segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Memórias de Manaus: as propagandas dos anos 50


José Rocha

Em uma tarde de nostalgia, resolvi vasculhar os arquivos do Jornal do Commercio e me deparei com algumas propagandas dos anos 50.

Fiquei encantado com as cores, as letras e as mensagens que retratavam o comércio da minha querida Manaus naquela época.

Decidi compartilhar essas relíquias com vocês, leitores, para que possam viajar no tempo comigo e conhecer um pouco mais da história da nossa cidade.

E, claro, para que possam comparar com as propagandas de hoje em dia e perceber como as coisas mudaram (ou não). 











domingo, 7 de janeiro de 2024

NOSSA CASA ALUGADA NA RUA TARUMÃ

 


Foto: Terreno aonde ficava a nossa casa alugada. José Rocha

José Rocha

Há alguns meses, o meu amigo Aristophano Antony compartilhou uma fotografia da Rua Tarumã da década de 50 e fez alguns comentários nostálgicos. Aquela imagem me transportou para o passado e me fez reviver as lembranças da época em que vivi com minha família naquela rua do bairro da Praça 14 de Janeiro.

Era o começo do ano de 1960, quando parte de nossa família deixou o Igarapé de Manaus e se mudou para a Rua Tarumã. Por lá ficaram o meu pai, minha avó e o meu irmão Rocha Filho, que preferiram continuar perto da Oficina de Violões de meu pai e do colégio de meu irmão. Aqui vieram morar a minha mãe, eu, o meu irmão Henrique e a minha irmã Graciete. A minha meia-irmã Kelva foi passar uma temporada no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa.

O velho só vinha nos ver nos finais de semana e o meu irmão Rocha aparecia quase todo dia para matar a saudade e voltava. A nossa casa nova ficava entre as ruas Apurinã e Afonso Pena, do lado direito de quem desce em direção à Rua Major Gabriel. Era um imóvel alugado de um senhor espanhol que morava perto de nossa casa. Ele era muito severo e exigente com o aluguel.

Era uma casa simples, com a frente para a rua, mas no fundo havia uma depressão, que existe até hoje. Tinha um grande quintal e um porão bem alto. Havia muitas árvores frutíferas, mas eu só me lembro de um abacateiro, que dava uns abacates enormes e saborosos. O dono não permitia que a gente pegasse nenhum, mas minha mãe, ainda jovem e ágil, subia na árvore para colher os frutos. Ela fazia umas vitaminas deliciosas com leite e açúcar.

Na parte de trás, onde é hoje um residencial do Prosamim, havia uma pequena mata que ia até uma continuação da Rua Dr. Machado, na verdade um beco que saía na Rua Major Gabriel. Como eu era muito pequeno, com a idade do meu neto Matheus, eu tinha muito medo daquele lugar, mas às vezes eu me aventurava para mexer nos ninhos dos passarinhos. Eu gostava de ver os filhotes piando e esperando a comida dos pais.

A molecada jogava bola na rua, mas quando o chute era forte, a bola caía dentro do nosso terreno. Como nós criávamos um cachorro bravio, o Duque, eles tinham que usar um truque para pegar a bola de volta. Eles colocavam um anão dentro do esgoto de águas pluviais e ele saía no fundo do nosso quintal. Num descuido do canino, ele pegava a bola e voltava pelo mesmo caminho, onde os maiores puxavam o dito anão para a rua. Era uma cena engraçada de ver.

Embaixo de nossa casa havia uma fossa biológica, uma alternativa sustentável e eficiente para o descarte de dejetos humanos, muito utilizada nas casas de antigamente e ainda muito usada no meio rural. Pois bem, certa vez, a minha mãe e minha irmã saíram e eu e meu irmão ficamos sob a guarda de uma vizinha. Ela simplesmente me deixou correndo pelo quintal e, pasmem, eu caí dentro da fossa, sendo retirado pelos cabelos. Foi um horror. Ela me deu vários banhos, me lavou com sabão, sabonete, esfregou e até colocou perfume para tirar aquele fedor que parecia que tinha entrado até na alma. Quando minha mãe chegou, sentiu logo o cheiro e me deu umas palmadas para eu contar o que aconteceu. Fiquei de castigo por um bom tempo, sendo proibido de brincar no quintal.

O nosso cachorro Duque pegou a hidrofobia (causada pelo vírus da raiva, muito rara nos dias atuais). Naquela época, chamávamos de “cachorro doido”. Ele mordeu a mamãe e a minha irmã, que tiveram de tomar vinte injeções doloridas na barriga. O meu pai resolveu matá-lo, mas o cachorro o reconheceu e começou a chorar nos seus pés. O velho, também, se emocionou e começou a chorar. Foi uma cena triste. Ele desistiu do intento e o Duque morreu com a doença.

Próxima à nossa casa havia uma padaria que nós sabíamos quando o pão estava para sair, pois aparecia uma fumaça na chaminé e exalava um cheiro gostoso de pão assado em forno a lenha. O meu pão preferido era um feito de milho. Era uma delícia, macio e quentinho. Até os dias atuais, não encontrei um outro igual àquele pão da padaria da minha infância.

Lembro-me com saudade de um senhor que fazia embutidos frescos como as linguiças. Eu era apenas um curumim, mas ficava fascinado em ver ele produzir tal alimento, principalmente quando eram embutidos em tripas naturais, que exalavam um aroma peculiar e a minha mãe adorava comprar esse produto. Neste local morava um rapaz que eu acho que tinha algum problema mental, todos os garotos caçoavam dele, praticavam o cruel bullying verbal, eu tinha medo dele, pois ele corria atrás das pessoas e atirava pedras naqueles que o provocavam.

