Muitos anos escondida e abandonada.


Ressurgiu novinha em folha.


Um trabalho do meu amigo Edsonleal Leal , o Rei da Palinha.




Um presente à memória de minha mãezinha.

Feliz Dia das Mães!

— em Rua Tapajos


terça-feira, 3 de maio de 2022

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

 



   Dias desses, resolvi voltar ao passado, revirando e tirando o pó dos meus discos de vinis, um deles me chamou atenção, era da Trilha Sonora do Filme “Em Algum Lugar do Passado”, uma composição do John Barry, de 1985, fiquei louco para ouvi-lo novamente, mas faltava um Toca Discos.

Deixei o disco separado em uma estante, para um dia voltar a viajar no tempo ao ouvir a bela composição da trilha sonora do filme, na esperança de comprar um legítimo “Prato” SL-MK1200 Silver marca Technics, que por sinal vale uma fortuna, peça que no passado já tive um e o vendi por “preço de banana”.

Hoje, coloquei o referido disco em frente ao meu computador e abri o aplicativo YouTube Music (sou assinante) e digitei o nome do filme, para minha surpresa apareceu igualzinho ao meu velho vinil.

      Passei a ouvir e a escrever este texto, pois sou saudosista e sempre gosto de voltar ao passado, para lembrar da minha infância, adolescência e o início de minha vida adulta.

Segundo o site https://www.adorocinema.com/filmes/filme-42156/       a Sinopse é a seguinte:

“Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estreia da sua primeira peça uma senhora idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso e diz: "volte para mim". Ela se retira sem mais dizer, deixando-o intrigado. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, decide viajar sem destino certo e se hospeda no Grand Hotel. Lá visita o Salão Histórico, repleto de antiguidades, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher, Elise McKenna (Jane Seymour), que descobre ser a mesma que lhe deu o relógio.”


   Muitas coisas passaram pela minha cabeça, lembrando como era a minha cidade quando eu era criança, quando andava sozinho pela Avenida Eduardo Ribeiro, onde ficava admirando as lojas, os prédios antigos, o Cine Avenida e o Odeon, além do Largo da Matriz e do Aviaquario, do Relógio Municipal, os ônibus antigos, o Tabuleiro da Baiana, a Praça do Congresso, Ideal Clube, Palacete Miranda Corrêa, além de ficar admirando as pessoas bem vestidas e educadas e muito mais.

   Continuei ouvindo a música, voltando a lembrar do meu amor juvenil, uma mulher que foi para o Rio de Janeiro, voltando quando eu já estava preste a casar, partiu novamente e nunca mais voltou – se estiver viva deve ser uma sessentona com os cabelos brancos. Não sei.

   De algum lugar do passado viajei, mas não nada encontrei, apenas as lembranças da minha Manaus antiga e do meu primeiro amor.

   É isso ai.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

DE BAR EM BAR

 

DE BAR EM BAR

José Rocha

Parte I

Sou da Mana Manaus, manauara da gema, escritor e boêmio igual ao meu saudoso pai Rochinha; conhecedor e frequentador assíduo desde tempos idos de todos os botecos tradicionais da nossa cidade, onde presenciei in loco muitos causos e causas perdidas em noites quentes cheias de gentes sedentas de cervejas, músicas e corações para se apaixonar e desapaixonar no dia seguinte.

O meu amigo de longas datas, o Jack Cartoon, editor do O Ralho (a visão contestadora, humorística e diária da realidade), pediu-me para fazermos uma parceria, para eu escrever as minhas crônicas e ele fazer as caricaturas, topei na hora. Será uma honra.

A Mesa da Diretoria do Bar Caldeira                                        

        Até hoje é a preferida pelos mais antigos por dar uma visão privilegiada de todo o interior do bar e ficar bem em frente ao aparelho de televisão. Um lugar ótimo para assistir a um jogo de futebol ou a apresentação de shows musicais interno. Por ser grande é a preferida para fazer comemorações. Tradicionalmente, quem senta na cabeceira de qualquer mesa grande é uma pessoa importante, o chefe superior ou o pai de família. Traz destaque e status para a pessoa.  No Bar Caldeira é a mesma coisa. No entanto, ficou famosa até os dias de hoje por outro motivo. Segundo contam os mais antigos quem        sentar-se, costumeiramente, na cabeceira e de costa para a parede está chamando a morte, pois traz agouro, antecipando a lista da fila dos que irão para o andar de cima. Se for lenda ou não, eu não sento lá de jeito nenhum. Na realidade, aquele lugar é o preferido pela pessoa que bebe todo dia, pois dificulta a sua visualização por quem passa  à    ou  de carro.

