domingo, 15 de agosto de 2010

DANDO UM ROLÉ POR MANAUS

Manaus, quinze de Agosto, manhã de domingo, o dia está com céu um pouco cinzento, será que é uma inversão térmica? Começou a temporada das queimadas dos roçados? Não sei, mas de qualquer forma, alguma coisa está afetando a natureza. Estamos no verão amazônico, era para está um “céu de Brigadeiro”, muito sol, poucas nuvens, límpido (ótima visibilidade para voar), no meio caso, somente voo nos meus pensamentos, somente utilizo a “Asa Dura “para ir a Parintins assistir ao meu Caprichoso dar show na Arena – resolvi passear pelo Parque Jefferson Péres – com a fumaça ou sei lá o que estava encobrindo a minha cidade, o Sol estava ameno, deu para fazer uma pequena caminhada, por sinal, somente um maluco iria caminhar às onze da manhã de domingo, mas tem doido para tudo, fui para lá, não encontrei uma viva alma no lugar, somente dois sonolentos seguranças do parque – engraçado, sempre volto para o mesmo lugar onde nasci, fiquei a admirar a minha Ponte Romana I, fiquei a imaginar que exatamente há quarenta anos atrás estava pulando daquela Ponte, tomando banhos com os meus colegas! No mesmo local onde me encontrava (um parquinho de madeira), era onde nadava e passeava de canoas e botes e, brincava nas toras de madeira – fiquei alguns instantes olhando a passagem principal da Ponte (hoje aterrada), imaginando quantas vezes passei por debaixo dela – não sei o que pode pensar um jovem ao ver uma ponte aterrada, talvez fique a matutar: Por que fizeram esta Ponte se não existe rio? Talvez não imagine que por ali já passou muita e muita água – pois é, mano velho, os cabeças pensantes de Manaus, resolveram aterrar os nossos rios, as pontes Romana I e II e a Benjamim Constant servem apenas para passar automóveis, perdeu a sua função primordial de ligar duas pontas de um rio – os rios secaram, viraram uma lamina de água, puro esgoto ao céu aberto – com a tal “Manaus Moderna” fizeram uma grande barragem, na enchente, o Rio Negro não consegue passar e seguir a sua sina – E a nossa “Veneza dos Trópicos”? Já era, papai! Mas quem não tem cão, caça com gato! O jeito é voltar do passado - acorda José! - Continuei a minha rolé (volta) por Manaus, caminhando pelo Parque Jefferson Péres, no século XXI, lugar ao qual eu nadava no século XX! Parei bem atrás do Centro Cultural Palácio Rio Negro, ali já fora o centro do poder executivo do Amazonas, imaginem os senhores, no passado, onde parei para sentar, era o “Píer” dos barcos dos “caras” que governaram o nosso Estado, podes crer! Estava dando uma sombra esperta, ventava levemente, os passarinhos cantavam, um silencio ideal para a meditação, pensar na vida, no passado, presente e antever o futuro. Pensei num curso que eu fiz de “Memorização”, procurei exercitar a minha mente, para ouvir sons distantes e idêntica-los, juro que ouvi muita coisa de outrora, pois como aquele lugar faz parte do meu passado, ouvi gritos dos meus colegas, o barulho da água, a zoada da motor de rabeta, a voz forte do meu pai me chamando para ir almoçar aquela “galinha ao forno”! Achei melhor dar um rolé por outros locais, pois ali me traz muita nostalgia – fui parar no bairro do Educando, passei por várias Ruas e vielas, dei uma olhada no Amarelinho, parei em frente a Igreja católica de Constantinopla, peguei a Ponte e voltei para o centro de Manaus – achei melhor voltar para casa, almoçar com os meus pares – depois fui ao Amazonas Shopping – infelizmente este templo de compras, uma invenção dos norte-americanos, não tem nada a ver comigo, com o meu passado, porém, tem tudo ou quase tudo lá para usufruir no presente, não tem o "Cine Guarany", mas têm inúmeros outros cinemas em 3D; não tem o "Restaurante A Maranhense", mas tem restaurantes de renome nacional e internacional; não tem o "Mercado Adolpho Lisboa", mas tem um puto Hiper Mercado com mercadorias dos quatros cantos do mundo – uma coisa lá não tem de jeito nenhum – a inspiração para escrever sobe a minha Manaus, mas, tem Internet “free”para postar este “rolé por Manaus”. Fui!
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