No dia em que fiz cinco anos, recebi um presente inesquecível da minha madrinha: um anel de ouro que brilhava como o sol. Era o meu tesouro mais precioso, e eu o usava com orgulho e carinho. Com o passar do tempo, o anel foi ficando apertado no meu dedo, mas eu não queria me separar dele. Meu pai, então, levou-o a um ourives, que o alargou com cuidado e habilidade. Assim, eu pude continuar a usar o meu anel, até que um dia, por uma triste necessidade, ele teve que ser derretido e vendido. Nunca me esqueci daquele anel, que marcou a minha infância com amor e alegria.

Na minha infância, havia dois bares perto de casa: o Bar do Sêo Neco e o Barbante. Eram lugares simples, mas cheios de vida e alegria. Meu pai adorava tomar uns aperitivos por lá, conversar com os amigos e contar histórias. Ele era muito próximo do Nestor Nascimento, o fundador do MOAN - Movimento Alma Negra. O Nestor era um jovem de 18 anos, mas já tinha uma voz poderosa e uma consciência social. Os dois compartilhavam ideias e sonhos nesses botecos, regados a cerveja e música.

Após dois anos de aventuras e descobertas, chegou a hora de nos despedirmos da Rua Tarumã. Os meus pais decidiram retornar para a nossa antiga casa, mas eu sabia que aquele lugar mágico jamais sairia do meu coração. As lembranças dos amigos, dos animais, das cores e dos sons ficaram gravadas para sempre na minha memória.

Hoje, depois de tantos anos, eu e meus irmãos ainda sentimos saudade daqueles tempos. Gostamos de passear pela Rua Tarumã, visitar a Escola de Samba Vitória-Régia e o Quilombo de São Benedito, pois também fomos moradores da Praça 14 de Janeiro, o Berço do Samba. Ali, aprendemos a valorizar a nossa cultura, a nossa história e a nossa gente. 

É isso aí.


Fotos: José Rocha










sábado, 6 de janeiro de 2024

HOJE, NO PROJETO JARAQUI

 


José Rocha

Há duas semanas, entrei em contato com o professor Ademir Ramos, para lhe dizer que queria homenageá-lo com um título de Honra ao Mérito, por ter resgatado o Projeto Jaraqui, na Praça da Polícia.

Ele me respondeu:

- Rochinha, agradeço o seu gesto, mas prefiro que você faça essa homenagem no dia 06 de janeiro, na Rotunda da Praça da Polícia, quando estaremos realizando uma grande confraternização de Ano Novo entre as pessoas que participam do nosso projeto e levando o conhecimento, a cultura e o posicionamento de alguns companheiros sobre a política partidária, a corrupção e os desmandos de alguns políticos que estão no poder pelo poder, mas sem o mínimo de respeito pelos recursos públicos e pelos cidadãos de nossa cidade Manaus e do estado do Amazonas.

O evento começou às dez horas em ponto, mas eu só cheguei lá às onze e quinze, bem no auge da festa. Fui muito bem recebido e cumprimentei a maioria, pois faço parte dessa confraria, apesar de minha ausência na maioria dos encontros animados dos sábados na nossa querida, amada e, também, esquecida Praça da Polícia.

Levei comigo alguns envelopes com títulos de Honra ao Mérito que o BLOGDOROCHA concedeu a alguns membros da sociedade civil que contribuíram muito para a cultura de nossa cidade.

Estavam lá a Socorro Papoula, o Ignácio Evangelista e o nosso líder da confraria, o Ademir Ramos.

Antes do final da festa, tive a oportunidade de falar: fiz os agradecimentos e entreguei aos três que estavam presentes no evento. Foi uma honra homenagear esses três, além de mais vinte e três pessoas que se destacaram, em Manaus, por fazer e promover a cultura de nossa cidade.

Alguns confrades providenciaram salgados e outros cervejinhas para os presentes, além de um profissional e sua equipe que cantaram e encantaram. Que bom.

O professor Ademir Ramos lembrou do Paulo Onofre, do governador Amazonino Mendes e de outros tantos que sempre apoiaram as reuniões de sábado na Praça da Polícia.

Fiquei sabendo que um dos patrocinadores do projeto decidiu não mais ajudar o evento, nem o nosso carnaval da “Banda do Jaraqui”.

Lamentamos muito, mas, a vida segue e, vamos correr atrás de mais alguns patrocinadores para a nossa banda sair, pois o carnaval será logo no início de fevereiro.

Faço a minha parte para ajudar o Projeto Jaraqui e a Banda do Jaraqui (sou o apresentador), mas sem patrocínio tudo fica difícil.

Caso não consigamos patrocínio, vamos nos reunir na Rotunda da Praça da Polícia e não deixar passar em branco, pois o importante são os homens de boa vontade que jamais, em hipótese alguma, deixarão morrer este projeto tão importante para a cidade de Manaus:

O Projeto Jaraqui & Sua Banda de Carnaval!

É isso ai no Projeto Jaraqui

HOMENAGEM DO BLOGDOROCHA A MÁRIO JORGE LOBO ZAGALLO

 



José Rocha

No dia 5 de janeiro, aos 92 anos, morreu Zagallo, ex-jogador e ex-técnico de futebol. Ele foi o único a participar de quatro conquistas da Copa do Mundo: em 1958 e 1962, como jogador, e em 1970, como técnico.

