sábado, 7 de maio de 2016

CHICÃO, MENINO DE HUMAITÁ, HOJE, HOMEM CIDADÃO.


Nasceu na década de cinquenta, no município brasileiro de Humaitá, no Estado do Amazonas, distante seiscentos quilômetros em linha reta de Manaus – de origem humilde, mas, sem medo de escuridão e, num rastro de um farol, veio de barco para Manaus para estudar e trabalhar, para ter lugar ao Sol - depois de muitas lutas, o menino Chicão, venceu na vida, tornando-se um homem cidadão.

O Estado do Amazonas possui dimensões continentais, contando, atualmente, com sessenta e dois municípios, com a sua grande maioria com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apesar da imensa riqueza guardada em seu subsolo e da sua riquíssima biodiversidade.

Isso se deve em parte, na concentração de investimentos na capital, tornando Manaus uma cidade-estado, deixando as demais cidades com todos os problemas que se possa imaginar, forçando os jovens interioranos, que sonham por dias melhores, a migrarem para onde está o Pólo Industrial de Manaus (PIM), o comércio pujante, as centenas de escolas e faculdades públicas e privadas e, as repartições públicas municipal, estadual e federal.

O nosso Chicão e outros conterrâneos seus, assim o fizeram – por falta de oportunidades, deixaram a sua querida e amada cidade de Humaitá, para estudar e vencer na capital.

O Estado do Amazonas está recheado de casos de homens públicos e políticos humaitaenses, que migraram e fizeram história na cidade de Manaus. Exemplos: Plínio Ramos Coelho (governador e advogado), Álvaro Botelho Maia (governador, advogado, poeta e escritor), Ubiratan de Lemos (filho do barão da borracha Jovino de Lemos, foi o primeiro a ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo), Raimundo Neves de Almeida (historiador, poeta e escritor), dentre outros.

O cantor e compositor Afonso Toscano, no seu CD intitulado “Enredo”, fez uma justa homenagem a esses bravos guerreiros, com a faixa seis “Menino de Humaitá”, incluindo o nosso Chicão.

Letra da música:

Menino de Humaitá
Hoje de encontro aqui
Depois de tanta luta
Vim, vi e venci  (chegar, ver e vencer)
Sem medo de escuridão
Num rastro de um farol
Aqui com o pé no chão
Querendo chegar ao Sol
Menino de Humaitá
Hoje um homem cidadão
És a Estrela Guia de outros que virão
Cumprir a sua jornada repetindo a lição
Beber da taça de um fel e bater o pé no chão
Almino (Afonso, político)
Anselmo (Chíxaro, Juiz de Direito),        
Lino (Chíxaro, advogado e presidente da CIGÁS)
e CHICÃO (nosso homenageado) 
Tu respondes um sim
Se alguém de forças um não
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Apelido de infância:

Estatuta mediana e franzino
Porém, bom de coração
Com um assustador vozeirão
Assim foi apelidado
O nosso Chicão

O menino de Humaitá estava determinado em vencer na capital, apesar de todas as dificuldades por que passa um jovem pobre do interior.

O único caminho para alcançar o sucesso pretendido, era trabalhar arduamente para manter os seus estudos. 

Conseguiu um feito que era reservado para poucos: passar no vestibular para antiga Universidade do Amazonas (atual UFAM), pois naquela época somente existia esse instituição de ensino superior em Manaus, tendo que estudar muito para garantir a sua vaga entre centenas e centenas de pretendentes - foi um aluno dedicado e líder estudantil.

Estudou durante cinco anos, bacharelando em Ciências Jurídicas e Sociais, passando, em seguida, no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Amazonas, podendo exercer plenamente a profissão de causídico.

Na primeira oportunidade que surgiu, em 1985, fez o concurso de provas e títulos para o Ministério Público Estadual (MPE/AM), exercendo com maestria o cargo de Promotor de Justiça, um servidor público com a função de defensor da sociedade, nas esferas penal e civil, além de zelar pela moralidade e probidades administrativas.

