quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O GRITO DOS EXCLUIDOS EM MANAUS 2011

Blog do Rocinha: Declaro, para os devidos fins, aos pés da Santa Cruz da Igreja de São Sebastião, que está autorizada a postagem abaixo. O original foi postado no PICICA - Blog do Rogelio Casado. Assina Rogelio Casado, irmão e camarada de fé do meu considerado Rochinha, o Pedra Noventa. Deixem-me explicar o seguinte: Rochinha deixou de comparecer ao Grito dos Excluidos em desobriga familiar (como dizem os rábulas). Sua netinha fazia aniversário. Justificada a ausência, me senti na obrigação de permitir a reprodução do referido post. Com isso, vou ao encontro do desejo do meu irmão Rochinha, que em outra circunstância estaria presente no maior evento do calendário cristão. Grande Rochinha!

PICICA: A presença do movimento por uma sociedade sem manicômios, representada pela Associação Chico Inácio, no Grito dos Excluídos 2011, foi uma espécie de reconciliação com a Igreja Católica, depois de um grave ruído de comunicação. Vale a pena contar a história. Ali pelo início dos anos 2000 busquei apoio da igreja para angariar assinaturas para um projeto de lei de Saúde Mental, que reorientasse o modelo de atenção no Estado do Amazonas. Não obtive resposta. Fiquei intrigado já que tinha identidade política partidária com alguns companheiros - senão todos - presentes à reunião. Só mais tarde pude juntar as peças do quebra-cabeças. Cometi um equívoco, involuntariamente. Me fiz acompanhar de um anarquista de meia-tigela,  que em discussão com o arcebispo de Manaus costumava tratá-lo com grosseria inominável. A referida criatura tinha pelo menos uma qualidade, pelo qual nos aproximamos. Foi ele quem ajudou o recompor o tecido da resistência à passividade que se abateu sobre o setor de Saúde Mental, fator que contribui para que a Reforma Psiquiátrica no Amazonas ficasse à deriva. Entretanto, o tratamento dispensado a alguns de seus interlocutores era deplorável. Faz parte da cultura cristã: paga o justo pelo pecador. Foi meu caso. Ontem, lavei a burra. Santo Grito dos Excluídos! Aproveite e leia o texto de Frei Betto: Grito dos Excluídos 2011.


Enviado por  em 08/09/2011
Pela primeira vez o movimento social por uma sociedade sem manicômios, dignamente representado pela Associação Chico Inácio (filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial) participou "oficialmente" do Grito dos Excluídos. Estavamos em boa companhia. Para citar apenas um deles: os(as) companheiros(as) do movimento socioambiental SOS Encontro das Águas. Na terceira parada, nosso representante, o militante Rogelio Casado pediu pelo fim do manicômio. Já vai tarde!
***
Leia a repercussão do Grito dos Excluídos na mídia e na rede alternativa de comunicação (contribuição da companheira Elisa Wandelli):




terça-feira, 6 de setembro de 2011

TRINDADE, UMA FIGURA DE MANAUS

Ele é uma figura de pessoa, um homem polivalente, formado em Direito, foi policial civil, chegando ao posto de Delegado, onde conquistou a sua merecida aposentadoria; exerceu por muitos anos a função de "Tradutor Juramentado", o homem conhece muito bem as línguas francesa, inglesa e a espanhola; gostava e, ainda aprecia muito um boteco e as cunhantãs; ele é um gozador nato, tendo uma preferência muito grande para com o trocadilho.

Como sabemos, a figura do Delegado de Polícia Civil é a de uma pessoa que exerce as atividades de polícia judiciaria e de apuração de infrações penais, geralmente utiliza um grande óculos escuro para disfarçar, anda armado e não dá bobeira na sua segurança pessoal, mas, o Trindade parecia um arremedo de policial, o cara nunca pegou numa arma, acho que nem sabia atirar direito ou torto.

Ele era sempre escalado para ser plantonista, ou seja, para resolver pequenas broncas acontecidas à noite, as coisas pesadas ficavam para o pessoal da manhã seguinte. Tinha um detalhe: ele gostava de “esticar a baladeira” (atar a rede de dormir) no próprio gabinete, somente levantava quando chegava um Advogado, mesmo assim, ele despachava se embalando na rede! Mas, nada desabonou a sua conduta, foi um policial íntegro e respeitado por todos.

A família Trindade é formada por intelectuais, muitos deles tornaram-se Despachantes Aduaneiros, são bastante conceituados na Praça de Manaus. O nosso Trindade trabalhou um bom tempo nesta função, colaborando com os seus irmãos. Por ser um poliglota, prestou bons serviços para os empresários do Distrito Industrial, na tradução de documentos para serem apresentados à Aduana brasileira.

O cara ficou famoso nos botecos de Manaus, não por brigas ou confusões, não é a praia dele, mas, pela sua irreverência extremada. Gosta de gritar alto: - Lucinda, Lucinda, Filha da P...! Au, au, au, que diabos de casa é essa, somente os cachorros que me esperam! Heeei, olha o Pajurá do racha, Jaca mole e Pupunha sem caroço! 

Para quem não sabe, a Lucinda era esposa de um vizinho do Trindade, o seu marido tomava todas, chegava de madrugada, gritava pela mulher e, ela não abria a porta, soltava somente os cachorros! Adotou o mote de um vendedor de frutas do bairro do São Raimundo, o caboclo dava um berro que assustava todo mundo, tudo para anunciar os seus produtos. Esse berro é ainda muito utilizado no Bar do Armando, deixando o lusitano puto da vida!

Não desejo entrar na vida particular do meu amigo Trindade, mas, todo notívago biriteiro tem os seus problemas com a “Dona Encrenca”, ele teve os seus, tanto que chegou a separar-se várias vezes e, para tirar o atraso da vida, dava com força em cima de uma cunhã (mulher jovem). Adora falar: - Todo cavalo velho gosta de um capim novo! Certa vez, uma coroa retrucou: - Toda porteira velha gosta de uma estaca nova! Sem chance, pois ele nunca foi de "rasgar uma velha!". Eu, hein, nem pensar!

