quarta-feira, 25 de março de 2015

DE MENOR


Não existe “de menor”, o correto é menor de idade, mas, quando é apelido, vai ficar para o resto da vida. Pois bem, conheci um sujeito que morava na Avenida Joaquim Nabuco, próximo ao Colégio Barão do Rio Branco – ele era baixinho e, acredito que em decorrência da sua estatura, pegou a alcunha de “De Menor”.

O que tinha de pequeno sobrava em esperteza e brabeza – o cara ficava exaltado quando tomava “umas e outras” no “Bar do Toscano e Seiça”, na esquina da Rua Huascar de Figueiredo – ele era inteligente, tinha um pensamento rápido, gesticulava e argumentava de uma forma que “derrubava até avião”, não gostava nem um pouco de ser contrariado e não levava desaforo para casa.

Ele tinha esse comportamento, mas era gente boa, todos gostavam muito dele, pois era um artista - vez e outra abria um sorriso e, adorava “dar um cotoco” para qualquer um – acho que se fosse advogado criminalista, com certeza, daria um show num tribunal de júri.


Certa vez, foi de barco até o Festival de Parintins – como não encontrou um local para atar a sua rede, pois estava “até o tucupi” de gente, resolveu coloca-la no passadiço, um local proibido pelas autoridades marítimas.

Quando o caboco estava “até o talo” de “manguaça”, deu uma deitada e começou a roncar – pela madrugada, o barco começou a balançar e, não deu outra, o De Menor caiu dentro do Rio Amazonas.

Algumas pessoas o viram cair e começaram a gritar para o Comandante parar a embarcação – foi alvoroço total – foi passado “um rádio” para outras embarcações que vinha no mesmo trajeto, comunicando sobre o ocorrido. 

Depois de muitas buscas, encontraram o De Menor agarrado em uma “boia” (tora de madeira), rindo e dando cotoco para a galera. Pense numa fuleiragem!

Esse feito foi contado centenas de vezes no boteco, com as mais fantasiosas possíveis - todos davam gargalhadas das estripulias do De Menor.


Faz um tempão que não vejo o De Menor - saudades dos papos e cotocos em mesa de boteco. É isso ai.
Postar um comentário