        Pavão – É representante de laboratórios farmacêuticos. Grande músico e irmão do Mark Clark e do Flávio de Souza. Nunca o vi bebendo no bar, no entanto passava todos os finais de semana por lá, parava e olhava para dentro do bar e caso conhece o sujeito que estava sentado na cabeceira da mesa, falava, na brincadeira:

- Tu   vais     ser   o   primeiro   da    fila!

De tanto tirar saro da cara dos outros foi apelidado de “Rasga Mortalha”.  

       Tapinha – O seu prenome era Atalpha, mas por ser baixinho ficou conhecido no bar como Tapinha. Certa vez ele foi à missa de sétimo dia de um boêmio do Bar Caldeira, na Igreja de São Sebastião, ele chegou atrasado e bêbado, ao entrar falou bem alto:                 

- Falavam que eu era o primeiro da fila, né? Tô nem ai. Ainda irei enterrar muita gente, incluindo até o padre que está ai no altar!                    

A galera do Bar Caldeira estava em peso, todo mundo começou a rir, incluindo a viúva, os parentes e até o padre e os coroinhas.  O Tapinha continuou sentando na cabeceira da Mesa da Diretoria e

tempos depois atravessou o espelho. O seu filho, o Athalpa Filho, sucedeu ao pai na boêmia. Frequentava o Bar Caldeira aos domingos.  Ele tinha um mote:

- Prefiro  ser  corno  a  ser  diabético!

Certa vez, o Athalpa estava em companhia do advogado Dr. Marco Aurélio, conhecido por “Barrão”, os dois estavam bebendo no Caldeira, quando passou por lá a namorada do Sacy da Pareca, a “Sincera”, ela estava com um shortinho e sapatos altos, desfilando pela José Clemente, quando ia descer o ladeirão da Lobo D´Álmada caiu no chão, essa Athalpa deu uma risada bem alta e ficava apontando para ela. Depois dessa, a Sincera nunca mais apareceu por lá.   Quando ele ia ao bar ficava admirando a foto de seu pai ao lado do Vinicius de Moraes. Infelizmente, não resistiu a Covid-19 vindo   a   falecer   em   dezembro  de  2020.

          Doutor Lió – Era um dentista da melhor qualidade. Querido por todos. Foi um bom amigo. Era espiritualista. Gozador nato e tirava saro de tudo e de todos. Fumava que nem uma caipora. Era inveterado por cigarros. Em 2011 foi aprovada a Lei 12.546 chamada Lei Antifumo que proibia fumar em todo país em ambientes fechados públicos e privados. Apesar de ainda não ser regulamentada, o que somente aconteceu em 2014, o Adriano Cruz, colocou um aviso proibindo expressamente os clientes fumarem dentro do bar. A lei estabelecia multas e até a perda da licença de funcionamento em caso de desrespeito a norma. A segunda providência foi jogar no lixo todos os cinzeiros.  Falava em voz alta:                                      

- Quem quiser fumar, que fume, porém, lá fora, aqui dentro, não! Agora é lei. Leia o aviso na parede.                                                     

Foi complicado. Muitos não aceitavam e teimavam em fumar no interior do estabelecimento, o que eram na hora repreendidos. O Doutor Lió   era   a   única exceção.                                                         

Sempre após o expediente batia o ponto no bar e o seu lugar preferido era exatamente àquele em que   a      maioria       fugia     por ser agourento: a cabeceira da Mesa da Diretoria, de costas para a parede. Meu Deus.  O seu filho mais velho sempre ia ao bar pegar uma grana com o pai, depois que o primogênito saía, ele falava:                                         

- O filho passa nove meses na barriga da mãe e o resto da vida colocando no do pai! – ficava batendo a mão direita aberta na mão esquerda fechada.                     

Era tudo brincadeira, pois amava e admirava muito os seus filhos. Quando levantava para “tirar água do joelho” falava:

- Agora vou pegar no pesado! – referindo ao   seu bilau.

Segundo a atriz Socorro Papoula, ele tinha várias namoradas, mas possuía uma preferida, era uma enfermeira baixinha e bonitinha. Após tomar todas, pagava a conta e dizia:                                               - Agora vou prá casa fazer sexo, a minha namorada Juceta já me ligou várias vezes! – era   a   sua preferida.