Por ser um homem culto, gosta muito do trocadilho, para ele “O Trocadilho é do Trocaralho!”. A Paronomásia (o popular trocadilho) é uma figura estilística que utiliza as palavras parônimas (com sonoridade semelhante), muita utilizada em discursos humorísticos e publicitários – no caso do nosso amigo, ele utiliza na forma de cacofonia, com fins maliciosos ou obscenos. Trindade, a trilogia, a tríade e o terno, é verdade! Podes crer!

O Trindade é muito querido por todos, faz parte da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) e da Banda do Sete Estrelas, muito conhecido no meio etílico manauense. Ele depois que toma umas e outras, gosta de declarar: - Copo aqui, copular! Terapia alcoolpassional! Hoje o clima está pro piço!   

O Trindade é um amante da natureza, tanto que adquiriu um enorme sítio, na Vila de Paricatuba, em Iranduba, conservou-o durante anos, ele tinha um projeto para construir um “Redodrómo”, uma imensa casa onde os turistas ficariam alojados em redes de dormir! Parece que não deu certo, tanto que ele anuncia a venda do imóvel.

Gosta muito de viajar, passa temporadas no Nordeste, inclusive, comprou um apartamento em João Pessoa, assim como é querido em Manaus é também por lá.Certa vez, ele estava no Aeroporto Val-de-Cans, em Belém, estava aguardando um voo da madrugada para Manaus. Aproveitou o tempo vago para tomar umas geladas, quando entrou no avião ficou na última poltrona.

Quando todos estavam dormindo, com as luzes internas apagadas, ele gritou: - Lucinda, FDP! Todo mundo se acordou e as luzes foram acesas; quando voltavam a dormir, gritava novamente, fez isso uma dezena de  vezes, na décima segunda, ele apenas falava bem baixinho: - Lucindaa....! Os passageiros em coro respondiam bem alto e, em bom tom: - Filha da Puta! Até a tripulação entrou na brincadeira! Foi assim até o avião aterrissar no aeroporto de Manaus!

Esse é o nosso Trindade, uma figura de Manaus! É isso ai.

O ANIVERSÁRIO DO JOKKA LOUREIRO



O Jokka é diferente até no nome, o único que é grafado com dois K’s; nasceu em Cajatuba, no município brasileiro de Manacapurú, no Amazonas; filho de português com uma cabocla do interior, não parece nem um pouco com o seu irmão, um brancão, alto e com cara de lusitano; o Jokka é baixinho, moreno, com a cara de cabocão, puxou para a sua mãezinha.

Todos os anos gosta comemorar o seu aniversário (04/09), com a festa sempre restrita à família e a um pequeno grupo de amigos, fiquei felicíssimo em ser seu amigo e, ter sido convidado para participar do zero oitocentos.

O regabofe aconteceu no endereço do seu famoso restaurante, na Rua São José, no. 9, no bairro de São Raimundo, uma rua sem saída, porém, ao entrar no estabelecimento, a pessoa encontra uma paisagem espetacular do nosso majestoso Rio Negro, o local fica no alto de um morro, permitindo um visão geral do rio e da Ponte que liga Manaus ao Iranduba.

Com o Jokka tudo é farto, com muita comida e bebida à vontade, não dispensei uma “Salada de Bacalhau à Portuguesa”, estava uma maravilha, além de entornar algumas ampolas de Brahma “canela de pedreiro”.

A esposa do Jokka, os filhos e netos, são de uma simpatia muito grande, sempre solícitos e, preocupados em deixar a vontade os convidados. Parabéns a toda a família do Jokka!


Por falar em convidados, houve um grande congraçamento entre eles. Desejo registrar a presença da Socorro Papoula e família, Carlinhos e família, Clair e família, Jânio Bitar e esposa, Luiz e Jamile.


A única coisa que não brilhou muito foi um “conjunto” de som, os caras tocam de ouvido, não conhecem música, tiveram uma dificuldade enorme para acompanhar a cantora Nazaré Lacute e ao Jokka Loureiro.

 No finalzinho da tarde, deu para presenciar o “Pôr do Sol”, uma maravilha da natureza, fiquei emocionado ao ver o astro rei se ocultando no horizonte.

O Jokka é polivalente: cantor, compositor, gozador e comerciante. Um amigo chegou e falou: - Jokka, quantas primaveras? Se referindo a sua idade. Ele mandou ver: - Sou macho, primavera é para viado, faço hoje 61 verões! Depois, começou a contar piadas “pesadas” bem ao seu estilo. Aproveitei os microfones e, contei também algumas anedotas e no final, fiz uma homenagem ao Jokka e família.

Como no dia seguinte seria um feriado, segui junto com alguns convidados para ouvir a uma boa música no “Bar da Loura (ET Bar)”. Parabéns Jokka! É isso ai.







sábado, 3 de setembro de 2011

BLOGDOROCHA: CARAPANÃ DANDO NA CARA QUE NEM PAPEIRA!

BLOGDOROCHA: CARAPANÃ DANDO NA CARA QUE NEM PAPEIRA!: O carapanã é o termo conhecido na Amazônia para definir o mosquito e, a papeira é igual à caxumba, aquela infecção das glândulas salivare...

O ROUBO INGLÊS DAS SEMENTES DA SERINGUEIRA



Segundo os historiadores, o botânico inglês Henry Wickman aportou no Brasil em 1875, veio a serviço do Sir Josesp Hooker, Diretor do Jardim Botânico de Londres, tendo como missão roubar sementes da Hevea brasiliensis, outros tantos, afirmam que não foi bem assim, houve a conivência de muitos, incluindo empresários e o próprio governo.

No primeiro caso, dizem os estudiosos que o gringo chegou exatamente em Santarém (PA), no Rio Tapajós, com o disfarce de professor, depois de algum tempo, conseguiu na calada da noite embarcar em torno de 70.000 sementes, foram diretamente para Londres, posteriormente, enviadas para Malásia e Sri Lanka, colônias britânicas.

