terça-feira, 3 de abril de 2012

O ÚLTIMO BANCO DE CIMENTO DO P10


Este simples banco de cimento armado, possui três quartos de século de existência, resistiu ao tempo e a fúria destruidora do ser humano e, apesar do abandono atual, ele ainda é original e histórico, infelizmente, está à mercê dos vândalos e da inércia do poder público municipal.

Nasceu no Estado Novo, em 10 de Novembro de 1938, no regime tirano do presidente Getúlio Vargas. Na sua juventude, serviu de assento para milhares e milhares de pessoas que frequentaram ao seu balneário; inúmeros casais enamorados sentaram nele, pegou muito sol e chuva; foi severamente pisando e enlameado também, no local, existiam centenas de outros bancos iguaizinhos a ele, era apenas mais um no meio da multidão, porém, o tempo passou, restando somente ele para contar história daquele local.

Presenciou por longos e longos tempos, a felicidade das famílias amazonenses, ao tomarem banhos nas águas límpidas e cristalinas do seu parque, pois o local era preferido dos manauenses para se refrescaram nos dias quentes do verão amazônico.

Muitas manhãs de Sol, piqueniques, bebedeiras, peladas de futebol, brigas e confusões, muitas festas e comemorações, até fornicação tinha em noites de luar – tudo aconteceu ao seu redor!

Presenciou a poluição do igarapé, a debandada geral das pessoas, a destruição de todos os outros bancos, centenas deles foram ao chão, viraram entulhos, talvez, alguns estejam nos jardins das casas de  saudosistas daquele tempo bom.

Ele sempre ficou em frente a um prédio de construção eclética, onde, outrora, funcionava um restaurante e dancing, muitas, muitas coisas aconteceram por lá – silenciosamente, observou a destruição total do edifício, onde restaram somente algumas colunas e, nada mais!

Fui visitá-lo recentemente, tirei fotografias, voltei ao passado, lembrei-me de quase cinco décadas atrás, quando os meus pais me levava para tomar banho naquele local aprazível – lembro muito bem quando ficava sentado naquele banco, lanchando e, olhando os meus irmãos mais velhos pularem dentro d'água.

Pois é, mano velho, este banco de cimento é o último dos moicanos do Balneário do Parque Dez de Novembro – sinto uma tristeza enorme em ver toda aquela destruição e, em saber que daqui mais alguns meses ou dias, o nosso querido e amado banco de cimento será arrancado e jogado dentro do poluído Igarapé do Mindú.

Fica apenas o registro fotográfico e, o meu adeus ao último banco de cimento do P10. É isso ai.




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