domingo, 16 de março de 2014

PAVILHÃO UNIVERSAL



Ao passar pela “Feira do índio”, na Praça Tenreiro Aranha, aquela que fica ao lado do antigo “Hotel Amazonas”, deparei-me com o Pavilhão Universal, em estado terminal – uma obra prima que já serviu como cartão postal, quando estava localizado na Praça Oswaldo Cruz, em frente à agência do Banco do Brasil, na atual “Estação” (parada final) dos ônibus do Largo da Matriz – fiquei amargurado com o que fizeram com ele: desprezo total ao nosso patrimônio histórico!

O Pavilhão Universal é um dos belos exemplares da arquitetura neoclássica, era um “Chalé de Ferro”, modular, em ferro fundido e desmontável – foi concebido pelo Superintendente (Prefeito) Agnello Bittencourt, através da Lei Municipal no. 588, de 27 de novembro de 1909, onde foi feita a concessão por vinte anos de uma parte do terreno da antiga Praça do Commercio, para o empresário José Avelino Meneses Cardoso, que se comprometeu em construir o quiosque com oito metros quadrados, para fins comerciais.

A inauguração deu-se em 12 de outubro de 1912 – a Prefeitura refez o jardim, com gramas inglesas, buganvílias, roseiras, papoulas, begônias e outras, contando também com Palmeiras Imperais – ao seu lado passavam os bondes, o que dava todo um charme ao lugar.

O Pavilhão Universal possuía três ambientes, sendo o térreo servindo de bar, com mesas de mármore e cadeiras de palhinha – o subsolo e o andar de cima eram utilizados para jogos de salão.

Nesse mesmo jardim, foi construído, em 1945, outro estabelecimento, o Pavilhão Ajuricaba (confeitaria), que serviu anos mais tarde para a Associação dos Ex-Combatentes do Brasil (1960). Em 1948, foi feita uma concessão ao empresário Lúcio de Souza, para construir um posto de gasolina.

Em nome do Plano de Desenvolvimento Integrado (atual Plano Diretor), em 1975, o então prefeito Coronel Jorge Teixeira, mandou destruir o Pavilhão Ajuricaba e o Posto de Gasolina, acabando com quase toda a praça para dar lugar a atual Estação de ônibus - sobrando apenas um pedaço do jardim que faz parte, hoje, da Praça da Matriz.

O Pavilhão Universal foi desmontado e montado na antiga Praça Ribeiro da Cunha, na Rua Silva Ramos, depois, foi transferido para o lugar atual, na Praça Tenreiro Aranha, servindo para comercialização de artesanatos indígenas. Pelas fotografias antigas é possível verificar que, o atual foi modificado a estrutura do andar superior.

Com o passar do tempo, o Pavilhão Universal ficou fechado e abandonado pela Prefeitura de Manaus, servindo apenas de abrigo para mendigos e viciados em drogas.

Existe uma luz no fim do túnel, com um Projeto de Restauração do Pavilhão Universal, pela atual gestão da Prefeitura de Manaus, estando em fase de Ação Preparatória junto ao Ministério da Cultura, inclusive, já teve o aval do IPHAN. É isso ai.




Fonte: parte retirada do livro "Manaus entre o passado e o presente", Durango Duarte

Fotos:
1. Cartão Postal;
2. Jornal A Crítica;
3. Rocha
4. PMM
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