quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O NOSSO PESAR PELA PASSAGEM DO ARTISTA PLÁSTICO ROBERTO CRAVO

Segundo noticiou o nosso amigo Jose Ribamar Mitoso, o artista plástico Roberto Cravo foi para o andar de cima.

Tive a oportunidade de vê-lo passar pela última vez, no Largo de São Sebastião, como eu estava com pressa, não parei para bater um papo com ele. Uma pena!

Existe uma talha que está exposta faz muito tempo no Bar do Armando, foi um trabalho do Cravo, baseado em um desenho do Hanneman Bacellar, onde aparece o poeta Frankenstein escrevendo os seus versos com a sua perna de piroca!

Fiz esse foto colagem faz algum tempo atrás, aparecendo o livreto de poesias do “Poetatu” e a rainha da BICA, a Petrolina.

Os artistas não morrem, ficam eternizados em suas obras!

MORREU O ARTISTA PLÁSTICO ROBERTO CRAVO: AO CRAVO, UMA ROSA!

Texto do José Ribamar Mitoso.

Roberto Cravo foi, é e será o artista plástico mais enraizado na cultura indígena-cabocla da floresta Amazônica. Com o entalhe em madeira, sua principal expressão, transformava a matéria-prima da floresta em arte para envergonhar quem a transformava em carvão ou commodities.

Sua resistência política, como artista, mulato, homossexual e comunista do Partidão, era sua forma artística: a floresta recriada, expressando nos restos de madeira recolhidos o inconformismo e a revolta contra a floresta devastada pelo capitalismo, mas também a elegância, a alegria e a decisão de ser um combatente a favor da liberdade total.

Há seis meses, em um domingo de sol, visitei sua casa-atelier no bairro operário Nova Cidade, junto com seu vizinho e meu compadre Jackson Andrade.

Fizemos o que sempre fazíamos quando nos encontrávamos para celebrar a vida e aproveitamos para ver o sítio arqueológico Aruake, perto de sua casa e nas bordas da Reserva Duke. Roberto celebrou seus 70 anos de vida! Ensinou nos países da Pan-Amazônia aquela que seria sua vocação estética visual mais profunda!

Com suspeita de malária, febre alta, não consegui encontrar nenhuma foto do meu camarada na web. Mas encontrei esta declaração poética de amor, em forma de réquiem, escrita pelo meu primo teatrólogo Wagner Melo. E com ela me despeço para um dia reencontrá-lo na fluente luz universal! Viva a Revolução, Roberto querido!


"Meu amigo querido que há tanto perguntava onde andará? O último artista fiel à resistência. Quantas vezes Manaus te assassinou? Quantas vezes te suicidaram. Quantas portas te bateram na cara? Que as portas do céu estejam abertas pra te receber com toda a pompa que um artista do teu quilate sempre mereceu na terra e que você jamais recebeu". (Wagner Melo).

Foto do Rogelio Casado "O lendário artista plástico Roberto Cravo, que escandalizou o Pecebão ao participar da campanha pela democratização do país com duas peças: biquini vermelho minúsculo e bandeirola do PCB". Posted by Picasa
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