sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MANAUS - A MINHA CIDADE QUERIDA!

Nasci no Hospital da Santa Casa de misericórdia, no centro antigo da cidade de Manaus; no momento da minha saída para o mundo, contava a minha saudosa mãe, ouviu o badalar dos sinos da Igreja de São Sebastião, marcando meia-noite, era a passagem do dia 11 para 12 de Setembro de 1956. O meu nome seria Juscelino, em homenagem ao maior e melhor presidente do Brasil, venceu a minha avó cearense, passei a ser chamado de José ou Zé Rocha, para os íntimos. Próximos ao local onde nasci ficam o Palácio da Justiça, o Teatro Amazonas, o Ideal Clube, a Instituto de Educação, o Colégio Benjamim Constant, o Palacete Miranda Corrêa, a Praça do Congresso, a Praça e a Igreja de São Sebastião, o Luso Sporting Clube, a Casa do governador Eduardo Ribeiro, a Avenida Eduardo Ribeiro e muitos outros logradouros e prédios históricos de Manaus. Dessa forma, tive o privilegio de nascer onde aconteceram os principais acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais da nossa cidade. A minha origem foi humilde, fui morar numa Casa Flutuante, no Igarapé de Manaus, tive a oportunidade de ser um ribeirinho, acompanhar a enchente e a vazante do Rio Negro, morar próximo ao Palácio Rio Negro, presenciar, apesar da tenra idade, o jogo politico da década de 60, frequentar os Cines Éden, Polytheama, Odeon e Guarany, estudar no Barão do Rio Branco, fazer tratamento de saúde no Hospital Beneficente Portuguesa e Hospital da Criança, fazer compras no Mercado Adolpho Lisboa, morcegar Carroças e andar de ônibus de madeira, andar pelas Avenidas Sete de Setembro, Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas, além das Ruas Major Gabriel, Lauro Cavalcante, Huascar de Figueiredo e Ipixuna, pular das Pontes Romana; por ser filho de Luthier, tive o privilégio de conviver com músicos, artistas plásticos, boêmios, cantores e intelectuais, depois, na minha adolescência fui morar na Vila Paraíso, centro, estudei nos Colégios Divina Providência, Benjamim Constant e IEA, além da Faculdade de Estudos Sociais (na vida adulta); passeava na Praça da Saudade e pelo Rodoway; brincava na piscina do Rio Negro, ia ao Festival Folclórico do General Osório, frequentava as Igrejas de São Sebastião, Matriz, Dom Bosco e Remédios. Depois de passar cinquenta anos da minha vida dormindo em berços esplêndidos, resolvi sair da longa hibernação cultural, passei, há poucos menos de três anos, a escrever “certo” por linhas tortas, tendo como pano de fundo, exatamente a Manaus antiga e contemporânea, focando aqueles prédios, ruas, praças, monumentos e lugares ao redor da qual onde nasci e convivi por todo esse tempo. Confesso que conheço muito pouco sobre a história da nossa cidade, mas com o despertar, ainda que tardio, levou-me a uma sede diária de conhecimentos, busco ler até bulas de remédios antigos, passei a me preocupar mais com os nossos monumentos, com os prédios históricos, com as praças e com o nosso povo; comecei também a frequentar sebos, livrarias, teatros, participar de eventos culturais, militar em movimentos sociais, enfim, estou numa corrida muito grande contra o tempo, para adquirir conhecimentos sobre o passado, com o intuito de compreender o presente e tentar visualizar o futuro da nossa cidade. O blog é uma ferramenta que eu disponho para chegar a este objetivo – tenho uma interação muito grande com pessoas de todo o nosso querido Brasil – não posso me dedicar muito ao desenvolvimento do blog, pois ainda estou na ativa, pensando bem, não quero nunca me aposentar, quando um dia a morte chegar ao meu encontro, espero ainda estar trabalhando e escrevendo – A minha cidade de Manaus é tudo isso que escrevi e escrevo, está no meu sangue, na minha mente, no meu passado e no meu presente -, luto e, lutarei sempre, para ela ser cada vez mais bonita, linda, arborizada, revitalizada, com um povo ordeiro e feliz, uma simbiose da cidade com a sua gente, preservando a sua cultura e a beleza da Amazônia. Sonhar não custa nada! É isso ai Manaus - minha cidade querida!
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