sexta-feira, 25 de março de 2016

120 ANOS DA PONTE ROMANA I


Situada a Avenida Sete de Setembro (antiga Rua Municipal), entre as ruas Igarapé de Manaus e Major Gabriel, na cidade de Manaus, conhecida pelos manauaras como “Primeira Ponte”, por existirem naquele logradouro mais outras pontes – está completando, em 2016, cento e vinte anos de construção, requerendo um maior respeito e cuidado por parte das nossas autoridades governamentais.

Naquele local, existia o Igarapé de Manaus e, quando da enchente do Rio Negro, as suas águas límpidas invadiam toda aquela área - tempos bons que ainda alcancei.

Para o acesso dos bondes elétricos pela antiga Rua Municipal até o bairro da Cachoeirinha (o ponto final e garagem dos bondes ficava onde é hoje a sede da Amazonas Energia), foi necessária a construção dessa ponte e outras mais ao longo do percurso (Ponte Marechal Deodoro, Romana II ou Segunda Ponte; Ponte Benjamin Constant, Ponte de Ferro ou Terceira Ponte) - existia a Ponte Romana III, para acesso ao bairro de Educandos, essa foi destruída em nome do progresso pelo governo do Amazonas através do PROSAMIM.

A ponte foi edificada pelo então governador do Amazonas, o maranhense Eduardo Ribeiro (1892-1896), em substituição a uma precária ponte de madeira - recebendo essa denominação de “Romana” por ter a forma das pontes de arquitetura romana, caracterizadas pelos seus arcos plenos.

Foi inaugurada em 1896 (o mesmo ano da inauguração do Teatro Amazonas), recebendo o nome oficial de Ponte Floriano Peixoto (esse nome não vingou pela população), em homenagem ao vice-presidente que se tornou Presidente da República, em 1891, em decorrência da renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente da República).

O governador Eduardo Ribeiro, apelidado de “O Pensador” (um jornal maranhense onde ele escrevia), era um militar/engenheiro que, na sua juventude, lutou muito para a queda da monarquia e a implantação da forma republicana de governo (ocorrida em 15 de novembro de 1889), gostava de colocar os nomes de militares republicanos nas obras em que ele inaugurava.

A sua construção ficou a cargo do engenheiro civil Miguel Ribas - possuindo 230 metros de vão, 15 de largura e uns vinte de altura (parte foi aterrada pelo PROSAMIM), com o passeio público em pedras de Lioz e gradis de proteção (guarda-corpo?) em ferro fundido, importados da Europa - possui três arcos que serviam para passagem de barcos quando da cheia do rio.

Na lateral que fica para o Parque Jefferson Péres ainda estão dois leões e três tubos de ferro (a do outro lado foram retirados), onde jorravam as águas das chuvas -, na minha adolescência, descia pela lateral da ponte segurando pelas suas extremidades e, equilibrando nesses canos, pulava dentro do rio.

Existem duas placas em ambos os lados, de mármore branco (originais, comemorativa da inauguração da ponte), com os seguintes dizeres:

 “CONSTRUÍDA - NA ADMINISTRAÇÃO - DO GOVERNADOR EDUARDO GONÇALVES RIBEIRO - EM 1896”

Por lá passavam os bondes (desativados na década de cinquenta) da linha Cachoeirinha, como mostra a fotografia antiga – caso forem retirados o asfalto, acredito que ainda poderemos encontrar as pedras de paralelepípedos e os trilhos, assim como foram encontrados na Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Dez de Julho.

Com a finalidade de facilitar o escoamento de contêineres do Porto de Manaus até o Distrito Industrial, o governo aterrou vários igarapés do centro de Manaus, construindo a tal “Manaus Moderna”, dando o nome de Avenida Lourenço Braga.

Foram represadas as águas da cheia do Rio Negro que, outrora, invadiam todo o Igarapé de Manaus. Atualmente, jorra apenas um pequeno córrego de águas vindas da sua nascente que fica por detrás da sede da TV Cultura, na Praça 14 de Janeiro (ainda existe uma baixada que termina no Rio Negro, onde era o leito do rio), misturadas com as pluviais e os dejetos das casas e conjuntos habitacionais.

Para a construção do Parque Desembargador Paulo Jacob (antigo morador da Rua Major Gabriel) e do Parque Senador Jefferson Péres (Senador do Amazonas e antigo morador da Rua Huascar de Figueiredo), pelo PROSAMIM (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), o governo do Estado aterrou praticamente toda a Ponte Romana I, deixando no fundo parte da nossa história.

Por ter sido morador daquela área na minha infância e adolescência, guardo boas lembranças daqueles tempos bons, onde eu e a molecada do igarapé de Manaus passávamos parte do nosso tempo de lazer pulando da ponte (na cheia do rio), nadando, pescando e passeando entre os seus arcos.

No futuro, caso tenhamos um governo mais sensível com a nossa história, a Ponte Romana I deveria ser desenterrada, abrindo os arcos para passagem das pessoas para acesso a ambos os parques, com portões de proteção ao Parque Senador Jefferson Péres, pinturas em cores originais e iluminação cênica.

Nesse ano de 2016, a Primeira Ponte está completando 120 anos de construção e, devido a um grande trabalho de engenharia civil do final do século dezenove e visão de futuro, continua firme e forte, suportando até os tempos atuais um trânsito bastante pesado.

A Ponte Romana Primeira
Por ficar próximo ao antigo Palácio do Governo
Possuindo história e grande beleza
Não pode continuar enterrada e esquecida
Pela atual realeza (governantes)


É isso ai.
Postar um comentário