Nesses países o clima é quente e úmido, propício para o cultivo da árvore amazônica, foram feitos também uns melhoramentos genéticos e, plantados em fileiras, permitindo uma coleta do látex de forma racional, com a produção em larga escala e a baixos custos, o que não acontecia na Amazônia.

Deu tudo certo para os ingleses e suas colônias; para ter uma ideia, a maior produção da Amazônia foi de 42 mil toneladas/ano, enquanto a Malásia produziu, em 1913, um total de 48 mil ton/ano. Moral da história: houve uma oferta maior, com a queda do preço no mercado internacional, na época cotada em libra esterlina. Acabou para o Brasil, já era!

A outra versão é a seguinte: todo mundo sabia da presença do inglês Henry, sabiam que ele estava coletando as sementes da Seringueira, o Governo do Pará tinha essas informações e nada fez para impedir.

Dizem que os ingleses convidaram o Brasil para participar de um consórcio de empresas, com investimentos de doze milhões de libras para plantar 3,5 milhões de hectares de seringais na Malásia – os brasileiros não deram a mínima e, ainda acharam graça do projeto – para eles, plantar seringueira fora da Amazônia era loucura dos ingleses.

A própria ACA – Associação Comercial do Amazonas - lançou uma propaganda contra o plantio, difundiram que o látex da Malásia não teria a qualidade da seringueira nativa, desmotivando as pessoas plantarem a Hevea brasileira. Olha no que deu!

O Brasil até hoje não se mancou, continuamos colhendo o látex das seringueiras nativas. No Amazonas, foi implantada uma fábrica de beneficiamento do látex e outra de produção de pneus para motocicletas do Polo Industrial de Manaus. Toda a produção do Amazonas é comprada por essa empresa, mesmo assim, os empresários tem que recorrer à Malásia, pois a nossa produção não atende nem 50% de uma única fábrica. É mole!

Realmente, não houve roubo das sementes pelos ingleses, deixamo-los levarem à vontade, fomos demasiadamente arrogantes no passado e, continuamos pecando no presente. Caso não aparecer um louco para plantar a seringueira de forma racional como fizeram os ingleses, continuaremos a importar no futuro, o que já foi nosso um dia! É isso ai.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O SIGNIFICADO DE 05 DE SETEMBRO PARA O AMAZONAS

O Amazonas era subordinado ao Estado do Pará, conseguiu a sua liberdade política através da Lei no. 582, de 5 de Setembro de 1850, por isto é que esta data histórica é tão importante para os amazonenses.

Muitas pessoas não sabem o porquê do feriado estadual nesta data, acham estranho o termo província, pois estão acostumados ao “provincianismo”, quando querem se referir aos costumes, modos ou mentalidade imbuída do espírito da província, atraso, ou seja, da Manaus ou Amazonas de outrora.

A palavra é originária do latim provincia, significando uma divisão regional e/ou administrativa. No Segundo Reinado do Brasil (1840-1889), assim eram chamados as grandes divisões administrativas; com a implantação da República, em 15 de Novembro de 1889, houve a mudança de Província para Estado.

Na realidade, não se comemora a liberdade do Amazonas do jugo do Estado do Pará, mas, a criação do Estado do Amazonas, na concepção de uma unidade de administração, com vida própria, dona dos seus destinos, com a sua Constituição estadual, evidente, respeitando a Carta Magna e ao federalismo.

Um dos homens que mais lutou para que isso acontecesse chamou-se João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, a sua majestosa estátua encontra-se na Praça da Saudade e emprestou o seu nome ao município de Presidente Figueiredo, uma justa homenagem ao 1º. Presidente (atual Governador) da Província (atual Estado) do Amazonas.

Ele governou de 1º. de janeiro de 1852 a 27 de junho de 1852, ficou doente e foi exonerado, vitima de um incêndio em seu dormitório, veio a falecer em Belém, em 19 de janeiro de 1861; dizem que enlouqueceu. O Jornal do Commercio, na edição especial de aniversário da cidade de Manaus, publicou a biografia do Tenreiro Aranha. Está na minha postagem http://jmartinsrocha.blogspot.com/2010/08/blogdorocha-joao-batista-de-figueiredo.html  

Sabemos que os símbolos do Amazonas são os seguintes: Bandeira, Brasão, Hino, Ordem do Mérito, Insígnia do Governador e Leis e Decreto – Com o Brasão mostrando a confluência dos Rios Negro e Solimões. O Hino é uma bela composição do Jorge Tufic, musicado pelo famoso maestro Cláudio Santoro.

Agora, com relação a nossa Bandeira, apesar das cores branca e azul, colocaram o vermelho, representando o sangue do combate amazonense, em 1897, em Canudos; apresenta também 25 estrelas prateadas, representado os municípios existentes naquele ano, ficando parecida com a bandeira dos norte americanos – precisa ser mudada, acrescentando o verde das nossas matas e, tirando o vermelho de sangue!

Para comemorar a Semana do Amazonas, no dia 1º. de Setembro, haverá a tradicional “Bênção do Fogo Simbólico”, na Igreja de São Paulo Apostolo, na Cidade Nova.

Programação  de 5 de Setembro:



É isso ai. Viva a Semana da Pátria e, 5 de Setembro, o Dia do Amazonas!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CARTA AO JORGE TUFIC

Jorge Tufic, o meu nome é José Martins Rocha, sou um caboclo de Manaus, tenho um blog denominado BLOGDOROCHA, voltado para a cultura amazônica, cheguei até você através do poeta e escritor Rogel Samuel. Estou sabendo que você acabou de fazer 80 anos de vida, que coisa boa e bonita! Parabéns, meu amigo!

Não sei se você foi homenageado em Manaus, caso negativo, irei fazê-lo agora, neste pequeno espaço.

Jorge Tufic, um brasileiro de Sena Madureira (Acre), nasceu poeta, pois o poeta não se faz, ele já nasce feito! Morou e produziu muito na cidade de Manaus, foi agraciado, em 1976, como “O Poeta do Ano”, homenagem do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas.

