sábado, 21 de junho de 2014

NA SAFRA DO CAJU


Quando estamos na safra do Caju (noz que se produz, na língua Tupi), nos meses de outubro e novembro, encontramos o fruto “in natura” em todos os lugares, até pelos ambulantes nos cruzamentos das ruas de Manaus e, em alguns lugares, a produção e a oferta são tão grandes que chega a “fazer lama”.
É rico em vitamina C e, por incrível que pareça, o fruto é exatamente “a castanha do caju”, sendo aquela parte suculenta com a cor amarela, rosada ou vermelha, conhecida como o pseudofruto (pedúnculo).
Existe o tipo grande e o anão, sendo este o mais produtivo; aliás, o maior produtor do Brasil é o Estado do Ceará, contribuindo  grandemente com a exportação da castanha. Com o caju é possível fazermos sucos, mel, doces, a cajuína e até aguardente (eba!) - no mês de novembro é realizado a Festa do Caju, em Barreirinha, no interior do Amazonas.
A turma do “pé inchado” adora um tira-gosto de caju com sal; os mais abastados preferem a castanha do caju industrializada. Na Rua Igarapé de Manaus, centro, existia um sujeito chamado Tontonho, ele passava o dia todo passeando com o seu famoso kit: um engradado de madeira, contendo uma garrafa de cachaça, cigarros e fósforos, um velho rádio a pilha, um guarda-chuva, sal e vários cajus (na safra).
Certo dia, sua mãezinha fez um sério pedido ao filho:
 - Escuta aqui, Tontonho: deixa de beber de uma vez por todas, senão tu vais morrer de cirrose, tenha dó meu filho!
O filho respondeu choramingando:
 - Eu vou deixar de beber sim, minha mãe, mas somente após a safra do caju! Só não falou qual a safra do ano que ele iria parar de beber!
Faz alguém tempo atrás (coloque tempo nisso!), fiz uma viagem para o interior do Estado, fui acompanhado do meu compadre Acácio. Atravessamos na balsa de Manaus-Cacau Pirêra; pegamos a estrada Manoel Urbano, dirigindo uma Brasília, é isso mesmo um carro Brasília (aquele com o motor atrás e que fez muito sucesso com os “Mamonas Assassinas” - Minha Brasília Amarela); seguimos até a comunidade do Caldeirão, no Iranduba, deixamos o carro por lá (uma ponte estava inundada, não permitindo a passagem do nosso carro); pegamos uma carona num barco de um político, o caboco safado nos deixou bem longe da comunidade; o percurso foi feito à pé, no trajeto encontramos um casa/bar com inúmeros pés de cajueiros em plena safra, beleza!
Fui logo detonando:
 – Por favor, a senhora pode nos servir duas doses de cachaça, tamanho “marítima”!
 E em seguida:
 - Posso pegar alguns cajus para tirar o gosto?
 Ela respondeu:
 - Pode pegar quantos vocês quiserem, aqui está fazendo é lama!
 E, em seguida, perguntei acanhado:
- É prá levar, posso?
 Ela respondeu:
 – Pode levar o quanto vocês puderem!
Conseguimos duas caixas de papelão e, começamos a pegar os mais “parrarudos”. Seguimos caminho, abre porteira, fecha porteira, nada de chegar, não aguentava mais, a minha caixa estava cada vez mais pesada, o pescoço estava todo dolorido, resolvi jogar a minha caixa na beira do rio; passamos a revezar a outra caixa; estava ficando noite quando chegamos à casa dos tios do meu compadre.
Ao chegar, fui logo comentado:
 – Tia Maria, conseguimos trazer apenas uma caixa de caju, a outra tivemos de jogar fora, pois não aguentamos de tanto peso na moleira. 
Ela respondeu:
– Não carecia não meus filhos, no terreno do meu primo Raul tem caju fazendo lama, estamos na safra do Caju mermo!
 Essa foi prá acabar! Lamentei:
- Aí Rocha, que leseira baré, estamos em plena safra do caju, para que carregar tanto peso, sou um leso mesmo!

Estou no aguardando outubro chegar, pois quero matar a saudade de uma cachacinha, tirando gosto na Safra do Caju! Eu, hein! 
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