Como editor do BLOGDOROCHA, quero homenageá-lo com um trecho do livro “NEW YORK COSMOS X FAST CLUBE – O JOGO DO SÉCULO EM MANAUS”, de minha autoria e coautoria de Joaquim Alencar.

O livro narra, entre outras coisas, a visita da Seleção Brasileira de Futebol a Manaus, em 5 de março de 1970, sob o comando de Zagallo, para a inauguração oficial do Estádio Vivaldo Lima. Nesse dia, aconteceram dois jogos de futebol:

  • Seleção B (reservas) do Brasil x Seleção do Amazonas
  • Seleção A (titulares) do Brasil x Seleção do Amazonas

Pontos negativos:

O trânsito ficou engarrafado por duas horas (um tempo muito longo para aquela época) e muitos torcedores tiveram dificuldade para chegar ao estádio. Alguns desmaiaram, principalmente crianças e adolescentes, por terem saído de casa sem almoçar. Houve invasão dos torcedores nas cadeiras numeradas. Por um descuido da administração, uma comporta ficou aberta e a água da chuva inundou um dos vestiários. Além disso, houve roubos de carteiras, colisões, brigas entre as torcidas e intenso calor. A falta de condições dos vestiários e a falta de luz fizeram o jogo terminar no escuro. Apesar de tudo isso, o povo e os organizadores não perderam a alegria.

Pontos positivos:

Os juízes Airton Vieira de Moraes e Arnaldo César, apesar dos pontos negativos citados, ficaram impressionados com o Estádio Vivaldo Lima. Eles elogiaram a iniciativa do governo do Amazonas e o povo pela bela obra. Os dois consideraram o vestiário dos juízes melhor do que o do Maracanã, do Mineirão e do Beira Rio.

Primeiro jogo:

A Seleção Brasileira entrou em campo às 14 horas, sob o sol forte. Depois de se aquecerem, eles cumprimentaram o público, mas a Seleção Amazonense não estava em campo. Isso irritou o técnico Zagallo, que mandou os seus jogadores voltarem ao vestiário. Eles só retornaram dez minutos depois, quando os amazonenses já estavam em campo. Foi uma forma de retribuir a demora e tentar cansar os adversários com o calor e os raios solares. Um pênalti mal cobrado por Antônio Piola, um lance duvidoso, uma jogada de azar e uma brincadeira de um zagueiro resultaram na derrota da Seleção do Amazonas por 4 a 1.

Quatro jogadores amazonenses foram convocados pelo treinador Zagalo. Eles jogaram no segundo tempo: Catita (Rio Negro), Evandro (Olimpico), Pretinho (Nacional) e Pompeu (Fast). Eles ganharam moral e reconhecimento na imprensa nacional ao vestir a camisa da seleção brasileira, mesmo com alguns já estando prestes a se aposentar. O nosso técnico foi o radialista Jaime Rebelo, com a supervisão do Leal da Cunha. Gols: Dario (Dadá Maravilha) fez três gols e Lincoln marcou um contra.

Laércio fez o único gol do Amazonas.

16h05min – A Banda (fanfarra) do Instituto Benjamim Constant fez nova apresentação.

16h10min – O Governador Danilo de Matos Areosa entrou em campo para as solenidades antes do jogo.

16h28min – O Rei Pelé recebeu homenagens em campo.

16h33min - O governador deu o “pontapé inicial” a favor do Brasil.

16h35min – Começou o jogo da Seleção Brasileira. Centenas de repórteres e fotógrafos cercaram os craques da Seleção Brasileira, provocando um atraso no início da partida, que terminou 15 minutos depois das 18 horas, já escuro e com pouca visibilidade.

Gols da partida: Seleção Brasileira (4): Rivelino, Paulo César Caju, Carlos Alberto e Pelé. Pelé foi aplaudido quando entrou em campo, mas jogou mal e foi vaiado. Quando fez um gol, voltou a ser aplaudido e dedicou o gol à torcida do Amazonas. Seleção do Amazonas: Mário fez o único gol da nossa seleção.

Para o treinador Zagalo, foi apenas um treino, pois o Brasil estava se preparando para ser o futuro Tricampeão Mundial de Futebol, no México. Ele disse que a Seleção B (dos reservas) não tinha nada a comentar, pois estava muito desfalcada e aquele jogo nem podia ser considerado um treino. Ele escalou Zé Carlos de lateral e Arilson de volante só para “tapar buracos”, pois não tinha outros.

Ele disse à imprensa:

“Mesmo sem colocar os jogadores do Amazonas, o teste não seria válido, pois os jogadores que estão disputando uma vaga para o México estavam completamente fora de suas posições. Por causa do forte calor, tive que fazer algumas modificações, o que piorou ainda mais o sentido de teste. Para mim, o primeiro jogo não valeu”. Sobre o segundo jogo, ele disse: “Gostei muito da seleção brasileira, que fez o melhor treino desde que foi convocada. Pela primeira vez desde que sou técnico, vi que a defesa brasileira jogou bem, com alguns erros ainda, mas dentro do padrão que pretendo impor. O bloqueio feito por Clodoaldo, Rivelino e Paulo César foi quase perfeito, o ataque também esteve bem, pois foi rápido nos contra-ataques, e acho que conseguiremos vencer as defesas dos adversários na Copa do Mundo. As duas seleções do Amazonas foram melhores do que esperava, mas por razões óbvias, não poderiam ser adversários suficientemente fortes para exigir muito da seleção brasileira”, concluiu.

