terça-feira, 29 de março de 2016

NOS TRILHOS DOS BONDES DE MANAUS


Com os trabalhos de revitalização da Avenida Eduardo Ribeiro, apareceram os antigos trilhos dos bondes que circulavam em Manaus, mostrando para os manauaras e turistas um pouco da nossa história que estava enterrada em nome do progresso.

A nossa cidade foi uma das ricas do Brasil, em decorrência da maciça exportação de borracha “in natura”, no final do século dezenove e inicio do vinte - com os cofres cheios, foi possível embelezar a cidade nos moldes das europeias, dotando de redes de energia elétrica e a implantação dos bondes.

Os elétricos circularam precariamente depois da Segunda Guerra e desaparecendo no final da década de quarenta, sendo substituídos por ônibus de madeira. O governador Plínio Coelho, ainda tentou voltar uma linha em 1957, mas foi em vão, deixando apenas os trilhos para contar a história.

Em nome do progresso, foram colocados camadas de asfalto nas ruas de Manaus, enterrando os trilhos dos bondes e as pedras de paralelepípedos e de jacaré.

Com a revitalização do Largo de São Sebastião(Teatro Amazonas/Praça e a Igreja de São Sebastião), a Secretaria de Cultura (SEC) recuperou e deixou amostra para as novas gerações parte do calçamento de pedras de paralelepípedos da Rua José Clemente e dos trilhos que circundam a Praça.


Os trilhos das esquinas da Avenida Eduardo Ribeiro/Rua Dez de Julho e da Praça de Sebastião faziam parte de duas linhas de bondes para o“Plano Inclinado/Fábrica de Cerveja” (Miranda Corrêa, fabricante da cerveja XPTO), no bairro de Aparecida.


Os bondes saiam da Praça XV de Novembro (atual estacionamento do Porto de Manaus, na antiga Booth Lines), percorriam a Rua Rocha dos Santos (prédio da Alfândega), Rua dos Andradas, entrando na Rua Doutor Moreira até a Praça da Polícia, depois, Rua Rui Barbosa (ao lado Colégio Estadual) até a Rua Saldanha Marinho, Rua Costa Azevedo, Largo de São Sebastião, a esquerda da Rua Dez de Julho, Alexandre Amorim, e Rua Wilkens de Matos, chegando ao Plano Inclinado (na Fábrica de Cerveja Miranda Correa).

Existia outra linha mais curta para o Plano Inclinado, com o bonde subindo a Avenida Eduardo Ribeiro, dobrando a esquerda na Rua Dez de Julho.

Existe um projeto engavetado na Secretaria de Cultura do Amazonas, no qual os bondes voltariam a circular num pequeno trecho, saindo do Porto de Manaus (Roadway), subindo a Avenida Eduardo Ribeiro até o Largo de São Sebastião, destinado, em parte, aos turistas vindos dos transatlânticos.

Conheço os bondes apenas por fotografias antigas e, viajo neles através dos relatos escritos nos livros do Mario Ypiranga, Jefferson Péres, Thiago de Melo e outros escritores amazonenses.


Por hora, contento-me em caminhar pelos trilhos dos bondes de Manaus, que aos poucos vão sendo desenterrados e, fico na esperança de um dia voltarem a circular pelo centro histórico da nossa cidade. É isso ai.
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