Passou uma temporada sem fumar. Ficou abstêmio da nicotina. Quando alguém perguntava o que ele fez para parar de fumar,

respondia:

- Prometi a mim mesmo se voltasse a fumar daria o traseiro duas vezes por semana! 

Não cumpriu a promessa e voltou a fumar novamente. Com o tempo apareceu o nódulo no pescoço, foi crescendo lentamente. Um dia reuniu alguns amigos do bar, entre eles o Adriano, Miudinho e o Jorginho, foram para Maués, no navio Dona Carlota. Ninguém sabia, mas estava se despedindo dos amigos e da vida. Morreu de câncer pouco tempo depois. Será sempre lembrado por  todos  os velhos   boêmios.

       O Lanterninha Farias – Trabalhou por longos anos no Cine Guarany ajudando assentar as pessoas que chegavam atrasadas, pois com a sua lanterninha sabia perfeitamente onde existiam cadeiras vazias.               Ele era um cara que tinha uma grande cabeleira, tirando a todo instante do bolso um pente da marca “Flamengo” para penteá-la. Usava sempre um enorme óculo de sol, acho que se inspirava em algum ator de cinema das antigas, além de ter um vozeirão daqueles e falava pelos cotovelos, parecia com aquele comediante famoso, o “Zé Bonitinho”. O cinema era frequentado por um grupo especial formado pelo Jeremias, Mococa e outros rapazes alegres, que davam em cima da molecada.  O Farias sempre ficava de olho nessa turma que aproveitava a escuridão para alisar os marmanjos. Muitos anos depois, reencontrei o Lanterninha Farias, no Bar Caldeira, pois ele morava por aquelas imediações. Conversamos muito sobre o nosso saudoso Cine Guarany, lembrando e sorrindo dos velhos e bons tempos que não voltarão jamais.  Aparecia somente aos domingos quando a Velha Guarda se apresentava. Bebia somente no lado de fora do bar. Era invocado com a Mesa da Diretoria, falava que ela trazia agouro e quem ali se abancasse por um bom tempo, faleceria precocemente. Coisas de louco. Passou uma temporada enchendo “a cara” debaixo de uma árvore frondosa, no Bar Mangueira, vindo a falecer tempos depois. De nada adiantou fugir tanto da Mesa da Diretoria.

        Artista Plástico Palheta – Era frequentador assíduo do Bar Caldeira. Tive o privilegio de conhecer dezenas de trabalhos realizados pelo grande artista plástico, bem como, de usufruir da sua amizade e de ter tido a oportunidade de conhecer alguns causos muitos hilários, tendo como personagem principal o nobre amigo. Trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, no período de 1975 a 1980, na respeitada função de ilustrador botânico. Tinha uma capacidade incrível para retratar o rosto humano, chegando até ser colaborador da Polícia Civil,  fazendo o famoso “retrato                           Durante todos esses anos de amizade, sempre o apoiei, valorizando os seus trabalhos artísticos, com publicações no BLOGDOROCHA, além de passarmos horas conversando, rindo das piadas e causos que somente ele sabia contar. Gostava de sentar-se somente na Mesa da Diretoria, pois era um artista considerado por todos. Viva somente de seu trabalho, no entanto, passava meses sem vender nenhuma obra, o que o deixava cabisbaixo, mesmo assim não deixava de frequentar o bar e os amigos do peito sempre pagavam umas ampolas para ele. Quando estava “Barão”, andava bem vestido “no linho”, levantava os ombros e a cabeça e pedia somente doses de Uísque. Falavam que ele ficava esnobe e chato (boçal), mas era “mão aberta” e fazia questão de retribuir pagando cervejas para aqueles que ele “serrava”, brindando até com tira-gosto de Queijo Bola.  Quando a fonte secava, voltava novamente a “estaca zero”.  Era o momento para armar-se de sua prancheta, papel A4, lápis e borracha para fazer caricaturas no Bar Caldeira, principalmente aos domingos à tarde quando se reunia a velha guarda mais abastada financeiramente. Certa vez, ele contou-me um acontecido no bar: chegou por lá um sujeito que ninguém conhecia, ele ficou a observar o Palheta fazendo o seu digno     trabalho, chegou perto e falou-lhe:                                          

- O amigo pode fazer a minha abreugrafia?                                    