(*) O livro “NEW YORK COSMOS X FAST CLUBE – O JOGO DO SÉCULO EM MANAUS” precisa de sua ajuda para ser publicado.

PÁGINA:  https://www.vakinha.com.br/4344622

PIX:        4344622@vakinha.com.br

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

O SACI DA PARECA

 



José Rocha

O Saci é uma das entidades fantásticas mais populares do Brasil, um menino negro de uma perna só, que fuma cachimbo e usa um gorro vermelho. Segundo a crença popular, ele é muito travesso e gosta de pregar peças nos viajantes, armando ciladas pelo caminho. Mas o nosso Saci da Pareca não é assim. Ele ganhou esse apelido desde pequeno, porque também era negro, adorava usar um macacão vermelho e morava no bairro de Aparecida, conhecido carinhosamente como Pareca pelos seus moradores.

O nosso Saci nunca gostou de perseguir ou enganar ninguém, mas era um menino levado, que jogava peteca e não podia ser sacristão, porque era levado da breca, como dizia o compositor e cantor amazonense Carapeta. Ele aprontou muito na infância, na adolescência, na vida adulta e até na velhice, mas sempre dentro dos limites de um saci.

Ele nasceu em uma casa flutuante que ficava perto do bairro e, como era de uma família muito pobre, a sua mãe biológica o deixou com um casal que morava na Bandeira Branca, abandonando-o para sempre. Ele foi batizado como José e registrado no cartório como José Raimundo de Souza. Ele se tornou o caçula dos cinco irmãos, filhos de uma mãe capixaba e de um pai cearense. Um dos seus irmãos era o empresário Zezinho da Casanova, um ex-jogador de futebol que virou dono de uma loja de roupas masculinas, famosa nas décadas de 70 e 80, na Avenida Eduardo Ribeiro.

O seu bairro era o berço de muitos historiadores, poetas, sambistas e católicos fervorosos. Ficava na zona sul e era um dos mais antigos de Manaus. Lá também ficavam a Cervejaria Amazonense e a Fábrica de Gelo Cristal, dos Miranda Corrêa. Tudo a ver com o Saci da Pareca.

Ele frequentava desde cedo a Igreja de Nossa Senhora de Aparecida, principalmente as novenas das terças-feiras e as missas dos domingos. Ele brincava de futebol no campo do Colégio Dom Bosco. Ajudava o seu pai adotivo em uma pequena taberna que vendia farinhas e legumes. Foi lá que ele começou a batucar no balcão e a se interessar pela música.

Quando ficou mais velho, ele participava das rodas de samba que aconteciam no antigo Largo da Bandeira Branca, um ponto de encontro de boêmios, sambistas e palco dos principais eventos culturais do bairro.

Ele era esquentado desde novinho, não aceitava desaforos, brigava com os colegas do bairro e vivia em atrito com os moleques dos bairros de São Raimundo e da Matinha. Era normal naquela época, quando Manaus terminava no bairro de Flores, e os jovens tinham rixas com os das redondezas. As brigas eram no mano a mano, sem armas brancas ou de fogo.

No campo profissional, ele fez de tudo um pouco. Trabalhou muito nos depósitos das Lojas Americanas e da Bemol e em uma empresa que ficava em um flutuante no meio do Rio Negro, que prestava serviços para a Refinaria de Manaus. Ele também comercializou por muito tempo os famosos e proibidos “bicho de casco” (Tartarugas e Tracajás) e seus ovos, muito apreciados pelos manauaras da época, sempre dando um jeitinho brasileiro para driblar a fiscalização das autoridades.

Foi proprietário do “Sacy Bar”, um boteco situado na Rua Ramos Ferreira, próximo à sede do Rio Negro Atlético Clube. O lugar era muito frequentado pelos sambistas do bairro, pela turma do Partido dos Trabalhadores, artistas e boêmios do centro da cidade. A casa ficava cheia todos os finais de semana, pois rolava muito samba de raiz (tocados em aparelhos 3 em 1, com discos de vinil e fitas cassetes), com muito caranguejo no toque-toque. Ele servia aos clientes, gratuitamente, algumas porções de camarões, além de ter uma cerveja estupidamente gelada, tipo “véu de noiva”.

Quando alguém pedia para ele colocar uma fita cassete, caso fosse um som no estilo da banda “Pink Floyd”, ele cuspia fogo e expulsava o freguês na hora. Não gostava nem um pouco de rock, achava que era coisa de maconheiro. Dizem alguns frequentadores antigos que o Sacy era um “cara de lua”, instável. Podia passar a noite sorrindo, mas, de repente, fechava o tempo.

Orgulhava-se de ter tido como cliente famoso o saudoso Josué Cláudio de Souza (Pai), o fundador da Rádio Difusora do Amazonas e prefeito de Manaus. Ele aparecia por lá para tomar umas cervejas e comprar camarão da melhor qualidade. Quem ia buscá-lo era a sua filha, a inesquecível radialista Fezinha Anzoategui.

Depois de alguns anos movimentando o seu boteco, teve um problema muito sério com um cliente e vizinho. Foi xingado e ameaçado, culminando com uma briga fatal. Foi obrigado, em seguida, a fechar para sempre o seu estabelecimento.