Foi um membro ativo do “Clube da Madrugada”, da Academia Amazonense de Letras, da União Brasileira de Escritores e do Conselho Estadual de Cultura. A data maior do Estado do Amazonas é no dia 5 de Setembro, na qual se comemora a sua liberdade política – Jorge Tufic foi a pessoa que fez a letra do “Hino do Amazonas”, que coisa bonita ele escreveu: “Amazonas, de bravos que doam. Sem orgulho, nem falsa nobreza. Aos que sonham seu canto e lenda. Aos que lutam mais vida e riqueza”. Palmas, muitas palmas para o Amazonas e para o Jorge Tufic!

Ele foi um funcionário público, ao se aposentar mudou-se para Fortaleza, onde passou a exercer integralmente a literatura. Escreveu "Varanda de Pássaros",  "Poema-Coral das Abelhas", "Agendário de Sombras", "Trinta Anos de Clube da Madrugada", "Chão Sem Mácula", "Sonetos de Jorge Tufic" e outros tantos.

Jorge Tufic, que Deus o proteja. Parabéns pelos seus oitenta anos! Valeu! 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

RIO HAMZA


O Rio Hamza é uma das descobertas mais importantes da última década e, foi realizada pela professora amazonense Elizabeth Tavares Pimentel, trata-se de um imenso rio que passa por debaixo do Rio Amazonas, numa profundidade calculada em 4.000 metros.


Os resultados preliminares desse trabalho de descoberta foram demonstrados no 12º. Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, realizado em agosto de 2011, no Rio de Janeiro.


A Elizabeth Tavares é professora da UFAM e coordenadora dos Cursos de Ciências Matemática e Física do Instituto de Educação, Agricultura e Meio Ambiente, localizado no Município de Humaitá. Faz também o seu doutorado no Observatório Nacional (uma das mais antigas instituições de pesquisas, sediado no Rio de Janeiro).


A ilustre professora fez as suas pesquisas em conjunto com o cientista Valiya Mannathal Hamza, da Coordenação de Geofísica do ON, preferiu não entrar para a história como seu nome, fez uma homenagem ao cientista e orientador da pesquisa, dando o seu nome ao rio descoberto.


As suas pesquisas foram fundamentadas nas análises de dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobrás, nas décadas de 1970 e 1980, na Região Amazônica. 


Para ser ter uma ideia da dimensão desse rio, a pesquisadora fez a seguinte comparação com o Rio Amazonas:


RIO                   VAZÃO M3/S          LARGURA KM         VELOCIDADE
AMAZONAS            133                          1-100                     0,1 a 2 m/s
HAMZA                3.090                      200-400                10 a  100 m/a

O Hamza perde somente na velocidade, ele é quase parando, com 10 a 100 metros por ano, mas, nos quesitos vazão e largura dispara em muito em relação ao Rio Amazonas.

Apesar dessa descoberta ter um peso internacional, a pesquisadora esbara na falta de verbas para dar continuidade ao seu trabalho. A Universidade Federal do Amazonas declara não possuir verbas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, ajudou no início e agora declara que não dispõe de recursos para atender a demanda solicitada; somente o Observatório Nacional tem ajudado. 

A água potável será um quesito de sobrevivência das próximas gerações, mesmo assim, estão omissos em ajudar a pesquisadora: a Suframa, UFAM, Ministério da Ciência e Tecnologia, Capes, Ministério da Saúde, CNPq, Fapeam e Petrobrás.

Enquanto milhões e milhões estão sendo desviados no ralo da corrupção, a pesquisadora não recebe R$ 76 mil para concluir o seu trabalho de campo (passagens e compra de uma sonda importada).

Parabéns a pesquisadora Elizabeth Tavares e ao observatório Nacional (ON) e, vaias para as instituições brasileiras que negaram apoio ao seu magnifico trabalho de descoberta do Rio Hamza. É isso ai.


Fontes: Jornal Diário do Amazonas - UFAM e Observatório Nacional (ON).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PRÉDIO ANTIGO DE MANAUS SOBREVIVE AO LONGO DO TEMPO


Este é um dos prédios mais bonitos de Manaus, foi construído em 1908, conseguiu sobreviver à fúria destruidora dos insanos que colocaram grande parte do nosso patrimônio histórico no chão, para construíram em seu lugar os famosos “espigões”.

Ele está localizado na Rua Simão Bolívar, 248, centro, no entorno da Praça da Saudade; dizem os historiadores que ele foi construído para abrigar a família de um rico seringalista que ganhou muito dinheiro com o suor e a morte de muitos caboclos e nordestinos que se embrenharam na Amazônia em busca do látex.

Na fotografia antiga aparece um senhor bem vestido, deve ser o dono do imóvel, com duas crianças ao seu lado, além de um automóvel luxuoso para a época, com um motorista vestido a caráter e, ao fundo, aparecem três senhoras, por estarem na parte detrás devem ser serviçais. Aparecem postes de luz, com lampiões e ruas de chão batido. As portas e janelas todas abertas para receberem a ventilação natural, pois o clima de Manaus sempre foi quente e úmido, porém, acredito que naquele tempo era bem mais ameno. 

O prédio ao que parece deve ser do estilo mourisco, segundo o site http://www.colegiodearquitetos.com.br/  Mourisco é: “Arcos ogivais, rendilhados e minaretes marcam a arquitetura mudéjar ou mourisca, desenvolvida pelos árabes na Península Ibérica. Os adornos são ricos, complexos e abstratos. Esses arabescos geométricos trabalham com enorme variação de cores. As construções são voltadas para um pátio interno, e o interior da casa é protegido pelo muxarabiê. O estilo é facilmente identificável por suas torres e cúpulas ricamente entalhadas. A partir da invasão da Península Ibérica pelos mouros, esse estilo se difundiu no Ocidente. No Brasil, o Rio de Janeiro guarda uma obra erguida no mais tradicional estilo mourisco: a sede da Fundação Osvaldo Cruz”.

