sábado, 19 de abril de 2008




O meu saudoso pai confeccionava e consertava instrumentos de cordas; tinha uma Oficina na Rua Huascar de Figueiredo com a esquina da Rua Igarapé de Manaus; todos os instrumentos eram colados com uma cola regional, feita artesanalmente pelo velho Rochinha, a matéria-prima principal era o bucho do Tambaqui.

Todos os sábados, eu e os meus irmãos íamos ao Mercado Municipal Adolfo Lisboa, no setor de peixes, para recolher as vísceras do Tambaqui; era um trabalho árduo e constrangedor.

Os intestinos (buchos) dos peixes eram bem lavados, depois enfileirados em um barbante bem grosso e colocados ao sol, ficavam secando em torno de uma semana, depois eram ensacados e guardados.

A preparação da cola era feita da seguinte forma: o bucho ficava emerso em água natural para amolecer, depois levado ao liquidificador, o endurecedor era a pedra de laquê, não existia o conservante. A quantidade dos ingredientes era adicionada de acordo com o uso do dia, as sobras eram descartadas, pois apodreciam. Outro detalhe, a cola era utilizada sempre quente, a panela ficava sempre no fogareiro.

Dois fatores contribuíram para o desaparecimento desse tipo de cola: o aparecimento da cola branca e o preço exorbitante que chegou o Tambaqui.
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