Foram anos difíceis para o Saci, inclusive, teve que passar por tratamentos psicológicos para esquecer aquela cena fatídica que aconteceu no seu bar. Para dizer a verdade, ele ainda sente muito o que aconteceu naquele dia. Para superar esse trauma e sobreviver, buscou na música um escape e o conforto espiritual, frequentando com mais assiduidade a igreja do bairro.

No carnaval, gostava de frequentar os ensaios da sua escola de samba do coração, a Mocidade Independente de Aparecida (a Pareca). Quando era possível, desfilava garbosamente no Sambódromo. Também adorava as apresentações dos bois de Parintins, viajando todo ano para a Ilha de Tupinabarana, para torcer pelo seu boi preferido, o Garantido. Por ser católico fervoroso, fazia de tudo para participar do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, onde segurava a corda em todo o seu trajeto e aproveitava para “bater com força” no Pato no Tucupi e na Maniçoba.

Por ser um exímio percussionista, sempre saía de casa com uma sacola surrada, cheia de instrumentos musicais (agogô, reco-reco, triângulo e tamborim). Fazia apresentações de forma descompromissada nos botequins de Manaus, principalmente no Bar Caldeira, Bar do Armando, Bar dos Cornos, ET Bar, Bar do Cipriano e no Bar do Metal. Era muito aplaudido pela sua forma diferente de tocar e de rebolar, um tanto sensual.

Certa vez, ele resolveu passar pelo baixo meretrício da Rua Mauá, no centro antigo de Manaus. Parou numa barraca de churrasquinho de gato, deixando no chão a sua sacola de instrumentos, e saboreou um miau da melhor qualidade. Um larápio, percebendo o descuido do Saci, levou todas as suas ferramentas de trabalho. Ele chorou que nem um bezerro desmamado. Muitas pessoas foram solidárias e fizeram uma cota para a compra de novos instrumentos. Ele ainda gosta de comer um churrasquinho de bichano, mas com um olho no gato e o outro na sua bolsa.

Por essas e por outras, ele se tornou um cara folclórico na nossa cidade. Quando alguém pergunta o porquê do apelido Saci, ele responde:

• Sou um Saci diferente, tenho duas pernas, porém, uma é morta! - referindo-se ao seu bilau.

Quando chega aos botecos, depois de tomar várias e diversas, ele fica nostálgico. Gosta de lembrar o passado, sempre cita o Peteleco & Oscarino; do Boi Brinquedinho (do saudoso Festival Folclórico dParte superior do formulárioParte inferior do formulárioo General Osório), onde foi “tripa” (aquele cara que dança embaixo do boi); das Pastorinhas do Luso e dos causos interioranos:

- Peteleco, quantas partes se dividem o corpo humano? - pergunta o Oscarino.

- Depende das porradas que o caboclo tomar! - responde o Peteleco, rindo das próprias piadas.

- Peteleco, como se diz noventa e nove em japonês?

- Quazixém! - repete ele, sem perder a graça.

- Ei, meu boi! Vem pra cá! Vem dançar. Que a festa já vai começar! Ei, Boi! - canta em voz alta e começa a dançar a toada antiga.

- Rocha, filho do Cão do Luso! - faz sempre esta saudação ao me encontrar e ao meu irmão, pois ele sabe que fomos ajudante do Cão (o Lapinha), o satanás de uma famosa pastorinha (peça teatral) que acontecia no Luso Sporting Club.

- Alô, Dona Maria, do Lago do Limão, o seu marido mandou avisar que vai demorar a chegar, pois um tronco atravessou bem na boca do Lago do Periquito. Assim que o tronco sair, o barco vai continuar a viagem. Abraços e beijos, Afonso! - conta com sorrisos esse aviso interiorano.

O Saci tem família, um casal de filhos e faz bastante tempo que está separado da mulher, apesar de morarem no mesmo teto (isso é normal para muitos casais). Ele adora um “rabo de saia”. Certa vez, arranjou uma namorada com mais de oitenta anos, a quem chamava de “Minha Sincera”. A velha era rica, gostava muito da noite e bancava tudo. Com o passar do tempo, ela deu um fora no Saci, arranjou um rapaz “sarado” que tinha idade para ser seu bisneto. O pobre do Saci chegou até a ameaçar pular, na vazante, da Ponte Fábio Lucena (que liga os bairros de Aparecida ao São Raimundo) caso ela não voltasse para os seus braços. Tudo em vão!

O tempo foi um santo remédio para ele esquecer a vovozinha. Arranjou, tempo depois, outra namorada, uma coroa fogosa, cheia de dengos, “biriteira” de mão cheia e frequentadora assídua dos botecos dançantes de Manaus. Ele gostava de chamá-la de “Amorzinho”.

Algumas pessoas dizem, eu não sei e também não posso afirmar que, a dita cuja colocava um par de chifres no coitado. Só sei que, de vez em quando, ele ficava chorando pelas mesas dos bares, lamentando o abandono por parte de sua amada. Pouquíssimas vezes o via feliz com ela. As pessoas dizem que isso acontecia somente quando ele estava com “bala na agulha”, momento em que ela usava e abusava do Saci, largando-o somente quando ficava na pindaíba.

O Saci cansou dessa situação e partiu para uma nova conquista. Afinal, ele se apaixona facilmente e sempre desejava encontrar uma mulher que o respeitasse e que fose decente. Espero que ele tenha sucesso nessa busca.

