A atual Universidade Federal do Amazonas – UFAM, instituída em 1909, teve a sua origem numa instituição militar, sendo particular em seus primórdios, passando por várias denominações ao longo dos anos, mantendo sempre uma excelência na formação dos amazonenses e amazonidas.
Para conhecer a sua história de uma fonte fidedigna, fui buscar informações contidas na Revista ‘Archivos da Manáos’, publicada em 1914, da Escola Universitária de Manáos, criada e dirigida por Dr. Astrolabio Passos, com edição fac-similar, em 1989, pela Imprensa Universitária, comandada pelo saudoso professor e jornalista Deocleciano Souza – edição cedida gratuitamente a minha pessoa pelo livreiro Celestino Neto, da Banca de Revista O Alienista.
Tudo começou com a inauguração do ‘Clube da Guarda Nacional do Amazonas’, em 5 de setembro de 1906, tendo como presidente o Coronel Raymundo Affonso de Carvalho e vice-presidente o Tenente-Coronel Bretisláo Manoel de Carvalho Junior, tendo como objetivo maior criar uma escola prática militar. Em 15/03/1907, com o novo Estatuto, além de ensinar a arte da guerra, incentivava a cultura das ciências auxiliares.
Mudou o nome, em 10/11/1908, para ‘Escola Militar Prática do Amazonas’, com dois cursos, um preparatório e outro superior para os militares e, também, abrindo para acesso a qualquer brasileiro, tendo como presidente o Capitão Dr. Pedro Botelho da Cunha. Decorridos poucos dias, em 16/11/1908, mudou novamente para ‘Escola Livre de Instrução Militar do Amazonas’, com inauguração em 28/11/1908.
Em 11/01/1909, passou a denominar-se ‘Escola Universitária Livre de Manáos. No entanto, a sua Ata de Fundação foi em 17/01/1909, data oficial de fundação da primeira universidade do Amazonas, tendo como os primeiros diretores o Capitão Pedro Botelho da Cunha e Tenente-Coronel Dr. Joaquim Eulálio Gomes da Silva Chaves.
Possuía, por fim, cursos para as três armas, além de engenharia civil, agrimensura, agronomia, ciências jurídicas e sociais, farmácia, ciências e letras, dentre outros. A Lei nº. 601, de 8/10/1908, reconheceu os seus Estatutos pelo governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, com a sessão magna de abertura dos cursos em 16/03/1910.
Nesta época, a universidade não possuía um prédio próprio, sendo realizadas as sessões na residência do fundador Dr. Eulálio Chaves, na Rua Lobo de Almada, nº. 85. O governador do Estado, o Coronel Antônio Bittencourt, cedeu o Grupo Escolar Saldanha Marinho, que funcionava pela parte da manhã como escola pública e, a partir da tarde até às 10 da noite, como faculdade, sendo necessário instalar luz elétrica e fazer alguns reparos no prédio.
Com o advento da Lei nº 728, de 29/09/1913, o Estado concedeu como
usufruto à Universidade Livre de Manáos, um prédio na Avenida Silvério Nery
(atual Avenida Joaquim Nabuco), onde funcionava a Repartição de Obras Públicas
(depois funcionou o Colégio Nilo Peçanha). Após ser adaptado, foi entregue
oficialmente em 12/02/1914. Mesmo recebendo mensalidades dos alunos, a
universidade recebia donativos em espécie dos mais ricos da cidade, professores
(lentes) e subvenções municipais.
Após dois anos letivos, foram diplomados oito farmacêuticos, dez cirurgiões-dentistas e três agrimensores. A cerimônia de entrega dos diplomas foi realizada em 01/01/1912, no salão nobre do Gymnasio Amazonense.
Foram diplomados os seguintes diplomados:
Farmácia: Adail Valente do Couto, Júlio Martins de Souza Ramos, D.
Raymunda Frota Leite, D. Clotilde de Araújo Pinheiro, D. Luiza Tibúrcio da
Silva, José Mavignier de Oliveira, Gilberto Frignani e Eliezer Adrião Nogueira
Torres;
Odontologia: Gentil Augusto Bittencourt, D. Julia Bittencourt, D.
Virginia Correa Marinho Falcão, D. Maria Amora, D. Honorina Amora, João de
Oliveira Freitas, Silvério Syriaco de Souza Carvalho, João Chrysostomo
e Silva, Francisco Salles Montello e Manoel Adolpho Pereira Gomes.
Agrimensura: Angelino Bevilacqua, Raymundo Raposo e Anthero Veiga.
Após instalar os cursos de Direito, Medicina e Engenharia, em 13 de março de 1913, a Escola Universitária Livre de Manáos, passou a denominar-se Universidade de Manáos.
Havia uma opinião reinante de que não seria possível organizar o ensino
por falta de pessoal discente, em uma cidade da regiao norte com pouco mais de
50 mil habitantes, no entanto, contrariamente à opinião reinante, foi escolhido
um corpo docente entre intelectuais de reconhecida competência, produzindo
resultados garantidores para o futuro.
Fotos: IDD






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