Este prédio está protegido por lei, ainda bem que ele abriga uma escola de formação de juízes de Direito, a ESMAN – Escola Superior da Magistratura do Amazonas. Atualmente, está pintado nas cores azul e branco, com as janelas de madeira em péssimo estado. Se os nossos magistrados não protegerem o imóvel, quem irá fazê-lo? É isso ai.

Contribuição dos nossos leitores:

Rogel Samuel: O imóvel abrigou a família de um banqueiro, dono do Banco de Manaós.

Anônimo: Quando foi criada a Universidade do Amazonas, no final dos anos 1960, esse lindo prédio em estilo neo-mourisco, abrigou a Reitoria da Universidade.











sábado, 27 de agosto de 2011

AS CIRANDAS DO BRASIL


O vocábulo Ciranda possui uma origem controversa, dizem que é originário do espanhol “Zaranda”, um instrumento de peneirar farinha. Chegou ao Brasil em 1553, trazido pelos portugueses, fincou em Pernambuco, espalhando-se, depois, por todo o país, desembocando no município brasileiro de Manacapuru, no Amazonas, onde é realizado o maior festival de cirandas do planeta Terra.

Nos primórdios, foram as mulheres dos pescadores da zona litorânea de Pernambuco que adotaram esse tipo de dança de roda, imitando o vai e vem das ondas dos mar, depois, foi envolvendo todos os pescadores, trabalhadores rurais, operários, crianças e adultos, todos brincavam independente de raça, cor, credo, condição social ou econômica.

A cidade de Manaus sofreu uma enorme influência dos nordestinos, em decorrência da vinda de milhares deles para trabalhar nos seringais do interior do Amazonas, com eles vieram as tradições, as crenças, o linguajar e as danças.

A Ciranda caiu no gosto dos jovens estudantes amazonenses, todos ensaiavam para apresentações nos festejos juninos. No Colégio Sólon de Lucena, em Manaus, foi muita incentivada pelo professor José Silvestre, que montou um cordão chamado “Dança da Ciranda de Tefé”.

Por volta da década de oitenta, sob a orientação do professor Silvestre, a professora Perpétuo Socorro de Oliveira, levou a brincadeira para Manacapuru, montando a “Flor Matizada”, na Escola Estadual de Nossa Senhora de Nazaré.

O sucesso foi total, tanto que outras escolas começaram a montar os seus cordões, com a Escola Estadual José Mota, criando a “Guerreiros Muras” e a Escola Estadual José Seffair, com a “Ciranda Tradicional”.

Estava montado o palco para a disputa da melhor ciranda de Manacapuru, com a realização do 1º. Festival da Ciranda, em 1997. A partir dai, tomou um grande impulso, forçando a Prefeitura de Manacapuru a construir um “Cirandódromo”, nos mesmos moldes dos “Sambódromos” para Escolas de Samba e “Bumbódromo” de Parintins.

Toda sexta, sabádo e domingo da última semana do mês de Agosto acontece o maior e melhor festival de cirandas, a cidade se transforma, fica entupida de gente. Com a construção da Ponte Manaus-Iranduba, com certeza, no próximo ano a cidade vai afundar de tanta gente! 

 A apresentação das Cirandas, em Manacapuru, tem uma dimensão próxima ao Festival dos Bois de Parintins, com centenas de cirandeiros, bandas musicais, grandes alegorias, coreografia e músicas próprias gravadas em CD, com direito a transmissão ao vivo pelo Amazon Sat, para o mundo todo ver.

Acesse para ver no seu computador (copie e cole o endereço): http://www.amazonsat.com.br/script/aovivo.php?menuSession=5&idMenu=0 
 
Tive o enorme prazer em assistir as apresentações em 2009, em Manacapuru, tirei as fotografias acima, dar para se ter uma ideia da beleza da festa, da cidade e da sua gente querida e hospitaleira. Veja um pouco no YouTube:   http://www.youtube.com/watch?v=HVp4xX7fa5Q

Tempos atrás, na cidade de Manaus, as suas apresentações eram muito disputadas pelo público masculino, pois as cirandeiras usam minissaias e calcinhas transparentes, deixando os marmanjos com água na boca. 

Atualmente, na cidade de Manaus, ainda possui muitas Cirandas, com disputas acirradas, no mês de julho, no Centro Cultural Povos da Amazônia (antiga Bola da Suframa).

É isso ai cirandeiros e cirandeiras do nosso Brasil!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MORTE DO PROFESSOR E CIENTISTA SOCIAL MOISÉS MOTA


O jornal eletrônico Em Tempo noticiou hoje, a morte do professor e cientista social Moysés Mota, reproduzo com pesar a matéria da Yndira Assayag:

“Morreu na noite desta quinta-feira (26), vítima de latrocínio, o professor e cientista social Moisés Mota, 56. Segundo informações preliminares, ele teria reagido a um assalto.

O fato ocorreu por volta de 22h30, em frente à residência dele, no núcleo dez da Cidade Nova 2. Moisés foi atingido com um tiro na cabeça. A polícia ainda não tem pistas sobre os suspeitos.

Amigos da vítima informam que o velório do professor vai acontecer na funerária Almir Neves, na rua Monsenhor Coutinho, Centro”.

Deixei a seguinte matéria no Facebook:  

Lamento muito a perca do meu amigo Moisés Mota, ele foi meu vizinho no Conjunto dos Jornalistas, era uma pessoa com uma cultura muito vasta e, querido por todos. Deu a sua contribuição para o desenvolvimento cultural e social do nosso Estado. Que Deus o tenha! Ele cumpriu a sua missão aqui na terra! Valeu Moisés!









quinta-feira, 25 de agosto de 2011

TÚNEL DO TEMPO: SUCESSOS MUSICAIS INTERNACIONAIS DAS DÉCADAS 70 E 80.

De repente alguém fala sobre anorexia, voltei ao túnel do tempo e, lembrei do “The Carpenters”, uma dupla musical da década de 70, formada pelos irmãos “Karen e Richard”, com a carreira musical chegando ao final em 1983, em decorrência da morte da irmã, com uma parada cardíaca, em função de complicações de uma anorexia nervosa.

