sábado, 5 de abril de 2014

O CALÇAMENTO DE MANAUS EM PARALELEPÍPEDO

Recentemente, a Prefeitura de Manaus fechou o Largo da Matriz, para efetuar a revitalização daquele espaço histórico, onde se encontra o Relógio Municipal, um Chafariz, um Obelisco, o antigo Aviaquário (desativado), praças, casas centenárias e a Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição – no trabalho inicial de escavação foi encontrado na Avenida Eduardo Ribeiro um calçamento de pedras de paralelepípedo, causando espanto para os técnicos do governo municipal.

O Prefeito Arthur Neto esteve no local e, determinou o restabelecimento do original, retirando camadas de cimentos e de asfalto que encobriram por muitos anos a história da nossa cidade.

Naquele local, existia o Igarapé do Espirito Santo, o qual foi aterrado em 1892, por ordem do governador Eduardo Ribeiro, para dar andamento ao processo de embelezamento da cidade – com o seu calçamento em paralelepípedo (hexaedro cujas faces opostas são paralelas e congruente) - existe por aquelas imediações um marco que está escondido dentro de uma galeria, ele tinha a função de medir as enchentes daquele igarapé.

Segundo os especialistas, o asfalto tem o poder de absorver o calor durante o período de insolação, liberando depois para o meio, parte desse calor, causando um desconforto térmico muito grande, por outro lado, no calçamento de paralelepípedo o comportamento é totalmente diferente, pois as suas características geológicas, absorvem menos calor, deixando a temperatura mais amena e tornando o clima mais agradável.



É um tipo de calçamento totalmente ecológico, pois depois de algum tempo aparecem fungos e gramíneas inseridas entre as juntas, desempenhando funções importantes para o meio ambiente, com a absorção de água e nutrientes, retendo parte dos sólidos carreados pelas águas das chuvas e micro partículas de poluição – tem mais: essas plantas realizam fotossíntese capturando o CO2 liberado pelos automóveis e liberando O2!

Na realidade, as principais ruas do centro antigo de Manaus, foram originalmente dotadas de paralelepípedo, mas, o progresso e a irresponsabilidade dos homens que governaram as últimas décadas, foram mudando “o velho” (as pedras) pelo “novo” (cimento e asfalto) – demonstrando uma total ignorância e desrespeito pela história da nossa cidade.


Os tempos são outros, os gestores públicos amazonenses estão mais sensíveis e, começaram a valorizar e a respeitar parte da nossa história que estava enterrada – o Largo de São Sebastião e a Praça do Congresso constituem-se em exemplos e, a Avenida Eduardo Ribeiro, um sinal de que teremos de volta, brevemente, o brilho da mais bonita e charmosa via pública da nossa cidade da belle époque. É isso ai.
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