terça-feira, 4 de novembro de 2014

A CÚPULA DO TEATRO AMAZONAS

A cúpula do Teatro Amazonas fascina a todos que visitam o Largo de São Sebastião - dizem que ela é constituída com trinta e seis mil escamas de cerâmica, estilizando a bandeira brasileira, sendo um das partes mais fotografado pelos turistas e amazônidas, perdendo somente para a fachada. 

Na época da inauguração do TA, em 1896, a população local não gostou nem um pouco dessa cúpula, pois a chamavam de “aleijão, manteigueira e monstruosidade” – o jornal “A Federação”, criticava de maneira insólita as sua policromia, insinuando a semelhança com um papagaio - outros, comparava a cobertura de uma mesquita.

Dizem que a sua real função era de permitir que o Pano de Boca da cena e bastidores subisse sem dobrar, sendo içada por um mecanismo até o vão da cúpula - não sei se está correto, pois ainda não tive a oportunidade de conhecer o seu interior.

Na nossa Manaus de outrora, quando somente existia o prédio do IAPETEC (atual INSS), essa parte superior do TA era vista por toda cidade – os viajantes quando chegava a nossa cidade, pelo Porto de Manaus (Roadway), a primeira coisa que avistavam era exatamente essa parte côncava.

Segundo o historiador amazonense Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004), “o serviço completo de cobertura do Teatro Amazonas foi contratado por duzentos contos de réis (Rs.200:000$000), incluindo-se tirantes, vigas, consolos, caibros, condutores, para-raios e montagem da cúpula. Em moeda francesa da época, correspondiam a vinte mil, duzentos setenta e cinco francos. A cúpula foi adquirida à Casa Koch-Frères, pela importância de trinta mil francos, constituída de telhas vidradas da Alsácia. Terminada a montagem a 30 de novembro de 1895, trabalho executado pelos técnicos franceses Adhémar Lelubre, chefe, e auxiliares Belonic Candeller e Adolphi Rigonsi. O primeiro recebeu de gratificação pela rapidez do serviço um conto de réis (Rs.1:000$000) e os demais quinhentos mil réis (Rs. 500$000). A pintura ornamental é de autoria de Lourenço Machado, que a fez por seis contos, setecentos e sessenta e seis mil e novecentos vinte réis (Rs.6:766$920). Nesse rol está incluído o arco-de-proscênio, da mesma casa vendedora e colocado pelos mesmos técnicos. Durante a recuperação operada no governo cel. João Walter de Andrade, muitas das telhas danificadas foram mandadas fazer no Brasil e lá estão confundidas com as demais”.

O governador Eduardo Ribeiro, conhecido como “O Pensador”, era militar, republicano e maçom – como a Bandeira Brasileira possui símbolos maçônicos, ele determinou que a cúpula do TA fosse estilizada externamente com o nosso pavilhão nacional.

Houve uma corrente para demoli-la, tanto que foram feitos editais chamando concorrentes para os serviços de desmontagem - o diretor das Obras Públicas, o Dr. Anísio de Carvalho Palhano, fez a seguinte justificativa: “O vigamento da cobertura, defeituoso, não suporta o grande peso da cúpula, de sorte que é urgente retirá-lo, como que muito lucrará o efeito estético do edifício, livre de tal excrescência...”!

Segundo o autor acima citado “a não demolição da cúpula decorreu de causas que prendem obviamente ao mérito das propostas - aparentemente houve indiferença por parte dos empreiteiros, tanto que a propostas, poucas, apresentadas, fora anuladas in limine – o majestoso zimbório, venceu a idiossincrasia (maneira própria de ver de alguns) e ganhou a idiopatia (aceitação) de milhares, provando aos incréus que as paredes espessas do Teatro podia arcar com o seu peso”.  Ainda bem! É isso ai.

Foto: Rocha
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