Como estava de volta ao passado, esqueci a anorexia da “Karen” e, comecei a vasculhar na minha mente os sucessos das décadas de setenta e oitenta – foram os melhores anos da minha vida, quando sai da infância, passei toda a adolescência e os primeiros anos da vida adulta -, tempos bons, hein!

Hoje, com a facilidade da internet, fica fácil assistir aos vídeos no YouTube, passei alguns momentos ligado no “Close To You”, “We´ve Only Just Begun”, “Only Yesterday” e “California Dreamin” – puro “soft rock” dos irmãos - http://www.youtube.com/watch?v=6inwzOooXRU
Os historiadores escrevem que a década de 70 foi considerada o período do “classic rock”, conhecida também como a “década de discoteca”, com “Donna Summer” marcando época; “Elvis Presley” fez um mega concerto “Aloha from Hawaii” e morre em 1973; o rock progressivo toma forma através do “Pink Floyd”.

Surge também o “glam rock” com o “Elton John” mandando o “Goodbye Yellow Brick Road”, influenciando os jovens a usarem roupas enfeitadas e calças boca-de-sino. Surge também o “hard rock” com LedZeppelin. No rock e blues os “Rolling Stones” tem a sua fase mais criativa.

Quem passou por esta década jamais esquecerá “Os Embalos de Sábado à Noite”, com o “John Travolta” no estilo “disco music” e dando a suas “travolteadas”. O “Michael Jackson” lança os seus primeiros álbuns “Got To Be There”, “Ben” e “Music and Me”, depois, vem “Off The Wall”. Infelizmente os “The Beatles” se separam nesta década.

Na década de 80 o rock chega com uma batida forte e sons pesados das guitarras, uma fase conhecida como “hard rock”. Curti muito “Bon Jovi”, “Gun N´Roses” e “Scorpions”.

Esta década é também conhecida como da “música eletrônica”, com o “New Wave”, “Dance Music” e as primeiras “Raves” mando ver. No Brasil foi lançado o “Rock in Rio”, em 1985. Bandas brasileiras de “rock and roll” como “Legião Urbana”, “Ultraje a Rigor”, “Engenheiros do Hawaii”, “Titâs” e “RPM” dão conta do rock brasileiro.

Alguém pode pensar que domino a língua inglesa, puro engano, sou um “analfa zero a esquerda”, fiz questão de mencionar este período por ter marcado toda a minha geração, fomos muitos influenciados pela música internacional, cantávamos que nem um papagaio, sem saber o sentido das palavras. A partir da década de noventa, comecei a valorizar totalmente a musica popular brasileira e, no virar do século vinte e um, fiquei ligado à música popular da Amazônia.

O Simão Pessoa é um escritor da melhor qualidade, ele conhece de montão a história do rock, tanto que escreveu um livro intitulado “Rock a Música que Toca”, vale a pena ler e entrar no túnel do tempo.

Saindo do túnel do tempo, fica somente a lembrança daquelas décadas boas, uma vez ou outra participo de uma “festa retrô” e volto novamente aos anos 70 e 80. Eu, hein!

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

JORNAL DO COMMERCIO DE MANAUS

Este é um jornal centenário, foi fundado por inspiração do J. Rocha dos Santos (nome dado a uma Rua de Manaus), no dia 02 de Janeiro de 1904 - segundo os historiadores, o fundador faleceu três anos depois, ocasionando um grave transtorno, os familiares foram obrigados a vendê-lo para o Dr. Vicente Reis (pai do governador Arthur Reis).

O que mais chama a atenção de todos, é o fato desse periódico estar em circulação por mais de um século em Manaus, bem como, de preservar o nome original, mantendo a grafia “commercio” de antigamente, além de uma frase em latim ”Labor Omnia Vincit”, com tradução literal para o português “O Trabalho Tudo Vence” – realmente, com muito trabalho, este jornal venceu, atravessou todo o século passado e, chegou ao XXI!

Segundo o site do jornal http://www.jcam.com.br/ojornal.asp  - quando o jornal nasceu aconteciam os seguintes fatos: A República ainda era jovem com apenas quatorze anos/O governo era do Rodrigo Alves/Foi aprovada a vacina contra a Varíola/O Banco da República transforma-se em Banco do Brasil/O Estado do Amazonas era chefiado por Silvério Nery/O Amazonas vivia a fase áurea, com a exportação de 33.090 toneladas de borracha/O Francisco de Assis Chateaubriand de Melo (1892-1968), poderoso jornalista e criador dos Diários Associados, tinha apenas doze anos de idade/O jornal iniciou o seu voo três anos antes de Santos Dumont contornar a Torre Eiffel.

Segundo o mesmo site “O Jornal do Commercio abrigou entre seus colaboradores o filho de Vicente Reis, Arthur Cezar Ferreira Reis, que viria a ser um dos mais renomados intelectuais do Estado do Amazonas. É fato conhecido e contado pelo autor de Os Bucheiros, o escritor Áureo Nonato, ter tido as páginas do Jornal do Commercio como cartilha para alfabetização. Ele, assim como muitos outros naqueles tempos de dificuldade e estagnação econômica, tiveram a oportunidade de conhecer o Jornal do Commercio num período de grande florescência e realização. Entre figuras destacadas que aqui prestaram valiosos serviços, ajudando a manter acesa por período que já ultrapassa um século a chama desta instituição, podemos citar o escritor e compositor Anibal Beça; o atual Secretário Estadual de Cultura, Robério dos Santos Pereira Braga; o ex-diretor de redação de 'A Crítica', Frânio Lima; o historiador e escritor Mário Ypiranga Monteiro; o renomado professor João Crisóstomo de Oliveira, além de Epaminondas Barahuna e José Cidade de Oliveira”.