O nosso Saci da Pareca é aposentado e ganha pouco. Ele luta para sobreviver, por um tempo vendia produtos típicos da região, como camarão seco, guaraná em pó, filé de pirarucu, copaíba e mel. Mas ele também faz o que mais gosta: tocar os seus instrumentos musicais, beber nos botecos de Manaus, namorar as suas “sinceras e amorzinhos” da vida, rezar nas igrejas de Aparecida e São Sebastião, curtir o seu Boi Garantido em Parintins e o Círio de Nazaré em Belém.

O tempo passa e o Saci está envelhecendo, deixou um pouco de tocar nos botecos de Manaus, no entanto, bate o ponto direto na “Segunda Sem Lei” do Bar Caldeira, do centro da cidade.

 

Ele sonha ainda em reabrir o seu famoso “Saci Bar”, onde venderia a sua cerveja e camarão, e continuar a vida, aprontando de vez em quando, como o Saci do nosso folclore.

É isso aí.

Fotografia: José Rocha, em Parintins, Amazonas.




quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

TER UMA MENTE ABERTA PARA MUDAR DE HÁBITOS EM 2024

 


José Rocha 

Você já pensou em como seria a sua vida se você pudesse realizar todos os seus sonhos? Se você pudesse ter mais dinheiro, mais saúde, mais sucesso e mais felicidade? Parece bom demais para ser verdade, não é mesmo? Mas eu tenho uma boa notícia para você: é possível sim, desde que você tenha uma mente aberta para mudar.

Muitas pessoas passam a vida inteira esperando por um milagre, uma sorte, uma fórmula mágica que resolva todos os seus problemas. Elas acreditam que basta jogar na loteria, tomar um chá milagroso, comprar uma apostila pronta ou fazer uma promessa no final do ano para que tudo se transforme da noite para o dia. Mas será que isso funciona mesmo?

Vamos ver alguns exemplos de pessoas que tentaram esses atalhos e se frustraram:

  • Um grupo de amigos apostou trezentos mil na Mega da Virada, com a intenção de ficarem milionários. Mas eles só acertaram três números e perderam quase todo o dinheiro investido.
  • Um rapaz passou o ano todo comendo muito e se exercitando pouco, e ficou obeso. No último mês do ano, ele resolveu tomar um suco verde detox e uns chás milagrosos, esperando perder cinco quilos por mês. Mas ele não mudou seus hábitos alimentares nem sua rotina sedentária, e acabou engordando ainda mais.
  • Um homem sempre sonhou em passar no concurso público do Tribunal Regional do Trabalho, mas nunca se dedicou aos estudos. Ele esperou anos pelo edital, se matriculou em um cursinho e comprou uma apostila “milagrosa” que prometia conter todo o conteúdo e os exercícios resolvidos. Mas ele não tinha disciplina nem motivação para estudar, e deixou tudo para a última hora. Ele não conseguiu nem terminar de ler a apostila, quanto mais aprender a matéria.
  • Um cidadão viveu o ano inteiro no vermelho, gastando mais do que ganhava. Ele não tinha controle sobre suas finanças, nem planejamento para o futuro. No final do ano, ele prometeu fazer uma poupança com dez por cento do que ganhar no ano seguinte. Mas ele não mudou seu padrão de consumo, nem quitou suas dívidas. Ele continuou gastando mais do que podia, e acabou se endividando ainda mais.

Esses são apenas alguns casos de pessoas que se iludiram com soluções fáceis e rápidas, mas que não levaram em conta a realidade. Elas não entenderam que para mudar a sua vida, é preciso mudar a sua mente. É preciso ter uma mente aberta para mudar.

Mas o que significa ter uma mente aberta para mudar? Significa estar disposto a aprender coisas novas, a experimentar novas possibilidades, a enfrentar novos desafios. Significa ter uma atitude positiva, proativa e persistente. Significa ter um propósito claro, um plano de ação e uma meta definida. Significa ter consciência de seus pontos fortes e fracos, e buscar melhorar a cada dia.

Veja agora alguns exemplos de pessoas que tiveram uma mente aberta para mudar e alcançaram seus objetivos:

  • Um investidor nunca jogou na loteria, nem se arriscou em jogos de azar. Ele tinha uma ótima educação financeira, e sabia administrar bem o seu dinheiro. Ele não era avarento, mas prudente. Ele investia parte de sua renda em aplicações seguras e rentáveis, e tinha uma reserva de emergência. Ele também diversificava seus investimentos, buscando oportunidades de negócios lucrativos. Ele tinha bens e direitos que lhe garantiam uma vida confortável e tranquila, mesmo se ficasse sem trabalhar por cinco anos.
  • Uma mulher acordava cedo todos os dias, e fazia exercícios em casa. Ela tinha o hábito de se alimentar de forma saudável, evitando frituras, doces e refrigerantes. Ela também fazia caminhadas nos finais de semana, e malhava à noite em uma academia. Ela alimentava a sua fé e o seu otimismo, e tinha uma boa autoestima. Ela tinha um corpo atlético e uma excelente saúde física e mental.
  • Um grupo de amigos se preparava há cinco anos para o concurso do TRT. Eles não esperavam pelo edital, mas estudavam com antecedência. Eles tinham uma rotina de estudos bem organizada, e revisavam o conteúdo periodicamente. Eles também faziam simulados, resolviam questões e participavam de grupos de estudos. Eles tinham disciplina, motivação e confiança. Eles foram aprovados no concurso, e se tornaram os novos servidores do tribunal.
  • Algumas pessoas tinham foco, determinação e obstinação. Elas sabiam o que queriam alcançar em um determinado tempo, e traçavam estratégias para isso. Elas monitoravam seus resultados, e faziam ajustes quando necessário. Elas comemoravam suas conquistas, e se desafiavam a ir além. Elas nunca perdiam o interesse em buscar novas metas, pois sabiam que isso as mantinha vivas e realizadas.