O Palheta arregalou os olhos e disparou:                                           

- Olha aqui meu amigo, sou o artista plástico Palheta e faço caricaturas, quem faz      abreugrafias     é     ali          embaixo       na   Rua  Lobo  D´Álmada, vai lá e      procura       o      Ambulatório           Cardoso      Fontes!

O cara insistiu:

- Faz essa porra ai mermo!                                    

O Palheta levantou-se, tufou o peito e pensou “Puta que o pariu, seu eu não estivesse liso e com duas contas de luz atrasadas eu daria umas porradas neste tuberculoso, somente para respeitar o trabalho do artista plástico”.  Mesmo assim fez um trabalho caprichado e pelo abuso do camarada cobrou   dobrado pela abreugrafia.

Outra vez, a jornalista Hermengarda Junqueira, do Jornal Amazonas Em Tempo, encomendou uma obra do Palheta. Trancou-se em seu ateliê na Rua Maués, no bairro da Cachoeirinha e fez um belo trabalho. Ele estava “mais liso do que sabão na tábua”. O jeito foi ir de ônibus até o bairro do Aleixo onde ficava a sede o jornal. O busão estava lotado, colocou o quadro na cabeça e foi em pé. Ficava esbarrando em todo mundo. Um cidadão falou:

- Não dá para o senhor abaixar essa Tábua de Pirulito!   

Pense num cara puto de raiva:                                          

- Isto     aqui      é uma obra de arte.  Tábua        de      Purulito  é  o  caralho!                     

Quando chegar lá depois de muito sacrifício, a jornalista falou:                 

- Passe daqui uma semana para receber o seu dinheiro!                    

Ai foi para acabar de vez com o artista:                                            

- Pelo o amor de Deus! Tô na lisura. Vim de ônibus e fui xingado por todos.   Sem    chance.                     Pague        pelo        menos    a      metade          agora!

Ela ficou sensibilizada e pagou tudo no monte. Ai foi graça. Pagou as contas atrasadas e foi direto para o Bar Caldeira, sentou-se na  Mesa da Diretoria e começou a tomar Uísque com queijo bola, é claro!                      

Outra vez, ele e o artista plástico Inácio Evangelista foram contratados para fazerem a ornamentação de carnaval do Clube Sírio Libanês, na Avenida Constantino Nery. Quando estava tudo pronto, chegou o promoter da festa para fazer a verificação dos trabalhos. Falou:        

- Quem fez esta decoração?

O Palheta “subiu nas tamancas”:

- Olha aqui, meu amigo, decoração é coisa de viado. Eu e o Inácio somos artistas plásticos e fazemos uma obra de arte e não decoração!                                      

O Evangelista só achava graça  da   onda   do     Palheta.

        Teve problemas sérios de saúde e veio a falecer em agosto de 2015. Hoje, as suas obras impressionistas       e   abstracionistas  estão  muito  valorizadas em Manaus.

        A Turma do Meio-Dia – Existe uma turma que desde tempos idos gosta de beber quando relógio bate meio-dia, na hora do almoço. Falam que é para abrir o apetite. Geralmente a pedida é cerveja, cachacinha, limão e sal. Isto é tradição.  Passa o tempo, alguns deles partem para o andar de cima, chegam     outros,       sempre             renovando.

Detalhe: eles somente gostam de sentar exatamente na Mesa da Diretoria, sempre existindo um deles na cabeceira   de  costas  para   a   parede.  

Cruz, credo!

PUBLIQUE O SEU LIVRO.


ESCRITORES QUE DESEJAREM PUBLICAR OS SEUS LIVROS POR PREÇOS ACESSIVEIS ENTREM EM CONTATO COMIGO.
FUI CREDENCIADO PELA GRÁFICA E EDITORA BUENO TEIXEIRA, VALINHOS (SÃO PAULO).
O PREÇO SERÁ ATRAVÉS DE UM ORÇAMENTO E O PAGAMENTO ANTECIPADO.
PUBLIQUEI UM LIVRO COM ELES E MESMO PAGANDO O FRETE VIA RODOVIARIA O PREÇO FOI ÓTIMO. BASTA FAZER UM ORÇAMENTO NAS GRAFICAS DE MANAUS E COMPARAR COM O DELES.
MAIORES INFORMAÇÕES MANDAR E-MAIL PARA:
JMSBLOGDOROCHA@GMAIL.COM
COMO FICA NO INTERIOR DE SÃO PAULO, FICAMOS COM O PÉ ATRÁS, NO ENTANTO, FIZ UM TESTE COM ELES E VERIQUEI QUE SÃO HONESTOS E ENTREGAM DENTRO DO PRAZO, ALÉM DE POSSUÍREM MAQUINÁRIOS DE ÚLTIMA GERAÇÃO.
GRATO

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O CANHAO DE NAVARONE BARE




O povo brasileiro é gozador mesmo, tanto que em tempos de guerra, nas redes sociais manauaras a foto do "Pirokao do Mazokao" é a mais publicada.