Atualmente, o jornal não possui uma grande circulação na cidade, fica mais restrito aos assinantes, em decorrência da sua especialização em economia, política, negócios e serviços. Isto mostra o quanto é um jornal sério, longe da grande maioria que circula em Manaus, que optaram pelo sensacionalismo.

No dia 24 de Outubro é comemorado o aniversário da cidade de Manaus – nesta data, o Jornal do Commercio faz um trabalho impecável, primoroso, com dezenas de cadernos, todos voltados para a Manaus antiga, atual e futura – neste dia, ele sai do ostracismo, voltando a brilhar na nossa cidade, não tem para ninguém, eles fazem um trabalho encantador, brindado os manauenses com canetas e um CD com fotografias da nossa cidade.

Os atuais dirigentes do jornal, formado pelos senhores Guilherme Aluízio Oliveira Silva e Sócrates Bonfim Neto, estão orgulhosos de manterem um periódico que nasceu na época do telégrafo, atravessaram o tempo e, hoje estão atualizados com novas tecnologias, plugado na internet e nas facilidades de comunicação via satélite.

Parabéns ao Jornal do Commercio! É isso ai.





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DO FUTEBOL AMAZONENSE

Segundo os historiadores, o futebol amazonense teve início no final do século dezenove, era jogado basicamente pelos ingleses, depois, foi disputado na categoria amadora, de 1914 a 1959, tornando-se profissional a partir de 1960.

Com a produção e comercialização da borracha, conhecida como ouro branco, motivou a vinda de muitos estrangeiros para Manaus, os ingleses chegaram em peso, dominavam a comercialização e o transportes, bem como, foram os responsáveis pela construção de praticamente toda a infraestrutura da cidade.

Por serem os criadores do “footboll”, dominavam a bola muito bem, tanto que se intitulavam “os imbatíveis”, jogavam no horário nobre e, eram chamados de “primeiros teams” – isto chamou a atenção da elite jovem desportiva da cidade, que passou a praticar o esporte e invadir a praia dos gringos.

O crescimento do esporte foi rápido, tanto que em 1914 foi fundada a “Liga Amazonense de Foot-ball”, para coordenar o Campeonato Amazonense de Futebol. Em 1917, foi criada a FADA – Federação Amazonense de Desportos Atléticos, no comando do esporte amador até 1960.

A Federação Amazonense de Futebol (FAF) foi fundada no dia 26 de Setembro de 1960, tendo como primeiro presidente o Dr. Flaviano Limongi, com a sede atual instalada num prédio antigo da Avenida Constantino Nery, 282, centro.

O apogeu do futebol amazonense foi de 1960 ao final da década de 80, com a casa sempre cheia, principalmente nos jogos conhecidos como “Rio-Nal”, sendo o primeiro com 17 campeonatos ganhos e, o segundo, com 40 campeonatos.

Segundo o site da FAF “a Federação está empenhada em fomentar o crescimento do futebol no Estado do Amazonas e dar o apoio necessário a realização de competições e o aumento do prestígio dos times amazonenses”.

Na “Era Dissica” que perdura por mais de vinte anos, marca o afastamento do público dos estádios, com a decadência do apoio aos atletas locais, com campeonato de baixo nível técnico, contrariado tudo o que o propõe os estatutos da FAF.

Assim como tem os “donos” dos times, conhecidos como “cartolas”, existem também os donos das Federações de futebol – lembra do Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama? Pois é, no Amazonas, o dono da Federação é o senhor Dissica Valério Thomaz, com 20 anos no cargo. Na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o dono é o senhor Ricardo Terra Teixeira, com 22 anos no poder. Na FIFA, o senhor Joseph Blatter, está com 13 anos, ele substituiu o João Havelange, este ficou 24 anos a frente da Federação!

A FAF sofreu uma intervenção, mas o Dissica conseguiu voltar ao poder, segundo o Deputado Estadual Luiz Castro (PPS) “Que a Justiça intervenha novamente e coloque um administrador para reorganizar a FAF – essa direção atual tem que cair e que seja antes da Copa do Mundo de 2014”.

Triste final de história para o futebol amazonense, um esporte que começou no final do século dezenove, teve o seu auge de sessenta a oitenta, está morrendo a míngua. A construção da Arena da Amazônia, um estádio de mais de quinhentos milhões de reais, servirá para abrigar apenas três jogos da Copa do Mundo de 2014, depois, será apenas um “elefante branco”, não servirá para nada, pois, o futebol amazonense está morto, faltando apenas enterrar! É isso ai.

MINUTOS DE SABEDORIA


C. Torres Pastorino

Coopere com sua pátria, para engrandecer-se a si mesmo.
A pátria é a reunião de todos nós.
No entanto, evite buscar apenas vantagens pessoais, pois aquilo que você retirar a mais para você estará Prejudicando a outrem, que receberá menos.
Qualquer função é útil à comunidade, e o bem da coletividade se distribui a todos os cidadãos.

Ajude à Natureza!
Não destrua os bens que a natureza coloca a seu dispor, para ajudá-lo a progredir.
Coopere com as árvores, porque elas cooperam com a vida, na purificação do ar que você respira.
Colabore com a pureza das fontes, porque elas lhe fornecem água para dessedentar seu corpo.
Auxilie o solo a produzir, para que o pão seja sempre farto na mesa de todos.
Ajude à Natureza!

Veja, na criança, o futuro da humanidade.
Mantenha-se, por isso, solidário com os trabalhos que visem a beneficiá-las.
Lembre-se de que cada criança poderia ser um filho querido de seu coração.
Colabore na recuperação das crianças desajustadas, sobretudo mediante seu exemplo dignificante e nobre.

Não maltrate os animais!
São também filhos de Deus e irmãos nossos menores, que não adquiriram a faculdade do raciocínio abstrato.
Mas são amigos que precisam de nossa ajuda e carinho.
Não lhes imponha trabalhos demais.
Alimente-os bem.
Trate-os em suas enfermidades.
Faça com essas criaturas de Deus, que dependem de você, o mesmo que você gosta de receber dos Anjos do Bem.