Esses são apenas alguns casos de pessoas que tiveram uma mente aberta para mudar e transformaram suas vidas. Elas não se contentaram com o que tinham, mas buscaram o que queriam. Elas não se acomodaram com o que sabiam, mas aprenderam o que precisavam. Elas não se limitaram pelo que viam, mas criaram o que imaginavam.

Você pode estar se perguntando: e esse Rocha, será que ele faz pelo menos um por cento do que ele escreve do que é bom para a vida? Eu respondo: eu faço o que eu digo, e também o que eu faço! Eu não sou perfeito, nem dono da verdade. Eu também tenho meus defeitos, meus erros, meus medos. Mas eu não me deixo paralisar por eles. Eu procuro superá-los, corrigi-los, enfrentá-los. Eu quero mudar, para melhor, é claro. E eu quero inspirar vocês a fazerem o mesmo.

A minha mensagem para vocês é que a felicidade e o sucesso não dependem de fatores externos, mas de fatores internos. Não dependem de sorte, mas de trabalho. Não dependem de milagres, mas de atitudes. E a principal atitude que você precisa ter é uma mente aberta para mudar.

Nunca é tarde para mudar o seu estilo de vida. Você pode começar hoje mesmo, agora mesmo. Você só precisa dar o primeiro passo, e continuar caminhando. Você só precisa acreditar em si mesmo, e não desistir. Você só precisa ter uma mente aberta para mudar.

Esta é a palavra-chave: Mente aberta para mudar.

Para finalizar, eu escrevi este texto, que tem uma lauda, e depois solicitei à Inteligência Artificial (IA) que o corrigisse, melhorasse e tornasse mais persuasivo. Desde o dia 31 de dezembro de 2023, estou escrevendo e colocando os meus textos para a IA fazer a correção. Eu tenho seis livros no formato e-book prontos, mas passarei todo o mês de janeiro fazendo revisões usando a Inteligência Artificial. Acredito que os senhores já perceberam isso. Abri a minha mente para mudar e acompanhar as novas tendências do nosso mundo atual.




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VAKINHA CRIADA PARA ARRECADAR FUNDOS PARA A PUBLICAÇÃO DE UM LIVRO DE HISTÓRIA "FAST CLUB X NEW YORK CLUB - 1980"

QUEM PUDER AJUDAR, FAZER FAZER UMA DOAÇÃO PARA O PIX

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Tive o privilégio de assistir ao grandioso jogo em 1980 entre o New York Cosmos e o Fast Club, em Manaus.

 Elaborei este livro que precisa apenas ser impresso. 

Como não disponho de recursos peço a colaboração dos senhores que admiram a história de Manaus e ajudam na cultura de nossa cidade, para poder publica-lo.

GRATO







sábado, 30 de dezembro de 2023

A FÉ E ESPERANÇA SE RENOVAM A CADA ANO

 


José Rocha

Quando o ano chega ao fim, muitas pessoas veem apenas a mudança de um calendário, mas outras aproveitam para refletir sobre o que fizeram e o que pretendem fazer no ano que se inicia. Eu me incluo nesse segundo grupo.

A minha vida profissional sempre esteve ligada ao comércio exterior, especialmente na área de importação, pois moro na Zona Franca de Manaus e sempre encontrei oportunidades nesse ramo.

Com o fruto do meu trabalho, realizei muitos sonhos: concluí a faculdade, formei uma família, eduquei os meus filhos e contribuí para a valorização da minha cidade natal, Manaus, divulgando a sua cultura e os seus encantos.

Desde jovem, eu tinha paixão pela escrita. Aos vinte e poucos anos, eu fazia um jornalzinho que circulava na empresa onde trabalhava. Também fui eleito presidente da associação dos funcionários, onde me dediquei ao bem-estar social dos meus colegas.

Depois de cinquenta anos, retomei a escrita no BLOGDOROCHA, uma oportunidade única para pesquisar jornais antigos, ler mais livros, fazer estudos e começar a entender a história da minha cidade.

No começo, eu recebi muitas críticas, e ainda recebo até hoje, pois escrevo de forma leve, solta, cômica e informal, usando gírias, alguns palavrões e principalmente o amazonês.

Algumas pessoas me achavam um ignorante, um cara sem cultura e conhecimento, que ousava escrever um monte de bobagens nas redes sociais. Todas essas críticas eu aceitava e aceito até hoje como forma de incentivo para melhorar cada vez mais.

Na época da pandemia, quando quase todas as atividades ficaram paralisadas, fui obrigado a ficar isolado dentro de casa e até proibido de abraçar os meus próprios netos, pois poderia transmitir a covid para eles.

Aproveitei esse tempo para reunir os meus alfarrábios e transformá-los em e-books, ou seja, livros digitais que até hoje não foram impressos por falta de recursos próprios e de interesse das editoras e do governo.