Esta "imundice" nunca funcionou (era para derramar uma cortina de água sendo iluminado por vários canhões de luzes coloridas, dando todo um charme à noite).


Apesar de servir de chacota pela população, esta "fuleiragem" resistiu aos oitos anos do Arthur Nariz de Pinóquio e um ano e pouco do David Miguelagem.


Pelo visto e o andar da carruagem, vai ficar ai até um dia quando houver um bombardeio "dos veras" por um prefeito que for, realmente,  preocupado com a nossa cidade (chega de prefeitos "Migue").


Pensando bem, este canhão deve ser visto e fotografado no espaço pelos satélites dos russos e ianques, intrigando a todos ou "matando de rir".

Por possuirmos um "Kanhao" desta magnitude, poderemos bater no peito e berrar: "Bota pra cima Ruça pratuve".


Eu, hein!


Para os russos lerem:


Pushka Navarone Barre

Brazil'tsy deystvitel'no veselyye, nastol'ko, chto vo vremya voyny v sotsial'nykh setyakh Manausa chashche vsego publikuyetsya fotografiya «Pirokao-du-Mazokao».

Eta «gryaz'» tak i ne srabotala (ona dolzhna byla prolit'sya vodyanoy zavesoy, osveshchennoy neskol'kimi pushkami raznotsvetnykh ogney, pridavavshey nochi tseloye ocharovaniye).

Nesmotrya na to, chto etot «fileyragem» sluzhil shutkoy dlya naseleniya, on vyderzhal vosem' let Artura Narisa de Pinokio ​​i god ili okolo togo Davida Migelagema.

Sudya po vsemu, i poyezdka v karete, ona ostanetsya tam do tekh por, poka odnazhdy yeye ne razbombit «dos-veras» merom, kotoryy deystvitel'no zabotitsya o nashem gorode (bol'she nikakikh merov-migov).

S drugoy storony, etu pushku dolzhny uvidet' i sfotografirovat' v kosmose sputniki russkikh i yanki, zaintrigovav vsekh ili "ubiv so smekhu".

Poskol'ku u nas yest' «kankhao» takogo masshtaba, my mozhem bit' sebya v grud' i krichat': «Bota ap rucha pratuve»!

YA, a!

domingo, 20 de fevereiro de 2022

NOMES E PESSOAS ENGRAÇADAS DOS BOTECOS DE MANAUS

 

Jose Rocha

Mamãe – Ele era músico. Sim, era homem! Mas era conhecido por “Mamãe”. Não sei porquê e nem me pergunte. Segundo o Dr. Fernando Gonçalves, a sua família era dona de um “Banho” no V-8, conhecido como Mucuripe. Ele morava na Rua 24 de Maio e gostava de tocar aos domingos junto com a Velha Guarda Caldeirense. Era magrelo e moreno, chegava sem nada falar, enfiava o cabo na caixa de som, tocava, bebia e nada falava, depois, pegava o beco para a "Casa da Mamãe!".

Mamãe Celestina – É o apelido da Celestina Maria. Engraçado, ela é mãe da Beth Balanço e mais uma carrada de filhos, mas não gosta de ser chamada de “Mamãe”. Quando alguém assim o chama, ela responde na bucha: - Mamãe é o caralho! Pode chamá-la de avô, bisavô e tataravô, mas jamais de mamãe!

Beth Balanço – Gosta de cantar muitos sambas das antigas e algumas da “Jovem Guarda”, em inglês, sem entender “patavina” do que está cantando! Uma coisa combina com o nome: ela é dançarina, balança para todos os lados, canta e encanta, além de fazer contorcionismos, massagens e biritar umas e outras ampolas.

Miudinho – O amigo Alcidies Lima é uma pessoa muito inteligente e bom de papo, é alto e “macetão”, mas é conhecido por “Miudinho”. Conheci alguns baixinhos, como Joquinha, Manoelzinho, Tapinha e outros, mas “grandão” ser chamado do “Miudinho” somente o Alcides.

