quinta-feira, 19 de maio de 2016

MEU AMIGO ROGELIO CASADO


Conheci o médico Rogélio Casado no Bar do Armando, centro antigo de Manaus, tornamos amigo por termos algumas coisas em comum: o amor pelo carnaval de rua da BICA, pela fotografia, por fusquinha e pela nossa cidade Manaus.

Durante longos anos frequentamos todos os finais de semana,o famoso Bar do Armando, no Largo de São Sebastião, onde o papo corria solto, regado com muita cerveja.

Ele era um intelectual, conhecia de tudo um pouco – juntamente com outros literatos conversava sobre diversos assuntos – eu ficava apenas ouvindo as suas argumentações - acredito que passei por uma verdadeira academia, onde fui motivado a me interessar mais por leituras, filmes, musica e teatro e,a gostar da história da nossa cidade.

Chamava muito atenção o seu visual: cabelos compridos e barba, sempre usando jaqueta e camisa de manga comprida, mesmo a despeito do calor elevado de Manaus; sempre carregando uma mochila e uma máquina fotográfica com alça de pescoço, além de dirigir uma motocicleta de alta cilindrada – nem parecia que era um manauara da gema.

Certo dia apareceu no Bar do Armando com um fusquinha todo reformado – ele falou que aquele fora o seu primeiro automóvel, o companheiro dos tempos difíceis de estudante de medicina na antiga Universidade do Amazonas (atual UFAM).

Após a sua formatura, vendeu o seu velho fusca guerreiro – muito ano depois o reencontrou em uma oficina mecânica, estava num estado lastimável, não titubeou em comprá-lo de volta, pois ele tinha um valor sentimental imenso.

Tinha o hábito de fotografar as pessoas nos eventos que aconteciam com frequência no nosso bar e nos desfiles da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA).

Em 2005, ele me informou que algumas fotografias estariam disponibilizadas em seu blog PICICA, dando-me o endereço do seu site.

Ao acessar o blog spot, notei que poderia fazer o meu próprio blog, de forma gratuita, foi assim que comecei a escrever no BLOGDOROCHA, graças ao incentivo do Rogélio Casado – em 2009 fiz uma postagem em sua homenagem, no endereço http://jmartinsrocha.blogspot.com.br/2009/05/rogelio-casado.html?spref=fb

Ele leu as vinte primeiras páginas de um livro que ainda estava escrevendo (ainda não publicado) – notei que ria das peripécias do Zé Mundão (o personagem principal) – isso me motivou a escrever mais oitenta laudas.

Certa vez, combinamos num domingo em fazer uma visita ao destruído “Complexo da Booth Line” – entramos no seu interior, a impressão era de que estávamos dentro de uma cidade bombardeada.

Aquilo nos deixou pasmos e revoltados com o crime cometido pela família Di Carli, administradores do Porto de Manaus(Roadway) – uma manobra espúria do então governador Amazonino Mendes, que não mediu esforços para amarrar um contrato que permitiu a eles ficarem até hoje, mandando, desmandando e destruindo parte da nossa história.

Nesse dia, encontramos um professor de história de uma faculdade particular, juntamente com os seus alunos, para mostrar o descuido dos governantes com aquele patrimônio histórico.

Fizemos uma rodinha, onde o nobre Rogélio Casado falou que o seu pai, o Comandante Rogélio Casado, um paraense que trabalhava nos navios da empresa Booth Line Company Limited, fazendo linha Belém-Manaus, por aqui se estabeleceu e casou com a sua mãezinha, a amazonense Tereza Marinho - o que mais o deixava injuriado era a destruição criminosa do prédio onde o seu genitor tinha trabalhado, deixaram em pé somente a fachada da Booth Line.

Certa vez, fui assistir a uma palestra do Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), no antigo auditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na Avenida Djalma Batista – o evento era solene - fazia parte da mesa das autoridades o Dr. Rogélio Casado, ela estava de beca, pois representava a universidade na qualidade Pró-reitor – no término do evento, ele veio me cumprimentar, o que me deixo muito feliz pela sua consideração.

Tempos depois, uma empresa do sul do país, com parceria do Grupo Simões (Coca-Cola & Cia), com o aval da SUFRAMA, estavam dispostos a implantar de qualquer maneira o Porto das Lajes, no Encontro das Águas.

Eu e o Rogélio Casado fizemos parte do Movimento S.O.S. Encontro das Águas, sob a coordenação do professor da UFAM, o sociólogo Ademir Ramos – fizemos muitos protestos no local e nas redes sociais, contribuindo, em parte, para a vitória do movimento, tornando o nosso fabuloso encontro dos rios Negro e Solimões como Patrimônio Paisagístico do Brasil, não permitindo a implantação daquele empreendimento que iria comprometer e poluir totalmente aquela obra da natureza.

No sábado magro do carnaval de 2016, eu e o Rogério Casado estávamos no palco armado da nossa querida BICA, no Bar do Armando – fiz a apresentação dos trinta anos de apresentação da nossa banda de rua – ele fez todos os registros fotográficos dos foliões que brincavam dentro do bar – foi a última vez que falamos pessoalmente.

Dai em diante ficamos nos correspondendo através do Facebook – lamentei muito o falecimento da amada esposa - acredito que não faz nem um mês e, na terça-feira, recebi a notícia do seu passamento! 


Lamento muito ter perdido o meu amigo de longas datas! É isso ai.  
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