Oficiou nas Comarcas de São Gabriel da Cachoeira, Santa Izabel do Rio Negro, Humaitá e Parintins.

Eu estudei por dois anos Direito (UNIP/Uninorte) e, tive a oportunidade vê-lo atuar no 2º. Tribunal do Júri Popular, na qualidade de Promotor, no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas – fiquei impressionado com o seu preparo jurídico e sua oratória – tive uma verdadeira aula.

Depois de longos anos de bons serviços prestados a sociedade, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça, em 2007, chegando até o ápice de sua carreira profissional, sendo escolhido em uma lista tríplice pelo governador do Estado do Amazonas, como Procurador-Geral de Justiça do MPE, no biênio 2010/2012.

Por ter ingressado no MP em 1985, antes da vigência da Carta Magna de 1988 (que somente permite aos atuais membros do MP exercerem outro cargo de professor), foi solicitado a exercer, legalmente, funções de comando em órgãos do executivo municipal e estadual.

Foi Procurador-Geral - adjunto do Município de Manaus; Secretário Executivo de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania e de Coordenador do Sistema Penitenciário Estadual e Secretário extraordinário de Relações Institucionais da administração de José Melo (Pros) no Governo do Estado.

De volta ao Ministério Público Estadual (MPE/AM), o procurador assumiu, em 2016, a função de coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e da Ordem Urbanística.

Fora da sua área profissional, foi um dos fundadores da Banda Independente da Confraria do Armando (nascida dentro do Bar do Armando, centro antigo de Manaus), uma entidade de carnaval de rua que faz história em nossa cidade, pois desde ano de 1989, por meio de seus enredos e marchinhas irônicos, conta um pouco da história política do Estado do Amazonas.

Para comemorar os trinta anos da nossa “BICA”, o Chicão e o poeta e escritor Simão Pessoa, escreveram, em 2016, o livro de memórias “BICA DO ARMANDO” – os exemplares encontram-se a venda no Bar do Armando.

Foi colaborador da revista do Ministério Público e autor de diversos artigos publicados em jornais de grande circulação da capital.

Quando uma pessoa escreve o seu primeiro livro, a sua inspiração fica aflorada para escrever outros mais – com certeza, o Chicão possui muitas memórias guardadas da sua Humaitá querida, das suas lutas na capital, da sua trajetória profissional e da cultura popular amazonense. 


Dr. Francisco das Chagas Santiago da Cruz
O Chicão
O Menino de Humaitá
Hoje, Homem Cidadão!


Parabéns! É isso



Alan Lemos alan_lemos@hotmail.com

19 de mai (Há 4 dias)
para mim
Caríssimo,

Muito boa tarde. Acabo de ler o seu blog, especificamente o post sobre Chicão, de Humaitá, no qual cita Ubiratan de Lemos, filho de Jovino. Jovino é avô paterno do meu avô paterno e eu gostaria de maiores informações sobre ele. Só sei que era barão da borracha dos "broncos", de seringais nativos, participou da inauguração da Ferrovia Madeira-Mamoré, manteve residência no centro de Porto Velho, que, na época da borracha, era a cidade de certo porte mais próxima de Humaitá do que Manaus. Dentre os filhos de Jovino, ao menos dois - Ubiratan e Moacyr, este último que é meu bisavô - se mudaram em definitivo para o Rio e teria um neto bastardo que é dentista em Belém. O senhor tem maiores informações?

Obrigado,

Alan

Jose Martins jmsblogdorocha@gmail.com

19:51 (Há 0 minutos)
para Alan
Olá Alán, essa informação sobre o Sr. Ubiratan de Lemos retirei da Wikipédia, cita apenas os nomes dos homens ilustres filhos de Humaitá. Irei publica a mns na postagem para poder receber de alguem que tenha essas mais informações sobre ele.

Abraço


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