Sacy – O Sacy Pererê do imaginário popular é um moleque negrinho com somente uma perna e fuma que só! O Sacy da Pareca fala que possui “Três Pernas”, mas uma é “Morta”. Não fuma, mas bebe  no serra, dança, rebola e toca seus instrumentos que não é brincadeira”.

Saquinho de Níquel – Não sabemos se já foi chamado para frequentar eternamente o andar de cima. Ele gostava de dar altas gargalhadas, apesar de ser “banguelo”. Pense! Dizem que foi um homem rico, irmão do governador José Lindoso. Andava sempre com o saco de dinheiro para ajudar a todos, no entanto, aos noventa e poucos anos de idade, o saco de níquel esvaziou e podia apenas pagar uma “Fanta Laranja” e dançar com as novinhas.

Geralda – Ela é o seu “Companheiro” gostavam de tocar instrumentos de percussão nos botecos de Manaus. Ela até hoje “acompanha” os músicos no E.T.Bar. A sua preferência é pelo Tamborim. Faz uma duas décadas que a vejo tocando, mas ainda não aprendeu a manuseá-lo corretamente. Ela dá umas três batidas com uma baqueta e passa a noite toda “atravessando” o samba. Todos os boêmios e músicos de Manaus já se acostumaram com a sua insistência e gosto pela música e boêmia.

Geraldo Capa de Flauta – O camarada era magrelão e altão, mas tinha “pinta de artista” e um puto vozeirão. Gostava daquela música “Conceição, eu me lembro muito bem...” O apelido veio a calhar, pois pense numa capa de uma flauta!  Ele gostava de falar: - Geraldo, Capa de Flauta e Pimba de Flandres!

Jokka Loureiro – Pense num baixinho invocado! Não tolerava perguntas imbecis. Era o nosso Sêo Lunga. Era compositor e parceiro do Waldique Soriano. Os dois cantavam nos lupanares de Manaus e detonavam “as primas” direto tê-o-tô. Era garanhão. Ele falava: - Quem não gosta de música brega, nunca foi num puteiro e não gosta de muer! Só pode ser bicha, não é?

Sallinac – Era aposentado da Receita Federal. Sempre andava pelos botecos vestido de camisa pólo, bermuda e sapato tênis. Era apaixonado por uma única música em toda a sua vida boêmia. Bastava alguém iniciar: - Você é luz... Ele completava: - É raio estrela e luar. Manhã de Sol. Meu Iaiá, meu ioiô... O camarada chegava a chorar. Nunca o vi cantando outra música sem ser o “Fogo e Paixão”.

Sonson – Um caboclo de Maués. Economista, professor e bom de papo. O problema era a “cevada” em excesso. Fazia a “via crucis” nos botecos de Manaus. Pense numa figura! Outra coisa: é evangélico de pai e mãe, uma cristão de paletó, gravada e uma pesada bíblia nas mãos, mas nos finais de semana, o capeta o chamava para o inferno: A garganta coçava que não era brincadeira. Gostava de falar: - Sou um caboco de Maués! Cabrito que é bom não berra! Coloca àquele vinil do Roberto Carlos ai DJ Rocha: “Ainda bem que tocou. Essa música suave. Eu posso dançar com você. Como no Passado...”. Só presta o Reiberto! Bota uma bramita ai seu garçom, tem de ser “canela de pedreiro”!

Chega de pessoas engraçadas! Eu também sou considerado um cara engraçado e folclórico nos botecos de Manaus e tenho as minhas “estórias”.

Existem outras figuras, mas basta por hoje.

É isso ai.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

LIVRO "FLAVIO DE SOUZA - Uma Vida Feita de Musica e Futebol

 




NASCEU A CRIANÇA

O parto foi laborioso, mas nasceu, hoje,  em São Paulo.


Eu queria que fosse amazonense, mas as maternidades (gráficas) de Manaus estão caríssimas.


O jeito foi mandar a cria nascer em Valinhos, interior de São Paulo.


Como é o primeiro da prole, o primogénito, virá com alguns "defeitos de fábrica" (erros e omissões do autor) normais para um trabalho sem a parceria de uma editora (não se interessaram pelo livro).


Acabou de nascer e já vai pegar a estrada até Belém e de balsa para Manaus.


O pai da criança está nervoso e feliz. 


Que tenha uma boa aceitação na nossa cidade.


O Flávio de Souza, o padrinho da criança, está, também, muito feliz.


Daqui uns quinze dias chegará à nossa cidade.