Porque está guardando tantas coisas inúteis?
Para que tantas coisas em seus armários, quando seus irmãos estão com os deles vazios?
Distribua tudo aquilo que lhe não está servindo, para que sua alma não fique pesada demais, quando se afastar da terra.
"O coração do homem está onde está seu tesouro".
Se você juntar muitas coisas inúteis, a elas poderá permanecer preso, sem conseguir alçar vôo para as regiões bem-aventuradas.

Sua irritação não solucionará problema algum!
Medite na grande vantagem de não irritar-se, para não prejudicar sua saúde.
Se você não se irritar, seu interlocutor voltará aos poucos à serenidade, e todos poderão entender-se.
Seja calmo.
Pense bastante antes de falar

sábado, 20 de agosto de 2011

WALDICK SORIANO, UM ÍDOLO EM MANAUS.

Um baiano que ficou famoso na paulicéia desvairada e, foi ídolo de uma geração na manô de mil contrastes, cantando e encantando multidão com o seu estilo musical brega romântico.

Ele perambulava por São Paulo, engraxando os sapatos da negada, sempre cantarolando, era namorador e boêmio inveterado, de repente, alguém o descobriu e o levou para gravar, em 1960, um disco de vinil na gravadora Chantecler, com o título “Quem és tu”.

O seu disco não teve nenhuma repercussão em Sampa, o jeito foi voltar a ser engraxate e levar a sua vidinha de sempre. Depois de seis meses, o seu empresário foi procurá-lo, levando um paletó novinho em folha e uma passagem aérea – o homem estava fazendo o maior sucesso nos puteiros de Manaus!

O cara ficou fissurado por Manaus e pelas caboquinhas do pedaço, dizem que ele era faixa preta de karatê e pegador das mulheres dos outros, tanto que deu de pau em cima do Tigre da Amazônia, um famoso lutador de luta livre, bateu no brabo e ainda levou a sua namorada para São Paulo.

Ele ficou imensamente apaixonado por Manaus, vinha quatro vezes ao ano para a nossa cidade, gostava de cantar nos puteiros, tornando-se um ídolo no bairro de Educandos, onde costumava frequentar a Peixaria São Francisco.

Em 1963, já era conhecido nacionalmente, para ser ter uma ideia, em apenas três anos de carreira musical tinha gravada uma dúzia de discos, mas, não esquecia a sua cidade querida, tanto que gravou um LP denominado “Manaus, Meu Paraíso” - a letra era mais ou menos assim “Adeus, Manaus! Está chegando a hora da partida. Adeus, Manaus! Meu Deus será por toda a minha vida!

Quando não estava na nossa cidade, a briga ficava com os pop-brega Abílio Farias e Nunes Filhos, eles eram “cover” do homem, disputavam para ser o “Waldick do Amazonas”, se vestiam de preto, com paletó, gravata, chapéu e óculos escuros.

O seu maior fã até hoje, chama-se Jokka Loureiro, um misto de cantor, compositor e dono de peixaria em Manaus. Pois bem, o Jokka possui todos os discos do cantor, além de centenas de fotografias em que ele aparece ao lado do seu ídolo maior – os dois eram amigos do peito, parecia unha e carne, gostavam de tomar cachaça, cantar nos puteiros e detonar as primas do “Lá Hoje”.

Lembro da única vez em que vi o Waldick em Manaus, foi no dia da decisão da Copa do Mundo de 1970, eu era apenas um moleque e estava comemorando a decisão do nosso Brasil frente à Itália, estava na Avenida Eduardo Ribeiro, quando avistei o cantor tomando uma birita num bar que ficava ao lado do Teatro Amazonas.

Foram quarenta anos de convivência com a nossa terra, esteve em 2002 pela última vez em Manaus e, em 2006 foi diagnosticado que tinha um câncer de próstata, vindo a falecer em 2008, no Instituto Nacional do Câncer, em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro.

O Waldik se foi, ficou a lembrança de um baiano querido e amado pelos manauenses, um ídolo em Manaus. É isso ai.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

VIAGEM AO PASSADO ATRAVÉS DE UMA FOTOGRAFIA


Dizem os cientistas malucos (quem não é?) que é possível viajar para o futuro, basta termos uma tecnologia que permita um corpo em uma espaçonave disparar numa velocidade da luz, o Einstein já brincava com a Teoria da Relatividade, mas, viajar para o passado é possível? Não sei, porém, enquanto não existir essa possibilidade, irei viajar para o passado através das fotografias antigas.

A foto acima é da Avenida Eduardo Ribeiro, acredito que deva ser da década de quarenta, pois mostra um Bonde e um Ônibus de madeira disputando os passageiros na esquina com Avenida Sete de Setembro, pois os “elétricos” levaram a pior (infelizmente) e, deixaram de circular em 1957.

Observem bem embaixo e ao meio, aparece um dos primeiros “Posto de Gasolina” de Manaus, com dois automóveis em cada esquina e vários outros estacionados bem meio da Avenida Eduardo Ribeiro.

Os postes de luz eram de ferro fundido, com a fiação bifásica, eles ficavam no meio da avenida e em toda a sua extensão. Nesta época, a energia era racionada, prejudicante em muito o funcionamento dos bondes. 

Manaus era uma cidade bem arborizada, vejam centenas de árvores na avenida, bem cuidadas, podadas e com os troncos pintados de branco. Maravilha!

A cidade era pacata, com poucas pessoas caminhando pelas ruas, elas se davam ao luxo de esperar os bondes bem no meio do cruzamento da Eduardo Ribeiro com Sete de Setembro!

Aparece uma banca de venda de “rala-rala”, com uma máquina que raspava um bloco de gelo e servia um suco bem geladinho, para saciar a sede dos nossos antepassados.

Finalmente, aparecem ao fundo, a fachada do atual Instituto de Educação do Amazonas (IEA), a abóboda do Teatro Amazonas e a torre da Igreja de São Sebastião.

Acorda José! De volta ao presente! Realmente, somente uma fotografia pode permitir uma viagem ao passado! É isso ai.