A pedido do meu amigo Flávio de Souza, fiz um livro de sua biografia, que apesar das dificuldades para concluí-lo, foi impresso e fizemos o seu lançamento no Luso Sporting Club. Evidentemente, que foi um livro feito por um iniciante, contendo erros e omissões, mas os trezentos exemplares foram todos vendidos e a edição está esgotada.

Veio a minha aposentadoria, hora de vestir o pijama, calçar um chinelo, se embalar numa cadeira de macarrão, ler jornais e dormir durante o dia e a noite, esperando a morte chegar.

Mas eu fiz tudo ao contrário: continuei trabalhando com o meu filho mais velho, caminhando e fotografando a minha cidade Manaus, frequentando os bares tradicionais, tomando banho na Ponta Negra e na Praia da Lua.

Além disso, continuei fazendo o que eu mais gosto: escrever os meus livros e interagir nas redes sociais. Segundo a escritora Carolina Santos, “Escrever alivia a alma, enriquece o conhecimento e dá voz a quem não a tem”.

Ao chegar ao final do ano, renovo a minha fé e a minha esperança em um mundo melhor e que os meus livros sejam impressos e bem aceitos por todos vocês.

Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

A CHEIROSA


José Rocha

A “Cheirosa” é uma invenção dos indígenas da nossa América do Sul. Foi “descoberta” pelos portugueses quando eles chegaram por essas bandas e relataram aos seus chefes de além-mar que era um costume muito comum usá-la pelos habitantes do “Pau Brasil”.

A “Cheirosa” é cheia de histórias. Por incrível que pareça, ela também servia para enterrar mortos no meio rural. E não era só isso: os escravos também tinham que carregar os colonos para passear na cidade na “Cheirosa”. Pense num sossego para quem ia deitado na “Cheirosa”.

As mulheres dos portugueses deram um toque de classe na “Cheirosa”. Elas enfeitaram-na com franjas e fizeram de algodão.

Alguns caboclos, quando viajavam de avião, levavam a danada junto. Pense numa zoeira!

As famílias de antigamente usavam a “Cheirosa” sem falta, pois não tinha nada melhor para coçar e acabar com as frieiras.

Um velho amigo tinha um truque com a “Cheirosa”. Ele a colocava em cima de onde a mulher dormia. De manhã, ele descia para fazer amor e depois voltava para a “Cheirosa”.

Tem uns caboclos que dizem que a cobra pode entrar na “Cheirosa”, mas não sai dela nem com raiva. Eles preferem levar uma picada.

Hoje, quase fim do ano de 2023, resolvi dar um banho na “Cheirosa” para deixá-la mais cheirosa ainda. Mas, depois do banho merecido, caiu um toró que não foi moleza.

Amanhã ela vai estar sequinha e, com certeza, vou passar o Ano Novo dentro da minha “Cheirosa”.

Para quem não sabe, a minha rede de dormir se chama “Cheirosa”.


domingo, 17 de dezembro de 2023

AJUDA AO PRÓXIMO

 

Jose Rocha

Hoje, estava no DB e um cidadão estava reclamando dos preços que subiram muito.

Ele, em sua ingenuidade, falou que o dono do supermercado deveria ter mais coração e vender os produtos de primeira necessidade mais baratos para os pobres, tendo em vista o Natal.

Falei-lhe:

- Amigo, esses caras possuem o coração físico, mas, não o da mente! Para eles o que interessa são os lucros, pois existe uma tal de Lei da Oferta e da Procura, na qual eles aumentam os preços de uma forma absurda em decorrência da grande procura para os festejos do Natal e Ano Novo, onde os trabalhadores torram o seu décimo terceiro em compras.

Muitos e muitos anos atrás, bote tempo nisto, trabalhei com o pai e os tios do Senador Eduardo Braga.

Eles eram donos da Braga & Cia, que além de revenderem automoveis da marca Chevrolet possuíam os supermercados "Lojas Populares".

Trabalhei com eles na administração e presenciava, todos os sábados, a entrega de uma certa quantia em dinheiro para um monte de gente que fazia fila para receber a sua grana semanal.

Era dinheiro vivo, que fazia muita gente ficar feliz com o "faz me rir!

Alguns recebiam ranchos e outros mantimentos dos velhos "Braga".

E isto não era somente no Natal e Ano Novo, mas durante o ano todo!

Não sei se o atual Senador Dudu mantêm a tradição da família.

Não sei. Somente sei que, ele gosta mesmo é de ostentação e abraçar pobre em época de eleição!

Muitos empresários gostam de alardear pelos quatro cantos que são filantropos, mas é tipo "orelha de freira de antigamente": ninguém nunca viu!

Bem sei que, a grande maioria não faz como faziam os irmãos Braga: ajudar diretamente os mais necessitados.

Os atuais, mandam muita grana e mantimentos para igrejas, instituições que cuidam dos doentes e carentes, além das ONGS.

O problema é que, muitas das vezes esses recursos não chegam na outra ponta, pois os mais espertos ficam com a maior fatia no meio do caminho.

Eu, por exemplo, possuo parcos recursos, mas quando estou "Barão" ajudo diretamente algumas pessoas e, nunca pastor e muito menos, padre, pois eles já são ricos de tantos donativos.

Se você possui "bala na agulha" e deseja ajudar, faça isto diretamente.

Vá com sua equipe nas comunidades mais pobres e doe cestas básicas, não somente no Natal, mas pelo menos uma vez por mês.

O homem lá de cima estará olhando e dando credito para você entrar no Reino dos Céus.




Ajude o próximo.