Faremos o lançamento nos botecos de Manaus, com muito samba e cerveja.


É isso ai.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

PREDIO MOURISCO





 FOTO DO DIA - José Rocha

Dois tempos

1908 - data de sua construção. 

Era a residência do Sr. Carlos de Figueiredo, um rico banqueiro. 

Serviu para várias repartições públicas e escola superior da magistratura.


2022 - abandonado pela SEC (governo estadual). 

O jornal A Crítica fez uma reportagem sobre esse descaso e a SEC declarou que não possui recursos para restaura-lo.  

Fala sério!


Fotos:

Manaus antiga, 1910

José Rocha, 2022.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

ESTRADA DO V8


Começa, atualmente, no Complexo Viário Gilberto Mestrinho e termina na Avenida Constantino Nery – uma via pública que marcou toda uma geração de manauaras, por ter sido um local de lazer e descanso.

Mas, afinal, por que chamam de V8?

Fiz pesquisas na internet e, nada! Perguntei dos mais velhos e eles não souberam responder.

Nem o escritor Mário Ypiranga Monteiro, em seu livro “Roteiro Histórico de Manaus” soube precisar o porquê do nome, apenas fez suposições. 

Segundo ele, quando a cidade de Manaus terminava no Cemitério São Batista, as pessoas mais aquinhoadas iam em seus carros para os “banhos”, era a única forma de chegar lá, pois era muito distante. Os automóveis eram dotados de motores tipo V8 (oito válvulas em formato de V). 

Falavam: - Vamos no V8 tomar um banho na estrada?

Era V8 prá cá, V8 prá lá, até que o nome pegou “Estrada do V8”, onde somente ele poderia chegar lá.

Conta, também, que o local por ser muito frequentado pela elite que possuíam automóveis, muitos marmanjos gostavam de falar: 

- Vamos para a estrada tomar banho e apreciar os V8? (parte intima das mulheres em formato de um V que ficavam mais expostos quando estavam de maiôs e o corpo em formato de um oito). 

Onde é hoje o Residencial Efigênio Salles ficava o Depósito Central das Lojas Souza Arnaud e Mavel. Dizem que o velho Euclides de Souza Lima (pai do Douglas e James Arnaud) era dono de quase todas àquelas terras.

O lote de terra onde fica o “Guanabara Clube” foi doado por ele. Ao lado, onde é hoje uma loja de venda de motores e produtos náuticos (o dono é o genro do Douglas) ficava a ARSA, a sede campestre dos funcionários do Souza Arnaud (fechada).

Antigamente “os banhos” como eram conhecidos os balneários, eram todos banhados pelo Igarapé do Mindu. Lembro do “Las Palmas” (Hotel Amazonas), “Nestlé” (dos funcionários da Nestlé), “Agrepo” (Porto de Manaus), "Tucunaré" (frequentado pela elite manauara), “Pedreiras e Banho dos Padres” (Igreja Católica - ainda se pode ver as pedreiras no fundo do Parque Passeio do Mindu), além do “OAB” e da “Caixa” e o famoso “Parque 10 de Novembro” (administrado pela Prefeitura de Manaus).

Até o início da década de oitenta era possível tomar banho naquelas paragens, depois, virou esgoto a céu aberto. Ficou praticamente morto. Eu tive a oportunidade de tomar muito banho na Arsa e no Parque 10 de Novembro. Tive, também, a oportunidade de conhecer, em 2019, a sua nascente no bairro do Jorge Teixeira (zona Leste), onde as suas águas são límpidas, translúcidas e refrescantes. 

Os banhos acabaram faz mais de quarenta anos, mas por lá acontece uma coisa muito encantadora da mãe natureza – de setembro a maio (época da frutificação das mangas e goiabas), vários bandos de periquitos-de-asa-branca dormem nas árvores que ficam bem em frente ao Residencial Efigênio Salles. É um espetáculo da natureza que acontece ao pôr-do-sol e no amanhecer (um barulho peculiar), mas preocupa os ambientalistas, pela constante morte causada pelos veículos pesados que trafegam junto às árvores onde as aves dormem.

A Prefeitura de Manaus criou uma Zona de Controle Especial (ZCE), conhecida como Portal Asa Branca, para preservar a espécie.

Por incrível que pareça, atualmente, existem muitos estabelecimentos com àquele nome, tipo V8 Center, V8 Sushi, Posto V8 e outros. Vários ônibus que passam lá colocam no letreiro “Via V8”.

