Já li relatos de pessoas que gostariam de passar
pelo menos vinte e quatro horas sem utilizar o smartphone — esse famoso, odiado
e, ao mesmo tempo, inseparável aparelho. Eu consegui ficar cinco dias e meio
sem usá-lo — um feito inédito para quem antes não conseguia se desligar nem por
alguns minutos. Mas, como dizem, sempre há uma primeira vez na vida.
Meu celular “deu capim na palheta”, como dizem os
ribeirinhos quando surge um problema que impede alguém de fazer algo. Fiquei de
sexta-feira até quarta-feira ao meio-dia sem o bendito aparelho. Imagine a
agonia. Dizem que o uso constante do celular é um vício e, como todo vício,
quando a pessoa deixa de alimentá-lo, entra em uma espécie de abstinência.
Talvez o que mais prenda o sujeito sejam as redes
sociais. Nesse aspecto, até consegui suprir a falta usando meu computador
pessoal. Mas, na rua, a situação era outra. Comecei a observar as pessoas nas
filas, nos transportes públicos, bares, praças, restaurantes, em casa e até
caminhando pelas ruas: todas — com exceção das crianças de colo — usando o
celular de forma contínua, sem parar. Havia até gente usando o aparelho
enquanto dirigia carro ou moto, apesar de ser uma infração de trânsito.
Será que tem gente namorando e olhando o celular ao
mesmo tempo? Acho que sim. Ou não? O sujeito acorda e, antes mesmo de rezar ou
orar, pega o celular. Depois vai ao banheiro com ele, toma café da manhã com
ele, beija a esposa e os filhos olhando para ele. Não tira os olhos da tela até
chegar ao trabalho, onde sempre dá um jeito de consultá-lo. Volta para casa,
repete a rotina e, no fim do dia, adormece com o celular na mão. Meu Deus!
Certa vez, assisti a um podcast em que um dos
entrevistados não conseguia tirar os olhos do celular. Chegou a dizer que
aquele aparelho era o mal do século — mas que a vida dele estava ali dentro. E
talvez esteja mesmo. Hoje, uma pessoa sem celular ou sem internet pode se
sentir isolada no meio da multidão, como se fosse um zumbi.
Há quem tenha dois, três ou até quatro celulares —
imagine a situação! Eu passei cinco dias e meio sem usar o meu único aparelho.
E quem tem mais de um: será que consegue passar pelo menos um dia? Acho
difícil. E você, conseguiria passar cinco dias e meio sem usar o celular?
Creio que seja muito complicado — a não ser em uma
situação semelhante à minha. Afinal, como em tudo na vida, sempre existe uma
primeira vez.









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