O seu nome foi trocado para Avenida Efigênio Salles (um político que governou o Amazonas de 1926 até 1929), no entanto, os mais antigos manauaras ainda a chamam de V8.

É isso ai.

Comentário no Facebook

Hildemar Souza

Rocha, eu vou completar esse texto, com as lembranças da minha infância.

Como você citou no seu texto:

- os carros eram poucos. Normalmente, americanos e ingleses. Depois , surgiram os veículos nacionais. Mesmo, assim, poucas pessoas, tinham o poder financeiro de possuir um veículo.

- realmente, os balneários, mais conhecidos eram: Parque 10, Guanabara, Las Palmas, Tucunaré, Agrepo, Pedreiras, e O MURUAMA CLUBE DE CAMPO.

- O início da estrada do V8, era no término da Recife, ou seja, aonde, hoje, existe um viaduto.

- após o Tucunaré, existia uma chácara pertencente a família Benchimol (hoje , Shizen veículos).

- do lado direito, sentido P10 ao Aleixo, as terras pertenciam ao Sr. PHILIPS Daou.

- a estrada era estreita e cheio de curvas. Com o alargamento da estrada, houve a possibilidade de existência de dois pontos, o tradicional pela rua Recife e outro pelo Aleixo. Nessa época, inexistia o projeto da FUA ou UA, e hoje UFAM.

Como, os carros eram limitados, as pessoas de poder econômico altíssimo, a opção para o deslocamento ao Muruama, era através de um caminhão, que se posicionava as 8h da manhã, em frente ao cine Guarani e café do Pina. Esse mesmo caminhão, retornava às 13 ou 14 horas do balneário, realizando o percurso pela rua Recife.

Aqueles que podiam, iam de táxi.

Com a Zona Franca de Manaus, houve um "boom na economia", o que favoreceu uma elevação econômica da classe média e, possibilitando a compra de automóveis, seja, por consórcio ou financiamento bancário.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

BURACO DO PINTO

 BURACO DO PINTO

- Rua Tomás Pinto 


Ficava entre as Ruas Major Gabriel e Joaquim Nabuco, atual Ramos Ferreira.


O nome é de origem popular, além de existirem algumas outras versões fantasiosas.


Segundo o saudoso escritor Mário Ypiranga Monteiro, em seu livro "Roteiro Histórico de Manaus", o correto é que ali existia a Rua Tomás Pinto.


Por ser uma depressão natural, por onde passava o Igarape de Manaus, o povo chamava de "Buraco do Pinto".


O Capitão Manuel Tomás Pinto Ribeiro, era filho do Major Gabriel Ribeiro (emprestou o seu nome para a Rua Major Gabriel).


Em 1957, o então governador Plínio Ramos Coelho, mandou aterrar em definitivo, passando a chamar-se o mesmo nome de Ramos Ferreira.


Por longos anos foi assim conhecido àquele local, mas poucas pessoas sabiam da origem do nome popular.


Atualmente, ninguém chama mais de Buraco do Pinto.


É isso ai.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Rua 24 de Maio Rua 10 de Julho


Essas duas ruas foram assim chamadas em decorrência de duas datas importantes que culminaram com a libertação do elemento servil (escravo) na capital Manaus e no Estado do Amazonas.


O projeto dos vereadores foi assim redigido: "Tomando em consideração as datas faustosas e os acontecimentos que a ela deram lugar, - quais são os da libertação do elemento servil do município da capital e Província do Amazonas e convindo comemorar de uma maneira digna tais fatos, propomos que a rua da Constituição seja denominada 24 de maio e a do Progresso - 10 de julho".


Dia 10 de julho de 1884: O Presidente da Provincia, Dr. Teodoreto Carlos de Faria Souto, proclama emancipação total e definitiva do elemento servil.


Dia 24 de maio de 1884: Foi proclamado, na Praça de Dom Pedro II a libertação dos escravos na capital.


A Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3 353 de 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil.


A cidade de Manaus e o Estado do Amazonas libertaram os seus escravos quatro anos do Brasil oficializar.


Existem várias ruas 13 de maio na periferia, mas a do centro é 24 de Maio.


Algumas pessoas acham que a Rua 10 de Julho é uma homenagem ao Dia de Portugal, mas como vimos foi uma homenagem a liberdade dos escravos no Amazonas.


É isso ai.


Fonte:

Livro "Roteiro Histórico de Manaus", Mário Ypiranga Monteiro.